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quinta-feira, setembro 19, 2024

Coração sem fermento

A seguir à segunda multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus e os seus discípulos entram num barco e vão para Dalmanuta. Pensa-se que esta região ficaria entre Cafarnaum e Magdala, na planície de Genesaré. Lemos no Evangelho de Marcos que apareceram os fiscais da boa religião: os fariseus. Discutem com Jesus e pedem-lhe um sinal do céu. Depois de tantos milagres que Jesus já tinha feito, este pedido é no mínimo um absurdo. Na verdade, eles não tinham o menor desejo de mais sinais, queriam desacreditar Jesus. Era uma curiosidade desonesta. 

Algumas pessoas que não aceitam Jesus, dizem que se vissem um sinal elas acreditariam. Só que isso são desculpas esfarrapadas porque a fé verdadeira não precisa de mais sinais. A fé autêntica, não sendo um salto no escuro, é a confiança apoiada na revelação da Palavra de Deus, em Jesus Cristo e na Sua obra realizada na cruz pelos nossos pecados.

Jesus dá um suspiro profundo. Este suspiro é muito mais do que cansaço, enfado ou impaciência. É um gemido que vem das entranhas mais profundas de Jesus. É um suspiro contra a incredulidade e contra a obstinada falta de confiança no Messias. Jesus diz que não fará mais sinais para eles, porque sabe que as suas motivações são malignas. O grande sinal seria dado quando Jesus ressurgisse dos mortos. Devemos seguir Jesus, não por causa dos seus milagres (e Ele faz milagres!), mas porque Ele é o único Salvador.

Entretanto, entraram novamente no barco e, no Mar da Galileia, O Senhor advertiu os seus discípulos para se afastarem do fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes. O fermento na Bíblia simboliza a influência do mal e do pecado. Jesus tinha já dito que o fermento dos fariseus era a hipocrisia (Lc 12:1). O fermento de Herodes seria a corrupção política e moral encabeçada pelos herodianos. Estes herodianos aliaram-se aos fariseus para engendrar uma forma para matar Jesus (Mc 3:6). Que O Senhor nos ajude a não sermos hipócritas legalistas como os fariseus e nem mundanos e sem moral como os herodianos. O resultado de viver uma vida dupla é culpa, frustração, falta de paz.

Os discípulos tinham-se esquecido de levar pão para a viagem e quando Jesus falou no fermento dos fariseus e de Herodes, eles pensaram que O Senhor estava a falar desse esquecimento. Tudo errado. Muitos problemas têm acontecido pela má interpretação de uma palavra, de um gesto ou por causa da má compreensão de uma situação. Perante a insipiência dos discípulos, Jesus vai relembrar-lhes os grandes milagres que tinha feito em matéria de panificação. Pior do que esquecerem-se do pão, é terem-se esquecido do poder e da provisão do Senhor Jesus.

Jesus questiona os seus discípulos: “ainda tendes o vosso coração endurecido?” O problema dos fariseus, dos herodianos e dos discípulos era a dureza de coração. Esse também é o nosso problema. O coração duro impede-nos de ouvir uma exortação, de reconhecer erros, de crescer. Coração endurecido é ter olhos e ouvidos, mas não ver e nem ouvir as coisas espirituais. É esquecer-se dos muitos milagres que Deus já fez na nossa vida e família. 

Jesus repete duas vezes a pergunta: "Não compreendeis ainda?" (Mc 8.17; 21). Que os fariseus e os herodianos compreendessem Jesus até percebemos, mas a incompreensão dos discípulos de Jesus parece ridícula. E nós? Depois de tantas provas da presença de Deus na nossa vida, como é que é possível ainda não entendermos que O Senhor cuida de nós? Tantas coisas mesquinhas deste mundo que nos preocupam e endurecem o nosso coração. Preocupação com comida, trabalho, aparência, bens, com aquilo que temos e o com o que não temos.

Contudo, há uma palavra que Jesus repete, que indicia que há esperança para eles (e para nós): “AINDA”. Os discípulos estavam cegos à graça abundante de Deus, mas há esperança porque Deus ainda tem grandes coisas para a sua vida. Os seus corações vão ser amolecidos e os seus olhos serão abertos mais tarde. 

Que o nosso coração esteja limpo de todo o fermento do mal, da malícia, do pecado. Que o nosso coração esteja sensível à presença de Deus e à Sua Palavra. Que Deus hoje abra os teus olhos e amoleça o teu coração!

quarta-feira, agosto 28, 2024

Multiplicação da compaixão


Jesus ainda está em território estrangeiro, em Decápolis, e acontece a segunda multiplicação dos pães e dos peixes (Mc 8:1-9). Surge uma pergunta: porque é que Jesus fez este milagre duas vezes de forma tão idêntica? Alguns alegam que foi apenas um milagre, desdobrado em duas versões. Obviamente que isso está errado porque há detalhes diferentes nos dois. O próprio Senhor Jesus disse que foram dois milagres (Mc 8:17-21).  Este segundo milagre serviu para eliminar eventuais dúvidas de alguns cépticos que não acreditaram na primeira multiplicação. Em terras de gentios, Jesus demonstrou que a sua mensagem e provisão são para todas as nações. Mas talvez a principal razão porque Jesus fez este segundo milagre, que ressalta do texto sagrado, foi a profunda compaixão do Senhor pelas pessoas à sua volta.
 
Jesus fugiu das multidões quando foi para a Fenícia, mas as multidões teimavam em não fugir de Jesus. O Senhor tinha sido rejeitado pelos seus, os da sua nação, e agora os gentios seguem-no efusivamente. Jesus chama os discípulos e diz que tem compaixão daquele povo que está há três dias sem comer. Ao contrário do que alguns santarrões pensam, Jesus não cuida apenas do espírito das pessoas, Ele deseja suprir todas as necessidades. 

A compaixão é uma emoção muito forte que se traduz num sentimento de empatia, amor e misericórdia e que procura aliviar o sofrimento alheio. É mais do que “ter pena”. O termo na Bíblia está ligado à ideia de sentir as entranhas a revolverem-se. A compaixão sempre foi uma das marcas de Jesus. A compaixão verdadeira leva à acção. A compaixão aqui multiplicou o pão e os peixes. Tinha sido também a compaixão a causa primária na primeira multiplicação (Mc 6:34). 

O Senhor perguntou aos seus discípulos quantos pães eles tinham. Eles responderam que tinham apenas sete pães e alguns peixinhos. Nada podiam fazer. Na nossa força e poder nada podemos fazer, mas o pouco que temos, colocado nas mãos do Senhor, pode abençoar muitas vidas. Jesus mandou a multidão sentar-se no chão, tomou os pães e deu graças. Aconteceu o milagre. Deu graças também pelos peixinhos e multiplicou-os também. O deserto e as impossibilidades humanas não impedem que Jesus realize grandes e poderosas coisas. Ele pode! 

O relato termina dizendo que todos comeram, ficaram satisfeitos e ainda sobejou muito pão. Guardaram os pedaços em sete grandes cestos. Quando a abundância chegar à tua vida, não desperdices, partilha o muito que tens recebido das mãos do Senhor. 


Algumas lições e aplicações desta passagem:

1. Deus ama a todos e não faz diferença de pessoas. Quando os judeus estavam com fome, Jesus multiplicou os pães, quando os gentios estavam com fome, Jesus multiplicou os pães da mesma maneira. Jesus ama a todos e morreu por todos. "O Senhor compadece-se mesmo daqueles que não fazem parte do seu povo – aqueles que não têm fé, que estão sem a graça divina, os seguidores deste mundo. Jesus mostra-se terno para com eles, embora eles não o percebam. Ele morreu na cruz por eles, embora se importem pouco com o que Ele realizou na cruz do Calvário. Jesus está disposto a acolhê-los graciosamente, a perdoá-los gratuitamente, se eles se arrependerem e crerem nele", comentou J.C Ryle. 

2. Nestes nossos dias de tanta fome espiritual, a compaixão precisa ser multiplicada. Que possamos estar atentos às necessidades físicas, emocionais e espirituais. Estar dispostos a ser usados por Deus para Ele as saciar. Deus quer usar o teu pouco para fazer muito. As nossas atitudes de compaixão evidenciam o amor de Deus na nossa vida. 

3. Quando andamos com Jesus, podemos ter lutas, dificuldades, até passar dias sem comer, mas Deus sempre vai suprir as nossas necessidades. Que possamos ter a fé do Apóstolo Paulo, que acreditava no Deus que abençoa e supre: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4:19). Jesus é poderoso para suprir as nossas necessidades e as dos que estão à nossa volta, por vezes de forma surpreendente que não esperávamos.

4. Este segundo milagre de Jesus é uma lembrança que Jesus pode repetir as coisas grandiosas e poderosas que fez no passado. Com Cristo há suprimento e esperança. Entrega as tuas necessidades ao Senhor e confia que Ele vai suprir, segundo a sua graça e vontade, tudo o que necessitas.

segunda-feira, outubro 09, 2023

Bem alimentados


Marcos conta que Jesus tinha enviado os seus doze apóstolos para proclamarem o arrependimento de pecados e agora eles voltaram para prestar contas. É muito importante os cristãos hoje estarem empenhados na missão de partilhar o evangelho e também prestarem contas a Cristo e à sua igreja local. Jesus diz aos apóstolos para repousarem um pouco. Eles tinham trabalhado tanto que nem tinham tempo para comer. O descanso é muito importante no ministério. Se não pararmos e se não nos alimentarmos bem não vamos conseguir ajudar ninguém. 

William Barclay notou que "há na vida dois perigos. Primeiro, o perigo da actividade constante. Ninguém pode trabalhar sem descansar e ninguém pode viver a vida cristã a não ser que tenha momentos de encontro com Deus. […] Por outro lado, existe também o perigo de muito isolamento. A devoção que não termina em acção não é verdadeira devoção. A oração que não termina em trabalho não é verdadeira oração. […] O ritmo da vida cristã é a alternância do encontro com Deus no lugar secreto e o serviço aos homens na praça."

Os apóstolos e Jesus entraram num barco para um local deserto. Quando atracaram, centenas de pessoas já os aguardavam. Mesmo cansado, Jesus compadeceu-se daquela multidão. Eram como ovelhas perdidas sem pastor. Tantas nos nossos dias. Pessoas que não conseguem encontrar o caminho, que não comem bons pastos e que ficam à mercê de ladrões e salteadores. A forma prática como Jesus demonstrou a sua grande compaixão por aqueles perdidos foi ensiná-los. Hoje também.

Como já se fazia tarde, os discípulos disseram a Jesus para mandar a multidão embora, até porque já deviam ter fome. Como sempre, a resposta de Jesus é surpreendente: "Dai-lhes vós de comer!" (v.37) Os discípulos não entenderam o alcance da sugestão do Mestre e responderam que nem 200 denários chegariam para alimentar aquela gente. O denário era a moeda de prata romana que correspondia ao salário de um dia. 

Jesus então faz-lhes uma pergunta: "Quantos pães tendes?" No meio daquela multidão, os discípulos descobriram um rapazinho que tinha cinco pães e dois peixes (João 6:9). Sentaram-se em grupos e em seguida Jesus deu graças abençoando os pães e os peixes. Repartiu-os pelos discípulos para que eles os distribuíssem pela multidão. Falta-nos tanto a oração e a organização do Mestre. 

Ficaram todos saciados e bem alimentados. Recolheram doze cestos de pão e de peixes que sobraram. Mesmo na abundância do milagre, nada é desperdiçado. Vivamos de forma simples, sábia, aproveitando a imensidão de bênçãos que Jesus nos dá.

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5 Lições deste milagre:

1. Precisamos estar bem alimentados e preparados para alimentar os outros. O melhor alimento espiritual é Jesus e a Sua Palavra. O profeta Jeremias disse: “Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração”. 

2. Diante das carências e dificuldades, devemos confiar mais em Deus do que nos nossos recursos materiais ou humanos. Confiar no Senhor provedor com fé activa.

3. O nosso pouco nas mãos do Senhor faz muito. Aquele rapazinho entregou tudo o que tinha. A generosidade potencia milagres. Entreguemos tudo o que somos e temos ao Senhor. 

4. Não desperdicemos aquilo que O Senhor nos tem dado. Os seus dons, as suas bênçãos, a nossa família, a igreja, os seus muitos milagres. A responsabilidade de repartir é nossa! 

5. Jesus é o verdadeiro “pão vivo que desceu do céu” (João 6:51) para te salvar e saciar a fome espiritual. Vem a Jesus e ficarás satisfeito e bem alimentado. Andas bem ou mal alimentado?

quinta-feira, abril 27, 2023

Pela verdade do evangelho


A história da Igreja está recheada de contestações, controvérsias e atritos. A maior parte dessas situações podiam e deviam ter sido evitadas, mas a que Paulo conta em Gálatas 2:11-21 foi útil à Igreja. Quando o Apóstolo Pedro visitou a igreja em Antioquia constatou uma igreja cheia da graça de Deus. Ali, teve comunhão com todos os irmãos, incluindo os cristãos gentios. Pedro conhecia bem a verdade do evangelho. Na casa de Cornélio ele tinha recebido uma visão da parte de Deus onde percebeu que O Senhor não faz acepção de pessoas e também compreendeu que a exigência da dieta judaica, muito restritiva, tinha terminado (Actos 10).   

Só que quando chegaram alguns irmãos de Jerusalém, enviados por Tiago, Pedro começou a afastar-se dos cristãos gentios e deixou de comer com eles. Mesmo conhecendo a verdade do evangelho, Pedro agiu de forma hipócrita. Fez isto porque temeu os da circuncisão, os judaizantes. Quando damos lugar ao medo ou estamos demasiado preocupados com a opinião dos outros, cometemos muitos erros. Além disso, esta atitude dupla de Pedro influenciou outros judeus em Antioquia, inclusive Barnabé, que era um grande amigo e companheiro do Apóstolo Paulo e um dos líderes daquela igreja. 

Perante isto, Paulo confrontou Pedro na presença de todos: “Tu és judeu e vives como um gentio e não como judeu, como é que queres obrigar os gentios a viverem como judeus?” Já existia muita confusão doutrinária nas igrejas por causa dos judaizantes e a atitude de Pedro estava a contradizer a verdade do evangelho da graça. Esta duplicidade de Pedro serviu para o Apóstolo Paulo defender de forma ainda mais veemente a justificação pela fé em Jesus Cristo (2:16-21). Alguns argumentos:

Primeiro, ninguém é justificado (declarado justo) pelas obras da Lei. O que fazemos, o que comemos ou não comemos, não nos torna mais justos ou santos. Segundo, judeus e gentios são igualmente pecadores e precisam ser salvos. Terceiro, a única verdade que nos pode salvar é a verdade do evangelho que diz que somos salvos pela fé em Jesus Cristo. Por último, o cristão é convocado a viver para Deus. Já fomos crucificados em Cristo, agora é a vida do Cristo ressurrecto que deseja viver em nós (2:20). Uma das grandes mentiras das religiões é que a graça de Deus não é suficiente para a salvação. Mas se é Cristo e mais alguma coisa, sejam obras, comidas, festas, dinheiro, promessas, sacrifícios ou outra coisa qualquer, então a morte de Cristo foi inútil! (2:21).  


Quatro aplicações desta passagem:  

1. Ninguém está imune ao erro. Quando alguém pensa que não falha, já caiu. Inerrante é a Bíblia, nós somos erráticos. Até os melhores pastores cometem erros. Precisamos vigiar para não falhar e ser humildes para reconhecer falhas. Os líderes têm maior responsabilidade para agir de modo coerente com o que ensinam e pregam.  

2. Pedro não viu logo o seu erro. Muitas vezes somos muito rápidos a identificar os erros e as hipocrisias dos outros, mas lentos a reconhecer os nossos próprios desacertos. Pedro conhecia a verdade do evangelho mas não a colocou em prática. É bom saber o evangelho mas ainda mais importante é viver a verdade do evangelho.  

3. As Escrituras são a palavra final. Ao contrário dos pastores e líderes religiosos, a Palavra de Deus não falha. Mais tarde, este mesmo Pedro escreveu: “A palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.” - 1Pe 1:25. Muitas pessoas ficam desapontadas com pastores e líderes e abandonam a igreja porque não estavam bem firmadas na Palavra de Deus.  

4. A justificação é obra divina. Estamos todos condenados ao inferno e só Deus pode nos perdoar e nos declarar limpos de toda a condenação (Rm 8:1). A vida que tu como cristão és chamado a viver é uma vida de fé e de confiança em Cristo. A nossa salvação não é Cristo e mais alguma coisa - É SOMENTE CRISTO! Porque Jesus Cristo é o caminho, e a verdade, e a vida; e ninguém vem ao Pai senão por Ele (João 14:6). Esta é a verdade do evangelho!

sábado, julho 23, 2022

Bom é o sal

“O sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros.” - Marcos 9:50.

Sou uma pessoa que gosto de coisas salgadas. Um bom presunto, uns enchidos, uns salgadinhos, uma bola de carne, um peixinho grelhado, uma boa posta de bacalhau, acho que não preciso de continuar. O sal tem um duplo objectivo, de preservar os alimentos e de incrementar mais sabor. 

O versículo bíblico acima citado, é uma ordem de Jesus para termos sal em nós mesmos. Este sal é o testemunho da presença de Cristo em nós. Quando damos lugar a Jesus nas diferentes áreas da nossa vida, os outros sentem esse bom tempero. Viver em paz uns com os outros é o resultado de uma vida com bom sabor. 

Que Deus nos ajude a ser o sal desta terra. Espalhemos o amor e a paz de Jesus no meio de tanta gente insossa, a precisar do bom tempero de Cristo. Bom é o sal.

quinta-feira, novembro 12, 2020

Comer ou não comer? Eis a questão


"Comer ou não comer? Eis a questão". Jesus tinha sido acusado anteriormente por comer com pecadores em casa de Levi, agora reclamam com Ele porque os seus discípulos não estavam a jejuar (Marcos 2:18-22). É como diz o ditado popular: "Preso por ter cão e preso por não ter." Quando alguém está de pé atrás connosco, faças o que fizeres, vais receber acusações, críticas e pedras dessa pessoa.

Os religiosos judeus costumavam jejuar regularmente. Os mais afoitos jejuavam dois dias por semana. Jesus denunciou que muitas vezes esse jejum era uma tentativa de exibir uma santidade e superioridade espiritual que perdia todo o sentido: “E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão” – Mt 6:16.

À boa maneira judaica, Jesus vai responder à pergunta do não-jejum com outra pergunta e usa 3 analogias para explicar porque é que os seus discípulos não jejuavam naquele tempo. A primeira imagem é a festa de um casamento judaico. Os noivos ficavam em casa e a boda costumava durar sete dias. Nessa altura ninguém jejuava, era tempo de festa e muito comer. O noivo Jesus estava com eles. O tempo era de grande alegria pela chegada do Messias e das suas “Boas novas”.

A segunda analogia de Jesus é o remendo no pano. Quando se remendava um pano velho com um novo e o pano remendado apanhava água, o novo encolhia e rasgava o velho. Há situações em que já não se pode cozer mais remendos. William Barclay diz que na época de Lutero já não era possível remendar mais os abusos da Igreja Católica Romana. Não se pode remendar graça com lei. "Se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça."

O armazenamento de vinho foi a terceira imagem. Naquele tempo o vinho era guardado em odres de couro. Quando nova, a pele tinha uma certa elasticidade que permitia guardar o vinho, mas com o tempo, enrijecia e perdia a elasticidade. Quando o vinho novo fermentava, rebentava esses odres velhos e perdia-se o vinho e os odres. A novidade da vida em Cristo não cabe e nem se conforma com as velhas práticas da lei mosaica. 


Nas redes sociais, partilham-se muitas comidas, deliciosos petiscos e sobremesas maravilhosas. Nada contra. Fala-se pouco de jejum. Mesmo nas igrejas evangélicas pouco se fala de jejum. O que é o jejum bíblico? Podemos dizer que é a abstinência total ou parcial de alimentos por um período definido e com um propósito específico. Se não existir um propósito concreto o jejum é apenas passar fome ou então parte de uma dieta. E há bons argumentos bíblicos para jejuarmos! Jesus jejuou. Os apóstolos jejuaram. O jejum faz parte da história da Igreja cristã. O jejum faz-nos bem porque mortifica-nos a carne e ajuda-nos a termos mais fome de Deus. Jesus disse que determinadas castas de demónios só saem quando há oração e jejum (Mt 17:21). Devemos jejuar por nós, pela liderança, pela igreja e pelos que não são salvos. 

Jesus validou o jejum para os dias depois da sua ressurreição e também ensinou nesta passagem alguns princípios fundamentais. A espiritualidade não depende de rituais religiosos. Em Cristo estamos livres do legalismo da Lei judaica. Se é verdade que o jejum de bife e vinho não salva ninguém, também não é mentira que precisamos ter posturas adequadas em cada época. Há tempo para comer, há tempo para jejuar.

O Evangelho da graça de Deus não é um remendo, é uma roupagem completamente nova: “Quem está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo.” (2Co 5:17). Existem alterações de práticas e comportamentos no novo cristão, mas são fruto da renovação de Deus no nosso interior. 

Pratiquemos o jejum com propósitos específicos e alegremo-nos por quem Deus é por aquilo que Ele faz. Nem só de pão viverá o homem e a melhor sobremesa está guardada para o fim.

sábado, setembro 15, 2018

Férias é família


As férias passaram, o trabalho recomeçou. Foi tempo de descanso, tempo de família, tempo de belos mergulhos nas piscinas e nas águas quentes do Sul, tempo para colocar as leituras em dia (li oito livros), tempo para serenar a alma, tempo para desligar a Internet, tempo para estar com bons amigos e para desfrutar de algumas outras boas coisas que só são possíveis nas férias. Soube a pouco, mas sabem bem estas vírgulas. Não tenho grande admiração por pessoas que se orgulham de nunca fazer férias, que vivem só para trabalhar, que não investem tempo no descanso. Afinal de contas, o Sábado não é invenção humana, foi Deus que o criou.

A tarde deste Sábado, foi uma espécie de prolongamento das férias, com mais um tempo fantástico em família num passeio a Santo Tirso. O dia culminou com um cachorro especial, com muito queijo derretido e regado com molho de "Francesinha à la JÓ". A dieta começa na segunda-feira.

quinta-feira, abril 27, 2017

Aprendei com o limoeiro

Quanto mais os parasitas atacam o nosso limoeiro, mais ele cresce. Quanto mais corto os ramos e folhas do nosso limoeiro, mais ele frutifica. Quanto mais limões oferecemos, mais limões nós temos. O nosso limoeiro não é nosso.

Cada um retire as conclusões e aplicações que achar pertinentes.

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Doces narcisistas

"Não é errado ser bondoso. Na verdade, ser servo é marca do cristão. A necessidade de agradar os outros é outra história. Voluntariar-se para vender doces por amor ao próximo é uma coisa. Oferecer-se para vender doces para que o próximo passe a amar você é bem diferente."

In: Kevin DeYoung. Super Ocupado. Editora Fiel, 2014, p. 39 e 40.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

A grande caminhada anual

Hoje realizei a primeira “grande” caminhada do ano e perdi 277 Kcal! Paulo Portas foi-se embora com a minha constipação. O Sporting é só ganhar (somos mais NOS que os outros). Hoje vou fazer umas deliciosas "Francesinhas à la JO" para ilustres amigos. A minha mulher já tem cacete para fazer rabanadas quentinhas amanhã. Podem todos dizer-me o contrário, mas por mim o novo ano promete coisas maravilhosas. Vão para dentro que está chuva e frio (finalmente!) e desejo aos dois ou três (vá lá, quatro) teimosos leitores deste vosso CANTO, um ano novo muito abençoado cheio de bons sonhos (e farturas).

quinta-feira, novembro 26, 2015

Arroz de pato à Mimosa

A minha mãe não sabe o que é o #ThanksGiving, mas pratica-o todos os dias. Nem de propósito, hoje convidou-me a mim e às minhas filhas para comermos um delicioso arroz de pato. Graças foram dadas a Deus. Depois do lauto almoço, também para desmoer a ave, substituí-lhe a fita da persiana que se tinha rompido. Ela ficou muito agradecida. Mais grato estou eu. "Nenhum dever é mais importante do que a gratidão", disse Cícero.

domingo, outubro 11, 2015

Desfrutar do que Deus criou

"Se o nosso Deus criou peixes enormes e vinhos finos no Reno, sinto-me perfeitamente à vontade para comê-los e bebê-los! Podemos desfrutar de todos os prazeres do mundo, desde que não sejam pecaminosos; Deus não os proíbe; pelo contrário, ele deseja isso. Deus alegra-se sempre que você sorri com gosto".

Martinho Lutero

In: Gerald McDer. Grandes Teólogos. Editora Vida Nova, 2013, p. 86.

quinta-feira, abril 16, 2015

Sim, Nespresso!

Não sei se alguém da Nespresso leu a minha nota de desagrado expressada aqui, mas ontem telefonou-me um gentil senhor da parte dessa empresa. Depois de analisarem a trapalhada que envolveu o arranjo da minha máquina de café, pediram-me desculpas. Num gesto simbólico, resolveram presentear-me com 2 chávenas Nespresso, uma pequena caixa de chocolates e o pedido para reatar a minha confiança na marca. O reconhecimento das faltas (quem as não tem?) é sempre a atitude mais sensata e se acompanhado de uma xícara com um bom café, ainda melhor. Para que se saiba que este blogue também é grato, fica aqui registado o agradecimento à Nespresso. Por estas e (mais) por outras, continuo a acreditar que vale a pena ser protestante. Vai um Arpeggio?

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Prefiro bolas de Berlim

Não é por acaso que a palavra melindre rima com berlinde. Há pessoas adultas que vivem cativas dos seus próprios joguinhos infantis. As mimalhices e os melindres não são próprios de gente crescida. Os adultos (na idade e na fé) não perdem demasiado tempo com perrices e caturrices. Aprenderam a valorizar aquilo que vale a pena valorizar. Com quase cinquenta anos de idade, em matéria de bolas que começam por "berlin", prefiro mil vezes mais as de creme do que as de vidrinhos. É verdade que as de creme engordam, mas a susceptibilidade 'berlindosa' faz muito pior à saúde.

segunda-feira, maio 19, 2014

Refeição abençoada e multiplicadora

O milagre da multiplicação dos 5 pães e dos 2 peixes que Jesus realizou é extraordinário. É o único que está registado nos quatro evangelhos e beneficiou e foi testemunhado por cerca de 15000 pessoas. Das muitas conclusões que se podem retirar deste grandioso sinal, destaquei ontem quatro importantes lições:

1 – Diante das carências e crises que por vezes sobrevêm à nossa vida, devemos confiar mais em Deus do que nos nossos recursos humanos. “Ele sempre sabe bem o que fazer” (Jo 6:6).

2 – A gratidão e a generosidade geram milagres. O rapazinho que deu os 5 pães e os 2 peixes a Jesus, ensina-nos que quando entregamos o que temos nas nossas mãos, as mãos do Senhor Todo-poderoso multiplicam isso, abençoando e beneficiando a muitos. A responsabilidade de repartir é dos que já receberam algo de Deus.

3 – Os doze cestos recolhidos no final do banquete mostram que não devemos desperdiçar o muito que O Senhor nos tem dado. Não desbaratemos a sua graça. Valorizemos e usemos mais os dons e os recursos que Deus nos tem dado. “Trabalhai pela comida que permanece” (Jo 6:27).

4 – No final do grande milagre, todos estavam de barriga cheia. Alguns queriam que Jesus fosse o seu rei, que os libertasse da opressão político-social e religiosa do jugo romano. Mas Jesus retirou-se só para o monte. O Rei preferiu valorizar a comunhão a sós com O Pai, do que receber o reconhecimento e os louvores de uma multidão interesseira. O lugar mais importante da nossa vida é o tempo de comunhão com Pai. O melhor alimento.

terça-feira, maio 06, 2014

Ovos-moles em Ovar?

Num passeio familiar que fizemos recentemente visitámos Ovar. No centro da cidade, perguntámos a um grupo de jovens sentados numa esplanada, se conheciam uma boa confeitaria que tivesse ovos-moles, sabendo nós que o pão-de-ló é iguaria típica destas belas terras. Eles responderam-nos que não conheciam, mas que se vendiam no supermercado "Pingo Doce". O próximo passeio ficou marcado para Aveiro.

domingo, março 30, 2014

Saborear o sólido alimento

“Quem abre a mente, assim como quem abre a boca, quer encontrar algo sólido ao fechá-la.”

G. K. Chesterton

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Calippo de Inverno


A seguir ao almoço, um Calippo de morango. Ordens do meu dentista. Não foi fácil encontrá-lo. Era o último. Não comia isto há décadas e soube-me muito bem.

sexta-feira, outubro 25, 2013

O chocolate é anti-trombas!

Um novo estudo (ele há estudos para todos os gostos!) diz que o chocolate faz muito bem à saúde e que não engorda. Diz também que é um bom antioxidante, anti-inflamatório, tem efeitos anti-hipertensivos e pode ajudar a prevenir a cardiopatia isquémica. Além disso é antitrombótico! Neste fim-de-semana aproveite a chuva, a mudança da hora e beba uma boa chávena de chocolate quente com um suculento bolo de chocolate. Para além de não engordar é anti-trombras! :O)

quarta-feira, setembro 18, 2013

As águas não são todas iguais

Já tenho ouvido dizer que o sabor da água é todo igual. Não importa a marca ou a fonte, para muitos, a água sabe sempre a água. Mas para mim, o sabor das águas é sempre diferente. A Luso é diferente da Serra da Estrela e a Evian não é igual à Vitalis. As águas Pedras Salgadas são diferentes das Vidago e as Castello muito diferentes das Perrier.

Isto para não falar do sabor da água viva. Não, não estou a falar de Medusas ou alforrecas, falo da água viva que sacia a sede espiritual. Basta provar uma gota desta água celestial que se percebe logo a diferença. Quem verdadeiramente prova a água viva que só Jesus tem e dá, fica plenamente satisfeito.