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segunda-feira, agosto 05, 2019

O show do pregador

As paredes circundantes da sala são escuras. As cadeiras confortáveis e o palco elevado. Não há um único lugar livre na plateia, porque é de plateia que se fala aqui. São sobretudo jovens. Ouvem de olhos arregalados, muito atentos. O orador fala sentado numa cadeira alta. Corte de cabelo curto, camisa solta, calças de ganga justas e sapatilhas. Holofotes fortes brilham sobre ele e para ele. Um piano eléctrico solta alguns sons, criando um ambiente misterioso e esotérico.

É lido um versículo bíblico. O orador gesticula, acentuando palavras, sublinhando conceitos. Dá explicações banais, superficiais, humanizadas. O tom é teatral e dramático. Conta histórias engraçadas. As pessoas sorriem. Acenam com a cabeça porque concordam. Gargalham. A voz fica mais fina. O orador emociona-se. Os sons etéreos do piano silenciam. Alguns jovens limpam as lágrimas com lenços brancos. O volume das palavras aumenta. O piano também. Algumas frases finais são pronunciadas num tom mais veemente. O pregador está cansado. Cala-se.

A plateia irrompe num aplauso.

O show terminou.

quarta-feira, julho 31, 2019

Passado Presente

O pobre do Presente vivia com as angústias do Passado, temendo todos os dias pela incerteza do Futuro. Enquanto isso, o Futuro ria-se do Presente porque, para ele, o infeliz do Presente era Passado.

segunda-feira, julho 08, 2019

O Pássaro-Judeu-Falante

Li na semana passada o fabuloso conto de Bernard Malamud, o Pássaro-Judeu. Schwartz era um pássaro falante que passava a vida a fugir dos anti-semitas. Certo dia entrou pela casa adentro da família de Cohen, um comerciante corpulento e não mais de lá quis sair. Mas o comerciante convivia mal com pássaros falantes (quanto mais judeus!) e procurava expulsá-lo! Passaram-se meses. Mesmo depois do pássaro-judeu-palrador ter feito tanto bem naquela casa, achando-se sozinho com o pássaro, Cohen agarrou nas pernas finas de Schwartz, rodopiou-o e lançou-o na escuridão da noite.

O pior dos monstros não paira sobre a nossa cabeça, somos nós próprios. Somos Cohen. As mãos ensanguentadas dos anti-semitas são as nossas. A maldade que crucificou injustamente o Filho de David é nossa.

terça-feira, novembro 21, 2017

O Senhor do sem nariz

Lembrei-me hoje da divertida obra surrealista de Nicolai Gógol, O Nariz, que já li há muitos anos. O barbeiro Ivan acordou um dia com o cheirinho a pãozinho quente e, para seu grande espanto, encontrou no meio do pão um grande e afiado nariz. Desesperado, Ivan tenta livrar-se do nariz enquanto o dono do nariz perdido sai à procura dele. O maior ridículo do ufano Senhor do seu nariz é um dia acordar sem ele. Gógol não perde muito tempo com razões e explicações para o sucedido. A genialidade da obra-prima está no realismo do absurdo. Por incrível que pareça o ridículo está sempre a acontecer-nos. Como bem remata o escritor, "Se pensarmos bem, há qualquer coisa nisto... digam o que disserem, acontecem coisas destas no mundo - raramente, mas acontecem."

quarta-feira, outubro 19, 2016

Acordar para a Vida

O Homem ridículo que teve um sonho, magnífico conto de Fiódor Dostoiévski, descobriu que o conhecimento acerca da vida não está acima da própria vida. Desprezar a vida dos outros, procedendo com indiferença e maldade, é conhecer pouco da vida. O pior dos vivos é aquele que pensa saber tudo acerca da vida, estando morto. O sábio Salomão relembra-nos que "os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma" (Eclesiastes 9:5). Se a maior loucura da vida é não a viver, a dádiva maior da Vida é encontrar-se com ela. A melhor maneira de começar a viver é acordar do sono mortal da ingratidão. Quando acordou do seu terrível sonho, o Homem ridículo estava grato pelo dom da Vida. Começou a amar. A viver.

quarta-feira, maio 18, 2016

Ana, a escritora

Ana queria ser escritora. Gostava de ler, escrever, rasurar e reescrever. Ana gostava das palavras e as palavras engraçavam com ela. Quase todas. Ana não queria ser conhecida, não queria dar entrevistas, nem dar autógrafos, nem ter sucesso literário, Ana só queria ser escutada. Tinha a certeza que se escrevesse, os olhos bons de alguém, um dia iriam ouvi-la. Nem todos querem ser escritores, mas todos trazemos Ana tatuada no nosso peito.

quarta-feira, março 02, 2016

Marta cansada

Marta corria de um lado para o outro. Corria atrás do vento e do sol, e o vento sugava-lhe o fôlego e o sol ressecava-lhe a alma. Quanto mais corria mais se atrasava e ralava com quem não corria. Teria corrido mais longe, se Marta tivesse aprendido a respirar sentada.

quarta-feira, julho 16, 2014

O sorriso do novo dia

O ardor quente e suado da tarde de verão tinha-se ido deitar há muito. Ciciava agora uma fresca brisa nocturna. Um cão ladrava ferozmente. Os dedos tamborilavam no teclado numa cadência sincopada. Exaurido pelas palavras, tentava resistir com elas. Há palavras que cansam mais que o pior dos trabalhos. Rememorando tudo, inspirou profundamente a aragem fresca. Continuar a labutar. Nas pequenas colunas do computador reboava, tal qual sussurro profético: "When the Lord gets ready, you've got to move!" E depois fez-se silêncio. O cão tinha-se calado. Estava a chegar o Novo dia. Trazia o sorriso.

terça-feira, dezembro 03, 2013

O retrato salpicado pela lama

Nikolai Gógol termina um dos seus espantosos contos, da série "Contos de Petersburgo" ("O retrato" - Editora Assírio & Alvim), com os conselhos finais de um velho pai, outrora pintor, ao filho que tinha acabado os estudos na Academia com distinção. O sábio ancião roga ao seu filho para ele guardar a pureza da sua alma e conta-lhe uma história:

"Se um homem sai de casa com o seu fato de cerimónia claro, basta um salpico de lama provocado pela roda de uma carroça para toda a gente o rodear, lhe apontar o dedo e comentar a sua falta de asseio, mas não repara nas muitas nódoas nas roupas de todos os dias que envergam os outros transeuntes. É que na roupa do dia a dia não se vêem as manchas."

A seguir, o pai pede-lhe encarecidamente que destrua um terrível quadro que ele tinha pintado com a lama do seu próprio coração cobiçoso. O filho, demora quinze anos a encontrar a tenebrosa pintura. Quando encontra o quadro, ele desaparece misteriosamente. Ou talvez não.

quarta-feira, agosto 07, 2013

A ruína rápida de Maria

Fiódor Dostoiévski assevera, a propósito da déspota Mária Aleksándrovna, que "A tirania é um hábito que se torna necessidade" ("Um sonho do tio" - Editora Assírio & Alvim). Mas a vida vestida com as roupas do domínio, da opressão e da mentira, rapidamente se rasga e fenece. No final desta história antiga, que infelizmente nunca deixou de ser actual (porque destas 'Marias há muitas!'), o mestre Dostoiévki conta-nos que "Mária Aleksándrovna ficou finalmente sozinha, entre as ruínas e os destroços da sua glória passada. Hélas! O poder, a glória, a influência - tudo desapareceu numa única noite!" As fortes vestes com que se cobrem os tiranos, os mentirosos e os orgulhosos são de palha: ardem em segundos. Ardem com eles.

quinta-feira, maio 23, 2013

Computador chinês

Depois de pagar as fitas adesivas que tinha acabado de comprar na loja de produtos chineses, a senhora que estava na caixa mostrou-me o seu computador portátil com o ecrã na posição vertical. Aflita, dizia-me num mandarim/português que tinha sido o filho mais novo a mexer no computador. Que não sabia repor as definições iniciais. Se eu a podia ajudar.

O anjo bom dizia-me para ajudar a pobre chinesa. O mau, lembrava-me que já era tarde e que estava atrasado. Olhei para o computador e constatei que o Windows 7 em chinês, para mim, era rigorosamente chinês. Para dificultar ainda mais, o ponteiro do rato dava saltos e estava muito preso. Igualmente chinês, portanto. Suspirei de alívio por não ser o Windows 8 - o botão Iniciar do 7 dá uma grande ajuda. Entretanto, chegou o presumível marido acompanhado do travesso infante.

Por entre saltos, acenos e muito mandarinhês à mistura, lá consegui alterar o aspecto do ecrã, escolhendo a orientação horizontal. No final, a senhora estava imensamente agradecida. Eu já tinha pago. Ainda em mandarinhês, disse-lhe que para a próxima queria um desconto. A família chinesa e o anjo bom sorriram ainda mais.

terça-feira, abril 30, 2013

O homem que entulhava grãos de areia

Acumulava grãos de areia nos seus sapatos. Queixava-se que tinha dores nos pés e que não conseguia caminhar muito bem. Manquejava e ficava para trás na corrida. Continuava a entulhar pequenas pedrinhas nos sapatos.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

O casamento do Individualismo com o Relativismo

Foi quando o Individualismo se casou com o Relativismo que as entranhas de ambos explodiram. O mundo ficou insuportável com o cheiro relativo aos podres umbigos, espalhados por toda a parte. O problema é que ninguém queria admitir com certeza a sua proveniência.

quinta-feira, agosto 02, 2012

"Simplesmente viver"



Jorge Luis Borges conta a história de Johannes Dahlmann ("Ficções", Editora Teorema), que é acometido por uma septicemia mortal, que lhe causa febres delirantes e fica à beira da morte. Durante esse tempo, é atormentado pelas gravuras de Mil e Uma Noites, de Gustav Weil. Todavia, quis Deus que Dahlmann melhorasse e os médicos aconselham-no a descansar num sítio calmo. Vai convalescer para uma quinta do Sul. Durante a viagem de comboio, Dahlmann tenta ler as Mil e Uma Noites, o livro que quase lhe roubou toda a felicidade - "a realidade gosta das simetrias e dos leves anacronismos" -, mas cansado, fecha-o e deixa-se "simplesmente viver". Uma paragem forçada obriga Dahlmann a sair e a procurar repouso numa velha venda. Jornaleiros bêbados atiram-lhe com umas bolinhas de miolo de pão. Riem. Troçam do sinistro viajante. A zombaria grosseira é sempre o argumento dos desatilados. Dahlmann tenta abrir novamente o volume das Mil e Uma Noites. Mais bolinhas de pão. Fecha o livro e resolve ir embora. Mais humilhação. Um iminente duelo mortal de navalhas encerra o conto. O que outrora foi moribundo e procurava descanso sai empunhando com firmeza a navalha na mão. Johannes Dahlmann decidiu lutar. Viver!

sexta-feira, julho 20, 2012

Comentadores há muitos

Orgulhava-se de não ser filiado em nenhum partido político, até costumava dizer que era apolítico. Ganhava a vida como comentador. Criticava todos os políticos e a política em geral. Era um comentador político.

sexta-feira, junho 15, 2012

O surfista que tinha medo das ondas grandes

Era um surfista que não gostava nem das ondas pequenas, nem das grandes. As pequenas não permitiam a prática do seu desporto preferido, das grandes ele tinha medo. Por conseguinte, ficava na areia a olhar para o mar, dias a fio, à espera da onda ideal, com a prancha na mão. Esperou horas, dias, meses. Acabou por morrer na praia. A prancha, essa foi levada pelo mar para uma terra distante. Certo dia, um rapaz pobre que sonhava com surf e ondas grandes, mas não tinha prancha, encontrou-a. Feliz, passava os seus dias na água. Divertia-se com as ondas grandes, as médias e as pequenas.

sexta-feira, novembro 18, 2011

O conto da democracia

Considerava-se uma pessoa muito tolerante, defensora do diálogo e do debate democrático das ideias e costumes. Um dia recebeu uma opinião muito discordante na caixa de comentários do seu blogue. Furioso, apagou-a imediatamente. De seguida retirou a perturbante caixa de comentários do seu espaço blogosférico. Depois de dar sumiço à possibilidade de alguém refutar publicamente o que defendia, continuou a escrever sobre tolerância, diálogo e democracia. Tinha a certeza que era disso que mais percebia.

domingo, junho 12, 2011

A biografia resumidíssima

"Era uma vez um soberano que, morto o seu pai, pediu a um cronista lhe escrevesse a biografia. E o historiador, depois de longos anos de trabalho, apresentou-lhe uma obra em muitos volumes. É muito, disse o soberano, escreve uma coisa mais curta que possa ler. E tempos depois o cronista levou-lhe um resumo em poucos volumes. É de mais, disse o soberano, vê se me escreves um resumo mais breve. Não foi ainda bem sucedido o cronista com uma biografia ainda mais resumida e ainda outra e outra. Já farto, o cronista levou-lhe numa pequena folha o resumo mais breve possível. E esse resumo dizia «nasceu, viveu e morreu». O soberano admitiu que era já uma razoável biografia. Mas que era ainda possível resumi-la mais um pouco. E o cronista, depois de penosos dias de trabalho, levou-lhe uma folha em branco. E o soberano sorriu de discreta satisfação."

In: Vergílio Ferreira. Escrever. Lisboa: Bertrand Editora, 4ª Edição, 2001, p. 62,63.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Da curteza das palavras

Gosto da curteza das palavras. Talvez por isso aprecie tanto o conto. O Twitter. Chesterton disse que, "as palavras longas não são custosas; as palavras curtas é que são custosas." Há tanta gente a falar demasiado. Tanta longuidão e enfado nos políticos, nos religiosos, nos ateus, nos chatos falantes. Admiro a concisão, a precisão incisiva e condensada da síntese no palavrear. Não estou a elogiar a superficialidade ou a leviandade da aridez ideológica, antes a densidade contida da simplicidade do pouco dizer, dizendo muito. O Pregador avisa-nos que da voz do tolo saiem muitas palavras; e que diante de Deus - que tudo vê e ouve -, as palavras sejam poucas. Curtas. Calei-me.

terça-feira, setembro 14, 2010

Convenção Mundial de demónios

Satanás convocou uma Convenção Mundial de demónios. Em seu discurso de abertura, ele disse:

"Não podemos impedir os cristãos de irem à igreja. Não podemos impedi-los de ler a Bíblia e conhecerem a verdade, nem mesmo podemos impedi-los de desenvolver um relacionamento íntimo com o seu Salvador e, uma vez que eles ganham essa relação com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado."
"Então vamos deixá-los ir para as suas igrejas, vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam, MAS, vamos roubar-lhes o TEMPO que têm, de maneira a que não sobre tempo algum para desenvolver uma relação com Jesus Cristo."
"O que quero que vocês façam é o seguinte", disse o diabo. "Distraiam-nos a ponto de que não consigam aproximar-se do seu Salvador."

"Como vamos fazer isto?" Gritaram os seus demónios.

Respondeu-lhes: "Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes."
"Tentem-nos a gastar, gastar, gastar, e a pedir emprestado, pedir emprestado"
"Persuadam as suas mulheres a irem trabalhar durante longas horas e os maridos a trabalharem de 6 a 7 dias por semana, durante 10 a 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios."
"Criem situações que os impeçam de passar algum tempo com os filhos, à medida que suas famílias se forem fragmentando, muito em breve os seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho."

"Estimulem as suas mentes com tanta intensidade, que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranquila que orienta os seus espíritos."
"Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais, bombardeiem as suas mentes com notícias, 24 horas por dia."
"Invadam os momentos em que estão conduzindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes chamativos."
"Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, lotarias, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças."

"Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que seus maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante, e eles se tornem insatisfeitos com suas próprias mulheres."
"Mantenham as mulheres demasiadamente cansadas para amarem seus maridos à noite, e dêem-lhes dor de cabeça também. Não dando a seus maridos o amor que eles necessitam, eles começarão a procurá-lo noutro lugar e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente."

"Dêem-lhes o Pai Natal, para que se esqueçam da necessidade de ensinarem aos seus filhos o significado real do Natal. Dêem-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a ressurreição de Jesus, e o Seu poder sobre o pecado e a morte."

"Até mesmo quando se estiverem a divertir, se distraindo, que seja tudo feito com excessos, para que ao voltarem dali estejam exaustos! Mantenham-nos de tal modo ocupados que nem pensem em andar ou contemplar a Natureza, para reflectirem na criação de Deus. Ao invés disso, mandem-nos para Parques de Diversão, acontecimentos desportivos, peças de teatro, concertos e ao cinema. Mantenham-nos ocupados, ocupados."

"E, quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolvam-nos em mexericos e conversas sem importância, para que, ao saírem, o façam com as consciências pesadas."
"Encham as vidas de todos eles com tantas causas nobres e importantes a serem defendidas que não tenham nenhum tempo para buscarem o poder de Jesus".
Muito em breve, eles estarão buscando em suas próprias forças, as soluções para os seus problemas e causas que defendem, sacrificando a sua saúde e as suas Famílias pelo bem da causa."

"Isto vai funcionar!! Vai funcionar !!!

Os demónios ansiosamente partiram para cumprirem as determinações do chefe, fazendo com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados, e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para suas Famílias.
Não tendo nenhum tempo para contar aos outros o poder de Jesus para transformar as Vidas.

Creio que a pergunta é:
Teve o diabo sucesso consigo nas suas maquinações?


(Recebido por email)