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terça-feira, maio 19, 2026

Da fraqueza tiraram forças


Este mês, no estudo bíblico da nossa igreja, estamos a considerar a vida de Sansão. Tenho ficado impressionado com aquilo que Deus fez com um homem tão errático. Como é que Deus usa pessoas tão falhas, como Sansão? Não deveria O Senhor usar somente pessoas boas e fiéis? Não deveria Deus usar só pessoas que se portam bem? Estas perguntas mostram o quão pouco conhecemos Deus. 

Apesar da luxúria, violência, espírito vingativo e egoísmo de Sansão, Deus realizou o Seu propósito com este fraco-forte homem. Isto obviamente não é uma validação divina do erro e do pecado, mas a constatação que Deus é Senhor! A história de Sansão (e muitas outras histórias) mostram que Deus não é limitado pelos erros e pecados dos seres humanos. Deus é Deus. Ele continua a usar pessoas fracas e pecadores como eu e como tu. A soberania e a glória pertencem sempre a Deus.


"E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel, e dos profetas, os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos." - Hebreus 11:32-34.

quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Estar longe de quem está perto

"Que grande desgraça é estar longe daquele que está em todo lugar!"

- Agostinho de Hipona

quarta-feira, outubro 29, 2025

Chegar bem ao destino

Quando fazemos uma viagem gostamos de chegar ao destino planeado de forma segura. Se há uma vida eterna, e eu acredito plenamente que há, é fundamental entender como se pode chegar bem a esse destino eterno. 

As religiões e as filosofias têm muitas respostas. A Bíblia aponta um caminho. "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6). O melhor destino do ser humano não é um lugar, é uma Pessoa. É Cristo.

A eternidade, para o cristão, é a concretização plena da presença eterna com O Altíssimo Deus. Somos salvos para a comunhão e intimidade real com Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Deus é o grande princípio e fim da nossa existência. Chegamos lá através da fé em Jesus. Crendo que Ele é o salvador e Senhor da nossa existência. 

Na versão parafraseada O Livro, a passagem bíblica de Colossenses 1:16 diz que foi através de Cristo que "Deus criou tudo o que há nos céus e sobre a Terra; tudo o que se vê e o que não se vê; até os governantes, as autoridades, os que têm o poder e a força. Tudo foi estabelecido por Cristo e para Cristo." Todas as coisas foram criadas por Cristo e para Cristo. O destino final do ser humano é Cristo. Começa aqui.

quinta-feira, julho 24, 2025

Estás a confiar em quem?


Um jovem rico ajoelha-se diante de Jesus e pergunta: "Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Jesus diz-lhe: "Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus." Jesus questiona a pergunta do jovem não porque não era bom, mas para despertar a consciência dele. Aquele jovem desconhecia que Jesus era mais do que um bom Mestre. Diante daquele jovem estava O próprio Deus encarnado e O Salvador.

Jesus acrescentou que ele devia guardar os mandamentos. Na sua presunção, o jovem respondeu que fazia isso desde pequeno. O Senhor olhou para ele com olhos de amor e compaixão e disse que lhe faltava uma coisa - vender tudo quanto tinha, dar aos pobres e seguir Jesus. Contrariado, o jovem retirou-se triste porque possuía muitas propriedades.

O jovem rico não seguiu Jesus.  Desprezou Jesus, perdeu a vida eterna. Ganhou este mundo, perdeu a eternidade. Preferiu ir para o inferno do que largar os seus bens. O jovem rico tornou-se o mais pobre de todos os pobres. Ganhou este mundo, perdeu o outro. 

Então, Jesus, olhando agora para os seus discípulos exclamou: "Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas!" Isto não significa que os ricos não podem ser salvos ou que só os pobres é que podem entrar no Reino de Deus. Nada disso. O grande alvo de Jesus não é melhorar a vida de pessoas na terra, é levá-las ao céu. Jesus está a afirmar que os que têm riquezas têm uma dificuldade ainda maior para entrar no Reino celestial. 

Os discípulos admiraram-se muito com aquelas palavras de Jesus. Porquê? Os judeus acreditavam que a prosperidade era um sinal do favor divino e que um homem próspero era um homem que merecia o Reino de Deus. Hoje alguns evangélicos ainda acreditam nisso. Jesus explica melhor: “Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no Reino de Deus!” O problema não estava em ter riquezas, mas em depositar a confiança nas riquezas. Ao contrário do que os judeus pensavam, as riquezas não facilitam a entrada no reino de Deus. Dificultam ainda mais! Os que confiam nas riquezas fazem do dinheiro o seu deus (Mamom) e por isso não confiam no verdadeiro Deus.

Para ilustrar esta impossibilidade de alguém que confia nas riquezas ser salvo, Jesus diz “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus.” Alguns dizem que a agulha era uma porta pequena que existia na muralha em Jerusalém e que os camelos tinham dificuldade em passar. Mas isto é uma lenda inventada no século IX. A maioria dos estudiosos rejeita essa explicação, porque não há evidência histórica ou arqueológica de que existisse tal porta em Jerusalém. Jesus usa esta hipérbole para reforçar a impossibilidade de um pecador alcançar a salvação por si próprio.

Os discípulos de Jesus, ainda ficaram mais intrigados: “Quem poderá, pois, salvar-se?” Jesus olhou para eles e respondeu: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” A conversão de um pecador é uma obra sobrenatural de Deus. É milagre do Espírito Santo. Ninguém pode salvar-se a si mesmo. Ninguém pode nascer de novo por si mesmo. Sim, a salvação é impossível para o homem, mas louvado seja o Senhor, porque para Deus, todas as coisas são possíveis. A graça de Deus pode alcançar e salvar o pior dos pecadores! Deus até pode salvar um bilionário idólatra que se arrependa e creia que Jesus Cristo é o único Salvador e Senhor. 

Considerando estas palavras de Jesus, Pedro pergunta: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos, o que receberemos?” (Mt 19:27). O jovem rico não seguiu Jesus, mas o que dizer daqueles que largam tudo e seguem Jesus como os doze Apóstolos e outros discípulos? O Senhor prometeu que esses receberão cem vezes mais do que tinham. A promessa é presente e futura. Mas também enfrentarão “perseguições”. Conforme disse Paulo a Timóteo: "Todos aqueles que querem viver uma vida dedicada a Cristo Jesus serão perseguidos" (2Tm 3:12 - VFL). Mas a maior de todas as dádivas, é que o seguidor de Jesus receberá no século vindouro a vida eterna, por causa da graça de Deus.

“Muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros”, conclui Jesus. No Reino de Deus a lógica é diferente: muitos que são ricos e poderosos neste mundo serão desprezados, e muitos que são ignorados e nada tiveram aqui, serão primeiros no Reino de Deus. Aqueles que parecem ser os “primeiros” - os ricos, poderosos, religiosos de aparência, influentes - ficarão excluídos e desprezados por Deus. E os “últimos” - os pecadores arrependidos, os cristãos que por vezes são desprezados e ignorados por todos - serão elevados e colocados em lugares de honra. 


QUATRO APLICAÇÕES 

1. Confiar nas riquezas é uma loucura. Jesus contou uma história, em Lucas 12 de um homem rico que teve uma colheita farta e armazenou tudo em celeiros novos. Ele disse a si mesmo: “Armazenaste o bastante para os anos futuros, agora, repousa, come, bebe e diverte-te!”  Mas Deus disse-lhe: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma e o que preparaste, para quem será?” As riquezas são incertas, passageiras e incapazes de salvar a alma. Não garantem o futuro, nem protegem da morte e do juízo eterno. Pv 11:28 diz “Aquele que confia nas suas riquezas cairá.” Confiar nas riquezas é a grande loucura desta vida, porque quem confia nas riquezas não pode confiar em Deus. 

2. Confiar em Deus é melhor do que as maiores riquezas desta vida. Ao contrário do dinheiro e das riquezas, Deus é eterno, poderoso, dá segurança real e vida eterna. “Fujam do amor ao dinheiro; contentem-se com o que têm, porque Deus disse: ‘Não te deixarei, nem te abandonarei.’” Hb 13:5 [OL].

3. É impossível ao homem salvar-se a si mesmo. “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” A salvação é algo sobrenatural que transcende o esforço humano. Só Deus, através da sua graça, nos pode dar fé para crer na salvação de Jesus. 

4. Seguir Jesus Cristo compensa. Quem deixa tudo por amor a Cristo será recompensado, nesta vida e na eterna. O objectivo do discipulado não é receber recompensa. Não servimos a Deus por aquilo que Ele dá, mas por quem Ele é. 


A grande pergunta a que tens que responder é: Em quem estás tu a confiar?

quinta-feira, julho 17, 2025

É bom desconfiar das nossas certezas

 
Desconfiar das nossas certezas é coisa sábia. Quem está irredutível nas suas próprias firmezas aprende pouco. Partir do pressuposto que se pode estar errado é um passo certo na direcção do crescimento espiritual. Em todas as histórias, circunstâncias, interpretações, há sempre coisas encobertas que não conhecemos.

Veja-se por exemplo a história de Jó. Nem ele, nem a mulher, nem os amigos estavam conscientes da trama espiritual que estava a acontecer. Alguns tinham muitas certezas, mas estavam errados. Presumir que se sabe tudo é um pecado grave, porque é uma forma de se fazer igual a Deus. Só O Senhor tudo sabe e tudo pode. Ele está sempre certo. É melhor confiar em Deus e desconfiar das nossas certezas.

Depois de Deus falar, Jó concluiu: "Sei bem que podes todas as coisas e que nenhum dos teus propósitos pode ser frustrado. Perguntaste quem foi que tão loucamente desacreditou a tua providência. Fui eu; falei de coisas que ignorava, de que nada sabia; coisas demasiado maravilhosas para a minha compreensão." - Jó 42:3-5 (versão O Livro).

segunda-feira, maio 12, 2025

O reino futuro de Deus para o presente

"Quando Jesus ressuscitou dos mortos, ele trouxe o reino futuro de Deus para o presente e trouxe o céu à terra. Entramos agora no reino pelo arrependimento e pela fé em Jesus, e pelo nascimento por meio do Espírito Santo (Jo 3:3-5). Em seguido, somos literalmente 'transferidos' do reino deste mundo para 'o Reino do seu Filho querido' (Cl 1:13, ESV). Isto é muito mais do que adoptar simplesmente novas crenças e práticas éticas. Entrar em um reino significa sujeitar-se a um novo conjunto de lealdades, crescer em amores novos e submeter-se a novos valores directivos na vida. Depois disso, corações, famílias relacionamentos, comunidades e campos de cultura humana são curados e retrabalhados à medida que são redireccionados para a glória de Deus e submetidos à autoridade de Jesus, o Rei, pela sua Palavra e Espírito (Sl 72; Cl 1:16-20; Ef 1:9-10)." 

In: KELLER, Timothy. Esperança em tempos de medo. São Paulo: Vida Nova, 2022, p. 99,100.

quinta-feira, abril 24, 2025

Temendo e tremendo avança para Jesus

"Então, a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante de Jesus, e disse-lhe toda a verdade." - Marcos 5:33. 

Uma mulher tinha uma doença grave há mais de doze anos. Tinha gasto já todo o seu dinheiro com os médicos e era estigmatizada por todos. Num arrojo de fé e coragem, irrompeu por entre a multidão e tocou as vestes de Jesus. Foi instantaneamente curada. 

Jesus parou e perguntou: "Quem me tocou?" Os discípulos não entenderam a pergunta diante daquela multidão que se acotovelava com Ele. Mas Jesus sabia que tinha saído poder dele. Então, a mulher, temendo e tremendo, prostrou-se diante de Jesus e assumiu que tinha sido ela. Em vez de censurá-la, Jesus elogiou a fé daquela mulher: "Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal." 

Na verdade, não foram as vestes de Jesus que a curaram, foi a virtude de Jesus que possibilitou o milagre. A cura aconteceu na sequência de um acto de fé ousada. A fé não elimina o medo. Falta-nos esta fé que não se deixa tolher pelo medo e pelos obstáculos. A fé verdadeira avança em direcção a Jesus. A única fé que salva e liberta é aquela que é colocada em Jesus. O único Salvador. A verdadeira liberdade.

 

quinta-feira, março 27, 2025

O mérito pertence a quem?

"Todas as religiões do mundo são essencialmente sistemas de mérito humano. Até aquelas que ensinam a misericórdia divina enfatizam que é preciso conquistá-la. Somente o cristianismo anuncia que Deus é misericordioso para com os pecadores, que não merecem a sua misericórdia. São aqueles cuja defesa consiste apenas no mérito de Cristo, e cujo único argumento é clamar com humildade e confiança: 'Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador!'"

In: STOTT, John. As controvérsias de Jesus. Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2015, p.109.

quinta-feira, janeiro 16, 2025

Implicações de seguir a Cristo

Jesus está no Norte de Israel e vai em direcção a Jerusalém rumo à cruz. Marcos conta que o Mestre chama os seus discípulos e diz-lhes: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” Há implicações e exigências para quem segue a Cristo. O cristianismo fácil, barato, utilitário, que diz que para seguir a Cristo nada é exigido, é falso! O discipulado afecta a nossa vida pessoal, familiar e comunitária. Ao contrário de tantos falsos mestres, Jesus não engana as pessoas que o querem seguir, com ilusões ou propostas fáceis. A porta é estreita e o caminho é apertado (Mt 7:13-14).

Há pelo menos três exigências para alguém ser discípulo de Cristo:

1ª) Negar-se a si mesmo. O discípulo de Cristo deve renunciar a si próprio. Isto vai contra aquilo que é defendido por muitas seitas, filosofias e gurus que prometem felicidade para quem fizer o que lhe apetece e desejar. Jesus ensina que o cristão deve negar-se a si mesmo. Isto significa rejeitar os interesses egoístas do nosso "eu". Negar a nossa vontade e fazer a Dele. Esta vida de renúncia não é uma vida isolada ou fechada num mosteiro. É viver como Jesus viveu, deixando que a vida de Jesus seja a nossa vida.

2ª) Tomar a sua cruz. Jesus caminha para a cruz e exige que esse caminho seja também o dos seus discípulos. A cruz é o destino de Cristo e do cristão. A cruz é um lugar de morte. Quem não está pronto a morrer por Cristo não está apto para viver com Cristo aqui e no céu. Carregar a cruz não é suportar uma doença, um filho rebelde, um marido/esposa difícil, ou outra coisa custosa, é a disposição para morreres para ti próprio e para tudo o que não agrada a Deus. “Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5:24).

3ª) Seguir Jesus. Ser cristão não é ser simpatizante do cristianismo, não é dizer-se religioso, católico ou evangélico e viver como um ateu. Não é apenas orar e vir à igreja ao Domingo, é ter comunhão com Ele, é depender dele, obedecer aos seus mandamentos, é testemunhar! Seguir Jesus é confiar no Senhor soberano da nossa vida em todos os aspectos.

A seguir, Jesus vai ensinar o santo paradoxo de perder para ganhar. "Qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará." Quem quiser salvar a sua vida, vivendo sem a graça divina e para si próprio, vai perder-se eternamente. É a loucura daquele que pensa ter tudo mas falta-lhe o mais importante de tudo: Deus. Ao ignorar Deus e a sua salvação ele está desastrosamente perdido aqui e no futuro.

Por outro lado, Jesus diz que quem perder a sua vida por amor a Jesus e por causa do evangelho vai ganhar a vida eterna. Não é ser um mártir que garante a vida eterna, é entender que o amor de Jesus é melhor do que todos os amores desta vida. Afinal de contas, de que adianta a pessoa ser muito rica, famosa e ter tudo neste mundo e estar perdida e atormentada por toda a eternidade?

O discípulo é alguém que não se envergonha de Cristo. Ser cristão nunca foi popular e nunca será. Quem é um verdadeiro discípulo de Cristo vai enfrentar oposição, lutas, perseguição e até pode ser morto por causa da sua fé. Todos aqueles que se envergonharem de Cristo e não crerem na Palavra do Senhor serão julgados pelo Senhor no futuro.


Resumindo:

O discipulado é um chamado diário para todo o cristão seguir Jesus e exige a renúncia constante. Todo este processo de negar a nossa vontade, tomar a cada dia a cruz e seguir a Cristo não pode ser feito nas nossas próprias forças. A auto-negação é sempre difícil e só é possível em cooperação e na dependência do Espírito Santo.

A salvação da nossa alma vale mais do que todas as riquezas deste mundo. Marcos vai contar mais à frente a história de um jovem rico que perguntou a Jesus o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus disse que ele precisava perder a confiança naquilo que a sua vida estava firmada - nas riquezas. Ele entendeu o custo de seguir Jesus e retirou-se triste. De uma forma egoísta e louca, ele não estava na disposição de perder os seus bens pelo Senhor dos bens e da vida (Mc 10:17-23).

Que tipo de discípulo és tu? Segues a Cristo de boca ou de verdade?

quarta-feira, dezembro 04, 2024

Quem é Jesus?


A passagem de Marcos 8:27-33 serve de transição para a segunda parte do Evangelho de Marcos. Jesus conversa com os seus discípulos no caminho de Cesareia de Filipe. O seu destino é Jerusalém, rumo à cruz. O Senhor lança uma primeira pergunta “Quem dizem os homens que eu sou?” Saber quem é Jesus é a pergunta mais importante que alguém pode fazer. Esta pergunta continua a ser crucial no nosso tempo. 
Os discípulos de Jesus responderam que alguns pensavam que Ele seria João Baptista, Elias ou outro profeta. O povo estava muito confuso. Para os religiosos judeus Jesus era um falso profeta, para os governantes era um rebelde perigoso, para o povo era mais um guia religioso. Muitos dirão hoje que Jesus foi um Rabi, um Mestre religioso, um bom homem, um líder político, um anjo, um deus, etc.  

Jesus faz-lhes uma segunda pergunta: “Mas vós quem dizeis que eu sou?” Pedro com os olhos a brilhar responde: "Tu és o Cristo!" Quando Pedro identifica Jesus como O Cristo, está reconhecer quem Jesus é e o propósito da sua vinda. A palavra “Cristo” significa “O Messias”, literalmente “o Ungido”, Aquele que foi “escolhido por Deus” para salvar e libertar o seu povo. Os judeus estavam à espera de um Messias que iria libertar Israel do jugo romano e estabelecer o reino justo de Deus na terra.
 
Na passagem paralela de Mateus (Mt 16:15-17), lemos que a declaração de Pedro não foi o resultado do seu próprio pensamento, da sua lógica ou na sequência da aprendizagem humana, esta confissão foi fruto de uma revelação dada por Deus Pai. Para alguém entender que Jesus é o Cristo, que veio a este mundo para nos salvar, é necessária revelação divina, a acção iluminadora do Espírito Santo. 
 
Depois da declaração de Pedro, Jesus disse que era necessário padecer muito, ser rejeitado pelos líderes religiosos, ser morto e que passados três dias iria ressuscitar. Então, Simão Pedro, o tal discípulo que pensava ter feito um brilharete com a sua declaração, tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo dizendo a Jesus para Ele não ir à cruz. O Messias que Pedro idealizava (e todos os religiosos judeus) nunca iria morrer daquela forma cruel e indigna que Jesus estava a profetizar. O Senhor identificou quem estava por detrás das palavras de Pedro e falando para Satanás ordenou: “Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens.”  

 
Algumas lições e conclusões desta passagem:
 
1. O Pedro iluminado pensou que podia repreender Jesus. Esta atitude revelou altivez, ignorância e falta de discernimento espiritual. Na nossa boa intenção podemos ser instrumentalizados por Satanás. As pessoas mais usadas por Deus também podem cometer falhas graves. Saber isto não deve servir de desculpa mas de alerta para todos os cristãos. 
 
2. O alvo de Satanás sempre foi impedir que o Cristo fosse à cruz. Tentou fazer isso logo no início do ministério de Jesus (Mt 4:6). Aqui, usou um dos seus discípulos mais próximos. Jesus diz que Satanás é um ser limitado, que não conhece as coisas que são de Deus mas só apenas algumas coisas relativas aos homens. Na cruz, Jesus venceu Satanás e todas as autoridades espirituais do mal (Cl 2:14-15).
 
3. Jesus é o único Messias que nos pode salvar. Jesus é o Cristo, Ele é Deus, é o Verbo que se fez carne, é o nosso Redentor que morreu e ressuscitou, é o único Mediador entre Deus e os Homens é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

“Se não souberes com clareza quem é Jesus, estarás perdido na questão mais importante da vida. O cristianismo é muito mais do que um conjunto de doutrinas, Ele é uma Pessoa. O cristianismo tem a ver com a Pessoa de Cristo. Ele é o centro, o eixo, a base, o alvo e a fonte de toda a vida cristã. Fora dele não há redenção e nem esperança. Ele é a fonte de onde procedem todas as bênçãos.” - Hernandes Dias Lopes.
 
Quem é Jesus para ti?

segunda-feira, novembro 04, 2024

A fé cristã é teocêntrica

"Cristianismo não trata de uma relação tangente com a experiência religiosa. Ele envolve um encontro com um Deus santo, o qual constitui o centro, ou o núcleo, da existência humana. A fé cristã é teocêntrica. Deus não está à margem da vida dos cristãos, mas no centro. Ele define toda a nossa vida e a nossa visão do mundo."

In: SPROUL, R.C.. A santidade de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 207.

quinta-feira, setembro 19, 2024

Coração sem fermento

A seguir à segunda multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus e os seus discípulos entram num barco e vão para Dalmanuta. Pensa-se que esta região ficaria entre Cafarnaum e Magdala, na planície de Genesaré. Lemos no Evangelho de Marcos que apareceram os fiscais da boa religião: os fariseus. Discutem com Jesus e pedem-lhe um sinal do céu. Depois de tantos milagres que Jesus já tinha feito, este pedido é no mínimo um absurdo. Na verdade, eles não tinham o menor desejo de mais sinais, queriam desacreditar Jesus. Era uma curiosidade desonesta. 

Algumas pessoas que não aceitam Jesus, dizem que se vissem um sinal elas acreditariam. Só que isso são desculpas esfarrapadas porque a fé verdadeira não precisa de mais sinais. A fé autêntica, não sendo um salto no escuro, é a confiança apoiada na revelação da Palavra de Deus, em Jesus Cristo e na Sua obra realizada na cruz pelos nossos pecados.

Jesus dá um suspiro profundo. Este suspiro é muito mais do que cansaço, enfado ou impaciência. É um gemido que vem das entranhas mais profundas de Jesus. É um suspiro contra a incredulidade e contra a obstinada falta de confiança no Messias. Jesus diz que não fará mais sinais para eles, porque sabe que as suas motivações são malignas. O grande sinal seria dado quando Jesus ressurgisse dos mortos. Devemos seguir Jesus, não por causa dos seus milagres (e Ele faz milagres!), mas porque Ele é o único Salvador.

Entretanto, entraram novamente no barco e, no Mar da Galileia, O Senhor advertiu os seus discípulos para se afastarem do fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes. O fermento na Bíblia simboliza a influência do mal e do pecado. Jesus tinha já dito que o fermento dos fariseus era a hipocrisia (Lc 12:1). O fermento de Herodes seria a corrupção política e moral encabeçada pelos herodianos. Estes herodianos aliaram-se aos fariseus para engendrar uma forma para matar Jesus (Mc 3:6). Que O Senhor nos ajude a não sermos hipócritas legalistas como os fariseus e nem mundanos e sem moral como os herodianos. O resultado de viver uma vida dupla é culpa, frustração, falta de paz.

Os discípulos tinham-se esquecido de levar pão para a viagem e quando Jesus falou no fermento dos fariseus e de Herodes, eles pensaram que O Senhor estava a falar desse esquecimento. Tudo errado. Muitos problemas têm acontecido pela má interpretação de uma palavra, de um gesto ou por causa da má compreensão de uma situação. Perante a insipiência dos discípulos, Jesus vai relembrar-lhes os grandes milagres que tinha feito em matéria de panificação. Pior do que esquecerem-se do pão, é terem-se esquecido do poder e da provisão do Senhor Jesus.

Jesus questiona os seus discípulos: “ainda tendes o vosso coração endurecido?” O problema dos fariseus, dos herodianos e dos discípulos era a dureza de coração. Esse também é o nosso problema. O coração duro impede-nos de ouvir uma exortação, de reconhecer erros, de crescer. Coração endurecido é ter olhos e ouvidos, mas não ver e nem ouvir as coisas espirituais. É esquecer-se dos muitos milagres que Deus já fez na nossa vida e família. 

Jesus repete duas vezes a pergunta: "Não compreendeis ainda?" (Mc 8.17; 21). Que os fariseus e os herodianos compreendessem Jesus até percebemos, mas a incompreensão dos discípulos de Jesus parece ridícula. E nós? Depois de tantas provas da presença de Deus na nossa vida, como é que é possível ainda não entendermos que O Senhor cuida de nós? Tantas coisas mesquinhas deste mundo que nos preocupam e endurecem o nosso coração. Preocupação com comida, trabalho, aparência, bens, com aquilo que temos e o com o que não temos.

Contudo, há uma palavra que Jesus repete, que indicia que há esperança para eles (e para nós): “AINDA”. Os discípulos estavam cegos à graça abundante de Deus, mas há esperança porque Deus ainda tem grandes coisas para a sua vida. Os seus corações vão ser amolecidos e os seus olhos serão abertos mais tarde. 

Que o nosso coração esteja limpo de todo o fermento do mal, da malícia, do pecado. Que o nosso coração esteja sensível à presença de Deus e à Sua Palavra. Que Deus hoje abra os teus olhos e amoleça o teu coração!

domingo, agosto 18, 2024

Egotismos

"Quanto mais infantis nós somos, mais egocêntricos somos; quanto mais inseguros somos quanto à certeza da nossa salvação, menos amor, alegria, paz, paciência e bondade temos e, claro, mais difícil será a unidade." 

- Timothy Keller

terça-feira, julho 09, 2024

Contaminação do coração

Marcos conta que os religiosos judeus ficaram muito incomodados ao constarem que os discípulos de Jesus comiam pão sem lavar as mãos. Essa lavagem não está relacionada com questões de higiene, mas com as leis cerimoniais de purificação religiosa. A lei mosaica determinava que os sacerdotes deviam lavar as mãos e os pés no serviço do Tabernáculo (Ex 30:17-21). Mas a tradição dos anciãos inventou um conjunto de regras adicionais que impunham a lavagem das mãos, pés, copos, jarros, vasos e até as próprias camas. Quem não cumprisse com essas regras, era considerado impuro e espiritualmente contaminado.

Indignados, estes religiosos perguntaram a Jesus a razão do procedimento dos discípulos. Citando Isaías, Jesus chama-os de hipócritas por estavam a valorizar leis exteriores mas o seu coração estava longe de Deus. O termo “hipócrita” referia-se a um actor que usava uma máscara para parecer ser o que realmente não era. Quantas vezes nós também somos assim. Queremos mostrar aos outros aquilo que na verdade não somos. Que Deus perdoe a minha hipocrisia. J.C. Ryle alerta: “Proferir palavras bonitas não devem satisfazer-nos se o nosso coração e os nossos lábios não estiverem em harmonia.”

Jesus disse-lhes que estas regras eram “mandamentos de homens”, não de Deus. Era um dos fardos que os religiosos inventaram para carregar e oprimir o povo (Mt 23:2-4). Em vez de ensinarem e praticarem os mandamentos de Deus, desprezavam-nos e criaram preceitos de tradição humana. A autoridade espiritual baseada na tradição humana oprime e desvia as pessoas da verdadeira autoridade das Escrituras Sagradas.

O Senhor Jesus dá-lhes um exemplo do seu erro, a "corbã". Este termo significa “oferta ao Senhor”. Era uma espécie de doação prometida para a tesouraria do templo. Alguns filhos não estavam a cuidar dos seus pais, conforme o quarto mandamento dizia, porque tinham prometido a "corbã" ao Senhor. Além disso, os escribas e fariseus, sabendo da "corbã", não permitiam que o filho renegasse o seu voto, mesmo que os pais estivessem na miséria. Jesus denunciou esta hipocrisia mascarada de feito espiritual. Eles estavam a substituir a lei de Deus pelas leis humanas. Mais tarde, Paulo escreve: “Se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel.” (1Tm 5:8).

A seguir, Jesus vai explicar que a contaminação espiritual não era um problema exterior de lavagem de mãos, mas um problema de coração. A contaminação espiritual não está fora, está dentro. O mal não vem de fora, o mal está no nosso coração contaminado. Muitos filósofos e pensadores defendem que o homem nasce bom e que são as condições à sua volta que o estragam. É mentira. Nascemos com o coração apodrecido pelo pecado. Os judeus centravam a sua espiritualidade naquilo que comiam, naquilo que faziam ou não faziam. Jesus vem esclarecer que a fonte de toda a contaminação espiritual é interior e vem do nosso coração.

Jesus nomeia alguns pecados que brotam do coração humano nos v. 21-22. Começa tudo com os maus pensamentos. Todo o acto pecaminoso externo começa por um acto interno de decisão. A má acção exterior tem origem num mau pensamento interior. O remédio não é o aperfeiçoamento do velho coração, é um novo coração (Ez 36:26-27). Precisamos da ajuda de Deus para recebermos um novo coração e para vivermos em santidade e pureza espiritual. Isso não acontece por lavar ou não lavar as mãos, por aquilo que se come ou não se come, ou por aquilo que se toca ou não se toca, porque a contaminação é inerente à existência. Conforme alegou Ryle, “cada homem traz, dentro de si o manancial da sua própria iniquidade”

É mais fácil lavar as mãos do que ter um coração limpo. As religiões procuram limpar as mãos, Deus quer limpar e purificar o nosso coração. Cuidemos com a ajuda do Senhor do nosso coração, alimentando os nossos pensamentos com a Palavra de Deus e obedecendo aos seus ensinamentos.

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito recto” (Sl 51:10). 

 

quarta-feira, julho 03, 2024

Dizer-se cristão sem ser

"Não há nada mais insultuoso ao santo Nome de Deus do que professá-Lo com os teus lábios e negá-Lo com a tua vida." 

- Martyn Lloyd-Jones.


segunda-feira, junho 24, 2024

O funeral evangélico

"O facto é que Cristo ressuscitou mesmo dentre os mortos e se tornou o primeiro entre os milhões que um dia voltarão a viver!" - 1Coríntios 15:20 [versão O Livro]

Um amigo meu foi a um funeral evangélico na nossa igreja e disse-me no final, num certo tom jocoso, que as palavras do pregador foram tão boas, que até dava vontade de morrer para as ouvir. Só que os mortos que precisam ouvir os pregadores são os que querem viver. A alegria da vida eterna pertence aos que recebem Jesus como seu salvador e Senhor. 

A verdade é que a maior parte dos funerais evangélicos são diferentes. Diferentes para melhor. Canta-se, ora-se a Deus, anuncia-se a Palavra de Deus, há um ambiente solene, mas cheio de esperança. Recorda-se 
a vida do que morreu, mas principalmente a vida daquele que venceu a morte - Jesus Cristo. Um funeral evangélico não se centra tanto no defunto, mas naquele que destronou a morte, o mal e o pecado. 

No funeral evangélico há um misto de tristeza e alegria. Tristeza pela partida do ente querido e alegria por sabermos que um dia voltaremos a estar com o cristão que morreu. Temos a certeza que, assim como Cristo ressuscitou de entre os mortos, nós também voltaremos a viver. A morte para o cristão não é o fim, é o princípio da nova realidade da eternidade com Deus. Isto é verdade porque Cristo de facto ressuscitou.

sexta-feira, maio 31, 2024

Marcas da graça


O último capítulo da Carta de Paulo aos Gálatas pode ser dividido em três partes. A primeira parte fala de um cristão que é “surpreendido pelo pecado”. A ideia do texto é essa. O pecado é algo que apanha o crente. É um percalço. O cristão que anda dependente do Espírito consegue resistir ao pecado, mas isso não significa que nunca mais peque (1João 1:8,10). Quando um cristão cai, um dos deveres da igreja, particularmente dos líderes, é ajudar essa pessoa a levantar-se. Nesse processo, os líderes não devem ter um sentimento de superioridade, mas de amor, mansidão e humildade. Têm a consciência que também podem cair. Para acontecer a restauração, a pessoa que falhou tem que admitir o pecado, estar arrependida e reconhecer autoridade de quem a está a encaminhar. 

Em Gálatas 6:2 lemos que devemos levar as cargas uns dos outros, mas no v.5 vemos que cada um deve levar a sua própria carga. Haverá contradição? Claro que não. A palavra original para cargas no v.2 é baros e a do v.5 é fortion. A palavra baros significa "um peso pesado", difícil de transportar sozinho, enquanto fortion refere-se a coisas que cada um pode levar por si. A partilha de cargas pesadas deve ser uma constante na vida da Igreja. Por outro lado, cada cristão é responsável pela sua própria conduta e por cumprir com as suas obrigações pessoais. 

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Na segunda parte, Paulo vai falar de questões práticas e usa a Lei da Semeadura: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gl 6:7). Muitos abusos têm sido feitos pela má leitura do verso 6 que fala em repartir os bens com quem que o instruiu. É mais do que dar dinheiro, é partilhar benefícios materiais e espirituais. Se é um erro grave exigir dinheiro aos irmãos que nos ensinam a Palavra de Deus, mas também está errado não abençoar aqueles que nos ministram a Palavra.

A Lei da semeadura relaciona-se com Deus. Ninguém zomba de Deus! Se alguém pensa que Deus está indiferente a quem vive no pecado ou ao que demonstra ingratidão, está muito enganado. Semear na carne é viver para a satisfação dos desejos e prazeres humanos. É investir no que se vê, sem pensar na eternidade. O resultado disso é podridão espiritual e morte eterna. Por outro lado, semear no Espírito é investir no Reino de Deus. É depender de Deus, dando ouvidos à Sua Palavra e colocando-a em prática. A colheita dessa caminhada é a vida eterna, não que essa vida seja uma conquista do cristão obediente, mas é o resultado final de quem tem e anda no Espírito. Esta segunda secção termina com um incentivo para não desistirmos de fazer o bem a todos e muito especialmente aos da família da fé (v.9-10). Fazemos o bem não para ganhar a salvação, mas porque já estamos justificados pela graça e bondade de Deus.

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Na terceira parte, é o próprio Apóstolo que escreve e com “grandes letras” (v.11). Era normal ditar a carta a um escriba, mas nesta parte final, Paulo decide escrever com a sua própria mão. O destaque das letras seria para vincar da conclusão final e também para evitar cópias falsificadas de falsos obreiros que se faziam passar pelos Apóstolos. Os judaizantes estavam a obrigar os novos convertidos que não eram judeus a se circuncidarem. Gloriavam-se disso como se esse ritual os fizesse melhores. O Pr. Manuel Alexandre Júnior escreveu que “O cristianismo não é uma religião de cerimónias externas, mas sim algo interior e espiritual, do coração." Paulo só tinha uma coisa que se gloriava, era a cruz de Cristo. Na cruz foram desfeitos todos os rituais e preceitos religiosos. Para Deus não importa se a pessoa é religiosa ou se não tem religião. O que conta é se é uma nova criatura (2Co 5:17 5). A cruz de Cristo era o centro da mensagem e da vida de Paulo. Sigamos o seu exemplo.

Antes da bênção final, Paulo dá um testemunho pessoal: “ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (v.17). Pode surpreender alguns, mas Paulo tinha muitas tatuagens. Não eram desenhos coloridos feitos por um tatuador, mas cicatrizes feitas pelas varas, chicotes e pedras de judeus e romanos que lhe rasgaram e marcaram o corpo. Eram marcas da graça. Marcas físicas e emocionais dos muitos sofrimentos que passou por causa da fé em Cristo.

O apóstolo conclui como começou: com a graça de Deus. A temática da graça permeia toda esta Carta (1:3,6,15; 2:9; 2:21; 5:4; 6:18). A nossa vida está relacionada desde o princípio até ao fim com a maravilhosa graça divina. Nascemos, somos salvos, santificados e seremos glorificados, por causa da graça divina. Hoje é o dia de deixar de confiar na religião e aceitar a maravilhosa graça de Deus manifesta em Cristo. Somente o Evangelho de Jesus Cristo liberta! São boas novas! As melhores.


segunda-feira, maio 13, 2024

Somos salvos por Maria ou por Cristo?

"A atitude católica romana em relação a Maria é sinal de como é problemática a abordagem que Roma faz da fé cristã. Os seus ensinos a respeito de Maria vão muito além do que a Escritura sanciona e representam ideias de homens. Além disso, atingem em cheio a base da crença protestante sobre a salvação - a justificação por meio de Cristo somente. É preciso que os protestantes se mantenham firmes no solus Christus."

In: R. C. SPROUL. Estamos juntos? São Paulo: Vida Nova, 2023, p. 154 [PT].

quarta-feira, maio 08, 2024

Duas formas de vida


Capítulo 5 da Carta de Paulo aos Gálatas não é uma lista de pecados de pessoas “más” em contraponto com uma lista das virtudes de pessoas “boas”. São dois sistemas diferentes de vida. Duas formas de vida. É a escolha entre o caminho da carne e o caminho do Espírito. Viver e andar pelo Espírito Santo é a proposta divina. O que é isso de andar em Espírito? Será sair do corpo? Andar nas nuvens?  

Há uma luta dentro de cada cristão, o conflito da carne contra o Espírito. É a batalha para fazermos mal quando queremos fazer bem, que está bem expressa no testemunho de Paulo aos Romanos (Rm 7:18-24). Só quando deixamos que O Espírito nos encha e guie é que vamos ter vitória. Torna-se, por isso, imperioso dar lugar ao Espírito e não às obras da carne. As obras da carne podem dividir-se em 4 grupos. 

- O 1º Grupo são pecados sexuais. “Ora, as obras da carne são manifestas e são: prostituição, impureza, lascívia” (v.19). “Prostituição” é a tradução do termo grego “porneia”, que inclui todos os tipos de pecados sexuais, seja adultério, fornicação, masturbação, incesto, homossexualidade, entre outros. A carne apodrecida pelo pecado manifesta a natureza que lhe é própria. O impulso sexual é algo muito forte no ser humano e não é pecado, mas os desvios e abusos nesta área tem enfraquecido e destruído muitas pessoas, famílias e até igrejas. 

- O 2ª grupo são os pecados religiosos: “idolatria, feitiçarias” (v.20). Estes dois pecados sintetizam a perversão do culto a Deus. A idolatria desvia a pessoa do verdadeiro Deus. João Calvino disse que o “coração humano é uma fábrica de ídolos”. A idolatria não está só ligada à religião ou às estátuas. Ídolo é tudo aquilo que recebe a adoração e a glória que pertencem somente a Deus. Deus diz: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura.” - Is 42:8. Feitiçarias (pharmakeia, literalmente “uso de drogas”) é quando a pessoa recorre ao sobrenatural maligno para alcançar os seus fins. Bruxarias, poções, cultos desviantes e muitas outras coisas que resultam em engano, opressão e decepção.

- O 3º grupo são os pecados relacionais: “Inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios” (v.20;21a). São alguns exemplos de pecados ligados aos relacionamentos humanos. As atitudes conflituosas, invejosas, os acessos de ira, as discórdias, divisões, os assassinatos são o resultado da carne envenenada pelo pecado. Notar o crescendo dos pecados que culminam em mortes. Muitos assassinatos se têm dado por causa do ciúme, das invejas e das raivas humanas. O ser humano que não tem comunhão com Deus tem graves problemas relacionais.

- O 4º grupo são os pecados pessoais: “bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas” (v.21b). São algumas coisas que até podem ser desejos naturais, mas que sem o necessário domínio próprio, podem tornar-se problemas graves. Podíamos incluir nas “coisas semelhantes a estas”: os vícios, a droga, o jogo, os prazeres carnais. Subentende-se que “não entrarão no Reino de Deus” todos os que fizerem estas coisas de forma habitual, reiterada e constante. Paulo não está a falar aqui da prática de um pecado isolado, mas da prática continuada destes pecados e de pessoas que não se arrependem disso.


O fruto do Espírito em oposição às obras da carne, Paulo descreve as atitudes que O Espírito Santo produz – Gl 5:22. Donald Guthrie diz que “a mudança das “obras” para “fruto” é importante porque remove a ênfase do esforço humano.” As obras da carne são resultado do nosso trabalho; o fruto do Espírito é obra do Espírito Santo em nós. O fruto é o resultado natural da vida. Uma árvore viva e saudável produz naturalmente bom fruto. Este fruto é um dom de Deus e manifesta-se na medida em que damos lugar ao Espírito Santo. O fruto do Espírito é singular, ao contrário das obras plurais da carne. É como uma laranja com 9 gomos. Para facilitar a exposição vamos dividir em 3 grupos de virtudes produzidas em nós pelo Espírito. 

+ O primeiro são as virtudes primordiais: “amor, alegria, paz”. Primordiais porque surgem no início e porque são essenciais na manifestação do Espírito. O termo para amor no grego é “agapé”, que se refere ao amor de Deus. É o amor eterno, constante, incondicional, generoso, sacrificial. “Deus prova o seu amor para connosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Rm 5:8. Ao contrário das paixões da carne que passam depressa, o amor do fruto do Espírito é eterno. A alegria do Espírito não é uma alegria que vem dos prazeres mas é um gozo que dá sentido e força para viver. A paz de Deus que excede todo entendimento (Fp 4:7) enche o coração de quem está cheio do Espírito, independentemente das circunstâncias. Se não há amor, alegria e paz na nossa vida, significa que estamos longe da comunhão do E.S. 

+ O segundo grupo são as virtudes relacionais: “longanimidade, benignidade, bondade”. Outras versões traduzem como “paciência, amabilidade, delicadeza”. Quando deixamos que O Espírito comande a nossa vida vamos ter mais paciência com os que nos irritam. Iremos ter uma atitude gentil e bondosa para com o nosso próximo. 

+ Por último, as virtudes pessoais: “fé, mansidão, temperança.” A palavra fé, também pode ser traduzida por “fidelidade” ou “lealdade”. O cristão cheio do Espírito Santo e controlado por Ele vai ter mais mansidão e domínio próprio. É fácil constatar que vivemos num mundo cheio de pessoas sem fé, altamente descontroladas e descompensadas. Falta-lhes O Espírito Santo. 

Paulo termina este capítulo 5 dizendo que o cristão deve considerar a sua velha natureza pecaminosa crucificada e morta com Cristo – Gl 5:24. A nossa responsabilidade não é matar a carne, mas crer que ela já foi crucificada em Cristo (Gl 2:20). Há uma grande diferença entre viver no Espírito e andar no Espírito. Todos os cristãos vivem no Espírito quando recebem Jesus, mas nem todos andam no Espírito, ou seja, nem todos se deixam guiar e controlar pelo Espírito Santo. 

O v.26 Paulo relembra que os salvos devem viver de forma coerente e correcta com os seus irmãos.  “Não sejamos egoístas, nem nos irritemos uns aos outros, nem tenhamos inveja uns dos outros.” Para isso precisamos do Espírito Santo. Se alguém pensa que consegue viver a vida cristã sozinho está-se a enganar a ele próprio. Precisamos orar e deixar que Ele nos guie e oriente a nossa vida. "O fruto do Espírito é a manifestação exterior da salvação. O mesmo Espírito que nos convence do pecado e regenera é o mesmo que nos torna frutíferos na nossa caminhada cristã" escreve o Pr. Manuel Alexandre Júnior. 

Somente somos justificados pela fé em Cristo e somente pelo Espírito somos santificados. Assim como não é possível salvarmo-nos pelas boas obras também não é possível viver a vida cristã pelos nossos esforços sem o Espírito Santo. Que a dependência do Espírito Santo seja a tua forma de vida, porque a vida segundo a carne leva à morte eterna. “Se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” - Rm 8:13. Que Deus nos ajude a viver na dependência do Espírito, para o seu fruto seja uma realidade em nós.

quarta-feira, abril 03, 2024

A Liberdade

Estamos a comemorar em Portugal os 50 anos da Revolução que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974, também chamada de Revolução dos cravos. A liberdade é uma coisa preciosa, a liberdade espiritual que podemos desfrutar através da fé em Cristo é ainda mais. 

O Apóstolo Paulo incentivou os crentes da região da Galácia a estarem “firmes na liberdade com que Cristo nos libertou!” (Gálatas 5:1-15). Esta liberdade é a libertação dos falsos ensinos especialmente dos que defendem que os rituais religiosos podem salvar. As religiões aprisionam as pessoas, Jesus Cristo liberta. Não dá para aceitar que o sacrifício de Jesus é a única coisa que nos salva e depois esforçar-se por ganhar a salvação com rituais. Só existe uma maneira de alguém ser salvo, é crer que Jesus Cristo é o único Salvador e Senhor.

"Cair da graça" (Gl 5:4) não significa perda da salvação. Essa expressão significa que quem confia que será salvo pelas obras religiosas está a recusar a graça de Deus. Ainda está separado de Cristo. Quando Deus salva alguém essa pessoa está salva eternamente. Paulo diz que não faz diferença para Deus estar circuncidado ou não (Gl 5:6), porque para Deus não importa se a pessoa é religiosa ou não é religiosa. O que importa é a fé colocada em Cristo. É necessário firmeza nessa fé. Mas não é por nos mantermos firmes na fé que iremos ser salvos, é por sermos salvos que vamos permanecer firmes na fé.

As doutrinas falsas têm grande impacto na vida das pessoas e nas igrejas. A má doutrina é pão estragado para a boca, a sã doutrina é bom alimento. Aqueles que ensinam que os cristãos precisam guardar alguma parte da lei de Moisés estão a ir contra o evangelho de Deus. A punição é certa para esses falsos mestres. Há uma grande responsabilidade para os que ensinam e pregam a Palavra de Deus. O púlpito não é um lugar sagrado, mas é um dos lugares onde o servo de Deus deve pregar a verdade e a liberdade que há no Evangelho.

A liberdade com que Cristo nos libertou não é para vivermos de qualquer maneira (Gl 5:13). Não podemos abusar da liberdade que Cristo nos dá. A liberdade cristã não é libertinagem. Que nenhum cristão pense que por ser salvo pela graça de Deus tem licença para pecar. Cuidado com a liberdade autónoma. “O que é a liberdade autónoma? É a liberdade em que o indivíduo é o centro do universo. Liberdade autónoma é a liberdade sem restrições”, esclarece Francis Shaeffer. 

A liberdade de Cristo implica fé, santidade, compromisso e serviço. A vida do cristão deve ser uma vida de serviço ao Senhor e aos outros. É a fé manifesta em actos amorosos. Devemos rejeitar o zelo religioso que negligencia o mais importante da fé - o amor. Se a minha forma de falar e viver não espelha o amor de Cristo então eu não estou a viver o verdadeiro cristianismo.

Alguns irmãos das igrejas da Galácia estavam a criticar a verdadeira doutrina e a dar ouvidos ao erro. Isso estava a destruir a vida espiritual uns dos outros e a enfraquecer as igrejas locais. Uma coisa é discordar pontualmente, outra coisa é discordar da verdade. Uma coisa é ser do contra, outra bem diferente e perversa é ser sempre do contra. Essa não é a vontade do Senhor.

Cristo libertou-nos das amarras dos rituais e das regras religiosas. Cristo libertou-nos da condenação eterna. Libertou-nos do poder de Satanás e do reino das trevas. Estamos libertos do poder do pecado, porque o nosso homem velho foi crucificado com Cristo. Cristo libertou-nos do egoísmo, da vida centrada em nós próprios e das coisas materiais. 

O convite libertador de Jesus continua a ecoar hoje: "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres.” - João 8:36. A verdadeira liberdade está em Cristo.