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terça-feira, março 26, 2019

Não nos curvaremos às estátuas!

O Rei Nabucodonosor até parece que quis materializar o sonho que tinha tido no capítulo 2 e mandou fazer uma gigantesca estátua em ouro no Capítulo 3 de Daniel. A estátua com cerca de 30 metros de altura seria mais um obelisco do que a imagem de uma pessoa. Servia para ostentar com orgulho o poderio babilónico e para exaltar os muitos deuses da grande Babilónia.

No dia da consagração da estátua, todos foram convocados. Ao ouvirem o som dos instrumentos, todas as pessoas tinham que se ajoelhar e adorar a estátua. Quem não o fizesse seria lançado imediatamente na fornalha de fogo ardente. Todos se curvaram menos 3 jovens: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Estes rapazes eram judeus que tinham sido feitos prisioneiros em Israel e, de acordo com a Lei de Deus, não se curvavam a estátuas.

O nosso Estado laico, que devia ser imparcial em assuntos religiosos, continua hoje a erigir muitas estátuas. Promove leis perversas, legaliza os fracos deuses deste tempo, certifica o relativismo, o egoísmo e a maldade. Além de fomentar o afastamento do Deus vivo, quer que os cristãos se curvem à sua agenda imoral. Porém, os servos do Deus Altíssimo preferem morrer do que curvarem-se aos Nabucodonosores deste século.

Alguns caldeus fizeram queixinhas de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego por eles não se vergarem à estátua. A sua motivação era a inveja dos cargos que eles tinham na Babilónia. A inveja é um veneno que corrói a vida do invejoso e de todos à sua volta. Estes ingratos caldeus, seriam os mesmos que foram poupados da morte por causa de Daniel e destes três amigos. Martinho Lutero disse que "existem três cães perigosos: a ingratidão, a soberba e a inveja, e quando mordem deixam uma ferida profunda". Os cristãos devem contar com invejas, lutas e provas. As provações servem para aferir e refinar a fé que temos em Deus.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram levados ao Rei e não temeram nem o Rei e nem a ameaça de morte no forno ardente. Revelaram coragem e ousadia e não fizeram concessões. Tinham o esclarecimento espiritual para adorar e servir somente a Deus. Sabiam que Deus era poderoso para os livrar do fogo, mas também sabiam que Deus podia não querer livrá-los. A fé verdadeira aceita a vontade de Deus, seja ela qual for. Eles estavam dispostos a morrer por causa da fé exclusiva no Senhor.

Foram lançados amarrados ao Forno. De repente, surgiu um quarto Homem, semelhante ao “filho dos deuses”. Gosto de pensar que era O Senhor Jesus, numa das suas pré-encarnações. Dançavam os quatro homens, livres no meio da fornalha acesa. O diabo faz-se presente pela força e violência e usa o poder da imagem; Deus faz-se presente no meio das piores dificuldades através de Jesus. O diabo amarra, Jesus liberta-nos!


Amigos cristãos, não nos curvemos aos ídolos deste tempo e nem aos ídolos do nosso coração. Sirvamos ao único Deus e Senhor. Falemos a verdade!

sábado, fevereiro 23, 2019

Ser relacional

O ser humano é relacional. Ninguém nasce sozinho e ninguém vive de forma saudável sozinho. Uma das razões do sucesso das redes sociais é porque elas preenchem a sede relacional e dão a ilusão de comunhão e proximidade. Também é verdade que muitos dos nossos problemas derivam dos relacionamentos. Muitas vezes as pessoas que nos são mais próximas, são as que mais nos magoam, consomem e entristecem. O facto de alguém nos ter ferido um dia não significa que todas as pessoas nos irão magoar. Temos que admitir que sem pessoas somos pequenas ilhas tristes no meio do oceano da existência.

Uma das grandes ilusões dos jovens (e de muitos adultos) é pensarem que não precisam de mais ninguém. Mas ninguém se basta a si próprio. Precisamos de gente. Pessoas que nos dizem a verdade em amor e nos ajudam a crescer. Amigos verdadeiros que nos puxam para o melhor da vida. Aquilo que mantém os relacionamentos saudáveis, seja na amizade, no casamento ou em qualquer outro relacionamento é o respeito, a lealdade, o amor e o perdão.

Deus deseja relacionar-se com o ser humano e por isso enviou Jesus Cristo. A comunhão com Deus começa no momento em que admitimos que sem Jesus Cristo não podemos ter relacionamento com Deus. "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor" (1Co 1:9). Quem tem verdadeira comunhão com Jesus deseja e tem verdadeira comunhão uns com os outros (1Jo 1:6-7).

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Fé incontaminada na graça de Deus

A primeira coisa que fizeram aos jovens judeus prisioneiros na Babilónia foi mudar-lhes o nome (Daniel 1). A mudança dos nomes era uma forma de arrancar destes jovens a identidade, as raízes e tudo aquilo que os ligava a Deus e à nação de Israel. João Calvino diz "que os seus nomes foram mudados - para que o rei pudesse apagar dos seus corações e mente a memória da sua própria nação, forçando-os a rejeitarem as suas origens." Eles traziam gravado no nome a influência de Jeová e cunharam-nos com nomes dos deuses Babilónicos. Se há coisa que o mundo caído procura fazer aos cristãos é roubar-lhes a identidade de filhos de Deus e impor-lhes o pensamento da época.

Daniel decidiu no seu coração não se contaminar com as comidas do rei (1:8). Os judeus não estavam proibidos de comer carne e de beber vinho, mas aquela comida babilónica tinha sido oferecida aos ídolos. O problema não estava na comida em si, porque “Todas as coisas são puras para os puros” (Tito 1:15), mas naquilo que representavam aqueles manjares babilónicos. Não há consenso entre os ídolos e Deus. Quando andamos saciados com a comida celestial não queremos comer as iguarias do inferno.

“Deu Deus a Daniel graça e misericórdia" (v.9). Daniel podia morrer por rejeitar a comida do rei, mas a sua esperança estava na graça e misericórdia do Rei dos reis. Precisamos tanto da graça e da misericórdia de Deus! A graça divina não é um prémio por bom comportamento, mas a Bíblia ensina-nos que quanto mais obedecemos a Deus, mais Ele acrescenta a Sua graça e bênção à nossa vida! Foi assim com Noé, Abraão, Jacó, José, David, Raabe, com Daniel e com muitos outros.

Daniel e os seus amigos viveram num ambiente hostil e mau, mas mesmo ali, não se contaminaram espiritualmente e não permitiram que coisas de fora mudassem a fé que estava nos seus corações. Daniel não se queixou, não ficou revoltado e nem ficou agarrado às injustiças da Babilónia, Daniel permaneceu firmado na graça de Deus e foi um exemplo de fé para todos. Ainda hoje se fala da fé incontaminada de Daniel.

quinta-feira, janeiro 10, 2019

Influenciadores em Terra Estranha

Nos últimos 7 anos preguei de forma expositiva na minha congregação 7 livros da Bíblia. Este ano começamos com o profeta Daniel. O livro de Daniel é deveras extraordinário. É ao mesmo tempo histórico e profético, simples e misterioso, doutrinário e escatológico.

A temática central pode ser resumida numa sentença: “O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens” (4:17; 2:21; 4:25,32; 5:21). Temos dificuldade em reconhecer que Deus é Deus na nossa história, mas Deus continua a ser O Senhor soberano. Como nos dias de Daniel, Deus tem o domínio total sobre tudo e todos, em toda a terra.

Daniel começa com o relato do cativeiro babilónico, que aconteceu por causa da divisão, desobediência e idolatria israelita. Se nós nos desviarmos do Senhor e da Sua vontade, Ele também vai tratar connosco e sofreremos igualmente muitas tristezas e dissabores.

O rei Nabucodonosor ordenou que fossem arrancados de Jerusalém os mais notáveis, inteligentes e bonitos jovens de linhagem real para o centro religioso da Babilónia. O objectivo era formatá-los à cultura e mentalidade dos caldeus e do império, para depois usá-los. A estratégia de satanás é desviar-nos das coisas de Deus, enchendo a nossa mente e coração com o pensamento dominante deste mundo.

Em vez de serem influenciados pela Babilónia, Daniel e os seus amigos conseguiram, com a ajuda de Deus, influenciá-la. Em vez de nos queixarmos das pessoas e das circunstâncias más que nos rodeiam, façamos também a diferença positiva onde estamos.


“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
- Rm 12:2.

domingo, janeiro 06, 2019

Mundo novo

"O propósito da redenção não é ajudar indivíduos a fugir desse mundo. É a vinda do reino de Deus para renovar o mundo. O propósito de Deus não é somente salvar indivíduos, mas criar um novo mundo baseado na justiça, na paz e no amor, ao invés de poder, conflitos e egoísmo. Se Deus é tão dedicado ao ponto de sofrer e morrer, cristãos certamente deveriam também buscar uma sociedade baseada no amor e na paz de Deus."

Timothy Keller

sábado, novembro 17, 2018

Os amigos melhoram-nos a vida

Os bons amigos contribuem para melhorar e facilitar a vida uns aos outros. Um amigo fiel procura ultrapassar conflitos e não guarda rancores. Amigos bons dizem-nos a verdade, não sobrevalorizam os nossos defeitos, protegem-nos as costas e são rápidos a perdoar. Sabem que precisam exercitar de forma prática o amor, a lealdade, o respeito e o perdão.

domingo, outubro 14, 2018

Missão abrangente

“Missão é, convenientemente, uma palavra abrangente, que compreende tudo o que Deus ordenou que seu povo fizesse no mundo. Portanto, ela inclui evangelismo e responsabilidade social, pois ambas são expressões autênticas do amor”

John Stott

segunda-feira, maio 28, 2018

Eutanásia? Não!

Ao contrário do que nos querem vender nestes dias, a eutanásia não é um direito humano. Nenhuma pessoa tem o direito de escolher quando deve morrer porque ninguém teve o direito de escolher quando devia nascer. A vida e a morte pertencem a Deus. Orar, cuidar, aliviar e amparar quem sofre? Sim! Ajudar a matar? Não!

quarta-feira, abril 25, 2018

25 de Abril

Na madrugada ouviu-se um canto
Uma criança que sonhava
Ser grande sem combater.

Correr solta nos campos
Campos de flores primaveris
Das papoilas e dos cravos

Grito de gaivota do mar
Soprado pelo vento livre
Somos livres para sonhar.

Jorge Oliveira

terça-feira, abril 10, 2018

Do despotismo no desportismo (e não só!)

Esta crise no Sporting é uma crise de resultados, mas sobretudo, é sintoma da má liderança. Talvez o maior problema do Presidente Bruno de Carvalho seja o problema que é mais comum em todas as lideranças: o despotismo. O logro de pensar que o poder tem sempre toda a razão. Infelizmente não é só no desportismo que há despotismo. Onde há autoridade existe essa possibilidade. A sede do poder cego, cega. O mau uso do poder faz mal à saúde. De todos.

terça-feira, março 13, 2018

Somos todos caloteiros

Já não é primeira vez que recebo emails que não era suposto receber. Dir-me-ão que isso é comum, que todos os recebem. Sei que sim, mas não é de SPAM que estou a falar. Falo daqueles emails que sendo sérios, por algum equívoco, entram na nossa caixa de correio electrónico. Hoje recebi um a dizer-me para pagar as quotas de condomínio referente ao ano de 2017. Estamos em Março e uma pessoa, porventura com um endereço de email parecido com o meu, ainda não pagou o que deve. Talvez se tenha esquecido, ou está desempregado, ou em conflito com o Condomínio. Não sei. Sei que se cada pessoa pagasse as suas dívidas o mundo era melhor. Escrevi à pessoa que se enganou no email, que me pediu desculpa pelo lapso de acusar-me de ter uma dívida que não era minha.

Mas há dívidas que pensamos não ter, quando na verdade as temos. Além disso, mesmo que quiséssemos pagar estas dívidas não podíamos. São os nossos pecados. Nenhum bem deste mundo pode saldar a dívida concernente aos nossos pecados. Espiritualmente falando somos todos caloteiros. A única coisa que salda o nosso pecado é a morte. Jesus pagou essa nossa dívida na cruz. Cristo morreu por nós e pelos nossos pecados. Estávamos falidos espiritualmente, mas agora, pela fé em Cristo, podemos ficar ricos. Ricamente perdoados.

"Deus prova o seu amor para connosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." Romanos 5:8.

terça-feira, março 06, 2018

Aquilo que vai mudar o mundo

Dietrich Bonhoeffer diz que é um erro presumir que há soluções cristãs para todos os problemas humanos [Ética, Assírio & Alvim, p.310]. É interessante notar que Jesus enquanto aqui andou, não se ocupou em solucionar os problemas sociais, políticos e económicos. A sua proposta era fundamentalmente redentora. A sua solução era celestial, não terrena. Jesus veio por causa da Justiça divina, não para resolver as injustiças humanas.

Isto não quer dizer que a Cristo e a igreja não tenham respostas para este mundo. Significa que a solução dos cristãos para a este mundo aponta para os passos redentores do Cristo. A nossa proposta não é mudar o mundo do ponto de vista humano, mas fazer o apelo ao arrependimento e à conversão interior. Mudança de coração que gera mudança de vida. A primeira e grande tarefa da igreja é anunciar a salvação do redentor. A Igreja é convocada a ser testemunha da liberdade que brota do sepulcro vazio, não das liberdades que brotam do pensamento humano.

Se o testemunho da salvação por Cristo não unir as igrejas cristãs, particularmente as evangélicas, é porque elas estão longe da solução preconizada por Jesus. Se o evangelismo não nos une, é porque não somos cristãos. Aquilo que vence e muda o mundo é a fé no Cristo redentor. "Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" (1 João 5:5).

terça-feira, fevereiro 13, 2018

A bela mulher que aqueceu o Rei

"Sendo, pois, o rei David já velho e entrado em dias, cobriam-no de vestes, porém não aquecia. Então, disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei, nosso senhor, uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele, e durma no seu seio, para que o rei, nosso senhor, aqueça." (1 Reis 1:1-2)

Estes primeiros versículos do livro de Reis são peculiares, fizeram-me sorrir. Na verdade, nunca ouvi ninguém pregar sobre eles e nunca li uma meditação sobre esta história. O Rei David, sendo velho, tinha muito frio. Resolveram cobri-lo com muitas vestes mas nem assim David aquecia. Então, os seus servos foram procurar uma moça virgem e bonita para aquecer o friorento Rei. Encontraram a bela sunamita Abisague que aceitou aquecer David. Levantam-se algumas questões: porque é que a sua esposa não o aquecia? Porque é que foi escolhida uma jovem sunamita? Não lemos se o plano resultou inteiramente, mas a Bíblia refere que o rei não teve relações sexuais com ela (v.4).

Sabe-se que este procedimento de aquecer os pés aos friorentos seria normal nos tempos antigos. Hoje o calor humano continua a ser muito importante e necessário. É verdade que a busca precipitada por aquecimento físico tem desgraçado muitas vidas, mas não há dúvida que o ser humano tem carências térmicas e afectivas. Nesta era de aquecimento global e ruído comunicacional, sofre-se de hipotermia relacional. Sofre-se de frieza física e de frieza emocional. O gelo da alma é o pior dos frios. É verdade que o calor humano pode aquecer o corpo, mas a presença do amor intenso de Deus conforta e abrasa a alma.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

Jerusalém é a Capital do mundo

Parece-me muito claro que um líder de uma nação tem toda a legitimidade para colocar a sua embaixada na cidade de um outro país que muito bem entender. Além disso, quando a decisão foi devidamente conhecida, anunciada e divulgada em campanha eleitoral e está devidamente ratificada pelo Congresso do seu país, ainda mais justificada está. Esta repentina indignação mundial deveria estar direcionada, não para a decisão de Donald Trump colocar a sua embaixada em Jerusalém, mas para a ameaça anunciada de uma nova intifada por parte do Hamas. A arma dos fracos é sempre a violência, o terrorismo e a guerra. São essas atitudes que devem merecer a condenação mundial.

Por outro lado, ninguém pode impedir as convulsões que estão por vir por causa de Jerusalém. Mais do que uma questão política, Jerusalém é matéria religiosa. Como bem lembra o meu amigo Normando, poderá ter começado o cumprimento profético de Zacarias 12:2, 3: "Fala o Senhor: Eis que Eu farei de Jerusalém um cálice de tontear para todos os povos em redor... Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem se ferirão gravemente; e, contra ela, se ajuntarão todas as nações da terra."

sexta-feira, julho 21, 2017

Ame a Vida Hoje

Infelizmente, ontem lemos mais uma triste história de um cantor famoso que (alegadamente) se suicidou. Lamento profundamente pela sua vida e pela dor que a família deve estar a sentir. Chester Bennington era vocalista da banda Linkin Park. Tinha seis filhos. Há uns dias, o seu filho mais novo, com 11 anos, terá escrito um bilhete ao pai a dizer-lhe: "Ame a vida, ela é um Castelo de Vidro". Sim, a vida aqui é breve e frágil. Por isso mesmo deve ser aproveitada.

Estas histórias entristecem-me, mas não me espantam. Que outra coisa se pode esperar de uma sociedade que aplaude o disparate, a agressividade, a superficialidade e o desprezo pela própria vida? Que tipo de desfecho terá a cultura que vive para promover a morte, a revolta, o álcool, as drogas, o egoísmo, o vazio, a alienação?

Viver, gozar e amar a vida não é isto. Amar a vida é respeitar a vida. Amar a vida é amar o criador. Amar a vida é viver em harmonia connosco e com os outros. Amar e viver para Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

segunda-feira, junho 26, 2017

Aprender nos bancos dos hospitais

Passei este Domingo em dois hospitais, a acompanhar o meu sogro. As doenças mentais são ainda muito incompreendidas e estigmatizadas. Afectam o próprio doente, a família e todos os que estão à volta. A medicação adequada e o acompanhamento médico e familiar são essenciais para tratar as enfermidades do foro mental e psiquiátrico.

Assiste-se a muito sofrimento nos hospitais. A sala de espera psiquiátrica não é excepção. Vi uma senhora agitada que não parava de repetir ao filho que queria ir embora. O filho, desesperado, insistia que ela tinha que ser vista e tratada. Um rapaz novo andava de um lado para o outro a contorcer-se. Uma mãe aflita, a dizer aos enfermeiros e a um polícia que não saía do hospital enquanto o seu filho não fosse internado. Quando o filho, um homem com os seus quarenta anos, saiu da consulta disse à mãe para vir embora. Ela não queria ir. Aconselhei-os a terem calma, que tudo se iria resolver. Agradeceram-me e saíram. As ambulâncias sempre a chegar. Gente a gemer. Muitas pessoas à espera nos corredores. Aprende-se a esperar num hospital público. Os médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar fazem o que podem. Fazem muito.

Não é só nos bancos das igrejas que se aprende ao Domingo (e tanto tenho aprendido ali), também se aprende imenso nos bancos e nos corredores destes hospitais. Aprende-se a confiar mais em Deus do que em nós próprios. Ou então pode-se ficar insensível, revoltado e amargurado. Pode-se aprender a orar. Pode-se aprender a esperar mais no Senhor. Que Deus nos ajude.

quarta-feira, junho 21, 2017

A descoordenação mata


O caso da queda do avião Canadair que supostamente caiu ontem, que depois se verificou ter sido uma explosão de botijas de gás que estavam ao lado de uma suposta "roullote", só vem confirmar o que muitos já pensavam: a tragédia em Pedrógão Grande, que provocou já 64 mortes e 136 feridos, foi horrivelmente agravada pela desorientação e descoordenação de quem comandou as operações.

Sim, existiram causas naturais que podem ter ajudado a propagar o incêndio. Sim, existiu incúria da parte de alguns proprietários dos terrenos que não limparam as suas matas. Sim, os bombeiros e muitos outros anónimos foram verdadeiros heróis nestes terríveis fogos. Mas a grande descoordenação que reinou desde o início deste incêndio contribuiu infelizmente para o alastramento da tragédia. O incêndio começou às 14 horas e as respostas foram demasiado lentas e diminutas, dada a dimensão da catástrofe.

Falhou a protecção civil em não priorizar o salvamento das vidas humanas; falhou o sistema de comunicação para emergências (o afamado SIRESP); falharam os políticos ao encolherem os ombros, dizendo que tudo foi feito, falharam as políticas de ordenamento florestal que, na prática, nada resolvem, falharam muitos jornalistas pelo sensacionalismo balofo. Num certo sentido, falhámos todos como nação por terem morrido tantas crianças e adultos.

Deus tenha misericórdia de todos nós. Continuarei a orar pelos familiares enlutados. Oro também para que esta tragédia, que ainda não acabou, ao menos sirva para aprendermos a fazer mais do que foi feito para evitar desgraças vindouras.

quinta-feira, maio 11, 2017

Top Ten das perversões da ICAR

Na lista das muitas perversões e fantochadas que o Papa, a Igreja Católica Romana e os Media promovem e apoiam, #Fátima está certamente no Top Ten dessa triste lista.


#TenhamVergonha!

domingo, maio 07, 2017

A Igreja e as mudanças culturais

"A Igreja cristã pode adaptar-se às mudanças culturais, desde que estas não firam preceitos expressos na Palavra de Deus. Quando, porém, essas mudanças contrariam o compromisso com a verdade, a Igreja precisa contrariar o espírito da época, mesmo que isso não lhe renda popularidade."

Martin Weingaertner

segunda-feira, janeiro 30, 2017

A Verdade suplanta a Pós-verdade

A Porto Editora tem promovido nos últimos anos a eleição de uma palavra que procura enaltecer a riqueza lexical da língua portuguesa. No ano de 2016, a palavra escolhida foi “Geringonça”. Este vocábulo foi usado para designar a coligação parlamentar que apoia o actual governo de esquerda. “Geringonça” simboliza uma coisa malfeita e com pouca solidez. Ao contrário do que muitos imaginaram, a Geringonça esquerdina lá se tem aguentado.

No final do ano passado, os editores que publicam os famosos dicionários britânicos "Oxford" também escolheram a sua palavra do ano. A escolha recaiu na curiosa expressão “post-truth”, que pode ser traduzida para português como “pós-verdade”. Esta expressão surge no contexto da saída britânica da União Europeia (o “Brexit”) e na sequência da surpreendente eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos. Segundo os dicionários Oxford, pós-verdade é um adjectivo que faz referência a circunstâncias em que os factos objectivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais. Ou seja, as opiniões e emoções vencem a verdade factual. Parece que o mais importante no pensamento actual é aquilo que cada pessoa opina, defende e escolhe acreditar. A pessoa é toda a verdade que existe. Na cosmovisão pós-moderna (que de moderna não tem nada), cada um tem o seu ponto de vista e isso é a verdade que importa.

Obviamente que a pós-verdade remexe com as entranhas de qualquer protestante esclarecido. O cristão acredita que há uma só verdade, a qual é Jesus Cristo. Os cristãos podem enganar-se, Cristo não. As verdades humanas são relativas e tendenciosas, Jesus Cristo é a única verdade completa, perfeita e absoluta. Partir do pressuposto que a nossa limitada opinião é toda a verdade que existe é fazer da própria verdade um embuste.

A era da “pós-verdade” não é nova. A Bíblia identifica claramente o inventor da pós-verdade: o diabo. Não há verdade nele e a mentira é aquilo que verdadeiramente o caracteriza. Ele sabe que o inferno está cheio de opiniões e emoções. Talvez o grande catedrático da pós-verdade tenha sido Pôncio Pilatos quando perguntou à própria Verdade encarnada o que era a verdade (João 18:38). Pilatos mandou matar a Verdade. Mas crucificar a Verdade não a cala. A Verdade suplantou a mais tenebrosa das tumbas.


Gosto de um belo texto do russo Fiodor Dostoievski em “Diário de um Escritor”:
Nós já esquecemos completamente o axioma de que que a verdade é a coisa mais poética no mundo, especialmente no seu estado puro. Mais do que isso: é ainda mais fantástica que aquilo que a mente humana é capaz de fabricar ou conceber. De facto, os homens conseguiram finalmente ser bem-sucedidos em converter tudo o que a mente humana é capaz de mentir e acreditar em algo mais compreensível que a verdade, e é isso que prevalece por todo o mundo. Durante séculos a verdade irá continuar à frente do nariz das pessoas mas estas não a tomarão: irão persegui-la através da fabricação, precisamente porque procuram algo fantástico e utópico.

A “pós-verdade” é trágica. Tudo o que seja antes e depois da verdade é mentira. A verdade é muitas vezes diferente do que nos contam, do que se lê e vê nas televisões, jornais e redes sociais. A realidade virtual é isso mesmo: apenas virtual. A pior ilusão que a revolução tecnológica nos trouxe foi levar-nos a pensar que aquilo que lemos e ouvimos dos nossos “amigos”, “seguidores”, grupos e guetos é toda a verdade que existe. Não é.

A resposta que Jesus deu ao céptico Tomé, permanece verdadeiramente imprescindível para o Homem pós-verdade: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" - João 14:6. A Verdade é O caminho que se faz Vida. Andemos nEle.


Jorge Oliveira
(Crónica publicada na edição nº 164 - Janeiro-Março 2017, na Revista Refrigério)