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terça-feira, janeiro 29, 2008

Deus continua atento e interveniente



Foi quando Nabucodonosor orgulhosamente se exaltou e declarou que edificou o seu reino com a força do seu poder e para a sua própria glória, que Deus derribou a sua coroa de rei e pô-lo a comer erva, juntamente com os animais. Que ninguém pense que pode fazer ou dizer o que bem entende sem as devidas consequências. Pode parecer que Deus está ausente ou indiferente às atitudes erradas dos homens, mas, quer seja no contexto familiar, no emprego, na igreja, na política ou noutro âmbito qualquer, O Todo-Poderoso está atento e actuante às nossas palavras, atitudes, pensamentos e motivações mais profundas. Deus abomina a mentira, a injustiça, o orgulho, a arrogância, a soberba. Seja a pessoa um líder consagrado, seja descrente em Deus, fariseu, crente ou ateu, todos estamos sujeitos à intervenção do Deus que está acima de tudo e de todos. Ele põe e tira, eleva e derruba, acende e apaga, rasga e restaura. Deus tudo conhece, sabe e pode. Deus é Deus!

"Louvo, e exalço, e glorifico ao Rei do céu; porque todas as suas obras são retas, e os seus caminhos justos, e ele pode humilhar aos que andam na soberba." Daniel 4:37


Imagem: William Blake, Nabucodonosor, 1795 London Tate Gallery

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O fruto da vida

Existiam duas árvores no Jardim do Éden. A árvore da ciência do bem e do mal e a árvore da vida. Sabemos que a escolha de Adão e Eva recaiu no fruto do conhecimento, em detrimento do fruto da vida. Conhecem-se os resultados desastrosos de tal escolha. Esta desobediência auto-suficiente provocou separação de Deus e a morte. A mesma tentação continua. Ao invés de nos alimentarmos continuadamente com o fruto da Vida – Cristo, saboreámos o fruto mortal do saber e do conhecer mais, independente de Deus. Escolhemos viver pela loucura da sabedoria humana em lugar de nos alimentarmos pela vida que há no Espírito de Deus. Mais do que conhecimento bíblico, filosófico ou teológico, mais do que discussões relacionadas com a fé ou a igreja, importa crescermos em Vida e no Espírito. Conhecimento sem vida é mortal. Alimentemo-nos pois de Cristo, da sua Palavra e Espírito.

“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida". João 6:63

quinta-feira, janeiro 10, 2008

O dia mau

Estava aqui a pensar que o dia de hoje não foi particularmente bom. Nada de especial, apenas um conjunto de pequenas contrariedades. Areias que incomodam o andar. Essa treta que os cristãos estão sempre a sorrir e a cantar, que nos ensinam na Escola Dominical nem sempre corresponde à realidade da vida. Existem dias maus. Jesus até asseverou que “basta a cada dia o seu mal”. Acredito que Jesus também teve os seus dias maus. Afligiam-no pessoas e atitudes, principalmente aqueles mais próximos - são sempre os que estão mais perto que nos magoam mais, foi sempre assim. Paulo e a igreja primitiva também se sentiram circunstancialmente “em tudo atribulados”, porém, sem desanimarem por completo.

Reflectindo melhor, agradeço e louvo a Deus por tudo o que vivi hoje. Amanhã será outro dia. Outros males, outras virtudes. Uma coisa eu sei, que O Pai celestial continuará a cuidar bem de todas as coisas da minha vida, das más e das boas.
Desejo que tenham um dia bom, com Deus!

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes.” Efésios 6:13

sábado, dezembro 08, 2007

A oração pode muito

Estava aqui a pensar no poder que há na oração. Aquela passagem em Tiago 5:16: “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos”. “Justo” aqui, não é tanto ser perfeito, imaculado, ou isento de falhas, porque o próprio versículo refere a importância de confessarmos as nossas culpas. O verso seguinte também enquadra o “grande” profeta Elias na mesma fraqueza e debilidade que é comum a todos. “Justo” ali, significa aquele que já foi justificado pela fé em Cristo. Aquele que já tem acesso, pelo sangue de Cristo, ao Pai.

O contexto é da cura produzida por Deus como resultado da oração comunitária: “orai uns pelos outros, para que sareis”. Há promessa de poder, bênção, restauração e cura quando confessamos as nossas falhas com sinceridade e orámos uns pelos outros. Confissão e oração aparecem misteriosamente ligadas. Orar sem perdoar é um embuste.

Confessar porém, não se é fecharmo-nos num confessionário e cumprir com um ritual religioso perante um sacerdote, mas confessarmos as nossas culpas “uns aos outros”. Admitir o nosso pecado a quem ofendemos, e orarmos juntos eficazmente, sabendo que Deus irá perdoar, curar e restaurar.

terça-feira, novembro 27, 2007

Os sinos acompanham o louvor

Um pastor amigo de longa data contou-me que em certa região recôndita do norte de Portugal, o padre católico do lugarejo manda tocar pérfida e demoradamente o sino alto da sua igreja, precisamente na hora do culto protestante. Já é assim há alguns anos. As jovens, dilectas e fiéis cinquentenárias, dizem que não faz mal. Que até acompanha bem o louvor. Vozes roucas mas apaixonadas por Aquele que é o alvo de todo o louvor. Louvor esse, muito diferente dos shows de danças, luzes e sons propagados em muitos outros jovens palcos protestantes dos nossos dias, profissional, afinadíssimo e sem sinos, mas sem a chama, nem a paixão do louvor acompanhado a sinos católicos.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Cristo é a tua vida?

Nunca percebi muito bem aquela raça de "crentes" que não permitem que Deus entre em algumas áreas e sectores da sua vida. Sentam-se alegres com Jesus, nos bancos das igrejas ao domingo, mas deixam-no lá sentado quando saem para suas casas. Vem isto a propósito do que tenho remoído ultimamente e das excelentes sugestões lançadas pelo Thiago. Cristo não quer apenas fazer parte da nossa vida, Ele quer ser a nossa vida. Farto de "crentes domingueiros" está o inferno cheio.

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória.” Colossenses 3:4

domingo, novembro 11, 2007

Oração com a irmã T.

Orámos em pequenos grupos hoje na igreja. A oração da irmã T. foi de poucas palavras. Mais lágrimas que palavras. A verdadeira oração é muito mais do que meras palavras. Entre gemidos, balbuciava. O seu marido faleceu há pouco tempo e ela sente-se só, como aquela viúva que não tinha mais nada em casa, senão uma botija de azeite. Aproximei-me mais dela e abracei-a. Orar é muito mais do que falar.
Peço ao Espírito Santo que encha e transborde na sua vida.

terça-feira, outubro 30, 2007

A graça de Deus parece-nos injusta

A graça de Deus do ponto de vista da lei causa e efeito é injusta. Isto é assim porque a graça de Deus não galardoa nem recompensa quem se esforça muito ou pouco, quem se porta bem ou mal. No "contrato de trabalho" da graça, quem trabalha menos receberá o mesmo salário de quem trabalha muito (Mateus 20:1-16). A graça de Deus é humanamente injusta porque é divinamente justa. É o triunfo da misericórdia sobre a justiça, a vitória da Vida sobre a morte. Bendito Deus que não regulou a graça à lei da colheita, mas à lei do seu perfeito amor. A supremacia do amor. Abençoada injustiça.

terça-feira, outubro 02, 2007

Silente, mas presente

Se é certo que a Bíblia assevera que os amigos de Jó, com os seus “conselhos espirituais”, carregados de “boa teologia” e de boas intenções, foram considerados como “consoladores molestos”, as Escrituras também referem que esses amigos, inicialmente, identificaram-se com o doloroso sofrimento de Jó, permanecendo sentados ao seu lado no chão, durante sete dias, em silêncio. Se tivessem permanecido nessa posição silenciosa - imitando Deus -, em vez de pronunciarem julgamentos precipitados contra Jó e implicitamente contra a soberania divina, provavelmente teriam ajudado mais o seu amigo. “Tomara que vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria!” (Jó 13:5), rogava-lhes Jó. Por vezes a melhor ajuda que podemos prestar a quem nos parece estar errado, a quem sofre, é apenas estar silenciosamente por perto. Silente mas presente.

quarta-feira, setembro 19, 2007

O segredo

O meu amigo José Carlos publicou no seu blogue Do Lado de Lá, a propósito da visita do Dalai Lama a Portugal, a seguinte declaração, proferida numa mesquita em Lisboa:
"Quase todas as religiões que eu conheço defendem que a sua influência vem de Deus para o homem. O Budismo é a única que defende que a sua influência vai do homem para Buda. O homem, através da meditação, chegando a ser Buda (Deus)".

É precisamente esta busca de autonomia e independência que fez, e faz, o homem cair e pecar. “Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” (Gênesis 3:4-5).

O apelo e engodo satânico foi dizer que é possível chegar a Deus por seus próprios meios, "sereis como Deus". Foi a sede desmesurada de querer saber mais, poder mais e perceber melhor que precipitou a Queda Humana. A história demonstrou que a primeira ânsia humana de desvendar todos os segredos - saber e conhecer tudo – resultou em tragédia mortal. Em vez de se abrirem os olhos, de ser como Deus, de saber tudo, fecharam-se os olhos, contaminados pelas trevas mortais e foram expulsos do Éden, da presença de Deus.

Ciclicamente tenta-se ressuscitar o apelo efectuado no Éden: promete-se endeusar o homem desvirtuando a glória de Deus. Vive-se honrando e servindo “mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente”. O endeusamento humano é pois a religião mais antiga do universo. A religião não é nada mais, nada menos, que o esforço humano para tentar alcançar Deus. É o "eu", o "umbiguismo", a meditação humana, o pensamento positivo (veja-se o best seller mundial: "O segredo"), centralizando sempre a questão no homem. O Homem que quer o lugar de Deus.

Como referi no comentário do Blogue do meu amigo, Deus é o único que pode tocar e salvar o homem, não para que ele se torne Deus, mas para que o Homem ganhe vida efectiva, abundante, e retorne à presença de Deus. O plano da redenção efectuada por Cristo é criar a possibilidade do Homem metaforicamente retornar ao Éden, à presença maravilhosa do único Deus e Senhor glorioso. O segredo é esse: aceitar a graça de Deus que nos é dada em Jesus Cristo.

quarta-feira, junho 13, 2007

Providência divina

Hoje fala-se pouco acerca da providência divina. A vida de José (Gênesis 37-50) é uma profusão da providência celestial. Desprezado, invejado, traído e vendido pelos irmãos, enganado e caluniado em várias situações, preso injustamente, mas nada disso conseguiu impedir o plano gracioso de Deus para a sua vida. Em vez de ficar infeliz, amargurado ou ressentido, no final ele conclui: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande.” (Gênesis 50:20), reconhecendo a grandeza do admirável Deus sustentador em reverter todas as coisas para o bem dos que O amam.

Quando depositas a tua vida na Mão invisível de Deus, não importa muito o que as pessoas dizem, intentam, fazem ou não fazem, Deus tem o mundo inteiro nas suas mãos e a sua santa providência cuidará de tudo. Podemos ter a certeza de que o final dos que confiam em Deus será sempre bom. Inexoravelmente bom.

quarta-feira, maio 09, 2007

Marcas

Ajudava a minha amada esposa a limpar a cozinha. Quando tentava encaixar a porta do nosso forno, a patilha de encaixe da porta disparou e golpeou o meu polegar direito. O sangue carmim jorrava e apercebi-me que o corte era profundo. Talvez tivesse que levar alguns pontos, mas como tenho más lembranças disso e não gosto muito de hospitais, desinfectei o melhor que pude, e lá fiz um curativo muito apertadinho, na expectativa que estancasse rapidamente o sangue. Mas a ferida era profunda e demorou muitos dias a parar de sangrar, existem feridas que demoram a sarar. Hoje o dedo está quase curado. Agora quando digo que está tudo “OK” com o polegar, a pequena cicatriz está lá também. A lembrança, essa também permanecerá por mais algum tempo, porque o sangue derramado deixa sempre marcas. No corpo e na alma. Mas é precisamente O sangue derramado que cura essas marcas.

domingo, abril 22, 2007

O céu beijou a terra



A maravilhosa graça de Deus pode ser comparada ao céu. Está acima de tudo e cobre todas as pessoas. O céu envolve e mostra-se disponível a todos os que o querem contemplar. A graça também. Quando tudo parece estar perdido e sem solução na terra, podemos confiar que o céu continuará a cobrir-nos. Ao invés de olharmos tanto para as nossas tantas debilidades e fragilidades terrenas, olhemos em frente para o horizonte, onde o céu beija a terra. Vivamos na expectativa do dia em que o glorioso céu descerá e encherá completamente à terra.

quinta-feira, abril 05, 2007

Lábios e mãos

John Piper chamou ao beijo que deu início ao mais cruel assassínio sanguinolento da história, “o sinal da morte”. Mas não foi Judas que verdadeiramente o entregou. Não foram os Romanos que o mataram. Foram os nossos lábios que sentenciaram O único Homem perfeito e imaculado à morte de cruz. Foram os nossos lábios que gritaram “crucifica-o, crucifica-o!”. Foram as nossas mãos que o cravaram na cruz. Foi o nosso pecado.

Antes de morrer, com os lábios ensanguentados, Jesus deu um forte brado que fez estremecer a terra e os céus e que ainda ecoa nos nossos corações: “Está Consumado!”. Está tudo feito. A Dívida está paga. O sangue do Cordeiro que tira o pecado do mundo já foi sacrificado.

Morreu, mas passados três dias ressuscitou.

Hoje, se com os nossos lábios confessarmos a Jesus Cristo e com o nosso coração crermos que Deus o ressuscitou dos mortos, somos salvos. Por causa das santas palavras dos seus lábios e das suas mãos cicatrizadas.

terça-feira, abril 03, 2007

In Vino Veritas

Um cliente ofereceu-me uma caixa com garrafas de vinho tinto do Douro (pomada boa para as festividades Pascais) e um queijo cremoso e malcheiroso da Serra (uma delícia!). Como o carro estava relativamente perto, resolvi transportar a caixa e o queijo nos braços. Mas ao fim de carregar aquilo uns metros, o peso parecia que estava a aumentar. Começaram a doer-me os braços. Acelerei o passo. Já me doíam as costas e as pernas. O peso do vinho e do queijo, tal qual cruz Pascal na Via-sacra, sempre a crescer.

Pensei nos pesos da vida. Sempre aumentam com o passar do tempo. O peso da falta de perdão, o peso da culpa, das mágoas passadas, dos temores presentes e vindouros. O peso acumulado do pecado. Pesos que se transmutam em cansaço, opressão e depressão.
Quando não nos livramos deles, atrofiam a vida e roubam a alegria.

Sorri ao avistar o meu carro. Corri para ele e pousei aliviado o vinho e o queijo.


Jesus disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." Mateus 11:28-30

quinta-feira, março 22, 2007

As minhas razões

Normalmente as pessoas mais erradas nas Igrejas Evangélicas são as que têm mais razão. Melhor dizendo, "razões". Porque são precisamente essas mesmas razões que tolhem a razão, provocam discórdias, matam a vida espiritual e roubam a paz. Mas, por outro lado, quando entregamos as nossas razões nas mãos de Deus, mais cedo ou mais tarde a razão dele vai evidenciar-se. O que realmente importa é a razão dele; e Deus é o único que tem sempre razão.

terça-feira, março 06, 2007

Mostrar a lingerie

Os que se alegram em Deus, não se importam muito por mostrarem as suas próprias entranhas perante o povo - sem humilhação não há reinado. Alguns querem reinar (ou cantar) como Davi, mas não ousam expor-se. Os bons lideres não são os que se escondem no aconchego das altas janelas, são aqueles que vão bailar e cantar com as ovelhas. São os que já aprenderam a guardar as ovelhas por entre o frio dos campos e que até são capazes de matar ursos ou leões (ou mesmo dragões) com as mãos. São os que são loucos por Deus. Para se cantar como David é preciso carregar a arca do Senhor, repartir o pão e o vinho e as carnes com o povo. Não ter medo de mostrar a lingerie. Mesmo que cheire mal.