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segunda-feira, junho 19, 2017

Diálogo com a mulher pecadora



Os religiosos legalistas levaram a Jesus uma mulher apanhada em adultério para tentarem apanhar Jesus. "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela." Disse Jesus. Começaram a sair um por um. Afinal os apanhados foram eles. Ficou Jesus sozinho com a mulher pecadora.

"Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?" Perguntou Jesus.
"Ninguém, Senhor." Respondeu ela, com os olhos humedecidos.
"Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais."

Tantas lições para a nossa vida que retiramos deste precioso diálogo.
1) Não há pecado que seja demasiado grande que Jesus não possa perdoar.

2) Mais do que atirar pedras aos outros, devemos tirar as pedras que se alojam no nosso coração.

3) O pecado é uma coisa terrível e com graves consequências para nós e para os outros.

4) Em Jesus encontramos perdão, restauração e um novo rumo.

5) Jesus trata dos nossos pecados e quer tratar da nossa vida.

6) Não somos chamados para acusar e condenar, mas para viver e anunciar o perdão e a misericórdia do salvador Jesus. Que Deus nos ajude.

(Pregação de ontem no Evangelho segundo João 8:1-11)

segunda-feira, outubro 17, 2016

Partilhar o perdão de Cristo

A chamada "Grande Comissão” dada por Jesus à igreja, que alguém já apelidou de a “Grande Omissão”, aparece em todos os quatro Evangelhos (Mt 28:18-20; Mc 16:16; Lc 24:45-49 e Jo 20:19-23). A do Evangelho de João distingue-se das outras três pelas expressões vivas e poderosas que Cristo proferiu.

Depois da morte de Jesus, os apóstolos fecharam-se numa sala com medo dos judeus. Sentiam-se tristes, confusos e desamparados com a recente morte do Mestre. De repente, O próprio Jesus Cristo, ressurrecto, surge-lhes no meio. "Paz seja convosco!" diz Jesus por duas vezes (v.19 e v.21). Este "Shalom", a paz daquele que venceu a morte e o pecado infunde serenidade e propósito. É uma paz prometida (Jo 14:27; 16:33) e uma paz que nos chama e convoca, paz que transcende circunstâncias e lógicas humanas (Cl 3:15; Fp 4:7). O medo, a dúvida, a incredulidade, paralisam a igreja, a paz de Cristo faz-nos avançar.

Jesus dá-lhes o desafio missionário - “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (v. 21). A missão de Jesus é encarnacional, e como diz John Stott, esta é “a maior identificação transcultural na história da humanidade”. Aquele que foi enviado pelo Pai a salvar este mundo, ordena-nos que levemos a sua mensagem salvífica a todas as pessoas. É um comissionamento urgente e para todos os crentes. Temos a missão de não só experimentar a paz de Jesus, mas espalhá-la.

Os discípulos são convocados a sairiam para pregar o Evangelho, não por conta própria, mas com a autoridade e o poder do Espírito Santo. As missões sem o poder de Deus são infrutíferas, por isso Jesus dá-lhes um "sopro de Vida" (v.22). Uma espécie de "aperitivo" do grande banquete que viria mais tarde no Dia de Pentecostes. Uma pequena "brisa" do grande Vento.

Jesus não só lhes deu o poder da mensagem, mas também o conteúdo da mensagem da pregação: "o perdão de pecados" (v.23). Não se trata de outorgar a absolvição de pecados - exclusiva de Deus -, mas, de sermos as testemunhas do perdão que brota na cruz de Cristo. Somos exortados a partilhar o evangelho da salvação, no poder do Espírito Santo, sem medos nem vergonhas, a todos os que nos rodeiam. Quem crer neste perdão será salvo, mas quem não crer permanece condenado. "Ide!"

sábado, julho 16, 2016

Frutos do Amor maior


Jesus disse que os verdadeiros crentes estão ligados a Ele (João 15). Usou a bonita metáfora da videira para ilustrar esta realidade. Há uma união íntima e vital entre Jesus e os seus filhos. Jesus é a videira verdadeira, os crentes são os ramos. Estamos ligados a Cristo para ter vida e para produzir fruto. Crente que não produz fruto ou está doente ou em pecado. Na vida espiritual, não há vida, nem frutos, sem Cristo, porque sem Cristo nada podemos fazer (João 15:5). O melhor fruto que um cristão evidencia, que é também o maior mandamento, é o amor. Somos fruto do Amor maior para amar: amar a Deus e amarmo-nos uns aos outros.

Foi Deus Pai quem plantou a Videira-Cristo neste mundo, é O Pai que gera a vida em nós, é Ele quem limpa as varas, é Deus que nos faz frutificar, por isso não nos espantemos que o louvor, a honra e a glória sejam somente para Deus. Glória pois a Deus!

terça-feira, maio 24, 2016

A fé é um salto na luz

A fé não é um salto no escuro - isso é credulidade -, a fé é um salto das trevas para a luz. A fé procede de Deus e apoia-se na Sua luminosa Palavra. Ela dá-nos a convicção clara daquilo que Deus é, de quem nós somos e daquilo que Deus quer fazer em nós e por nós. É por isso que a fé viva traduz-se em adoração a Deus e atitudes concretas. Crer não é saltar para o irracional desconhecido, mas para a Luz revelada. Jesus afirmou: "Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas" (João 12:46).

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Tende bom ânimo!

"Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (João 16:33).

Ontem estivemos numa bela Igreja em Braga, onde preguei acerca da paz e do ânimo que encontramos em Cristo. As pessoas querem paz. É um dos grandes desejos que se costuma fazer na passagem para um novo ano. Procura-se paz na natureza, nas religiões, nos "Reikis", nos relacionamentos, nos animais, nos livros, na música, na Internet, no dinheiro, nas viagens e em tantas outras coisas. O Homem quer sentir paz consigo próprio, com os outros e, sem o saber ou admitir, busca a paz com Deus.

Jesus disse que podemos experimentar a paz nele (João 16:33). Em Cristo temos acesso à paz de Deus e à paz com Deus. É uma paz celestial que transcende o sentir e o pensar (Filipenses 4:7). Não acontece só quando estamos bem ou quando as coisas nos correm de feição, é uma paz divina que recebemos quando depositamos a fé naquilo que Jesus é e realizou.

Isto não invalida que o cristão não tenha dificuldades, lutas e aflições. Foi o próprio Senhor Jesus que nos prognosticou aflições e perseguições neste mundo. A tal Teologia chamada da "prosperidade", que ensina que depois da conversão são só facilidades, riquezas e isenção de dores e sofrimentos é falsa! Os cristãos, neste tempo presente, têm aflições. Isso, contudo, não nos deve fazer perder o ânimo. Porquê? Porque a nossa força e coragem não estão relacionadas com o sentir, ou com coisas e circunstâncias. O ânimo cristão advém do facto de crermos na vitória de Jesus: “tende bom ânimo; eu venci o mundo", disse o nosso redentor.

É verdade que aqui o cristão deve contar com aflições, lágrimas e dores, mas isso não lhe deve tirar a paz. O facto do Príncipe da Paz ter vencido a morte, o pecado e o diabo na cruz, dá-nos coragem e tranquilidade para prosseguir. Quando cremos na sua portentosa vitória, ela torna-se nossa também (1 Jo 5:4-5).

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Nas praias galileias com Jesus

Durante 3 anos, pela graça de Deus, preguei mensalmente na minha congregação sobre o Evangelho de João. Uma longa e detalhada caminhada. No passado Domingo chegámos ao último capítulo, o vigésimo primeiro, que muitos apelidam de Epílogo. Parecia que João tinha decretado o fim nos últimos versículos do capítulo vinte, mas ainda era preciso partilhar duas coisas muito importantes: Jesus supre as necessidades dos seus discípulos e Simão Pedro, que tinha negado Jesus, foi restaurado.

A praia junto ao lago da Galileia foi palco da tristeza e da alegria dos discípulos. O desânimo por pescaram toda a noite e nada apanharem e a felicidade por terem recolhido naquela manhã uma rede cheia de peixes. A frustração por agirem na sua força, o regozijo por obedeceram a Jesus. Quando eles chegaram à praia com o barco a abarrotar, Jesus já tinha peixes nas brasas e no pão. Jesus tem todo o poder e cuida sempre das nossas necessidades. Esquecemo-nos tanto destas verdades!

Naquela praia também teve lugar um diálogo amoroso. “Simão, filho de Jonas, amas-me?”, perguntou-lhe Jesus. “Sim, Senhor; tu sabes que te amo”, respondeu Simão. "Apascenta os meus cordeiros e as minhas ovelhas". Gostar de Jesus é bom mas amar é diferente. O Amor que perdoa e restaura é para ser vivido e partilhado. Amar Jesus implica atitudes, serviço, abnegação. A nossa responsabilidade é recolher e levar-lhe os seus peixes. Cuidar e alimentar as suas ovelhas. São dele.

O Evangelho termina como começou: com o testemunho da Palavra. Sem O Logos vivo que desceu do céu não há vida aqui e no porvir. Jesus é o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por Ele (Jo 14:6).

terça-feira, janeiro 12, 2016

Maria Madalena foi a primeira

Maria Madalena foi a primeira. A primeira a chegar ao sepulcro de Jesus e descobrir que estava vazio. Maria Madalena foi a primeira a ver e a tocar o Cristo ressurrecto. Foi a primeira a contar aos discípulos que Aquele que morreu pelos seus muitos pecados, afinal estava vivo. Tudo isto porque amava o seu Senhor e salvador. Quem tem consciência dos seus pecados perdoados, muito ama. Quem mais ama, mais é abençoado. Desconsiderar o papel das mulheres (dentro e fora da Igreja) é não perceber a importância fulcral que Jesus lhes concedeu e ainda concede.

domingo, janeiro 10, 2016

Da falta de fé de Tomé

A propósito da grande declaração de Tomé diante do Jesus ressurrecto: "Senhor meu e Deus meu!", Gregório Magno no século VI disse que “A falta de fé de Tomé fez mais pela nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram.” No final, o que era incrédulo creu mais que todos os crentes. Quem é o teu Senhor e o teu Deus?

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Falar da Páscoa no Natal

Chegámos ontem ao ponto crucial da série de pregações no Evangelho de João: a crucificação do Filho de Deus (João 19:19-37). Poderá parecer estranho para alguns falar-se da Páscoa no Advento. Mas se há coisa que o Natal aponta é para a cruz de Cristo. O Logos fez-se carne precisamente para subir à cruz e morrer pelos nossos pecados.

Meditámos nas palavras que se ouviram na cruz. Ditas por Pilatos e pelos algozes e as palavras proferidas por Jesus. Pilatos mandou colocar uma placa no topo da cruz com o título: “JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS” (v. 19). Ainda que de forma provocativa, Pilatos escreveu a verdade. De facto, Jesus não só era o Rei dos judeus, mas é o Rei do mundo, o Rei dos séculos, o Rei dos reis, o Rei dos santos, o Rei de tudo. Quem é o rei do teu coração?

Alguns querem rasgar a indivisível túnica de Jesus. Em Cristo não há divisões. Em Cristo, há uma maravilhosa unidade e comunhão, simbolizadas por esta túnica sem costura. Foi por causa dessa unidade que Jesus rasgou a sua carne e coração.

É muito significativo que das 7 frases proferidas por Jesus na cruz, 3 dessas frases estejam registadas no Evangelho de João. O Apóstolo do amor estava ao pé da cruz. Quando alguém anda perto de Jesus ouve o que os outros não ouvem. Jesus na cruz pronunciou palavras de perdão, salvação, afeição, angústia, sofrimento, vitória e entrega. Jesus hoje já não está na cruz, mas ainda ecoam as suas poderosas palavras que salvam e transformam vidas. A morte de Cristo é o triunfo sobre o pecado, a morte, o diabo. "Está consumado!"

terça-feira, novembro 03, 2015

O galo já cantou

Uma dos factos que comprova a veracidade das Escrituras é que elas não omitem as falhas e os erros dos grandes servos de Deus. Pelo contrário, expõem-nas e denunciam-nas. As quedas dos homens de Deus são lembrança da nossa débil estrutura humana. São narradas para nosso aviso, alerta e exemplo.

O intrépido discípulo que afirmou estar disposto a morrer por Jesus Cristo e que ousadamente puxou da espada para O defender, numa macabra e fria noite, negou Jesus. Simão Pedro negou Jesus, não uma, mas três vezes. E o galo cantou. Aquele que viria a ser uma das grandes colunas da Igreja, precisava aprender que a vida cristã só é possível na dependência de Cristo. O perigo do orgulho espiritual, da autoconfiança e da indolência mora em nós e corrói a nossa própria alma.

Quando finalmente Pedro se lembrou da Palavra de Jesus, chorou amargamente arrependido. É reconfortante saber que Deus "não esmaga a cana quebrada e nem apaga o pavio que fumega" (Is 42:3). Em Deus há perdão e restauração. Aquele que confessa e deixa as suas transgressões, Deus sempre perdoa (Pv 28:13; 1Jo 1:9). Sim, Pedro foi restaurado; e se Pedro foi levantado, nós também podemos ser.

Esta intensa experiência de Pedro ajudou-o a não confiar em si, antes a amar e a depender de Jesus, que “tudo sabe” (Jo 21:17). Nós também precisamos rememorar estes avisos e aprender todos os dias a não dependermos de nós próprios, mas do poderoso e amoroso Deus. Em vez de cantarmos de galo, percebamos que o galo já cantou.

domingo, setembro 13, 2015

A unidade pela qual Jesus orou

"Jesus não considera que a unidade organizacional pode ser mantida com instrumentos de poder. Nem tampouco se trata apenas de uma unidade de ideias afins ou uma coligação com base em sentimentos convergentes. Não, a unidade que Jesus pede para a igreja tem como paradigma e origem a unidade do Pai e do Filho no Espírito Santo. Essa unidade é continuamente demonstrada no agir e falar de Jesus. Ela é caracterizada pela liberdade e integralidade, mediante uma preservação nítida e intencional das diferenças."

Werner de Boor

terça-feira, agosto 04, 2015

Sinceramente errado

Se há coisa que se valoriza hoje é a sinceridade. A franqueza para se dizer tudo que se pensa é um dos pináculos do pensamento moderno. Será a sinceridade prova de acerto e verdade? Não me parece. Martin Lloyd-Jones, no seu excelente livro "Sincero, mas errado", escreveu que é possível uma pessoa estar sinceramente errada e genuinamente errada.

Obviamente que a sinceridade é importante, mas ela não comprova que uma pessoa está certa. Como bem o refere Ryle, nas suas Meditações no Evangelho de João: "Nem toda a sinceridade é de confiança". Por exemplo nas coisas espirituais: existem pessoas que pensam estar a servir a Deus de uma forma sincera e zelosa, mas na realidade estão a lutar contra a própria verdade que dizem defender e seguir. Saulo de Tarso é paradigmático nisto. Ele perseguia e matava os primeiros cristãos, pensando estar a fazer um bom serviço para Deus. Mais tarde, este mesmo Saulo, já transformado pela graça de Deus, diria que o zelo pela obra de Deus sem entendimento é inútil (Rm 10:2). Uma sinceridade desprovida de orientação amorosa causa sempre grandes males. O zelo e a sinceridade são coisas boas, mas devem ser motivadas com o discernimento do Espírito Santo e objectivadas para a glória divina.

domingo, julho 12, 2015

Fruto amoroso

"Não foram vocês quem me escolheram, mas eu vos escolhi a vocês e vos nomeei para irem e produzirem fruto, e fruto que perdure, de modo que o Pai vos dê tudo o que lhe pedirem em meu nome. É pois isto o que vos mando, que se amem uns aos outros."

Jesus Cristo, Bíblia Sagrada, versão "O Livro" (Living Bible), João 15:16,17.

terça-feira, junho 16, 2015

A exclusividade chocante de Jesus

Na pregação de Domingo, meditámos em João 14. O coração turbado continua a ser um mal que afecta muitas pessoas, alguns cristãos também. Jesus deu-nos várias razões para não nos preocuparmos em demasia. O remédio passa por colocarmos a fé em Deus e em Cristo, confiar que Jesus está a preparar-nos um lugar eterno e que brevemente virá buscar-nos. As inquietações e aflições desta vida são lembranças que não somos só daqui. Há um eterno descanso além, reservado para os crentes em Jesus.

Por mais escandaloso que seja, especialmente nestes dias relativistas, Jesus revela uma exclusividade chocante ao afirmar que ninguém vem ao Pai a não ser por Ele. Jesus é o único Caminho para o céu, Ele é a Verdade absoluta e a única Vida verdadeira que vale a pena viver. Continua ainda hoje a querer salvar e sossegar o coração, por mais perturbado e confundido que esteja. Jesus é a nossa paz.

"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." (João 14:27).

domingo, fevereiro 22, 2015

É possível perder a salvação?

"É possível perder a salvação? Bom, isso depende. Depende de quem te salvou. Se foi Cristo quem te salvou então é impossível, pois ele assegurou que 'e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos' (João 10:28). Agora se foi outro quem te salvou então sim, é possível perder a salvação."

Russell Shedd

domingo, janeiro 11, 2015

Guias cegos

“Pastores não convertidos são a ruína da igreja. Quando um cego guia outro cego, ambos caem no barranco.”

J. C. Ryle

domingo, dezembro 21, 2014

Jesus é o nosso modelo perfeito

"O Verbo realmente fez-se carne? Então, Ele pode ser um exemplo perfeito para a nossa vida diária. Se tivesse andado entre nós como um anjo ou espírito, jamais poderíamos imitá-lo. Mas, por ter vivido entre nós como homem, sabemos que o verdadeiro padrão de santidade é 'andar como ele andou' (1 João 2:6). Ele é um modelo perfeito, porque é Deus; mas, também, um modelo que corresponde perfeitamente às nossas necessidades, porque é homem."

In: J. C. Ryle. Meditações no Evangelho de João. São Paulo: Editora Fiel, 2011, p. 12.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Barro luminoso

Um destes dias levantei-me da cama do meu quarto e não acendi a luz. Estava muito escuro. Quando procurava tocar a porta, encontrei uma parede. Por breves instantes tive aquela horrível sensação de desorientação semelhante à cegueira. Avancei esbaforido para a porta, mas como estava entreaberta, bati desalmadamente com a cabeça na porta. Embora "cego", vi estrelas. O “galo” ainda cá canta.

No sexto sinal, dos oito descritos no Evangelho de João, há uma estranheza maior além da própria estranheza já inerente aos milagres. Jesus cuspiu na terra e untou os olhos de um cego. Alguém sugeriu que a seguir à morte, a cegueira é a talvez a maior perda de um ser humano. Impede-nos de vislumbrar as maravilhas de Deus e dos homens, restringe a vida e faz-nos depender totalmente dos outros. A cegueira, as doenças, o mal, a morte são consequências da entrada do pecado na humanidade. Todos nascemos cegos, todos somos pecadores (Rm 3:23; Rm 5:12; Ef 2:1; 5).

“Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” perguntaram os discípulos a Jesus. O pensamento judaico era dominado pela lei da retaliação - quem está a sofrer é porque fez algum mal. Infelizmente ainda hoje muitos cristãos (evangélicos também!), ainda continuam prisioneiros desta lei. A Teologia da prosperidade, por exemplo, ensina precisamente esse erro: toda a doença, pobreza e males vem do diabo e do pecado pessoal. Quem está doente é porque fez algum pecado e precisa de um exorcismo (e de dar mais uns dízimos dobrados).

Não há dúvida que o Pecado é o maior problema da humanidade. É por causa dele que as pessoas são condenadas eternamente. A única solução para o pecado é a confissão, o arrependimento sincero e a aceitação do perdão de Deus, mediante o Senhor Jesus. Também é verdade que existem doenças, sofrimentos e adversidades que são consequência directa do pecado e das más atitudes (1 Co 11:30; Tg 5:15). Mas esta passagem (e outras) ensina que nem toda a doença e sofrimento procedem directamente de um pecado pessoal ou familiar.

Foi o próprio Jesus que esclareceu que aquela cegueira não estava relacionada com o pecado do cego ou dos seus pais, antes serviria para a manifestação das obras de Deus, para a salvação daquele pobre homem. Muitas vezes não conhecemos as razões porque nos sucedem algumas desgraças e aflições, mas se confiamos no soberano Deus, acreditemos que Ele tem tudo no seu controle e que nada nos acontece por acaso. Há “males” na nossa vida que servem para o bem! Servem os seus elevados propósitos.

Porque é que Jesus cuspiu na terra e colocou aquele barro nos olhos do cego? Não sei em concreto. Sei que Jesus é Deus e que pode usar os métodos que podem parecer-nos “estranhos”, mas que são sempre os melhores. Estaria neste barro uma alusão ao processo criador de Deus na formação inicial do homem com pó da terra (Gn 2:7)? Talvez. Calvino sugere que Jesus tapou com barro os olhos cegos do homem para intensificar ainda mais o milagre. O cego precisava ser ainda mais cego para que o sinal fosse inequívoco.

A seguir, Jesus mandou o cego lavar-se no tanque de Siloé (v. 7). Aquele que foi enviado pelo Pai, enviou o cego a banhos. Este tanque simbolizava um teste de fé e obediência para aquele homem. Ao contrário do chefe do Rei da Síria, Naamã (2 Re 5) o cego não questionou a estranheza e a simplicidade dos métodos divinos. Foi e lavou-se. Quando se lavou, começou a ver. Mas este milagre, para além de gerar curiosidade em muitos, provocou medo nos seus pais e inveja e descrença nos religiosos incrédulos.

Jesus foi novamente ao encontro do homem que tinha sido cego. Nesse precioso encontro, o que já não era cego começou finalmente a ver. Espiritualmente. Creu no Filho de Deus e adorou-O (v. 35-41). Jesus é a luz do mundo. Ele não só fez a luz, faz-se luz para que todos os que nele crêem não andem em trevas. Ele ilumina, perdoa, solta, anima e aviva. Que possamos também ser o barro luminoso nas suas mãos para este mundo em trevas. Que Ele nos ajude.

segunda-feira, outubro 13, 2014

A Luz divina em acção

Neste tenebroso mundo, cego por tantas falsas luzes, a verdadeira luz continua a brilhar. A luz divina tomou forma humana - Jesus é a luz do mundo. A “Luz é Iahvé em acção”, disse o teólogo Hans Conzelmann. A pior cegueira de todas é a espiritual. Os verdadeiros seguidores de Jesus não estão cegos, porque seguem a luz certa. A verdadeira liberdade realiza-se no verdadeiro discipulado. Começa no momento em que cremos em Jesus, mas só somos verdadeiros discípulos se permanecermos na sua palavra todos os dias. J. C. Ryle escreve que “É o continuar e não o começar no cristianismo que é o teste da verdadeira graça de Deus.” Todos os verdadeiros cristãos são chamados à constância na oração, na leitura bíblica, no amor e ao serviço. A permanência e a perseverança no Evangelho não algo opcional, é o verdadeiro cristianismo.

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segunda-feira, setembro 22, 2014

"Vai-te e não peques mais!”

Os religiosos judeus apanharam uma mulher casada na cama com outro homem e arrastaram-na até Jesus, para que Ele pronunciasse um juízo. A motivação deles, porém, não era pura. Aquela mulher estava a ser usada como uma espécie de armadilha jurídico-religiosa. Mais do que aquela mulher, eles queriam apanhar e acusar Jesus. Se Jesus dissesse para apedrejar a mulher, como ordenava a Lei mosaica, eles acusavam Jesus de ser um subversivo e de trair Roma, porque só o governo romano podia decretar a pena mortal e para os romanos o adultério não implicava a morte. Se Jesus dissesse para a largarem, diriam que Ele não respeitava a Lei que expressamente declarava que os adúlteros tinham que ser mortos (ver Lv. 20:10; Dt 22:22).

Surge uma inevitável pergunta inicial: Onde estava o homem adúltero? O adultério não se comete sozinho. Os Fariseus estavam, logo à partida, eles próprios a não cumprir a Lei que tanto invocavam.

Esta mulher teve três encontros. O encontro com o pecado, o encontro com os religiosos e o encontro com Jesus Cristo. A verdade, é que o pecado e os religiosos não a ajudaram em nada. O pecado, à semelhança da vã religião, ilude, rouba, destrói e seca a vida.
Jesus responde aos acusadores: “Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra contra ela.” E continuou a escrever calmamente na terra. Talvez os seus nomes, os seus pecados ou mesmo algo das Escrituras. A começar pelos mais velhos, saíram todos de mansinho. Ficou a mulher sozinha com Jesus. “Onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou?” Perguntou Jesus. “Ninguém, Senhor.” Respondeu ela. “Nem eu te condeno, vai-te e não peques mais.”

Concluímos desta história autêntica que, ao contrários daqueles Fariseus e Escribas, devemos ser rigorosos e implacáveis com os nossos erros e pecados, mas compassivos e perdoadores com os erros dos outros. Embora o pecado tenha consequências graves e severas, não há pecado demasiadamente grande que Jesus não possa perdoar. Cristo morreu pelos nossos pecados e n'Ele encontramos perdão, restauração, uma nova oportunidade na vida e um novo rumo. Jesus não só trata com o nosso pecado, mas trata também com o nosso passado, presente e futuro.