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terça-feira, julho 14, 2026

Jesus está prestes a voltar!


No passado Domingo terminei uma série de três pregações na nossa Igreja, acerca do sermão profético que Jesus proferiu no Monte das Oliveiras (Marcos 13). Na terceira secção desse sermão (Mc 13:24-37), Jesus afirma que muitos irão vê-lo descer do céu com grande poder e glória. No final da grande aflição que está prestes a acontecer, Jesus voltará e todos O verão (Ap 1:7). 

Jesus garantiu: “passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13:31). Tudo muda: os impérios, as culturas, as políticas, as pessoas… mas a Palavra de Cristo permanece para sempre. Podemos ter a certeza que tudo o que Jesus prometeu, vai-se cumprir integralmente. As suas palavras são verdadeiras, imutáveis e infalíveis! 

Em vez de firmares a tua vida naquilo que é transitório, como o dinheiro, a casa, o carro, os cursos, o emprego, ou qualquer outra coisa, assenta a tua vida sobre aquilo que não passa: Cristo e as suas poderosas palavras. 

Não sabemos o dia nem a hora, mas temos a certeza de que Jesus vai voltar. A sua segunda vinda está muito próxima. Estás preparado?

terça-feira, maio 19, 2026

Da fraqueza tiraram forças


Este mês, no estudo bíblico da nossa igreja, estamos a considerar a vida de Sansão. Tenho ficado impressionado com aquilo que Deus fez com um homem tão errático. Como é que Deus usa pessoas tão falhas, como Sansão? Não deveria O Senhor usar somente pessoas boas e fiéis? Não deveria Deus usar só pessoas que se portam bem? Estas perguntas mostram o quão pouco conhecemos Deus. 

Apesar da luxúria, violência, espírito vingativo e egoísmo de Sansão, Deus realizou o Seu propósito com este fraco-forte homem. Isto obviamente não é uma validação divina do erro e do pecado, mas a constatação que Deus é Senhor! A história de Sansão (e muitas outras histórias) mostram que Deus não é limitado pelos erros e pecados dos seres humanos. Deus é Deus. Ele continua a usar pessoas fracas e pecadores como eu e como tu. A soberania e a glória pertencem sempre a Deus.


"E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel, e dos profetas, os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos." - Hebreus 11:32-34.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

O único amor perfeito


"Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Com amor eterno te amei; também com amável benignidade te atraí." - Jeremias 31:3. 

O amor de Deus permanece. Ao contrário do amor passageiro e superficial, que tantas vezes é retratado em filmes, séries e romances, o amor divino não muda. No amor de Deus há firmeza e segurança. Vale a pena confiar no seu amor. Esta paixão suprema que Deus nutre por nós, não acontece porque somos bons, bonitos ou desejáveis, Deus ama-nos porque é a essência do seu ser.

O seu amor não é apenas de palavras, é um amor provado. A prova cabal do seu grande amor foi manifestada em Cristo, quando O Pai entregou o Seu Filho Jesus para morreu por nós, sendo nós pecadores (Rm 5:8). Aquele que ama entrega-se. O Senhor ama-nos e vem ao nosso encontro. É tão maravilhoso saber que o nosso Deus, não só é o nosso criador, é também o nosso salvador e o amado da nossa alma. Ninguém te ama mais do que Deus. É o único amor perfeito. É eterno.

segunda-feira, janeiro 05, 2026

A verdadeira libertação


"E ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão, com Isaque e com Jacó; e atentou Deus para os filhos de Israel e conheceu-os Deus." - Êxodo 2:24-25. 

O capítulo dois de Êxodo percorre cerca de oitenta anos num fôlego rápido. Moisés nasceu numa época em que o Faraó do Egipto ordenou a morte de todos os bebés hebreus do sexo masculino. A sua mãe Joquebede escondeu-o durante três meses, mas não podendo mais escondê-lo, colocou-o num cesto no rio Nilo. A filha de Faraó encontrou o menino e adoptou-o. Durante quarenta anos Moisés foi criado na casa de Faraó. A mão soberana do Senhor libertou Moisés da morte certa.

Um dia, ao ver um egípcio a maltratar um hebreu, Moisés matou esse egípcio e fugiu para Midiã. Ali, casou-se com Zípora, filha do sacerdote Jetro. Nas terras secas de Midiã, Moisés passou mais quarenta anos. Deus quer libertar-nos da força e vaidade do nosso ego. A formação do carácter de Moisés aconteceu num período de espera e sequidão.

Entretanto, Deus ouviu o gemido de Israel e chama Moisés, já com oitenta anos (Ex 7:7). O Moisés que foi preservado, transformado e chamado por Deus, vai agora libertar e conduzir o povo, rumo à terra prometida. Jesus é o nosso grande libertador e salvador. Ele também quer libertar a tua vida. "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres" (João 8:36). 

quinta-feira, novembro 06, 2025

No dia das trevas brilhou a luz


"E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." - Génesis 3:15. 

A serpente tentou Adão e Eva e eles sucumbiram. Mas no dia mais tenebroso da existência humana houve um raiar de luz e esperança. Deus podia ter destruído Adão e Eva de forma imediata, ao invés, providenciou um Salvador. Este versículo é chamado de protoevangelho porque é o primeiro sinal da intenção redentora de Deus. Por entre contendas, dores e feridas, erguer-se-ia o Homem nascido de mulher para ferir a Serpente. 

Não estava tudo perdido. No raiar do novo dia havia expectativa, esperança, salvação. Sangue seria derramado, porque sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9:22), mas o prenúncio do fim libertador estava dado. Entrou a guerra e a desordem neste mundo e Deus faria a paz e traria ordem a todas as coisas. 

As inimizades, as dores, as feridas, não nos devem surpreender, fazem parte da nossa natureza caída. A alegria, o livramento e a vitória estão garantidas para todo aquele que crê no Salvador que esmagou a cabeça da serpente.

quarta-feira, outubro 29, 2025

Chegar bem ao destino

Quando fazemos uma viagem gostamos de chegar ao destino planeado de forma segura. Se há uma vida eterna, e eu acredito plenamente que há, é fundamental entender como se pode chegar bem a esse destino eterno. 

As religiões e as filosofias têm muitas respostas. A Bíblia aponta um caminho. "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6). O melhor destino do ser humano não é um lugar, é uma Pessoa. É Cristo.

A eternidade, para o cristão, é a concretização plena da presença eterna com O Altíssimo Deus. Somos salvos para a comunhão e intimidade real com Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Deus é o grande princípio e fim da nossa existência. Chegamos lá através da fé em Jesus. Crendo que Ele é o salvador e Senhor da nossa existência. 

Na versão parafraseada O Livro, a passagem bíblica de Colossenses 1:16 diz que foi através de Cristo que "Deus criou tudo o que há nos céus e sobre a Terra; tudo o que se vê e o que não se vê; até os governantes, as autoridades, os que têm o poder e a força. Tudo foi estabelecido por Cristo e para Cristo." Todas as coisas foram criadas por Cristo e para Cristo. O destino final do ser humano é Cristo. Começa aqui.

segunda-feira, agosto 04, 2025

Ler a Bíblia e orar todos os dias

"Mesmo alguns minutos de leitura da Bíblia, onde você contempla a glória do Senhor, e alguns minutos de oração, onde você abre seu coração para Ele, têm o poder de transformar o seu dia." 

- Paul Tripp

quinta-feira, julho 17, 2025

É bom desconfiar das nossas certezas

 
Desconfiar das nossas certezas é coisa sábia. Quem está irredutível nas suas próprias firmezas aprende pouco. Partir do pressuposto que se pode estar errado é um passo certo na direcção do crescimento espiritual. Em todas as histórias, circunstâncias, interpretações, há sempre coisas encobertas que não conhecemos.

Veja-se por exemplo a história de Jó. Nem ele, nem a mulher, nem os amigos estavam conscientes da trama espiritual que estava a acontecer. Alguns tinham muitas certezas, mas estavam errados. Presumir que se sabe tudo é um pecado grave, porque é uma forma de se fazer igual a Deus. Só O Senhor tudo sabe e tudo pode. Ele está sempre certo. É melhor confiar em Deus e desconfiar das nossas certezas.

Depois de Deus falar, Jó concluiu: "Sei bem que podes todas as coisas e que nenhum dos teus propósitos pode ser frustrado. Perguntaste quem foi que tão loucamente desacreditou a tua providência. Fui eu; falei de coisas que ignorava, de que nada sabia; coisas demasiado maravilhosas para a minha compreensão." - Jó 42:3-5 (versão O Livro).

quarta-feira, junho 25, 2025

Jesus abençoa as crianças


Depois de ter ensinado acerca da importância do casamento, Jesus agora vai falar dos filhos. Na cultura grega e judaica, as crianças não tinham o devido valor que têm hoje. O texto bíblico de Marcos é curto e conciso. Com Jesus aprendemos que não é preciso fazer longos discursos para transmitir verdades muito profundas.  

Surgem quatro tipos de pessoas nesta passagem: as crianças; os que trazem crianças a Jesus; os que impedem as crianças de irem a Jesus e Aquele que abençoa as crianças. As crianças seriam pequenas, talvez alguns bebés. Os que levam crianças a Jesus são facilitadores. Os pais são os primeiros responsáveis, mas cada cristão tem a obrigação de trazer pessoas a Cristo. Foram os discípulos de Jesus que impediram as crianças de irem até Ele. É triste constatar que por vezes somos nós os obstáculos das pessoas irem a Cristo. Aquele que abençoa as crianças é Jesus. As crianças eram desprezadas e ignoradas, Cristo sempre valorizou e abençoou os esquecidos e excluídos. As crianças também.

Mateus 19:13 diz que lhe trouxeram crianças “para que lhes impusesse as mãos e orasse”. A bênção das crianças era normal no judaísmo. Pedir a bênção dos pais era um costume em Portugal. Hoje é coisa rara. A recusa dos discípulos de Jesus seria talvez por pensarem que Jesus não queria ser incomodado e que as crianças não eram dignas de estar com O Senhor. Queriam controlar a agenda do Mestre. Jesus é Senhor e tem sempre tempo para acolher e abençoar quem vem a Ele.  

Marcos relata que Jesus indignou-se com esta atitude dos discípulos. Não foi esta a única vez que Jesus se indignou. A hipocrisia, a dureza de coração, o desprezo pelos mais pequenos, as negociatas da fé, o pecado, indignam Jesus. “Deixai vir os pequeninos a mim” disse Jesus (Mc 9:14). Levar os pequeninos a Jesus é a coisa mais maravilhosa que podemos fazer. O ministério com crianças numa igreja local é importantíssimo. Que nenhum cristão cometa a loucura de afastar uma criança de Cristo e da sua salvação. Tantas vezes a nossa indiferença, mau exemplo, falta de ensino espiritual, superioridade de adulto, são barreiras que impedem as crianças de irem a Jesus.  


“Porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 9:14). Embora existam várias interpretações desta frase de Jesus, existem alguns princípios a considerar:  

1. Todas as crianças nascem em pecado e são pecadoras. Davi disse: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). 

2. Os bebés e as crianças que morrem antes da idade da consciência, são salvas por meio da graça de Deus e por causa da obra redentora de Cristo (2Sm 12:23). O sangue de Jesus cobre as suas iniquidades.

3. Depois de ter consciência do seu pecado, toda a criança precisa arrepender-se, crer em Jesus como seu Salvador e aceitar o sacrifício de Cristo para ser salva (2Tm 3:15).
 

Jesus acrescenta que para alguém entrar no reino de Deus tem de o receber como uma criança. O Reino de Deus não é conquistado, é recebido. A vida eterna é um presente divino, não um prémio de bom comportamento. Receber o Reino de Deus como criança não é ser infantil ou imaturo espiritualmente. Não é ser inocente e nem dar crédito a qualquer doutrina ou pregador. Significa depender de Cristo. É sentir-se indigno do Reino para lá entrar, porque é somente pela graça de Deus que se entra. É confiar inteiramente nas mãos do Pai e Jesus.  

A passagem termina com Jesus a tomar nos seus braços aquelas crianças, a impor-lhes as mãos e a abençoá-las. Que coisa maravilhosa! Embora não exista nenhum versículo na Bíblia que diga explicitamente que Jesus sorriu, é difícil imaginar esta cena sem Jesus estar a sorrir para aquelas crianças.

Jesus valorizou muito as crianças. Que nós também possamos orar, cuidar e abençoar as crianças. Que sejas mais um facilitador e um abençoador do um dificultador. Não atrapalhes as pessoas de se chegarem a Jesus. Falemos de Jesus e da sua salvação aos nossos filhos, netos, bisnetos. Oremos e trabalhemos pela evangelização das crianças em Portugal. Jesus continua a querer salvar e a abençoar hoje todo aquele o Pai o enviar a Ele. Todos precisam ir a Jesus e receber a Sua salvação.  

“Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” João 6:37.

terça-feira, junho 03, 2025

Casamento, divórcio e recasamento


Lemos no Evangelho segundo Marcos que Jesus está na Pereia, do lado leste do rio Jordão, onde João Baptista baptizava. O objectivo é ir a Jerusalém e lá ser morto. Faltam cerca de seis meses. Uma multidão continua a procurar Jesus e O Senhor faz aquilo que sempre fez no seu ministério terreno: ensinava. Ensinar sobre questões tão importantes como o casamento, divórcio e novo casamento.

Aproximaram-se de Jesus os fariseus para lhe fazerem uma pergunta: “É permitido ao homem divorciar-se da sua mulher?” (NVI). Jesus já tinha falado destes assuntos no Sermão do Monte e eles devem ter ficado muito perturbados. A pergunta deles era uma armadilha maldosa. João Baptista foi preso e morto por denunciar o pecado de adultério de Herodes Antipas. Desejavam que Jesus tivesse o mesmo fim.

Jesus responde fazendo outra pergunta: “O que Moisés disse na lei a respeito do divórcio?” Eles disseram que Moisés permitiu dar a carta de divórcio, aludindo a Deuteronómio 24:1. No tempo de Jesus existiam duas escolas judaicas que interpretavam a questão do divórcio: Hillel e Shammai. A escola de Hillel aceitava o divórcio por qualquer motivo, a de Shammai permitia o divórcio apenas por imoralidade sexual. É claro que aquela que predominava era a escola liberal de Hillel. O “vale tudo” sempre foi muito popular e atractivo para o ser humano caído.  

Jesus esclarece que Moisés permitiu o divórcio por causa da dureza do coração humano. O divórcio existia por causa da condição espiritual pecaminosa do homem. Foi para regular e controlar o divórcio, não para o promover que a Lei previa o divórcio. Em Malaquias 2:16 lemos que: “O Senhor, Deus de Israel, odeia o divórcio.” A vontade do Senhor para o casamento não é e nunca foi o divórcio. Toda a quebra de relacionamento tem origem num coração endurecido pelo pecado. Os fariseus queriam falar sobre divórcio, mas Jesus vai realçar a importância do casamento.  

O Senhor vai à origem das coisas. Foi Deus que realizou literalmente o primeiro casamento no mundo, entre Adão e Eva (Gn 1:27; 2:24). O casamento implica deixar os pais para formar uma nova unidade. Já não são dois, mas uma só carne. “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”, conclui Jesus. O casamento é mais do que um ajuntamento amoroso, emocional, físico ou sexual, é algo espiritual – “Deus ajuntou”. Nenhuma pessoa tem o direito de separar o que Deus uniu. Enquanto um dos cônjuges for vivo, o casamento é uma aliança divina permanente.  

Hoje anda muita gente a brincar “ao casa descasa” mas essa não é a vontade de Deus. Jesus foi tão peremptório nesta matéria, que os discípulos, quando chegaram a casa tornaram a interrogá-lo. Jesus clarificou: “Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera.” – Mc 10:11-12. Jesus esclarece aqui de forma inequívoca que se alguém casar novamente comete adultério.  

É verdade que em Mateus 19:9 Jesus falou de uma cláusula de excepção para o divórcio. Se um dos cônjuges for infiel sexualmente, e não existir perdão, o divórcio é permitido. Mas conforme alegou Russell Shedd “O divórcio jamais contou com a aprovação divina, a não ser como o menor entre dois males”. Também nessa passagem, Jesus reforça a impossibilidade do recasamento porque quem casa com o divorciado comete adultério (Mt 19:9b). Paulo escreveu “aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.” (1Co 7:10-11).  


4 princípios relativos ao casamento   

1º. Deus planeou o casamento entre um homem e uma mulher, para juntos glorificarem ao Senhor Deus e encherem a terra com a Sua glória. 1Co 10:31 – “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” John Stott escreceu que “O significado mais elevado e o propósito mais sublime do casamento é o de manifestar a relação pactual entre Cristo e sua igreja.”  

2º. Um cristão deve namorar e casar com outra pessoa cristã e dentro da vontade do Senhor. “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” 2Co 6:14-15. Um casamento com alguém que não ama e segue o Senhor pode transformar-se numa tragédia. Os viúvos estão livres para casar, mas “contanto que seja no Senhor” (1Co 7:39). O casamento deve ser segundo a vontade de Deus.

3º. O casamento é uma ligação maravilhosa mas também pode-se tornar o pior dos relacionamentos. Sozinho ninguém consegue manter o seu casamento. Precisa de Deus. É Ele que faz com que o casamento resista e permaneça. Casamento implica amor, perdão, diálogo, respeito mútuo, perder a razão muitas vezes. “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor … Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” (Ef 5:22;25).

4º. O casamento é um compromisso espiritual, moral e civil entre marido e mulher até à morte de um dos cônjuges. É uma ligação tão forte que só a morte a pode desintegrar. “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.” – 1Co 7:39.  


É importante também referir que o adultério, o divórcio e os pecados sexuais separam as pessoas de Deus, mas não são pecados imperdoáveis. Jesus morreu por esses pecados. Em Deus há perdão e restauração. Cada caso é um caso e compete às lideranças das igrejas decidir a integração, lembrando sempre que cada um dará contas a Deus dos seus pecados.   

Paulo reconhece que a igreja era composta por pessoas com passados complicados, incluindo imoralidade sexual e adultério. Mas foram lavadas, santificadas e justificadas em Cristo. Isso mostra que a igreja é um lugar de restauração - 1Co 6:9-11. A graça restauradora de Deus é maior do que o maior pecador e os piores pecados - Rm 5:15,20; Sl 103:10-12.  

Que Deus ajude os casados a valorizarem o seu casamento. A orarem todos os dias um com o outro e um pelo outro. Que Deus guarde e abençoe os casamentos e as famílias.

segunda-feira, maio 05, 2025

Dos escândalos


Em Marcos 9 Jesus vai alerta-nos para dois tipos de erros: o erro do exclusivismo e o erro da falta de santificação. Na verdade, são dois tipos de escândalos, o escândalo de um cristão ficar ressentido por outra pessoa estar a anunciar Jesus e o escândalo do cristão pensar que pode ser cristão sem viver em santidade. Para nossa vergonha temos que admitir que há muitos escândalos no meio evangélico hoje.

O Apóstolo João vai contar a Jesus a façanha dos discípulos, que proibiram um homem que estava a expulsar demónios em nome de Jesus, mas que não andava com eles. João imaginou que o poder de Jesus estava confinado ao grupo dos discípulos. O sectário João não aceitava pessoas fora do seu círculo. Este discípulo que disse este disparate, era o que reclinava a sua cabeça no peito de Jesus em sinal de profunda comunhão. Por vezes nós também pensamos que estamos a dizer uma grande coisa, mas não passam de afirmações egoístas e descabidas.

Jesus informou os discípulos que não há quem faça milagres usando o seu nome e a seguir vá falar mal dele. Cuidado com a exclusividade que alguns crentes, pastores, igrejas e denominações pensam que têm. O Reino de Deus é muito mais amplo do que a nossa igreja, movimento ou grupo. “Quem não é contra nós é por nós”, afirmou Jesus (Mc 9:40). A pessoa até pode não ter total clareza doutrinária, mas se crê em Jesus, não vai ser contra Ele e por isso O Senhor não reprova essa pessoa. Se O Cristo que outros pregam é o da Bíblia, mesmo não estando connosco, essas pessoas estão também do nosso lado, que é o de Cristo. 

Por outro lado, Jesus não está a defender que todas as crenças e religiões são boas e que não importa o que faz ou ensina. O universalismo é falso e o ecumenismo é um caminho errado. Em outra ocasião Jesus também disse que “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha.” (Mt 12:30). A questão é se a pessoa está em Cristo e se anuncia a Cristo. As pessoas ou são por Cristo ou contra Cristo. Até dar um copo com água, em nome do Senhor, terá recompensa! 

Se nos primeiros versos há cristãos escandalizados, nos seguintes há cristãos que escandalizam. Escandalizar “pequeninos”, pode ser afastar as crianças ou os mais novos na fé, de Cristo. Talvez o tal homem que expulsava demónios fosse um novo convertido. Jesus disse que o cristão que escandaliza esses pequeninos, melhor seria pegar numa pedra de moinho e ser lançado ao mar. Esta hipérbole de Jesus é para demonstrar as sérias consequências dos escândalos na vida do crente. Ao contrário do que alguns evangélicos julgam, ser cristão não é uma carta branca para se viver de qualquer maneira. Ser cristão implica viver em santidade e em obediência a Deus, sem conduta escandalosa. 

Jesus usa três imagens para advertir sobre as terríveis consequências de alguém viver de forma escandalosa. É melhor cortar a mão, um pé ou arrancar um olho que escandaliza do que ser lançado no inferno. É óbvio que esta é uma linguagem figurada que Jesus. O Senhor não está a ensinar que a pessoa deve mutilar os seus membros ou fustigar o corpo. Isto significa que se há algo na vida que escandaliza, o melhor é “cortar o mal pela raiz.”

O inferno é um lugar de tormento eterno onde também “o bicho não morre e o fogo não se apaga”. Há igrejas que só falam em inferno e há outras que parece que nem sabem que existe. Jesus falou muito sobre o inferno. O inferno é real e a pessoa que for lançada no inferno sofrerá eternamente. O termo grego para inferno aqui é “geena”. Geena está relacionado ao vale de Hinom, que ficava fora da cidade de Jerusalém. Foi aí que o Rei Acaz e o Rei Manassés sacrificaram os próprios filhos (2Cr 28:3; 33:6). Era um lugar de culto a Moloque. Mais tarde, o Rei Josias acabou com essas práticas e o Vale de Himom no tempo de Jesus estava transformado num monturo de lixos, onde existia uma fogueira que ardia sem cessar. É um lugar terrível preparado para todos os que não crêem em Jesus e na sua salvação. 

O discípulo de Jesus deve mostrar tolerância com os outros e ser rigoroso consigo próprio. Por vezes somos muito inflexíveis com os erros dos outros e muito tolerantes com as nossas próprias fraquezas e pecados. Esta tolerância, contudo, não é a permissão para aceitarmos falsos ensinos ou falsos profetas, antes, para entendermos que quem anuncia a Cristo também está do nosso lado. 

Quem não receber Jesus como seu Salvador e Senhor já está condenado ao inferno. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” João 3:36. Todo aquele que crer em Jesus e aceitar a sua salvação terá morada eterna num lugar de alegria, descanso, onde não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro e nem dor (Ap 21:4).

quinta-feira, abril 24, 2025

Temendo e tremendo avança para Jesus

"Então, a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante de Jesus, e disse-lhe toda a verdade." - Marcos 5:33. 

Uma mulher tinha uma doença grave há mais de doze anos. Tinha gasto já todo o seu dinheiro com os médicos e era estigmatizada por todos. Num arrojo de fé e coragem, irrompeu por entre a multidão e tocou as vestes de Jesus. Foi instantaneamente curada. 

Jesus parou e perguntou: "Quem me tocou?" Os discípulos não entenderam a pergunta diante daquela multidão que se acotovelava com Ele. Mas Jesus sabia que tinha saído poder dele. Então, a mulher, temendo e tremendo, prostrou-se diante de Jesus e assumiu que tinha sido ela. Em vez de censurá-la, Jesus elogiou a fé daquela mulher: "Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal." 

Na verdade, não foram as vestes de Jesus que a curaram, foi a virtude de Jesus que possibilitou o milagre. A cura aconteceu na sequência de um acto de fé ousada. A fé não elimina o medo. Falta-nos esta fé que não se deixa tolher pelo medo e pelos obstáculos. A fé verdadeira avança em direcção a Jesus. A única fé que salva e liberta é aquela que é colocada em Jesus. O único Salvador. A verdadeira liberdade.

 

sábado, março 22, 2025

Jesus é o Maior!


A seguir a Jesus ter expulsado o demónio daquele jovem que o fazia surdo e mudo, Marcos conta que Jesus prossegue para Cafarnaum com os seus discípulos. Enquanto caminhavam, Jesus falou-lhes, mais uma vez, da sua morte e ressurreição. Os discípulos, além de não entenderem nada, ficaram com medo de perguntar o que aquilo significava. Esta dificuldade em entender o propósito redentor do Messias é desconcertante. Explica-se, em parte, pela expectativa judaica de que o Messias seria um libertador político, não um Cristo crucificado. Infelizmente esta incompreensão continua também nos nossos dias, nas pessoas a quem falamos da morte redentora de Jesus e tantos ainda nada entendem.

Chegados a Cafarnaum, Jesus faz-lhes uma pergunta: “O que vocês estavam a discutir no caminho?" Já vimos que quando Jesus faz perguntas não é para saber ou aprender algo, porque Jesus é Deus e sabe todas as coisas. As inquirições de Jesus, normalmente, servem para esclarecer dúvidas que precisam primeiro ser verbalizadas. Os discípulos nada responderam. Era o silêncio dos culpados. O assunto deles era demasiado comprometedor para o exporem a Jesus. 

Marcos informa-nos que a discussão dos discípulos era sobre qual deles seria o maior. Qual deles era o mais importante. Há aqui um contraste dilacerante entre Jesus estar a dizer que ia à cruz morrer, enquanto os discípulos discutiam entre eles quem era o melhor. O Senhor falava do momento mais importante da história do universo e as mentes dos apóstolos estavam ocupadas com desejos egoístas de grandeza pessoal.

Então, Jesus senta-se, chama os doze apóstolos e diz-lhes: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.” No ensino de Jesus, se alguém quiser ser alguma coisa, deve aprender a servir os outros, dispondo-se a ser o último de todos. Para reforçar a lição, Jesus tomou uma criança nos braços e disse que quem receber uma criança em seu nome recebe-o a Ele. No mundo antigo, as crianças não tinham valor, eram desprezadas e ignoradas. Esta criança representa os esquecidos, os excluídos, os ignorados, os que não consideramos importantes. Jesus mostrou que o "maior" no Reino de Deus é aquele que ama, serve e ajuda quem precisa, assim como Cristo fez. 

Jesus é o maior exemplo de humildade e serviço. A maior prova de humildade que Jesus deu foi que, sendo Deus, sendo o criador do universo, Ele fez-se homem e como homem tornou-se servo. Sendo servo, Ele escolheu morrer numa morte horrível e vergonhosa, numa cruz. Em vez de querermos ser nós os mais importantes, confiemos naquele que é o Maior: Jesus Cristo. Ele foi o único que morreu e ressuscitou pelos nossos pecados (1Pedro 3:18). 

Quando tratamos bem as pessoas, quando valorizamos quem não é valorizado, quando amamos os outros, estamos a servir Jesus e o Pai. A ambição desmedida e o egoísmo fazem parte da nossa natureza humana caída. Ninguém pensa que é orgulhoso e arrogante ou altivo. Todos pensam que são humildes. A verdade é que todos queremos ser os maiores. Os mais importantes. 

A verdadeira grandeza não está em buscar posições ou cargos, mas no serviço simples e fiel a Deus e aos outros. Devemos servir com humildade, sem esperar elogios ou reconhecimento. Humildade não é pensar pouco sobre si, é pensar e agir como Jesus pensou e agiu. E Jesus, sendo O Senhor de tudo, viveu como servo humilde. Os líderes são chamados a liderar pelo exemplo, demonstrando amor e cuidado pelas pessoas ao seu redor (1Pedro 5:3). 

Devemos acolher os mais vulneráveis. A Igreja deve ser um lugar de acolhimento e abrigo. Que Deus nos ajude a cuidar daqueles que a sociedade despreza, como os órfãos, idosos, pobres e todos os excluídos. Que possamos tratar a todos com amor e respeito, independentemente da posição social. Partilhemos a fé em Cristo com todos, porque essa é a maior ajuda que podemos dar. Que possamos entender que só há um maior, é Jesus Cristo, porque de facto Jesus é mesmo o Maior!

segunda-feira, março 10, 2025

Deus transforma o mal em justiça e alegria

"O  âmago  da  Bíblia  e  do  cristianismo  não  é  explicar  a  origem  do  mal,  e  sim demonstrar como Deus age e transforma o mal no seu oposto, ou seja, em justiça eterna e alegria." 

- John Piper

quarta-feira, março 05, 2025

Fé em Jesus que tudo pode


Depois de Jesus ter mostrado a sua glória no monte voltou ao encontro dos outros nove discípulos que tinham ficado no vale. O contraste entre estes dois momentos é chocante. Passamos da gloriosa transfiguração de Jesus no monte, para a terrível possessão demoníaca no vale. Da voz doce do Pai que nos manda ouvir Jesus, para a voz muda de um menino amordaçado pelo diabo. Da paz para a confusão. Da luz para as trevas. 

Sim, os momentos celestiais com Deus “no monte” são maravilhosos, mas a vida do cristão é também a vida com Deus “no vale”. Somos chamados a estar no meio de gente oprimida, irritada, confusa e desalentada. O crente não é para ficar enclausurado na tenda do monte, é para caminhar com fé no tumulto do vale. Esta história não é só sobre a cura espiritual, é principalmente sobre a urgência de colocarmos a fé no poderoso Jesus.

A multidão agitada rodeava os discípulos. Os escribas discutiam com eles. No meio daquele alvoroço, Jesus é interrompido pelo pai de um menino que estava possesso por um demónio. O pai ajoelha-se diante de Jesus. Descreve o sofrimento do seu filho e lamenta que os discípulos de Jesus não tenham conseguido expulsar o demónio.

"Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei ainda?" Lamentou Jesus. Tantos milagres e maravilhas que O Senhor já tinha feito e ainda tanta incredulidade latente, da parte da multidão e dos discípulos. Até quando? A incredulidade indigna Deus. O povo de Israel não entrou na terra prometida por causa da sua incredulidade (Hb 3:19). Aquilo que leva as pessoas ao inferno é continuarem no estado de descrença. “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6).

"Trazei-mo!" disse Jesus. Levar pessoas a Jesus continua a ser a grande missão de cada cristão. Jesus transforma vidas! Possamos ser pais que levam os filhos a Jesus. Quando o jovem se aproximou de Jesus, o espírito agitou-o com violência. Os demónios conhecem Jesus e estremecem diante dele. Jesus perguntou ao pai há quanto isto lhe sucedia. Ele respondeu que desde a infância do menino. O objectivo do diabo é destruir a vida das crianças, dos jovens, das famílias.

Aquele pai rogou a Jesus que se Ele pudesse fazer alguma coisa que fizesse algo. Jesus respondeu: “Se tu podes crer! Porque tudo é possível ao que crê!” Em outras palavras, Jesus estava a dizer que a questão não era se Jesus podia, mas se o pai acreditava no Jesus que tudo pode. A dúvida, a incerteza e a falta de poder nunca estão do lado de Deus, estão sempre do nosso lado! Jesus é o Deus encarnado e Ele pode tudo! “Para Deus todas as coisas são possíveis” (Mc 10:27). 

Com lágrimas nos olhos, o pai exclamou: “Eu creio, Senhor! Ajuda-me na minha incredulidade.” Aquele pai tinha a consciência sincera da sua pequena e vacilante fé. Jesus não repreendeu esta afirmação. Conhecer-se incapaz diante do autor da fé é o grande milagre da fé. Jesus então repreendeu o espírito e disse: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai dele e não entres mais nele.” O demónio reagiu mas logo saiu. O menino ficou como morto. Estava em paz. Só Jesus dá paz. Jesus soergueu-o. Tantas pessoas que não nos levantam, Jesus dá-nos a mão.

Já em casa, os discípulos perguntaram a Jesus porque é que não puderam expulsar aquele demónio. Jesus disse que aquela casta, aquele tipo de demónios, somente sai com pessoas que vivem na intimidade e na dependência de Deus. Valorizamos muito as actividades e eventos mas Jesus aqui realçou a necessidade de orar e jejuar. Dependemos de Deus em todos momentos. Mateus amplia a resposta de Jesus e esclarece que o problema dos discípulos foi a falta de fé (Mt 17:19-21). 


Quatro aplicações finais

1. Vivemos num mundo espiritual. Satanás e os demónios continuam a tentar destruir as pessoas. O diabo usa tudo o que pode para destruir vidas. Provoca doenças, males, vícios, pecados. O maior alvo do diabo é impedir que a pessoa creia em Jesus como seu Salvador e Senhor. 

2. Deus detesta a incredulidade. Aquilo que impediu os discípulos de curarem aquele rapaz foi a sua falta de fé em Deus. A incredulidade não é só a falta de fé para acreditar que Deus existe, é a desconfiança que quem Deus é e daquilo que Ele pode fazer. 

3. Sem oração não há poder espiritual. Não conseguimos viver a vida espiritual na nossa força. Sem oração tudo vai fracassar. Tudo se torna possível para aquele que crê e confia em Jesus que tem todo o poder.

4. Precisamos ir a Jesus e confiar nele. Jesus é o único Salvador. Deposita a tua fé em Jesus, porque Ele é quem que te pode salvar e libertar. “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a palavra de Deus.” (Rm 10:17). Crê na poderosa Palavra de Deus. Crê em Jesus. Ele pode tudo.

quarta-feira, fevereiro 05, 2025

A gloriosa transfiguração de Jesus

Jesus levou Pedro, Tiago e João para orarem num monte. Em diversas ocasiões, durante o seu ministério, Jesus chama este trio de discípulos para estar mais perto dele. Não compreendemos porque é que Jesus escolhe uns e outros não, mas aceitamos que O Senhor é soberano. Ele sabe bem o que faz e com quem quer fazer. Sempre.

No cimo desse monte Jesus transfigurou-se diante deles. As vestes de Jesus ficaram resplandecentes e mais brancas do que a neve. Por alguns instantes, o véu da humanidade de Jesus foi destapado e eles viram o esplendor da glória celestial do Senhor. Mateus diz que o rosto de Jesus resplandeceu como o sol. No Monte Sinai o rosto de Moisés resplandecia por ter estado na presença de Deus, aqui, o rosto de Jesus resplandecia porque Ele próprio era essa glória refulgente.

Entretanto, apareceram Elias e Moisés que falavam com Jesus. Lucas esclarece que eles falavam da morte de Jesus que estava prestes a acontecer em Jerusalém (Lc 9:30-31). Tanto Elias, representando os profetas, como Moisés representativo da Lei, compreendiam bem a missão do Messias. Alguns usam esta passagem para defenderem a comunicação com os mortos. Está escrito que os seres humanos morrem uma vez e a única coisa que os espera é o julgamento divino (Hb 9:27). Não foram os discípulos que conversam com Moisés e Elias foi Jesus. Ele é Senhor dos vivos e dos mortos e é o único que tem autoridade para falar a vivos e mortos. Não há possibilidade de os mortos retornarem, não há reencarnação e nem almas a pairar no ar. Vozes de antepassados, barulhos estranhos ou outras coisas semelhantes são produzidas por Satanás, por demónios ou, algumas vezes, por charlatões (2Co 11:14). 

Os discípulos adormeceram na oração e acordaram sobressaltados com aquela manifestação gloriosa de Jesus. Pedro, tomado pelo assombro e medo, fala sem saber bem o que dizia: “Mestre, bom é que nós estejamos aqui e façamos três cabanas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.” O pânico faz as pessoas dizerem muitas tolices. Para quê fazer cabanas para Elias, Moisés e Jesus? A ideia de Jesus era continuar rumo à cruz, não fazer acampamento ali. Ao colocar Jesus no mesmo patamar de Moisés e de Elias, Pedro não compreendeu que O Senhor estava acima da Lei mosaica e de todos os profetas.

De repente, a sombra de uma nuvem cobriu os três apóstolos e saiu uma voz dela dizendo: “Este é o meu Filho amado; a ele ouvi” (Mc 9:7). Não era a primeira vez que o Pai falava audivelmente a propósito do Filho. No barulho das muitas vozes deste mundo, continua a ser imprescindível ouvirmos Jesus Cristo. Imediatamente Elias e Moisés desapareceram e ficou ali no monte somente Jesus com os três discípulos. 

Na descida, Jesus ordena que não divulgassem o que tinham visto até que Ele ressurgisse dos mortos. Uma vez mais, eles ficam sem entender o que era aquilo de ressuscitar dos mortos. Por vezes ficamos incomodados por existirem tantas pessoas que hoje não entendem que Jesus morreu e ressuscitou, mas até os discípulos que andavam com Ele não entenderam isso durante muito tempo. 

 

Algumas conclusões e aplicações

1. Cuidado com as experiências espirituais. É possível ter experiências gloriosas com Cristo e ao mesmo tempo, como Pedro, dizer e fazer coisas que não fazem sentido. As nossas experiências com Deus nunca devem ser colocadas acima da Palavra do Senhor. 

2. Jesus é a manifestação da glória divina. Jesus não apenas reflecte o brilho da glória de Deus, Ele é a real glória divina, porque Ele é Deus. Na Carta aos Hebreus lemos que Jesus é "o resplendor da Sua glória [de Deus] e a expressa imagem da Sua Pessoa" (Hb 1:3). Podes confiar em Jesus porque Ele é mais do que um líder, mais do que um profeta religioso, na transfiguração, fica claro que Ele é Deus cheio de glória.

3. Acima de todos, ouvir Jesus. Escutar e obedecer à voz de Jesus através da Sua Palavra e do Espírito Santo continua a ser primordial. Jesus é o centro da nossa fé e salvação. Tudo na Bíblia converge para Ele, e as nossas vidas também devem girar em torno de Sua Pessoa. A Ele deves ouvir.

"O que nos deve interessar não é o que os homens dizem, ou o que os ministros do evangelho afirmam, ou o que as igrejas asseveram, ou o que os concílios eclesiásticos declaram, mas, sim, o que Cristo diz. Ouçamos, pois, Jesus. Permaneçamos nele. Dependamos dele. Olhemos para ele. Ele, e somente ele, nunca nos decepcionará, nunca nos desapontará, nunca nos desencaminhará." - Ryle 

4. A transfiguração de Jesus dá-nos esperança. Os discípulos tiveram um vislumbre do Reino glorioso vindouro e gostaram tanto que queriam ficar ali. Ficaram tão impactados, que mais tarde Pedro, já entendendo melhor o alcance do que tinha visto, testemunhou: "nós mesmos vimos a sua majestade, porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo." (2Pedro 1:16-18).

Que a presença gloriosa de Jesus continue a brilhar em nós e por nós.

quinta-feira, janeiro 16, 2025

Implicações de seguir a Cristo

Jesus está no Norte de Israel e vai em direcção a Jerusalém rumo à cruz. Marcos conta que o Mestre chama os seus discípulos e diz-lhes: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” Há implicações e exigências para quem segue a Cristo. O cristianismo fácil, barato, utilitário, que diz que para seguir a Cristo nada é exigido, é falso! O discipulado afecta a nossa vida pessoal, familiar e comunitária. Ao contrário de tantos falsos mestres, Jesus não engana as pessoas que o querem seguir, com ilusões ou propostas fáceis. A porta é estreita e o caminho é apertado (Mt 7:13-14).

Há pelo menos três exigências para alguém ser discípulo de Cristo:

1ª) Negar-se a si mesmo. O discípulo de Cristo deve renunciar a si próprio. Isto vai contra aquilo que é defendido por muitas seitas, filosofias e gurus que prometem felicidade para quem fizer o que lhe apetece e desejar. Jesus ensina que o cristão deve negar-se a si mesmo. Isto significa rejeitar os interesses egoístas do nosso "eu". Negar a nossa vontade e fazer a Dele. Esta vida de renúncia não é uma vida isolada ou fechada num mosteiro. É viver como Jesus viveu, deixando que a vida de Jesus seja a nossa vida.

2ª) Tomar a sua cruz. Jesus caminha para a cruz e exige que esse caminho seja também o dos seus discípulos. A cruz é o destino de Cristo e do cristão. A cruz é um lugar de morte. Quem não está pronto a morrer por Cristo não está apto para viver com Cristo aqui e no céu. Carregar a cruz não é suportar uma doença, um filho rebelde, um marido/esposa difícil, ou outra coisa custosa, é a disposição para morreres para ti próprio e para tudo o que não agrada a Deus. “Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24).

3ª) Seguir Jesus. Ser cristão não é ser simpatizante do cristianismo, não é dizer-se religioso, católico ou evangélico e viver como um ateu. Não é apenas orar e vir à igreja ao Domingo, é ter comunhão com Ele, é depender dele, obedecer aos seus mandamentos, é testemunhar! Seguir Jesus é confiar no Senhor soberano da nossa vida em todos os aspectos.

A seguir, Jesus vai ensinar o santo paradoxo de perder para ganhar. "Qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará." Quem quiser salvar a sua vida, vivendo sem a graça divina e para si próprio, vai perder-se eternamente. É a loucura daquele que pensa ter tudo mas falta-lhe o mais importante de tudo: Deus. Ao ignorar Deus e a sua salvação ele está desastrosamente perdido aqui e no futuro.

Por outro lado, Jesus diz que quem perder a sua vida por amor a Jesus e por causa do evangelho vai ganhar a vida eterna. Não é ser um mártir que garante a vida eterna, é entender que o amor de Jesus é melhor do que todos os amores desta vida. Afinal de contas, de que adianta a pessoa ser muito rica, famosa e ter tudo neste mundo e estar perdida e atormentada por toda a eternidade?

O discípulo é alguém que não se envergonha de Cristo. Ser cristão nunca foi popular e nunca será. Quem é um verdadeiro discípulo de Cristo vai enfrentar oposição, lutas, perseguição e até pode ser morto por causa da sua fé. Todos aqueles que se envergonharem de Cristo e não crerem na Palavra do Senhor serão julgados pelo Senhor no futuro.


Resumindo:

O discipulado é um chamado diário para todo o cristão seguir Jesus e exige a renúncia constante. Todo este processo de negar a nossa vontade, tomar a cada dia a cruz e seguir a Cristo não pode ser feito nas nossas próprias forças. A auto-negação é sempre difícil e só é possível em cooperação e na dependência do Espírito Santo.

A salvação da nossa alma vale mais do que todas as riquezas deste mundo. Marcos vai contar mais à frente a história de um jovem rico que perguntou a Jesus o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus disse que ele precisava perder a confiança naquilo que a sua vida estava firmada - nas riquezas. Ele entendeu o custo de seguir Jesus e retirou-se triste. De uma forma egoísta e louca, ele não estava na disposição de perder os seus bens pelo Senhor dos bens e da vida (Mc 10:17-23).

Que tipo de discípulo és tu? Segues a Cristo de boca ou de verdade?

terça-feira, janeiro 07, 2025

Começar bem cada dia

"Mesmo alguns minutos de leitura da Bíblia, onde você contempla a glória do Senhor, e alguns minutos de oração, onde você abre seu coração para ele, têm o poder de transformar o seu dia." 

- Paul Tripp

quarta-feira, dezembro 04, 2024

Quem é Jesus?


A passagem de Marcos 8:27-33 serve de transição para a segunda parte do Evangelho de Marcos. Jesus conversa com os seus discípulos no caminho de Cesareia de Filipe. O seu destino é Jerusalém, rumo à cruz. O Senhor lança uma primeira pergunta “Quem dizem os homens que eu sou?” Saber quem é Jesus é a pergunta mais importante que alguém pode fazer. Esta pergunta continua a ser crucial no nosso tempo. 
Os discípulos de Jesus responderam que alguns pensavam que Ele seria João Baptista, Elias ou outro profeta. O povo estava muito confuso. Para os religiosos judeus Jesus era um falso profeta, para os governantes era um rebelde perigoso, para o povo era mais um guia religioso. Muitos dirão hoje que Jesus foi um Rabi, um Mestre religioso, um bom homem, um líder político, um anjo, um deus, etc.  

Jesus faz-lhes uma segunda pergunta: “Mas vós quem dizeis que eu sou?” Pedro com os olhos a brilhar responde: "Tu és o Cristo!" Quando Pedro identifica Jesus como O Cristo, está reconhecer quem Jesus é e o propósito da sua vinda. A palavra “Cristo” significa “O Messias”, literalmente “o Ungido”, Aquele que foi “escolhido por Deus” para salvar e libertar o seu povo. Os judeus estavam à espera de um Messias que iria libertar Israel do jugo romano e estabelecer o reino justo de Deus na terra.
 
Na passagem paralela de Mateus (Mt 16:15-17), lemos que a declaração de Pedro não foi o resultado do seu próprio pensamento, da sua lógica ou na sequência da aprendizagem humana, esta confissão foi fruto de uma revelação dada por Deus Pai. Para alguém entender que Jesus é o Cristo, que veio a este mundo para nos salvar, é necessária revelação divina, a acção iluminadora do Espírito Santo. 
 
Depois da declaração de Pedro, Jesus disse que era necessário padecer muito, ser rejeitado pelos líderes religiosos, ser morto e que passados três dias iria ressuscitar. Então, Simão Pedro, o tal discípulo que pensava ter feito um brilharete com a sua declaração, tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo dizendo a Jesus para Ele não ir à cruz. O Messias que Pedro idealizava (e todos os religiosos judeus) nunca iria morrer daquela forma cruel e indigna que Jesus estava a profetizar. O Senhor identificou quem estava por detrás das palavras de Pedro e falando para Satanás ordenou: “Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.”  

 
Algumas lições e conclusões desta passagem:
 
1. O Pedro iluminado pensou que podia repreender Jesus. Esta atitude revelou altivez, ignorância e falta de discernimento espiritual. Na nossa boa intenção podemos ser instrumentalizados por Satanás. As pessoas mais usadas por Deus também podem cometer falhas graves. Saber isto não deve servir de desculpa mas de alerta para todos os cristãos. 
 
2. O alvo de Satanás sempre foi impedir que o Cristo fosse à cruz. Tentou fazer isso logo no início do ministério de Jesus (Mt 4:6). Aqui, usou um dos seus discípulos mais próximos. Jesus diz que Satanás é um ser limitado, que não conhece as coisas que são de Deus mas só apenas algumas coisas relativas aos homens. Na cruz, Jesus venceu Satanás e todas as autoridades espirituais do mal (Cl 2:14-15).
 
3. Jesus é o único Messias que nos pode salvar. Jesus é o Cristo, Ele é Deus, é o Verbo que se fez carne, é o nosso Redentor que morreu e ressuscitou, é o único Mediador entre Deus e os Homens é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

“Se não souberes com clareza quem é Jesus, estarás perdido na questão mais importante da vida. O cristianismo é muito mais do que um conjunto de doutrinas, Ele é uma Pessoa. O cristianismo tem a ver com a Pessoa de Cristo. Ele é o centro, o eixo, a base, o alvo e a fonte de toda a vida cristã. Fora dele não há redenção e nem esperança. Ele é a fonte de onde procedem todas as bênçãos.” - Hernandes Dias Lopes.
 
Quem é Jesus para ti?

quinta-feira, novembro 14, 2024

Como se pode ter vida eterna?


"E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste."
- João 17:3. 

Nesta sua oração, Jesus explicou de forma clara como se alcança a vida eterna. A vida eterna não é só uma realidade futura mas um encontro com o Divino, na história da nossa vida aqui. Quando pela sua graça, O Pai se revela como único Deus verdadeiro e a pessoa crê que Jesus Cristo veio a este mundo para ser o nosso Salvador e Senhor, começa a vida eterna. 

Conhecer Deus e Jesus Cristo é encontrar-se com a vida eterna, porque Jesus não só tem vida, Ele próprio é a vida (João 14:6). Vida na sua dimensão total e plena. Vida na dependência e na comunhão vital com Deus e com a sua Palavra. A vida que brota do encontro pessoal com aquele é a expressão máxima da vida eterna - Jesus Cristo.