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quarta-feira, agosto 19, 2020

Entregar as inquietações ao Senhor



"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças."
Filipenses 4:6.
 
A inquietação não é uma coisa nova. A carta de Paulo aos Filipenses foi escrita há cerca de 2000 anos e já havia gente inquieta e ansiosa. "Ansiedade" na raiz da palavra original grega significa "estar dividido". A pessoa ansiosa tem a sua mente dividida com muitos pensamentos. É uma guerra entre pensamentos bons e maus, onde parece que ganham os maus. Se a ansiedade não for tratada degenera em doença. Adoece-se na mente, no corpo, na alma e no espírito.

O versículo não só nos diz para não andarmos inquietos, mas dá-nos o remédio: Oração e gratidão. O melhor antídoto contra a inquietação, a tristeza, a perturbação e o desencorajamento é entregarmos os nossos encargos a Deus. Só O Senhor pode e sabe cuidar deles.

Devemos também refrear os nossos pensamentos (Fp 4:8). Disciplinar a nossa mente para se focar em Deus, na Sua Palavra e naquilo que Ele deseja e O glorifica. Pensar naquilo que é verdadeiro, bom e correcto. Pensar mais nas boas qualidades dos que nos rodeiam em vez de matutar nos seus defeitos. Nas tantas coisas boas que Deus já fez, continua a fazer e ainda fará.

Em tempos e circunstâncias difíceis é possível desfrutar da paz e da alegria do Senhor, quando as entregamos ao Senhor e confiamos no Seu cuidado. "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus." (Fp 4:7).

terça-feira, agosto 11, 2020

Todavia, eu me alegrarei no Senhor

O livro de Habacuque ensina-nos a entregarmos as nossas dúvidas e aflições ao Senhor Deus através da oração e a caminharmos com fé e confiança no Senhor, no meio das nossas piores crises e lutas.

O capítulo 3 é uma oração em forma de cântico. Provavelmente este Salmo de adoração e louvor a Deus seria usado no templo em Jerusalém. É uma Teofania, ou seja, uma manifestação de Deus e dos seus propósitos. Martyn Lloyd-Jones disse que Habacuque agora só está interessado na glória de Deus e mais nada.

Quando Habacuque ouviu as respostas do Senhor temeu e tremeu. Estremeceu por todos os lados: lábios, ossos, ventre e coração (v.2 e 16). Em prantos, o profeta tem a noção clara da grandeza portentosa do Senhor e da sua podridão interior. Mais importante do que entender a origem da existência da mal no mundo (um dos grandes temas deste livro) é reconhecermos e arrependermo-nos da nossa própria maldade.

O profeta ao ouvir os juízos do Senhor clama por avivamento (v.2). “Avivar” aqui é um pedido de preservação da vida, é um rogo para não ser destruído na invasão babilónica que estava para vir. Mas também é um grito por renovação espiritual.

Normalmente o avivamento surge num quadro de perversidade e frieza espiritual. O avivamento vem de Deus e é um retorno à centralidade da Palavra de Deus, à conversão e santificação. Hernandes Dias Lopes diz que “Precisamos de um avivamento que coloque a igreja nos trilhos da sã doutrina e a desperte para viver piedosamente.”

Deus envia o avivamento espiritual quando vê quebrantamento, arrependimento e confissão. A glória de Deus torna-se manifesta a todos e um grande número de almas são salvas. Clamemos a Deus, conforme fez Habacuque: “Aviva, ó SENHOR, a tua obra!”

O livro termina de forma admirável. A invasão babilónica iria devastar a agricultura, o gado, as provisões e todo o sustento de Judá e do profeta. Muita fome e miséria estavam para acontecer. Mas mesmo assim, "ainda que...", o profeta declara a sua confiança em Deus: “Todavia, eu me alegrarei no Senhor!” (v. 18).

Alegrar-se em Deus quando as coisas correm de feição é relativamente fácil, o nosso grande desafio é continuar a confiar nele no meio das aflições desta vida e quando tudo parece ruir.

O profeta começou com dúvidas mas termina com fé. No capítulo 2 “o justo viverá pela fé”, no capítulo 3 “o justo está a viver pela fé!” Uma coisa é conhecermos intelectualmente a vida da fé, outra bem distinta é vivermos pela fé! Não se trata de negar as maldades ou meter a cabeça na areia quando tudo vai mal, nada disso! É confessar os nossos pecados e confiar em Deus em todas as circunstâncias.

A fé bíblica e madura é aceitar a vontade de Deus, independentemente dos resultados. Deus nem sempre muda a nossa conjuntura, mas pode transformar a nossa maneira de enfrentar as situações mais difíceis. Isso é viver pela fé!

O Livro começa com “o peso” do Profeta e termina com a alegria e a força do Senhor Jeová. Começa no mais no vale da dúvida e termina na mais alta montanha da fé. G. Campbell Morgan disse que “A nossa alegria é proporcional à nossa confiança. A nossa confiança é proporcional ao nosso conhecimento de Deus.” Podemos confiar em Deus porque Ele continua a ser o Senhor soberano que está no controlo de todas as coisas.

Aprendemos muito com Habacuque. É melhor subir à nossa torre de vigia para orar e ouvir Deus falar, do que reclamar e querer entender todos as sombras e contornos da nossa vida. A alegrarmo-nos no Deus da nossa salvação, independentemente das circunstâncias. A viver mais por fé e menos por vista.

terça-feira, julho 07, 2020

Viver pela fé


Não conhecemos todas as respostas acerca da existência do mal e do sofrimento humano. Sabemos que a entrada do pecado neste mundo afectou tudo e todos. Contudo, os crentes em Deus crêem que O Senhor é soberano e, mesmo diante das piores circunstâncias, é possível sossegarmos a nossa alma nele.

O capítulo 2 começa com Habacuque a subir a um alto lugar para vigiar e orar a Deus. Nesse diálogo, porque é disso que se trata a oração, Deus diz ao profeta para escrever a visão de forma legível para que todos a leiam, até mesmo quem passa a correr (v.2). Então, Habacuque faz uma espécie de “outdoor” para todos lerem a revelação do Senhor. As Escrituras precisam ser lidas e conhecidas. Continuemos a espalhar a poderosa mensagem do Evangelho. 

A visão seria para um certo tempo (v.3). Tempo presente e futuro. Os caldeus iriam invadir Judá no tempo do profeta e nos últimos dias, Jesus iria retornar, conforme o escritor aos Hebreus diz, aludindo a Habacuque: "Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há-de vir virá e não tardará” (Hb 10:37). A Bíblia é um livro profético que revela muitas coisas que vão acontecer, uma delas é que Jesus está prestes a voltar!

Existe um contraste nos vs. 4 e 5 entre o orgulhoso e o justo. Este homem soberbo é o caldeu, que traça o carácter de muitas pessoas. Aquela pessoa que tem a alma inchada, confia em si próprio, vive na sua força, poder, capacidades, que não teme Deus e não respeita ninguém. É arrogante, dado ao vinho (que dá uma sensação de fanfarronice), quer conquistar tudo, nem que seja tenha que aniquilar todos à sua volta. 

Por outro lado, o justo é a pessoa que não confia em si, mas em Deus – “O justo pela sua fé viverá” (v.4). Ele é justo, não por ser melhor que os outros, ou por fazer muitas obras boas, mas porque reconhece a sua indignidade e deposita a sua crença e esperança em Deus. Vive pela fé. A fé bem direccionada para Deus e para a Sua Palavra. Fé persistente e obediente. 

A vida espiritual começa e mantém-se pela fé em Deus. Pela fé o homem começa a viver, pela fé o crente vive, pela fé somos salvos. Que os cristãos possam batalhar juntos por esta "fé que uma vez foi dada aos santos" (Jd 1:3).

sábado, junho 27, 2020

Em Jesus fomos encontrados e amados


"A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram." (Salmo 85:10). 

Este Salmo celebra o retorno do povo de Israel à sua terra, depois do cativeiro babilónico. O Salmo evidencia que o povo está arrependido dos seus pecados e agora a comunhão está restaurada. Existe também uma súplica por avivamento espiritual, por mais salvação e alegria (v.6,7). 

Mas o grande versículo que prende a minha atenção neste Salmo é o v.10 - "A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram." Este santo encontro amoroso, embora previsto na eternidade passada, realizou-se de forma efectiva em Cristo, na cruz do Calvário. A verdade e a justiça conciliaram-se com a misericórdia e a paz. Ao contrário de nós, tantas vezes, em Cristo há um perfeito equilíbrio entre o amor e a verdade, entre o direito e o perdão. 

Em Jesus Cristo, nós fomos encontrados, perdoados, amados e beijados.

quarta-feira, junho 17, 2020

Esperar sempre em Deus


Muitos dizem que esperam em Deus até Deus mexer nas coisas que eles esperavam receber. Não é por aceitarmos a soberania divina que coisas más não nos vão acontecer - isso seria superstição. Sossegar na soberania de Deus é descansar no seu comando, independentemente do que passemos. A fé verdadeira no Senhor é aquela diz "Ainda que ele me mate, nele esperarei" (Jó 13:15). 

Deus vê todas as coisas e só permite as coisas que são necessárias. A sua malha não tem pontas soltas. Deus sabe o que faz e como faz. Além disso, se sofrermos humilhações, maldades e injustiças por fazermos bem, isso faz-nos bem. Ajuda-nos a não confiarmos em nós próprios e a dependermos mais do Senhor. A única forma de andar bem nesta vida é andar na luz, de "peito aberto" às balas. É melhor morrer a esperar em Deus, do que viver desesperançado e frustrado toda a vida. E a outra.

quinta-feira, junho 11, 2020

Deus ama a comunhão

Depois de tanto tempo confinados em nossas casas, começamos a retomar ao “normal”. Ou, como alguém sugeriu, ao “novo normal”, porque isto de usar máscaras, estar sempre a desinfectar as mãos e a afastarmo-nos de todos, não faz parte da nossa normalidade. Somos seres relacionais. 

Fomos feitos para relacionamentos reais. Escrevi em 2014 que quando um individuo não tem prazer em estar com outras pessoas, provavelmente sofre de algum tipo de patologia relacional, emocional e espiritual. A pior das pandemias é aquela que fecha alguém sobre si próprio. 

A igreja existe para a comunhão. Comunhão real com Deus e comunhão presencial de uns com os outros. Quem desfruta de comunhão com Deus procura estar com os seus irmãos. A igreja primitiva amava a comunhão (1Jo 1:3). O grande pregador Spurgeon disse que "se formos fracos na nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo." 

O egoísmo, a mentira, o orgulho, o pecado em geral, afastam-nos da comunhão. As trevas querem bloquear a comunhão. "Mas se andarmos na luz, como Deus na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (1 João 1:7). Deus chama-nos para a Sua comunhão. Deus ama a comunhão.

quarta-feira, maio 13, 2020

Jesus é o único mediador

"Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem." (1 Timóteo 2:5)

Sem a ajuda divina nada podemos fazer para chegar a Deus. Algumas pessoas querem dar uma ajudinha para tocar Deus. Tentam as religiões, fazem sacrifícios e abstinências, tentam agradar a Deus com dádivas, obras e muitas outras coisas... mas nada. O cristianismo é uma relação amorosa entre Deus e os homens que tem apenas um elo: Jesus Cristo. Não há ninguém capaz de igualá-lo. Jesus é o único Homem que consegue levar-nos a Deus, porque somente Ele é simultaneamente homem e Deus. O homem Jesus é a ponte exclusiva entre Deus e os homens porque foi Ele o único que morreu pelos nossos pecados.

O cristianismo verdadeiro não admite intermediários. Como bem ressaltou John Stott: "Esta afirmação da exclusividade de Jesus tem produzido ressentimentos amargos e profundos. Muitos a consideram 'intoleravelmente intolerante'. Mas, por amor à verdade, nós temos que mantê-la, por mais ofensa que possa causar." Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo. Ele é o único caminho, verdade e vida.

quarta-feira, abril 22, 2020

Tem bom ânimo, Jesus venceu!



"Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." (João 16:33).

A teologia da prosperidade, a tal que defende que se os cristãos tiverem fé, nunca adoecem, não têm carências, nem dores, é falsa. Jesus alertou os seus discípulos que eles seriam perseguidos, afligidos e mortos. Infelizmente esta pandemia tem atingido centenas de bons cristãos e alguns líderes evangélicos já morreram. As aflições, lutas e dores neste mundo só vão terminar quando as primeiras coisas passarem (Ap 21:4).

É bom lembrar que as aflições do tempo presente, não são para comparar com a glória que há-de ser revelada na eternidade (Rm 8:18). Mesmo diante das nossas dores, Jesus assegurou-nos que nele podemos experimentar paz. Jesus é o Príncipe da paz e a sua paz transcende as circunstâncias e os sentimentos. A sublime presença do nosso Deus pacifica, serena e sossega a mais turbada das almas.

O bom ânimo está ligado a 3 factos: A vitória de Cristo, o perdão dos pecados e à nossa fé obediente. Temos bom ânimo porque confiamos na vitória de Jesus: "Tende bom ânimo; eu venci o mundo." O nosso ânimo resulta do facto de Jesus ter morrido pelos nossos pecados e do perdão que Ele nos disponibiliza. O bom ânimo também acontece quando cultivamos bons pensamentos, meditamos na Palavra de Deus, oramos e colocamos em prática aquilo que Deus nos manda.

Sim, contamos com aflições aqui, mas quando entregamos os nossos fardos, problemas e lutas a Deus, vamos desfrutar da paz e do bom ânimo do Senhor. Tem bom ânimo, Jesus já venceu!

sexta-feira, abril 17, 2020

Os desigrejados estão felizes

Para os "desigrejados" este tempo de quarentena é um tempo normal. O "desigrejado" é um crente sem vínculo com uma igreja local, não quer pertencer formalmente a nenhuma instituição eclesiástica. Não quer participar nos cultos e não pretende estar sujeito a uma liderança. Quando havia a possibilidade do ajuntamento cristão escolheu não se juntar. Agora que não há essa possibilidade, tudo continua bem para ele.

Creio que só sente falta da comunhão real da Igreja quem de facto já o é. Ser cristão, obviamente, é muito mais do que assistir a cultos ou actividades religiosas. Ser cristão implica aceitar a miséria dos seus pecados, arrepender-se deles, acreditar na redenção de Cristo, mas também é desejar ardentemente a comunhão com os outros irmãos. É caminhar e aprender juntamente com outros cristãos.

Deus ama e instituiu a comunhão. Deus chamou-nos para a comunhão com o seu Filho Jesus Cristo e para a comunhão com os nossos irmãos. Para a comunhão real e efectiva, que a sombra do virtual nunca poderá substituir. Que esta disjunta pandemia sirva também para despertar a sede e a saudade da comunhão real. Possamos perseverar na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (Actos 2:42). Quando pudermos. Enquanto podemos.

sexta-feira, abril 10, 2020

O estranho silêncio da cruz

Na cruz de Jesus há um estranho silêncio divino. O silêncio do Cristo que sofre por nós, o silêncio do Pai que sofre com o sofrimento do Filho, o silêncio do Espírito Santo que emudece, sofre, conforta e aguarda.

O estranho silêncio na cruz foi interrompido com um grande brado de Jesus: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito." Cristo morreu.
O véu do templo foi rasgado de alto a baixo, tremeu a terra e fenderam-se as pedras. Mas o doloroso silêncio divino do madeiro estendeu-se por mais um dia. Uma grande pedra confinou o corpo de Jesus na tumba.




Domingo de manhã.
No silêncio daquele primeiro dia da semana ouviu-se a pesada pedra do sepulcro a rolar. Cristo ressuscitou!

"A este [Jesus] que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela." (Actos 2:23-24).

O estranho silêncio da cruz e do sepulcro vazio continuam a falar bem alto aos nossos corações. Aleluia!

segunda-feira, março 30, 2020

Aquietai-vos



Acompanho a crise epidémica do coronavírus desde Dezembro de 2019, quando ainda poucos desconfiavam do que aí vinha. Têm-me faltado as palavras. Tenho observado a fase da negação da doença passar para o alarmismo, o medo, a desinformação, o desespero, o recolhimento. Todos temos visto as empresas, as lojas, os serviços, as igrejas, as ruas e as cidades a fecharem. De repente, mais de um terço da população mundial ficou enclausurada em casa. É o que se deve fazer. Mas não é a primeira vez na história humana que não fazer nada, ajuda a resolver tudo.

Quando o Rei Josafá ouviu que os moabitas e os amonitas vinham destruir Judá, ele temeu muito. Josafá temeu mas buscou O Senhor. Decretou um jejum e pediu que o povo buscasse a Deus em oração. O Espírito do Senhor veio sobre o levita Jaaziel que lhes disse para não temerem porque aquela luta não era deles, mas de Deus. Nesta peleja só tinham que ficar quietos, de pé, louvando O Senhor. A narrativa bíblica diz que quando os amonitas e moabitas atacaram Judá, ficaram desnorteados e mataram-se uns aos outros. O reino de Judá ficou quieto e Deus concedeu-lhe vitória e paz.

Não é preciso ser profeta para saber que o coronavírus vai passar. Como as pestes anteriores, um dia o COVID-19 vai findar. Até esse dia chegar, estar quieto, louvando e confiando em Deus, é o melhor que se pode fazer. Quem fez da sua vida apenas um conjunto de reuniões, actividades, negócios, encontros, agora sente-se perdido e desesperado. Mas o tempo é para esperar, orar e estar quieto. Saber que Deus continua a ser Deus.

"Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra." (Salmos 46:10).

quinta-feira, março 12, 2020

Perplexos, mas nunca desesperados

Aprendemos com o profeta Habacuque que devemos reclamar menos e crer mais em Deus. Depois de Deus lhe dizer que iria punir o povo de Israel, permitindo que o império babilónico invadisse a terra santa, o profeta ficou perplexo sem entender esta estranha forma de Deus intervir. Para Habacuque os ímpios caldeus são mais perversos que os judeus. Por vezes custa-nos aceitar os métodos que Deus usa para nos chamar à razão, mas podemos ter a certeza que os seus propósitos e fins são sempre bons e perfeitos.

Habacuque conhece quem Deus é. Sabe que Deus é eterno, santo, justo, seguro, poderoso, Rei e Senhor. Conhecer Deus leva-nos a adorá-lo e prepara-nos para enfrentar as lutas e dificuldades. Quanto mais conhecermos quem Deus é, mais preparados ficaremos para as maldades e adversidades desta vida. Hernandes Dias Lopes disse que "O conhecimento de Deus é o maior antídoto contra o desespero.”

Perante o mal que se avizinha, o profeta chega à conclusão que o melhor é ficar na fortaleza do Senhor e vigiar (Hc 2:1). Martyn Lloyd-Jones diz que o princípio que ressalta deste livro profético é que devemos desligar-nos do problema e descansar em Deus. Em vez de nos focarmos nos problemas, oremos e confiemos mais no Senhor.

Esta nova pandemia, o COVID-19, mais conhecido por coronavírus, veio expor o medo, o vazio existencial, a agonia e o desespero que muitas pessoas vivem. Como lidar com o mal que nos bate à porta é um dos grandes assuntos de Habacuque. No que concerne ao coronavírus, é bom seguir as orientações médicas e os planos de contenção estabelecidos pelas autoridades. Mas e em relação aos outros males? As pestes, as doenças, as maldades, a morte não devem assustar os verdadeiros cristãos. Se cremos que com Cristo vivemos, ainda que fiquemos doentes ou morramos continuamos a ser do Senhor.

Os apóstolos sofreram muito mas não ficaram desesperados: "Somos atribulados de toda a maneira, mas não definitivamente esmagados; perplexos mas não desanimados. Somos perseguidos, mas não desamparados por Deus. Somos derrubados, mas levantamo-nos e prosseguimos." (2Co 4:8,9 - O Livro).

Mais importante do que termos todas as explicações e respostas em relação ao mal e à maldade, oremos, vigiemos e esperemos com fé no Senhor. “A minha alma espera somente em Deus; dele vem a minha salvação. Ó minha alma, espera somente em Deus, porque dele vem a minha esperança” (Salmos 62:1,5). Deus é a nossa esperança.

sábado, fevereiro 29, 2020

Alinhados com o tempo de Deus

"Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus."
(Efésios 5:15-16)

O tempo é um dom maravilhoso de Deus. Remir o tempo é alinhar o nosso tempo com o tempo e a vontade de Deus. Sábio é o ser humano que sabe priorizar o mais importante em cada dia. Mais do que deixar o tempo correr, somos responsáveis por gerir bem as horas, os minutos e os segundos que temos. É fundamental entender que há um tempo certo para todas as coisas, como escreveu o grande sábio Salomão: "Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." (Ec 3:1). Um dia daremos contas a Deus daquilo que fizemos com o tempo que Ele nos concedeu. Enquanto é tempo, vivamos a todo o tempo, acertados com o tempo de Deus.

terça-feira, fevereiro 11, 2020

"Até quando, Senhor?"



Jerusalém estava cheia de pecado e violência. Habacuque queixa-se, não CONTRA Deus, mas A Deus: "Até quando, Senhor?". O profeta queria entender os propósitos do Senhor e clamava a Ele por justiça e pela Sua intervenção em Judá. "Até quando?" é um grito de socorro, um pedido de ajuda ao Altíssimo para que Ele intervenha.

Deus vai dar a resposta ao profeta a partir do versículo 5. O Senhor diz que vai enviar os terríveis caldeus, vindos do Oriente e liderados por Nabucodonosor, para possuir a terra de Israel e levar cativos os judeus. O profeta reclamou do silêncio de Deus, mas quando Deus falou ficou ainda mais apreensivo. Temos muita pressa em obter as respostas de Deus, mas muitas vezes elas não são aquilo que esperávamos.

Os caldeus eram um povo cruel. Estavam bem equipados para a guerra, eram corajosos e temidos por todas as nações. Poderosos e arrogantes. David Baker diz que “os babilónicos eram arrogantes, colocando-se no lugar de Deus, chegando a promulgar o direito de se honrarem a si mesmos. O poder e o orgulho com frequência caminham juntos.”


Quatro conclusões e aplicações:

1. O mal é real. O mal não é apenas um problema teológico ou filosófico; Habacuque estava mesmo a viver a maldade dos judeus e iria sentir na pele a violência dos caldeus. O mal é interior e exterior. Está em nós, porque somos todos maus e vem até nós, porque o mundo está no maligno. A única forma de vencer o mal é fazer o bem, deixando Cristo viver em nós e por nós.

2. Deus intervém! Ao contrário do que muitos imaginam, Deus não está indiferente dos assuntos terrenos. O soberano Senhor está atento e tece a história. Jó esperou 38 capítulos pela resposta de Deus, Habacuque esperou 5 versículos. No Seu tempo, Deus sempre responde a quem clama com sinceridade. “Clama a mim, e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes, que não sabes.” (Jr 33:3)

3. Deus pode usar os ímpios para cumprir os seus soberanos propósitos e para nos refinar. Ao contrário do que pregam os teólogos da prosperidade, é o próprio Deus que envia lutas e perseguições aos seus filhos para os corrigir e aperfeiçoar. Às vezes são as circunstâncias e as pessoas mais difíceis na nossa vida, que nos ajudam a depender mais dele.

4. Deus enviou Jesus. Vemos nesta passagem que Deus enviou os caldeus para disciplinar Israel, mas vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Jesus Cristo. Ao contrário dos caldeus, o Messias não veio para nos disciplinar ou condenar, mas para nos salvar (João 3:17). Quem nele crer está salvo e seguro. Até quando vais duvidar do Senhor?

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

Há alegria no Senhor!

"Esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força." (Neemias 8:10)

Como qualquer outra pessoa, o cristão tem dias alegres e dias tristes. Neemias redescobriu a alegria do Senhor e por isso encorajou os que estavam à sua volta a alegrarem-se também. A alegria do líder sempre contagia os outros. Os israelitas estavam tristes por terem andado tanto tempo longe de Deus e da Sua vontade. Agora, que O Senhor os tinha trazido de volta do exílio babilónico e ajudado a reconstruir o muro em Jerusalém, era tempo de se alegrarem no Senhor.

A verdadeira alegria está e vem do Senhor. Quando reconhecemos os nossos pecados, Deus dá-nos a alegria do seu perdão. Existem tantas alegrias fúteis neste mundo que nos cansam e esgotam, mas a alegria de Deus renova-nos e dá-nos força para continuar. Não precisamos andar a sorrir todos os dias, mas podemos contar com a alegria do Senhor em todo o tempo. O prisioneiro Paulo disse aos filipenses para se regozijarem sempre no Senhor (Fp 4:4). Sente-se desanimado, triste, cansado? A alegria do Senhor é a nossa força. Alegre-se nEle!

quinta-feira, janeiro 23, 2020

Lembrai-vos das coisas passadas



"Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade." (Isaías 46:9-10).

Sou do tipo nostálgico. Não que viva no passado ou do passado, mas sou dado a rememorar. Gosto de relembrar pessoas, lugares, tempos, instantes, livros, filmes, músicas que passaram - ai os gloriosos anos 80 e 90! Tenho saudades de pessoas que já não estão, mas que ficaram. Este blogue fez 15 anos e parece que foi ontem.

Deus diz ao povo de Israel, pelo profeta Isaías, para se lembrarem das coisas passadas. Para se recordarem que Deus é o único Deus e que tinha feito no passado grandes e gloriosas obras. O seu perfeito conhecimento e a sua intervenção poderosa e misericordiosa em favor de Israel era prova que Deus é o Senhor.

Uma das razões para olharmos para trás é para reconhecermos Deus e a sua mão bondosa a conduzir todas as coisas. Se pensarmos bem, Deus foi manifestamente bom no passado e Ele continuará a ser no presente e no futuro. Ele tudo sabe, tudo pode. Assim confiemos nele!

segunda-feira, janeiro 13, 2020

Abraçar a fé em Deus

Comecei ontem uma série de mensagens em Habacuque. Pouco se conhece deste profeta. O seu nome em hebraico talvez signifique “abraço”, ou “aquele que abraça". O profeta ouviu a Deus pela fé, foi abraçado e abraçou. Nós também precisamos abraçar, com todas as nossas forças e entendimento, a fé em Deus. Abraçar os outros.

Fala-se em Habacuque sobre a providência divina – a grande sabedoria com que Deus tece e conduz todas as coisas. A maravilhosa e misteriosa intervenção divina na história do mundo e na nossa história. Percebe-se a intimidade que deve existir na oração. O profeta dialoga com Deus, porque a oração mais do que fazer uma reza mecânica, é uma conversa. Habacuque clama, lamenta, expõe as suas dúvidas, escuta.

“Até quando, Senhor?” (Hc 1:2) “Porque é que o poderoso Deus não intervém diante de tanta maldade?” Parece que Habacuque se junta a Jó e aos salmistas e interroga-se sobre a existência do mal e da maldade. Discute-se em Habacuque a Teodiceia antes de Leibniz a ter "inventado".

O livro começa com lamento e questionamentos, mas termina com fé e alegria. Diante da ruindade humana, mesmo na escassez e sofrimento, o profeta aprendeu a confiar no Senhor. Por muito que nos custe aceitar, há propósito no sofrimento. Tim Keller escreveu que “Quando a dor e o sofrimento nos atingem, finalmente compreendemos que não temos controlo sobre as nossas vidas, nem nunca tivemos.”

Mesmo quando as coisas não correm conforme queremos, é melhor crer e confiar no soberano Deus do que nas nossas dúvidas ou lamurias. "O justo, pela sua fé, viverá" (Hc 2:4). O Senhor tudo sabe e tudo pode.

quarta-feira, janeiro 08, 2020

7 Pensamentos sobre Unidade

"Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste." João 17:21


Sete pensamentos sobre a unidade pela qual Jesus orou, na sua oração chamada de sacerdotal, narrada no Evangelho de João 17:20-26:

1. A unidade cristã está vinculada a Cristo, transcende opiniões, consensos e sentimentos humanos.

2. Só na medida em que estamos e permanecemos em Cristo é que a unidade se aperfeiçoa.

3. Não é denominacional, nem ecuménica; ultrapassa interpretações particulares mas firma-se na mesma fé e doutrina.

4. A unidade é muito mais um sintoma do que um objectivo a perseguir; é a prova da presença gloriosa de Deus em nós.

5. Esta unidade reforça-se pela caminhada conjunta, pela oração, comunhão e serviço cristão.

6. A unidade cristã testemunha ao mundo do amor e da graça que há na unidade divina.

7. É uma unidade que reflecte a glória de Deus e aponta para ela.

terça-feira, dezembro 10, 2019

Oração, pregação e compaixão



A primeira cura de Jesus registada por Marcos é o relato de cura mais curto dos Evangelhos. No seu estilo rápido e condensado, Marcos narra o milagre em 2 versículos. Contaram a Jesus que a sogra de Pedro "ardia em febre". Cristo, tomando-a gentilmente pela mão, repreendeu a febre e a mulher ficou curada. Assim mesmo. Ao contrário de muitos “milagreiros” dos nossos dias as curas de Jesus são imediatas e perfeitas.

O texto sagrado diz que a sogra levantou-se e começou a servi-los. As bênçãos e as respostas que recebemos do Senhor são para O servirmos mais. Muitos sãos estão doentes e alguns curados não servem. E quem não serve a Deus estando são, está muito doente espiritualmente.

No dia seguinte, ainda de madrugada, Jesus foi para um lugar deserto orar. A oração era uma das grandes prioridades na vida de Jesus. Na sua humanidade Jesus dependia totalmente do Pai. Entretanto, a multidão doente continuava a procurar Jesus. Quando os discípulos o encontraram, Jesus diz-lhes que agora ia pregar para as aldeias vizinhas. A pregação era o objectivo primordial do Senhor. Mais do que fazer curas e milagres, Jesus estava focado na pregação do evangelho.

Aprendemos tanto com Jesus. Ele quer entrar na nossa vida e na nossa família. Lancemos sobre Ele todas as nossas inquietações. O seu poder quer manifestar-se dentro e fora de casa. Oremos mais. Se Jesus escolheu orar, muito mais nós precisamos depender da comunhão do Pai. A oração, a pregação e a compaixão pelas pessoas eram as prioridades de Jesus. Quais são as nossas prioridades?

quarta-feira, novembro 27, 2019

Precisamos da misericórdia divina



Jesus contou uma história sobre alguns religiosos que confiavam em si próprios, pensando que eram melhores que as outras pessoas. A religião pode transmitir duas mentiras: a primeira é que os crentes são bons e a segunda é que são melhores que os outros. A verdade é que tanto crentes como descrentes carecem muito da graça e da misericórdia de Deus.

O fariseu da história confiava em si e nas suas realizações. Julgava-se ética e moralmente superior aos outros, por ser fariseu, por jejuar duas vezes na semana e dar os seus dízimos. O seu erro era justificar a espiritualidade com as suas realizações. O logro de pensar ser melhor e mais espiritual por fazer muitas bondades e actividades. Mas confiar em si próprio e nas suas obras é não precisar de Deus.

Só temos verdadeira comunhão com Deus quando reconhecemos quem somos: pecadores; e quem Deus é: Santo. A oração do indigno publicano deve ser a nossa: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” Todos os dias precisamos de perdão e da misericórdia divina. Em vez de nos julgarmos superiores e desprezarmos os que nos rodeiam, que Deus nos ajude a depender mais da Sua graça e misericórdia. Amém!