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quinta-feira, novembro 06, 2025

No dia das trevas brilhou a luz


"E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." - Génesis 3:15. 

A serpente tentou Adão e Eva e eles sucumbiram. Mas no dia mais tenebroso da existência humana houve um raiar de luz e esperança. Deus podia ter destruído Adão e Eva de forma imediata, ao invés, providenciou um Salvador. Este versículo é chamado de protoevangelho porque é o primeiro sinal da intenção redentora de Deus. Por entre contendas, dores e feridas, erguer-se-ia o Homem nascido de mulher para ferir a Serpente. 

Não estava tudo perdido. No raiar do novo dia havia expectativa, esperança, salvação. Sangue seria derramado, porque sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9:22), mas o prenúncio do fim libertador estava dado. Entrou a guerra e a desordem neste mundo e Deus faria a paz e traria ordem a todas as coisas. 

As inimizades, as dores, as feridas, não nos devem surpreender, fazem parte da nossa natureza caída. A alegria, o livramento e a vitória estão garantidas para todo aquele que crê no Salvador que esmagou a cabeça da serpente.

quinta-feira, julho 24, 2025

Estás a confiar em quem?


Um jovem rico ajoelha-se diante de Jesus e pergunta: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Jesus diz-lhe: "Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus." Jesus questiona a pergunta do jovem não porque não era bom, mas para despertar a consciência dele. Aquele jovem desconhecia que Jesus era mais do que um bom Mestre. Diante daquele jovem estava O próprio Deus encarnado e O Salvador.

Jesus acrescentou que ele devia guardar os mandamentos. Na sua presunção, o jovem respondeu que fazia isso desde pequeno. O Senhor olhou para ele com olhos de amor e compaixão e disse que lhe faltava uma coisa - vender tudo quanto tinha, dar aos pobres e seguir Jesus. Contrariado, o jovem retirou-se triste porque possuía muitas propriedades.

O jovem rico não seguiu Jesus.  Desprezou Jesus, perdeu a vida eterna. Ganhou este mundo, perdeu a eternidade. Preferiu ir para o inferno do que largar os seus bens. O jovem rico tornou-se o mais pobre de todos os pobres. Ganhou este mundo, perdeu o outro. 

Então, Jesus, olhando agora para os seus discípulos exclamou: "Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!" Isto não significa que os ricos não podem ser salvos ou que só os pobres é que podem entrar no Reino de Deus. Nada disso. O grande alvo de Jesus não é melhorar a vida de pessoas na terra, é levá-las ao céu. Jesus está a afirmar que os que têm riquezas têm uma dificuldade ainda maior para entrar no Reino celestial. 

Os discípulos admiraram-se muito com aquelas palavras de Jesus. Porquê? Os judeus acreditavam que a prosperidade era um sinal do favor divino e que um homem próspero era um homem que merecia o Reino de Deus. Hoje alguns evangélicos ainda acreditam nisso. Jesus explica melhor: “Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus!” O problema não estava em ter riquezas, mas em depositar a confiança nas riquezas. Ao contrário do que os judeus pensavam, as riquezas não facilitam a entrada no reino de Deus. Dificultam ainda mais! Os que confiam nas riquezas fazem do dinheiro o seu deus (Mamom) e por isso não confiam no verdadeiro Deus.

Para ilustrar esta impossibilidade de alguém que confia nas riquezas ser salvo, Jesus diz “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus.” Alguns dizem que a agulha era uma porta pequena que existia na muralha em Jerusalém e que os camelos tinham dificuldade em passar. Mas isto é uma lenda inventada no século IX. A maioria dos estudiosos rejeita essa explicação, porque não há evidência histórica ou arqueológica de que existisse tal porta em Jerusalém. Jesus usa esta hipérbole para reforçar a impossibilidade de um pecador alcançar a salvação por si próprio.

Os discípulos de Jesus, ainda ficaram mais intrigados: “Quem poderá, pois, salvar-se?” Jesus olhou para eles e respondeu: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” A conversão de um pecador é uma obra sobrenatural de Deus. É milagre do Espírito Santo. Ninguém pode salvar-se a si mesmo. Ninguém pode nascer de novo por si mesmo. Sim, a salvação é impossível para o homem, mas louvado seja o Senhor, porque para Deus, todas as coisas são possíveis. A graça de Deus pode alcançar e salvar o pior dos pecadores! Deus até pode salvar um bilionário idólatra que se arrependa e creia que Jesus Cristo é o único Salvador e Senhor. 

Considerando estas palavras de Jesus, Pedro pergunta: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos, o que receberemos?” (Mt 19:27). O jovem rico não seguiu Jesus, mas o que dizer daqueles que largam tudo e seguem Jesus como os doze Apóstolos e outros discípulos? O Senhor prometeu que esses receberão cem vezes mais do que tinham. A promessa é presente e futura. Mas também enfrentarão “perseguições”. Conforme disse Paulo a Timóteo: "Todos aqueles que querem viver uma vida dedicada a Cristo Jesus serão perseguidos" (2Tm 3:12 - VFL). Mas a maior de todas as dádivas, é que o seguidor de Jesus receberá no século vindouro a vida eterna, por causa da graça de Deus.

“Muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros”, conclui Jesus. No Reino de Deus a lógica é diferente: muitos que são ricos e poderosos neste mundo serão desprezados, e muitos que são ignorados e nada tiveram aqui, serão primeiros no Reino de Deus. Aqueles que parecem ser os “primeiros” - os ricos, poderosos, religiosos de aparência, influentes - ficarão excluídos e desprezados por Deus. E os “últimos” - os pecadores arrependidos, os cristãos que por vezes são desprezados e ignorados por todos - serão elevados e colocados em lugares de honra. 


QUATRO APLICAÇÕES 

1. Confiar nas riquezas é uma loucura. Jesus contou uma história, em Lucas 12 de um homem rico que teve uma colheita farta e armazenou tudo em celeiros novos. Ele disse a si mesmo: “Armazenaste o bastante para os anos futuros, agora, repousa, come, bebe e diverte-te!”  Mas Deus disse-lhe: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma e o que preparaste, para quem será?” As riquezas são incertas, passageiras e incapazes de salvar a alma. Não garantem o futuro, nem protegem da morte e do juízo eterno. Pv 11:28 diz “Aquele que confia nas suas riquezas cairá.” Confiar nas riquezas é a grande loucura desta vida, porque quem confia nas riquezas não pode confiar em Deus. 

2. Confiar em Deus é melhor do que as maiores riquezas desta vida. Ao contrário do dinheiro e das riquezas, Deus é eterno, poderoso, dá segurança real e vida eterna. “Fujam do amor ao dinheiro; contentem-se com o que têm, porque Deus disse: ‘Não te deixarei, nem te abandonarei.’” Hb 13:5 [OL].

3. É impossível ao homem salvar-se a si mesmo. “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” A salvação é algo sobrenatural que transcende o esforço humano. Só Deus, através da sua graça, nos pode dar fé para crer na salvação de Jesus. 

4. Seguir Jesus Cristo compensa. Quem deixa tudo por amor a Cristo será recompensado, nesta vida e na eterna. O objectivo do discipulado não é receber recompensa. Não servimos a Deus por aquilo que Ele dá, mas por quem Ele é. 


A grande pergunta a que tens que responder é: Em quem estás tu a confiar?

segunda-feira, junho 30, 2025

Duas grandes verdades

"A verdade de que somos pecadores está dolorosamente connosco para humilhar-nos e fazer-nos vigilantes; a mais abençoada verdade, de que todo aquele que crê no Senhor Jesus será salvo, permanece connosco como a nossa esperança e alegria." 

- Charles H. Spurgeon

quarta-feira, junho 25, 2025

Jesus abençoa as crianças


Depois de ter ensinado acerca da importância do casamento, Jesus agora vai falar dos filhos. Na cultura grega e judaica, as crianças não tinham o devido valor que têm hoje. O texto bíblico de Marcos é curto e conciso. Com Jesus aprendemos que não é preciso fazer longos discursos para transmitir verdades muito profundas.  

Surgem quatro tipos de pessoas nesta passagem: as crianças; os que trazem crianças a Jesus; os que impedem as crianças de irem a Jesus e Aquele que abençoa as crianças. As crianças seriam pequenas, talvez alguns bebés. Os que levam crianças a Jesus são facilitadores. Os pais são os primeiros responsáveis, mas cada cristão tem a obrigação de trazer pessoas a Cristo. Foram os discípulos de Jesus que impediram as crianças de irem até Ele. É triste constatar que por vezes somos nós os obstáculos das pessoas irem a Cristo. Aquele que abençoa as crianças é Jesus. As crianças eram desprezadas e ignoradas, Cristo sempre valorizou e abençoou os esquecidos e excluídos. As crianças também.

Mateus 19:13 diz que lhe trouxeram crianças “para que lhes impusesse as mãos e orasse”. A bênção das crianças era normal no judaísmo. Pedir a bênção dos pais era um costume em Portugal. Hoje é coisa rara. A recusa dos discípulos de Jesus seria talvez por pensarem que Jesus não queria ser incomodado e que as crianças não eram dignas de estar com O Senhor. Queriam controlar a agenda do Mestre. Jesus é Senhor e tem sempre tempo para acolher e abençoar quem vem a Ele.  

Marcos relata que Jesus indignou-se com esta atitude dos discípulos. Não foi esta a única vez que Jesus se indignou. A hipocrisia, a dureza de coração, o desprezo pelos mais pequenos, as negociatas da fé, o pecado, indignam Jesus. “Deixai vir os pequeninos a mim” disse Jesus (Mc 9:14). Levar os pequeninos a Jesus é a coisa mais maravilhosa que podemos fazer. O ministério com crianças numa igreja local é importantíssimo. Que nenhum cristão cometa a loucura de afastar uma criança de Cristo e da sua salvação. Tantas vezes a nossa indiferença, mau exemplo, falta de ensino espiritual, superioridade de adulto, são barreiras que impedem as crianças de irem a Jesus.  


“Porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 9:14). Embora existam várias interpretações desta frase de Jesus, existem alguns princípios a considerar:  

1. Todas as crianças nascem em pecado e são pecadoras. Davi disse: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). 

2. Os bebés e as crianças que morrem antes da idade da consciência, são salvas por meio da graça de Deus e por causa da obra redentora de Cristo (2Sm 12:23). O sangue de Jesus cobre as suas iniquidades.

3. Depois de ter consciência do seu pecado, toda a criança precisa arrepender-se, crer em Jesus como seu Salvador e aceitar o sacrifício de Cristo para ser salva (2Tm 3:15).
 

Jesus acrescenta que para alguém entrar no reino de Deus tem de o receber como uma criança. O Reino de Deus não é conquistado, é recebido. A vida eterna é um presente divino, não um prémio de bom comportamento. Receber o Reino de Deus como criança não é ser infantil ou imaturo espiritualmente. Não é ser inocente e nem dar crédito a qualquer doutrina ou pregador. Significa depender de Cristo. É sentir-se indigno do Reino para lá entrar, porque é somente pela graça de Deus que se entra. É confiar inteiramente nas mãos do Pai e Jesus.  

A passagem termina com Jesus a tomar nos seus braços aquelas crianças, a impor-lhes as mãos e a abençoá-las. Que coisa maravilhosa! Embora não exista nenhum versículo na Bíblia que diga explicitamente que Jesus sorriu, é difícil imaginar esta cena sem Jesus estar a sorrir para aquelas crianças.

Jesus valorizou muito as crianças. Que nós também possamos orar, cuidar e abençoar as crianças. Que sejas mais um facilitador e um abençoador do um dificultador. Não atrapalhes as pessoas de se chegarem a Jesus. Falemos de Jesus e da sua salvação aos nossos filhos, netos, bisnetos. Oremos e trabalhemos pela evangelização das crianças em Portugal. Jesus continua a querer salvar e a abençoar hoje todo aquele o Pai o enviar a Ele. Todos precisam ir a Jesus e receber a Sua salvação.  

“Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” João 6:37.

terça-feira, abril 15, 2025

Cristo sofreu para nos levar a Deus

"Na cruz, Cristo não apenas sofreu a ira de Deus em nosso lugar, mas abriu o caminho para que fôssemos aceitos como filhos diante do trono celestial." 

- William Perkins

quinta-feira, novembro 14, 2024

Como se pode ter vida eterna?


"E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste."
- João 17:3. 

Nesta sua oração, Jesus explicou de forma clara como se alcança a vida eterna. A vida eterna não é só uma realidade futura mas um encontro com o Divino, na história da nossa vida aqui. Quando pela sua graça, O Pai se revela como único Deus verdadeiro e a pessoa crê que Jesus Cristo veio a este mundo para ser o nosso Salvador e Senhor, começa a vida eterna. 

Conhecer Deus e Jesus Cristo é encontrar-se com a vida eterna, porque Jesus não só tem vida, Ele próprio é a vida (João 14:6). Vida na sua dimensão total e plena. Vida na dependência e na comunhão vital com Deus e com a sua Palavra. A vida que brota do encontro pessoal com aquele é a expressão máxima da vida eterna - Jesus Cristo.

quinta-feira, setembro 19, 2024

Coração sem fermento

A seguir à segunda multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus e os seus discípulos entram num barco e vão para Dalmanuta. Pensa-se que esta região ficaria entre Cafarnaum e Magdala, na planície de Genesaré. Lemos no Evangelho de Marcos que apareceram os fiscais da boa religião: os fariseus. Discutem com Jesus e pedem-lhe um sinal do céu. Depois de tantos milagres que Jesus já tinha feito, este pedido é no mínimo um absurdo. Na verdade, eles não tinham o menor desejo de mais sinais, queriam desacreditar Jesus. Era uma curiosidade desonesta. 

Algumas pessoas que não aceitam Jesus, dizem que se vissem um sinal elas acreditariam. Só que isso são desculpas esfarrapadas porque a fé verdadeira não precisa de mais sinais. A fé autêntica, não sendo um salto no escuro, é a confiança apoiada na revelação da Palavra de Deus, em Jesus Cristo e na Sua obra realizada na cruz pelos nossos pecados.

Jesus dá um suspiro profundo. Este suspiro é muito mais do que cansaço, enfado ou impaciência. É um gemido que vem das entranhas mais profundas de Jesus. É um suspiro contra a incredulidade e contra a obstinada falta de confiança no Messias. Jesus diz que não fará mais sinais para eles, porque sabe que as suas motivações são malignas. O grande sinal seria dado quando Jesus ressurgisse dos mortos. Devemos seguir Jesus, não por causa dos seus milagres (e Ele faz milagres!), mas porque Ele é o único Salvador.

Entretanto, entraram novamente no barco e, no Mar da Galileia, O Senhor advertiu os seus discípulos para se afastarem do fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes. O fermento na Bíblia simboliza a influência do mal e do pecado. Jesus tinha já dito que o fermento dos fariseus era a hipocrisia (Lc 12:1). O fermento de Herodes seria a corrupção política e moral encabeçada pelos herodianos. Estes herodianos aliaram-se aos fariseus para engendrar uma forma para matar Jesus (Mc 3:6). Que O Senhor nos ajude a não sermos hipócritas legalistas como os fariseus e nem mundanos e sem moral como os herodianos. O resultado de viver uma vida dupla é culpa, frustração, falta de paz.

Os discípulos tinham-se esquecido de levar pão para a viagem e quando Jesus falou no fermento dos fariseus e de Herodes, eles pensaram que O Senhor estava a falar desse esquecimento. Tudo errado. Muitos problemas têm acontecido pela má interpretação de uma palavra, de um gesto ou por causa da má compreensão de uma situação. Perante a insipiência dos discípulos, Jesus vai relembrar-lhes os grandes milagres que tinha feito em matéria de panificação. Pior do que esquecerem-se do pão, é terem-se esquecido do poder e da provisão do Senhor Jesus.

Jesus questiona os seus discípulos: “ainda tendes o vosso coração endurecido?” O problema dos fariseus, dos herodianos e dos discípulos era a dureza de coração. Esse também é o nosso problema. O coração duro impede-nos de ouvir uma exortação, de reconhecer erros, de crescer. Coração endurecido é ter olhos e ouvidos, mas não ver e nem ouvir as coisas espirituais. É esquecer-se dos muitos milagres que Deus já fez na nossa vida e família. 

Jesus repete duas vezes a pergunta: "Não compreendeis ainda?" (Mc 8.17; 21). Que os fariseus e os herodianos compreendessem Jesus até percebemos, mas a incompreensão dos discípulos de Jesus parece ridícula. E nós? Depois de tantas provas da presença de Deus na nossa vida, como é que é possível ainda não entendermos que O Senhor cuida de nós? Tantas coisas mesquinhas deste mundo que nos preocupam e endurecem o nosso coração. Preocupação com comida, trabalho, aparência, bens, com aquilo que temos e o com o que não temos.

Contudo, há uma palavra que Jesus repete, que indicia que há esperança para eles (e para nós): “AINDA”. Os discípulos estavam cegos à graça abundante de Deus, mas há esperança porque Deus ainda tem grandes coisas para a sua vida. Os seus corações vão ser amolecidos e os seus olhos serão abertos mais tarde. 

Que o nosso coração esteja limpo de todo o fermento do mal, da malícia, do pecado. Que o nosso coração esteja sensível à presença de Deus e à Sua Palavra. Que Deus hoje abra os teus olhos e amoleça o teu coração!

segunda-feira, setembro 09, 2024

É tudo pela graça de Deus

"Este ar que você inspirou agora é graça. O delicioso almoço que você comeu é graça. O encanto dos bebés é graça. As belezas naturais e as maravilhas celestes são graça. Vivemos em um mundo caído infiltrado pela graça. Onde quer que você olhe, você verá graça comum, em maior ou menor grau, e isso será motivo para louvar a Deus."

In: PIMENTEL, Vinicius Musselman. Inconformados. São Paulo: Fiel, 2018, p.19.

quarta-feira, agosto 28, 2024

Multiplicação da compaixão


Jesus ainda está em território estrangeiro, em Decápolis, e acontece a segunda multiplicação dos pães e dos peixes (Mc 8:1-9). Surge uma pergunta: porque é que Jesus fez este milagre duas vezes de forma tão idêntica? Alguns alegam que foi apenas um milagre, desdobrado em duas versões. Obviamente que isso está errado porque há detalhes diferentes nos dois. O próprio Senhor Jesus disse que foram dois milagres (Mc 8:17-21).  Este segundo milagre serviu para eliminar eventuais dúvidas de alguns cépticos que não acreditaram na primeira multiplicação. Em terras de gentios, Jesus demonstrou que a sua mensagem e provisão são para todas as nações. Mas talvez a principal razão porque Jesus fez este segundo milagre, que ressalta do texto sagrado, foi a profunda compaixão do Senhor pelas pessoas à sua volta.
 
Jesus fugiu das multidões quando foi para a Fenícia, mas as multidões teimavam em não fugir de Jesus. O Senhor tinha sido rejeitado pelos seus, os da sua nação, e agora os gentios seguem-no efusivamente. Jesus chama os discípulos e diz que tem compaixão daquele povo que está há três dias sem comer. Ao contrário do que alguns santarrões pensam, Jesus não cuida apenas do espírito das pessoas, Ele deseja suprir todas as necessidades. 

A compaixão é uma emoção muito forte que se traduz num sentimento de empatia, amor e misericórdia e que procura aliviar o sofrimento alheio. É mais do que “ter pena”. O termo na Bíblia está ligado à ideia de sentir as entranhas a revolverem-se. A compaixão sempre foi uma das marcas de Jesus. A compaixão verdadeira leva à acção. A compaixão aqui multiplicou o pão e os peixes. Tinha sido também a compaixão a causa primária na primeira multiplicação (Mc 6:34). 

O Senhor perguntou aos seus discípulos quantos pães eles tinham. Eles responderam que tinham apenas sete pães e alguns peixinhos. Nada podiam fazer. Na nossa força e poder nada podemos fazer, mas o pouco que temos, colocado nas mãos do Senhor, pode abençoar muitas vidas. Jesus mandou a multidão sentar-se no chão, tomou os pães e deu graças. Aconteceu o milagre. Deu graças também pelos peixinhos e multiplicou-os também. O deserto e as impossibilidades humanas não impedem que Jesus realize grandes e poderosas coisas. Ele pode! 

O relato termina dizendo que todos comeram, ficaram satisfeitos e ainda sobejou muito pão. Guardaram os pedaços em sete grandes cestos. Quando a abundância chegar à tua vida, não desperdices, partilha o muito que tens recebido das mãos do Senhor. 


Algumas lições e aplicações desta passagem:

1. Deus ama a todos e não faz diferença de pessoas. Quando os judeus estavam com fome, Jesus multiplicou os pães, quando os gentios estavam com fome, Jesus multiplicou os pães da mesma maneira. Jesus ama a todos e morreu por todos. "O Senhor compadece-se mesmo daqueles que não fazem parte do seu povo – aqueles que não têm fé, que estão sem a graça divina, os seguidores deste mundo. Jesus mostra-se terno para com eles, embora eles não o percebam. Ele morreu na cruz por eles, embora se importem pouco com o que Ele realizou na cruz do Calvário. Jesus está disposto a acolhê-los graciosamente, a perdoá-los gratuitamente, se eles se arrependerem e crerem nele", comentou J.C Ryle. 

2. Nestes nossos dias de tanta fome espiritual, a compaixão precisa ser multiplicada. Que possamos estar atentos às necessidades físicas, emocionais e espirituais. Estar dispostos a ser usados por Deus para Ele as saciar. Deus quer usar o teu pouco para fazer muito. As nossas atitudes de compaixão evidenciam o amor de Deus na nossa vida. 

3. Quando andamos com Jesus, podemos ter lutas, dificuldades, até passar dias sem comer, mas Deus sempre vai suprir as nossas necessidades. Que possamos ter a fé do Apóstolo Paulo, que acreditava no Deus que abençoa e supre: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4:19). Jesus é poderoso para suprir as nossas necessidades e as dos que estão à nossa volta, por vezes de forma surpreendente que não esperávamos.

4. Este segundo milagre de Jesus é uma lembrança que Jesus pode repetir as coisas grandiosas e poderosas que fez no passado. Com Cristo há suprimento e esperança. Entrega as tuas necessidades ao Senhor e confia que Ele vai suprir, segundo a sua graça e vontade, tudo o que necessitas.

segunda-feira, junho 03, 2024

Seguros nas mãos de Deus

"Ser salvo pela graça supõe que Deus tomou em suas próprias mãos a salvação das nossas almas; e com certeza estamos mais seguros nas mãos de Deus do que nas nossas." 

- John Bunyan

sexta-feira, maio 31, 2024

Marcas da graça


O último capítulo da Carta de Paulo aos Gálatas pode ser dividido em três partes. A primeira parte fala de um cristão que é “surpreendido pelo pecado”. A ideia do texto é essa. O pecado é algo que apanha o crente. É um percalço. O cristão que anda dependente do Espírito consegue resistir ao pecado, mas isso não significa que nunca mais peque (1João 1:8,10). Quando um cristão cai, um dos deveres da igreja, particularmente dos líderes, é ajudar essa pessoa a levantar-se. Nesse processo, os líderes não devem ter um sentimento de superioridade, mas de amor, mansidão e humildade. Têm a consciência que também podem cair. Para acontecer a restauração, a pessoa que falhou tem que admitir o pecado, estar arrependida e reconhecer autoridade de quem a está a encaminhar. 

Em Gálatas 6:2 lemos que devemos levar as cargas uns dos outros, mas no v.5 vemos que cada um deve levar a sua própria carga. Haverá contradição? Claro que não. A palavra original para cargas no v.2 é baros e a do v.5 é fortion. A palavra baros significa "um peso pesado", difícil de transportar sozinho, enquanto fortion refere-se a coisas que cada um pode levar por si. A partilha de cargas pesadas deve ser uma constante na vida da Igreja. Por outro lado, cada cristão é responsável pela sua própria conduta e por cumprir com as suas obrigações pessoais. 

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Na segunda parte, Paulo vai falar de questões práticas e usa a Lei da Semeadura: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6:7). Muitos abusos têm sido feitos pela má leitura do verso 6 que fala em repartir os bens com quem que o instruiu. É mais do que dar dinheiro, é partilhar benefícios materiais e espirituais. Se é um erro grave exigir dinheiro aos irmãos que nos ensinam a Palavra de Deus, mas também está errado não abençoar aqueles que nos ministram a Palavra.

A Lei da semeadura relaciona-se com Deus. Ninguém zomba de Deus! Se alguém pensa que Deus está indiferente a quem vive no pecado ou ao que demonstra ingratidão, está muito enganado. Semear na carne é viver para a satisfação dos desejos e prazeres humanos. É investir no que se vê, sem pensar na eternidade. O resultado disso é podridão espiritual e morte eterna. Por outro lado, semear no Espírito é investir no Reino de Deus. É depender de Deus, dando ouvidos à Sua Palavra e colocando-a em prática. A colheita dessa caminhada é a vida eterna, não que essa vida seja uma conquista do cristão obediente, mas é o resultado final de quem tem e anda no Espírito. Esta segunda secção termina com um incentivo para não desistirmos de fazer o bem a todos e muito especialmente aos da família da fé (v.9-10). Fazemos o bem não para ganhar a salvação, mas porque já estamos justificados pela graça e bondade de Deus.

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Na terceira parte, é o próprio Apóstolo que escreve e com “grandes letras” (v.11). Era normal ditar a carta a um escriba, mas nesta parte final, Paulo decide escrever com a sua própria mão. O destaque das letras seria para vincar da conclusão final e também para evitar cópias falsificadas de falsos obreiros que se faziam passar pelos Apóstolos. Os judaizantes estavam a obrigar os novos convertidos que não eram judeus a se circuncidarem. Gloriavam-se disso como se esse ritual os fizesse melhores. O Pr. Manuel Alexandre Júnior escreveu que “O cristianismo não é uma religião de cerimónias externas, mas sim algo interior e espiritual, do coração." Paulo só tinha uma coisa que se gloriava, era a cruz de Cristo. Na cruz foram desfeitos todos os rituais e preceitos religiosos. Para Deus não importa se a pessoa é religiosa ou se não tem religião. O que conta é se é uma nova criatura (2Co 5:17 5). A cruz de Cristo era o centro da mensagem e da vida de Paulo. Sigamos o seu exemplo.

Antes da bênção final, Paulo dá um testemunho pessoal: “ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (v.17). Pode surpreender alguns, mas Paulo tinha muitas tatuagens. Não eram desenhos coloridos feitos por um tatuador, mas cicatrizes feitas pelas varas, chicotes e pedras de judeus e romanos que lhe rasgaram e marcaram o corpo. Eram marcas da graça. Marcas físicas e emocionais dos muitos sofrimentos que passou por causa da fé em Cristo.

O apóstolo conclui como começou: com a graça de Deus. A temática da graça permeia toda esta Carta (1:3,6,15; 2:9; 2:21; 5:4; 6:18). A nossa vida está relacionada desde o princípio até ao fim com a maravilhosa graça divina. Nascemos, somos salvos, santificados e seremos glorificados, por causa da graça divina. Hoje é o dia de deixar de confiar na religião e aceitar a maravilhosa graça de Deus manifesta em Cristo. Somente o Evangelho de Jesus Cristo liberta! São boas novas! As melhores.


terça-feira, abril 30, 2024

BILLY GRAHAM - Uma jornada extraordinária



Documentário: BILLY GRAHAM - Uma jornada extraordinária
#billygrahamdocumentario

segunda-feira, abril 22, 2024

Graças a Deus pelo Seu amor

"Se não fosse pelo amor de Deus, nenhum de nós teria qualquer chance na vida futura. Mas graças a Deus, Ele é amor! Por causa do Seu amor, existe um caminho de salvação, um caminho de volta a Deus através de Jesus Cristo, Seu Filho.” 

 - Billy Graham

terça-feira, fevereiro 27, 2024

Filho de Sara ou de Agar?


Os judaizantes não davam tréguas às igrejas da Galácia. Como Cristo não lhes bastava, obrigavam os novos cristãos a guardarem os rituais judaicos. Paulo estava perplexo com os crentes da Galácia por estavam a dar ouvidos a esses enganadores. Ainda hoje, muitos tentam oprimir as pessoas com leis e rituais. Usam força, coacção emocional, material e espiritual. O servo de Deus deixa o Espírito Santo convencer as pessoas e lidera pelo amor, serviço e exemplo.

Para explicar a liberdade que temos em Cristo, Paulo vai usar uma alegoria (Gl 4:21-31). É uma alegoria, não por ser uma história fictícia, mas porque é uma narrativa verdadeira que simboliza algumas verdades espirituais muito práticas e esclarecedoras. 

Abraão teve dois filhos, um de uma escrava chamada Agar e outro da sua esposa chamada Sara, que era livre. Deus tinha prometido que Abraão seria pai de uma grande nação. Só que Sara era estéril e os dois já eram muito velhos. Numa espécie de tentativa para “ajudar Deus”, Sara disse a Abraão para se deitar com a escrava Agar. Ela engravidou e assim nasceu Ismael. Mais tarde, no tempo determinado por Deus, Sara também engravidou e nasceu Isaque, o filho prometido. 
 
A primeira ligação que Paulo faz entre Agar e Sara, é que elas representam duas Alianças. Agar simboliza a Antiga Aliança e Sara a Nova Aliança. Assim como Agar era escrava, a Antiga Aliança também estava presa a leis e rituais. A Nova Aliança, representada pela Sara livre, está ligada à liberdade de que podemos desfrutar através de Jesus Cristo. 
 
Os dois filhos também simbolizam aspectos muito importantes. O filho de Agar, Ismael, é o filho da carne. Nasceu de modo natural, de uma mulher escrava, de uma relação fora do casamento. É o resultado dos desejos egoístas e da precipitação carnal. Isaque, por outro lado, é o filho da promessa. Nasceu de uma mulher livre, segundo a vontade de Deus e de modo sobrenatural.
 
John MacArthur disse que “a concepção de Ismael representa a maneira do homem, o caminho da carne, já a de Isaque representa a maneira de Deus, o caminho da promessa. A primeira é semelhante ao caminho do auto-esforço religioso e à justiça das obras; a segunda é semelhante ao caminho da fé e à justiça imputada por Deus. Um é o caminho do legalismo, o outro o caminho da graça.”
 
A seguir, Paulo vai explicar que Agar simboliza também o Monte Sinai, que corresponde à cidade de Jerusalém. Isso era verdade por três razões. A primeira razão é porque a lei estava ligada ao Sinai, uma vez que foi dada por Deus nesse Monte, a Moisés e a Israel. A segunda razão, é porque em Jerusalém naqueles dias não existia liberdade total. Jerusalém estava cativa e amordaçada pelo império romano. A terceira razão, que é a pior escravidão de todas, estava relacionada com o fanatismo e o legalismo religioso dos judeus na "Cidade santa". Foi essa escravidão cega da religião que impediu que muitos Escribas, Sacerdotes, Fariseus e muitos judeus aceitassem o Messias Jesus, que veio para os salvar. 
 
Mas se Agar simboliza a Jerusalém terrena que está escravizada, Sara simboliza a Jerusalém livre, que é de cima, a Jerusalém celestial. A Jerusalém de cima, Paulo diz ser a nossa “cidade mãe” (Gl 4:26). Aqui “mãe” é uma metáfora para mostrar que a nossa verdadeira cidadania e segurança está no céu, com Deus. Entramos nessa Jerusalém celestial, não pela Lei, nem pelas boas obras ou rituais religiosos, mas somente pela graça e pelo sangue redentor de Jesus 
 
Paulo termina a alegoria dizendo que nós, os crentes em Jesus, "somos filhos da promessa, como Isaque” (v. 28). Ismael é o filho da carne, Isaque é o filho da fé. Isaque simboliza o novo pacto, a Aliança da graça, que tem origem em Deus e que trouxe a salvação e a libertação por Jesus Cristo. As pessoas que tentam conquistar Deus e a Sua salvação na força da carne, com boas obras e esforços humanos estão escravizados. A velha Aliança é a aliança das obras e baseia-se no esforço humano. A nova Aliança é a aliança da fé e fundamenta-se na obra exclusiva de Cristo e na graça de Deus. 
 
Se Agar simboliza o esforço humano que aprisiona a pessoa nos seus pecados e se Sara prenuncia a graça de Deus que oferece perdão e liberdade espiritual, fica a pergunta: És filho de Sara ou de Agar? 
Que possamos fazer nossas as palavras de Paulo aos Gálatas 4:31: “Sou filho, não da escrava, mas da livre!” Tudo isso acontece, não através de ritos religiosos, mas somente pela graça de Deus e pelos méritos de Jesus, quando cremos nele.

segunda-feira, dezembro 11, 2023

O grande milagre da encarnação


"Na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor." - Lucas 2:11. 

O grande milagre do Natal, que muitos parecem querer olvidar, é que O Deus Todo-poderoso tomou forma humana para morrer. Escolheu nascer para morrer. A encarnação era necessária para cumprir a Sua gloriosa missão. Jesus assumiu as muitas restrições e fragilidades inerentes à humanidade com o propósito maior de nos resgatar. 

Jesus nasceu para ser O Cristo que iria morreu por nós e pelos nossos pecados. É por isso que não é possível dissociar o Natal da Páscoa. O milagre da encarnação é o milagre da redenção. Torna-se real e efectivo hoje naqueles que crêem no Menino que se fez Messias. No coração contrito que se faz manjedoura.

segunda-feira, novembro 27, 2023

Os dois grandes pecados

"Há dois grandes pecados em acção no mundo e nos corações humanos: a idolatria e a ingratidão. Recusamo-nos a honrar a Deus como Deus, e recusamo-nos a dizer 'obrigado' pela fartura de bondade e benevolência que ele derrama sobre nós. Em vez de agradecer, transformamos as dádivas divinas num deus, tomando uma coisa boa como uma coisa suprema. Envolvemo-nos numa série de negócios, trocando a glória de Deus por imagens e a verdade de Deus por uma mentira."

In: RIGNEY, Joe. As coisas da terra. Brasília, DF: Editora Monergismo, 2017, p. 122.

quinta-feira, junho 22, 2023

Três argumentos divinos


"Quem vos enfeitiçou?"
- Pergunta Paulo aos Gálatas no capítulo 3 da sua carta. Os falsos mestres estavam a ludibriar tanto os gálatas que pareciam feiticeiros. Antes da chegada dos judaizantes os gálatas estavam firmes na mensagem da justificação pela fé que Paulo lhes anunciou, agora estavam a dar ouvidos a enganadores. É muito importante estarmos firmes nas verdades centrais do Evangelho. Nos nossos dias, não faltam heresias para confundir os que estão inseguros na fé.

Paulo vai apresentar três argumentos divinos a favor da justificação pela fé, apelando ao que eles já tinham experimentado com o Deus triúno:

     Jesus Cristo crucificado (v.1; 13).
    2º A dádiva do Espírito Santo (v.2, 3)
     As maravilhas que o Pai faz (v.5)

O 1º argumento é que eles percebam que quem morreu na cruz para os salvar não foi Moisés, mas Jesus! Trocar Cristo por Moisés é uma insensatez, uma verdadeira loucura! Se a Lei mosaica pudesse salvar alguém porque é que Cristo precisou morreu na cruz? Esta questão continua a ser muito relevante nos nossos dias. Afinal quem é que nos pode salvar? A Lei? A religião? As boas obras? A Igreja? O dinheiro? A fama? Tanto a nossa salvação como o nosso crescimento espiritual dependem unicamente do Cristo crucificado. Precisamos de crer e receber o Cristo crucificado. Tim Keller disse que: "Um cristão não é alguém que sabe sobre Jesus, mas alguém que O viu na cruz".

Paulo avança para o 2º argumento e faz mais uma pergunta: “Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3:2). A verdade é que os gálatas receberam a Pessoa do Espírito Santo, não por praticarem a Lei mosaica, mas pela pregação da fé em Cristo. No tempo da Lei o Espírito Santo não habitava de forma permanente nos crentes. A partir do Dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio para selar e morar nos cristãos de forma permanente e eterna. Quem diz que os cristãos recebem o Espírito numa experiência posterior à conversão está enganado. Efésios 1:12-14 diz claramente que somos selados pelo Espírito Santo no momento em que ouvimos e cremos no evangelho.

A vida cristã começa e continua com o Espírito Santo. É Ele que nos dá consciência dos pecados, leva-nos ao arrependimento, concede-nos fé para crermos no Redentor Jesus. Mas a grande falta de compreensão espiritual dos gálatas (e nossa também), é que a vida cristã só é possível na dependência do Espírito. Alguns cristãos pensam que podem ser caminhar sozinhos ou agradar a Deus través dos seus esforços. Em vez de depender de Deus e ter comunhão com Ele, agarram-se a práticas ritualistas e legalistas. Isto produz cristãos cansados, frustrados e sem fruto espiritual. É nesta Carta que lemos: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gl 5:25).

No v.5 temos a última pergunta que é o terceiro argumento divino a favor da Justificação pela fé: “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” “Aquele” refere-se a Deus Pai, que concedeu o Espírito aos gálatas e a nós também quando recebemos Jesus. Em João 14:16 Jesus diz que rogaria ao Pai, e o Pai nos daria outro Consolador, O Espírito Santo, que ficaria connosco para sempre. Mas não só isso, este versículo também diz que o Pai operava maravilhas nos gálatas e isso não era pelo poder da Lei mosaica, mas na sequência da pregação da fé, pela pregação do evangelho. A vida cristã é uma constante demostração do poder de Deus em nós. No milagre da vida, no milagre do novo nascimento, nas respostas às orações, nas curas, no cuidado sobrenatural do Senhor.

Hoje continuam a existir muitos legalismos e heresias que querem ofuscar a verdade do Evangelho. O legalista ainda não vislumbrou a liberdade que há no Evangelho da graça de Deus. "O único modo de exercermos um ministério que de facto experimenta a transformação na vida das pessoas é pregar o Evangelho para desconstruir tanto o legalismo quanto o relativismo." Tim Keller.

A vida cristã começa e vive-se na dependência do Espírito Santo. “Se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.” – Gl 5:18. Não há mérito humano na nossa salvação. É por isso que a glória pertence a Deus! Isto não significa ficarmos parados à espera que Deus faça tudo por nós, mas que devemos cooperar com Deus para Ele nos orientar o que devemos fazer.

Acreditamos e temos visto que Deus continua a fazer milagres e maravilhas. Deus é Senhor! O maior dos milagres é alguém arrepender-se dos seus pecados e crer em Jesus Cristo.  Augustus Nicodemus escreveu que devemos perseverar “na mensagem da fé que ouvimos no início – a da graça de Deus imerecida, em razão da qual temos experimentado e visto verdadeiros milagres de Deus.”

Olhemos "para Jesus, o autor e consumador da nossa fé. Ele, que pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, assentou-se à direita do trono de Deus.” – Hb 12:2. Andemos, não nos desejos e nas loucuras da carne, mas na dependência do Espírito Santo, deixando-nos guiar e conduzir por Ele. Sabendo que o Pai continua a testificar do seu poder pela pregação da Palavra, com sinais, milagres e maravilhas. Amém!


sexta-feira, junho 02, 2023

Fogo do céu

"E os discípulos Tiago e João, vendo isso, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?" - Lucas 9:54.

Esta curiosa passagem surge no contexto de uma viagem de Jesus a Jerusalém. O Senhor enviou mensageiros para prepararam pousada numa aldeia de samaritanos. Como os samaritanos odiavam os judeus e também não queriam que se adorasse no templo em Jerusalém, disseram que não recebiam Jesus naquela aldeia. Quando Tiago e João ouviram esta recusa, perguntaram a Jesus se ele queria que eles orassem para que descesse fogo do céu para destruir aqueles ingratos, à semelhança do que Elias tinha feito (2Rs 1:9-15). A pergunta dos dois discípulos revela o seu carácter vingativo e truculento. Hoje alguns crentes também têm esta atitude contra quem se opõe a eles.

A resposta de Jesus é esclarecedora: "Vós não sabeis de que espírito sois, porque o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las." (Lc 9:56). Jesus veio a este mundo para salvar e abençoar as vidas, não para destruí-las. Devemos amar as pessoas que discordam de nós. Testemunhemos do amor de Jesus e da sua grande salvação. Oremos, não por fogo destruidor, mas pelo fogo do Espírito que queima os nossos ódios e nos faz arder de paixão pelas almas perdidas.


quinta-feira, abril 27, 2023

Pela verdade do evangelho


A história da Igreja está recheada de contestações, controvérsias e atritos. A maior parte dessas situações podiam e deviam ter sido evitadas, mas a que Paulo conta em Gálatas 2:11-21 foi útil à Igreja. Quando o Apóstolo Pedro visitou a igreja em Antioquia constatou uma igreja cheia da graça de Deus. Ali, teve comunhão com todos os irmãos, incluindo os cristãos gentios. Pedro conhecia bem a verdade do evangelho. Na casa de Cornélio ele tinha recebido uma visão da parte de Deus onde percebeu que O Senhor não faz acepção de pessoas e também compreendeu que a exigência da dieta judaica, muito restritiva, tinha terminado (Actos 10).   

Só que quando chegaram alguns irmãos de Jerusalém, enviados por Tiago, Pedro começou a afastar-se dos cristãos gentios e deixou de comer com eles. Mesmo conhecendo a verdade do evangelho, Pedro agiu de forma hipócrita. Fez isto porque temeu os da circuncisão, os judaizantes. Quando damos lugar ao medo ou estamos demasiado preocupados com a opinião dos outros, cometemos muitos erros. Além disso, esta atitude dupla de Pedro influenciou outros judeus em Antioquia, inclusive Barnabé, que era um grande amigo e companheiro do Apóstolo Paulo e um dos líderes daquela igreja. 

Perante isto, Paulo confrontou Pedro na presença de todos: “Tu és judeu e vives como um gentio e não como judeu, como é que queres obrigar os gentios a viverem como judeus?” Já existia muita confusão doutrinária nas igrejas por causa dos judaizantes e a atitude de Pedro estava a contradizer a verdade do evangelho da graça. Esta duplicidade de Pedro serviu para o Apóstolo Paulo defender de forma ainda mais veemente a justificação pela fé em Jesus Cristo (2:16-21). Alguns argumentos:

Primeiro, ninguém é justificado (declarado justo) pelas obras da Lei. O que fazemos, o que comemos ou não comemos, não nos torna mais justos ou santos. Segundo, judeus e gentios são igualmente pecadores e precisam ser salvos. Terceiro, a única verdade que nos pode salvar é a verdade do evangelho que diz que somos salvos pela fé em Jesus Cristo. Por último, o cristão é convocado a viver para Deus. Já fomos crucificados em Cristo, agora é a vida do Cristo ressurrecto que deseja viver em nós (2:20). Uma das grandes mentiras das religiões é que a graça de Deus não é suficiente para a salvação. Mas se é Cristo e mais alguma coisa, sejam obras, comidas, festas, dinheiro, promessas, sacrifícios ou outra coisa qualquer, então a morte de Cristo foi inútil! (2:21).  


Quatro aplicações desta passagem:  

1. Ninguém está imune ao erro. Quando alguém pensa que não falha, já caiu. Inerrante é a Bíblia, nós somos erráticos. Até os melhores pastores cometem erros. Precisamos vigiar para não falhar e ser humildes para reconhecer falhas. Os líderes têm maior responsabilidade para agir de modo coerente com o que ensinam e pregam.  

2. Pedro não viu logo o seu erro. Muitas vezes somos muito rápidos a identificar os erros e as hipocrisias dos outros, mas lentos a reconhecer os nossos próprios desacertos. Pedro conhecia a verdade do evangelho mas não a colocou em prática. É bom saber o evangelho mas ainda mais importante é viver a verdade do evangelho.  

3. As Escrituras são a palavra final. Ao contrário dos pastores e líderes religiosos, a Palavra de Deus não falha. Mais tarde, este mesmo Pedro escreveu: “A palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.” - 1Pe 1:25. Muitas pessoas ficam desapontadas com pastores e líderes e abandonam a igreja porque não estavam bem firmadas na Palavra de Deus.  

4. A justificação é obra divina. Estamos todos condenados ao inferno e só Deus pode nos perdoar e nos declarar limpos de toda a condenação (Rm 8:1). A vida que tu como cristão és chamado a viver é uma vida de fé e de confiança em Cristo. A nossa salvação não é Cristo e mais alguma coisa - É SOMENTE CRISTO! Porque Jesus Cristo é o caminho, e a verdade, e a vida; e ninguém vem ao Pai senão por Ele (João 14:6). Esta é a verdade do evangelho!

terça-feira, março 28, 2023

Evangelho pregado e confirmado


Lemos na Carta aos Gálatas capítulo 2, que passados catorze anos Paulo volta a Jerusalém. O facto do Apóstolo exercer o ministério durante esse tempo sem ter ido ao centro apostólico em Jerusalém mostra que Paulo tinha alguma autonomia apostólica. A origem do ministério e da mensagem de Paulo não foram homens, foi o próprio Jesus Cristo.
 
Paulo não foi a Jerusalém porque os líderes da Igreja em Jerusalém pediram, mas por causa de uma revelação dada por Deus. Ali, Paulo pregou-lhes o evangelho, que costumava pregar aos gentios. O que precisa ser pregado nas igrejas é precisamente este poderoso Evangelho da graça. Martinho Lutero disse que “o verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.”  

Embora alguns “falsos irmãos” tenham ficado relutantes por Tito não ser circuncidado, sendo ele gentio, isso não intimidou Paulo e nem o fez ceder da liberdade que há na graça. Ainda hoje alguns crentes querem impor uma espiritualidade baseada em coisas exteriores, mas isso é fútil. Firmemo-nos, não na libertinagem irresponsável, mas na graça libertadora! A salvação não são se ganha por aquilo que fazemos mas por aquilo que Jesus fez por nós. Somos salvos somente pela graça, por meio da fé.  

Quando Tiago, Pedro e João constataram que o poder do evangelho de Paulo era o mesmo que o deles, estenderam as mãos a Paulo em sinal de comunhão fraterna e identificação com o ministério de Paulo. Tanto Paulo como os líderes de Jerusalém compreenderam que o evangelho da graça é só um. É certo que seriam ministérios com campos diferentes. Paulo iria semear mais nos gentios e eles nos judeus. A única recomendação dos líderes de Jerusalém foi que não se esquecessem dos pobres. Este conselho continua muito válido e pertinente para a Igreja nos nossos dias.


Duas aplicações podem ser retiradas desta passagem:  

A primeira lição é que só existe um evangelho. O evangelho de Paulo é o mesmo de Pedro, Tiago e João. São as boas novas que ensinam que Cristo morreu pelos nossos pecados, que foi sepultado, que ressuscitou ao terceiro dia, que ascendeu aos céus e um dia vai voltar. Que quem crer nele tem a vida eterna e não entrará em condenação. 

Hernandes Dias Lopes afirmou que “O evangelho é a única esperança para a humanidade. A igreja não pode substituir o evangelho por outra mensagem. A igreja não pode sonegar ao mundo o evangelho. O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo.” Que a igreja nunca se deixe distrair com falsos evangelhos ou com outras coisas, mas possamos crer e continuar a anunciar o evangelho verdadeiro da graça de Deus. 

Uma segunda lição é que Paulo buscou e praticou a comunhão. Há grande bênção na união e na comunhão com os irmãos em Cristo. Paulo não foi sozinho a Jerusalém, levou Barnabé e Tito. Lá, os apóstolos e Paulo deram as mãos no mesmo combate. Num tempo de tanto individualismo e egoísmo, precisamos relembrar que a obra de Deus faz-se em cooperação. Quando ficamos em casa em dia de reunião, podendo vir à igreja, estamos a negar o princípio prático da comunhão. Que cada um de nós, com a ajuda de Deus, faça a sua parte com vista à comunhão e à paz. Que O Senhor nos ajude.