Mostrar mensagens com a etiqueta Prédicas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Prédicas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, março 26, 2019

Não nos curvaremos às estátuas!

O Rei Nabucodonosor até parece que quis materializar o sonho que tinha tido no capítulo 2 e mandou fazer uma gigantesca estátua em ouro no Capítulo 3 de Daniel. A estátua com cerca de 30 metros de altura seria mais um obelisco do que a imagem de uma pessoa. Servia para ostentar com orgulho o poderio babilónico e para exaltar os muitos deuses da grande Babilónia.

No dia da consagração da estátua, todos foram convocados. Ao ouvirem o som dos instrumentos, todas as pessoas tinham que se ajoelhar e adorar a estátua. Quem não o fizesse seria lançado imediatamente na fornalha de fogo ardente. Todos se curvaram menos 3 jovens: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Estes rapazes eram judeus que tinham sido feitos prisioneiros em Israel e, de acordo com a Lei de Deus, não se curvavam a estátuas.

O nosso Estado laico, que devia ser imparcial em assuntos religiosos, continua hoje a erigir muitas estátuas. Promove leis perversas, legaliza os fracos deuses deste tempo, certifica o relativismo, o egoísmo e a maldade. Além de fomentar o afastamento do Deus vivo, quer que os cristãos se curvem à sua agenda imoral. Porém, os servos do Deus Altíssimo preferem morrer do que curvarem-se aos Nabucodonosores deste século.

Alguns caldeus fizeram queixinhas de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego por eles não se vergarem à estátua. A sua motivação era a inveja dos cargos que eles tinham na Babilónia. A inveja é um veneno que corrói a vida do invejoso e de todos à sua volta. Estes ingratos caldeus, seriam os mesmos que foram poupados da morte por causa de Daniel e destes três amigos. Martinho Lutero disse que "existem três cães perigosos: a ingratidão, a soberba e a inveja, e quando mordem deixam uma ferida profunda". Os cristãos devem contar com invejas, lutas e provas. As provações servem para aferir e refinar a fé que temos em Deus.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram levados ao Rei e não temeram nem o Rei e nem a ameaça de morte no forno ardente. Revelaram coragem e ousadia e não fizeram concessões. Tinham o esclarecimento espiritual para adorar e servir somente a Deus. Sabiam que Deus era poderoso para os livrar do fogo, mas também sabiam que Deus podia não querer livrá-los. A fé verdadeira aceita a vontade de Deus, seja ela qual for. Eles estavam dispostos a morrer por causa da fé exclusiva no Senhor.

Foram lançados amarrados ao Forno. De repente, surgiu um quarto Homem, semelhante ao “filho dos deuses”. Gosto de pensar que era O Senhor Jesus, numa das suas pré-encarnações. Dançavam os quatro homens, livres no meio da fornalha acesa. O diabo faz-se presente pela força e violência e usa o poder da imagem; Deus faz-se presente no meio das piores dificuldades através de Jesus. O diabo amarra, Jesus liberta-nos!


Amigos cristãos, não nos curvemos aos ídolos deste tempo e nem aos ídolos do nosso coração. Sirvamos ao único Deus e Senhor. Falemos a verdade!

quinta-feira, março 14, 2019

Coração a arder no caminho

O caminho de Emaús simboliza desilusão e tristeza, mas também o reencontro com a viva esperança. Lucas conta a extraordinária história de dois discípulos de Jesus que passaram da sua maior tristeza para a maior alegria. Enquanto falavam entre si da repentina e "inglória" morte do Messias, O mesmo Cristo vivo aproximou-se. Caminha com eles. É maravilhosa esta discreta aproximação de Jesus. Porque nos ama muito, Jesus deseja estar e andar connosco. Fazer parte da nossa vida.

Enquanto caminhavam, O Messias explicou-lhes o que dele estava escrito nas sagradas Escrituras. Mas os seus olhos ainda estavam fechados para O conhecer. É dramático constatar que é possível caminhar ao lado do Jesus ressurrecto, ler e ouvir as Escrituras, sentir o coração a arder, "ir à Igreja", mas continuar cego sem conhecer verdadeiramente O Cristo.

Chegaram a Emaús. Estavam tão rendidos à presença daquele misterioso Homem, que lhe pediram para ficar com eles. Quando Jesus partiu o pão, abriram-se-lhes os olhos e conheceram finalmente Aquele que venceu a morte e está vivo. Entretanto, Jesus desapareceu. Para onde foi Jesus? Alguém disse que Jesus entrou no coração deles. Estava fora, agora está dentro. Ficaram tão transformados que resolveram voltar para Jerusalém naquela mesma noite e contaram tudo aos outros discípulos.

Quando Jesus abre os nossos olhos, Ele salva-nos e cura a nossa tristeza, desânimo, falta de esperança. As Escrituras dão fé e visão espiritual. Que o nosso coração possa estar cheio da presença amorosa do Ressurrecto, a arder com a sua poderosa mensagem. "E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?" (Lucas 24:32).

segunda-feira, março 04, 2019

Sonhos e revelações

O poderoso rei Nabucodonosor, o tal que tinha invadido Jerusalém e que liderava um grande império, ficou muito perturbado por causa de um sonho. Os homens poderosos deste mundo têm limitações e perturbações, a começar nos seus sonhos. O rei chamou os magos, astrólogos e sábios do seu reino e pediu-lhes o impossível: que contassem o que ele tinha sonhado e que lhe explicassem o significado. Qualquer pessoa pode inventar uma interpretação de um sonho, mas saber aquilo que outra pessoa sonha é muito mais difícil. Como eles nada conseguiram, Nabucodonosor mandou matar todos os magos e sábios da Babilónia.

Perante a sentença de morte que pesava sobre a sua cabeça, Daniel e os seus amigos oraram ao Deus dos céus, pedindo-lhe misericórdia. Na sua compaixão, O Senhor revelou o sonho e a interpretação a Daniel. Nabucodonosor tinha sonhado com uma grande estátua feita de diferentes materiais: ouro, prata, cobre, ferro e barro. Uma pedra foi "cortada sem mão humana” (v.34) e lançada aos pés da estátua, acabando por destruir completamente a estátua. Cada material da estátua representava um reino e a pedra que crescia e enchia a terra representa Cristo e o seu reino (At 4.10-12; 1Pe 2.4; 6-8). O reino de Cristo terá a sua expressão máxima no Milénio e jamais será destruído (v.44; Ap 11:15).


Algumas das conclusões que retirei desta passagem:
1) Precisamos da misericórdia do Senhor para lidar com as dificuldades que se nos deparam todos os dias. Devemos interceder juntamente com os nossos irmãos em oração e intercessão.

2) Deus tem algo a dizer aos poderosos deste mundo, mesmo os injustos e maus. Deus é O Senhor dos senhores e O Rei dos reis.

3) A pessoa que teme a Deus não teme más notícias. Firma-se no Evangelho e fala a verdade com amor e coragem.

4) O reino de Cristo é maior do que os maiores impérios. Todos os poderosos e os seus reinos passarão, menos o reino do Filho. O Seu governo permanece para sempre.


Muitas pessoas hoje andam atrás de sonhos, visões e revelações mas a Bíblia é a revelação final e definitiva de Deus. É verdade que O Senhor pode falar através de sonhos mas eles NUNCA contradizem a Bíblia. Em vez de andarmos atrás de sonhos e revelações, leiamos e pratiquemos a Palavra de Deus. Jesus Cristo é a única salvação de Deus para o Homem.

“Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho.” (Hb 1.1).

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Fé incontaminada na graça de Deus

A primeira coisa que fizeram aos jovens judeus prisioneiros na Babilónia foi mudar-lhes o nome (Daniel 1). A mudança dos nomes era uma forma de arrancar destes jovens a identidade, as raízes e tudo aquilo que os ligava a Deus e à nação de Israel. João Calvino diz "que os seus nomes foram mudados - para que o rei pudesse apagar dos seus corações e mente a memória da sua própria nação, forçando-os a rejeitarem as suas origens." Eles traziam gravado no nome a influência de Jeová e cunharam-nos com nomes dos deuses Babilónicos. Se há coisa que o mundo caído procura fazer aos cristãos é roubar-lhes a identidade de filhos de Deus e impor-lhes o pensamento da época.

Daniel decidiu no seu coração não se contaminar com as comidas do rei (1:8). Os judeus não estavam proibidos de comer carne e de beber vinho, mas aquela comida babilónica tinha sido oferecida aos ídolos. O problema não estava na comida em si, porque “Todas as coisas são puras para os puros” (Tito 1:15), mas naquilo que representavam aqueles manjares babilónicos. Não há consenso entre os ídolos e Deus. Quando andamos saciados com a comida celestial não queremos comer as iguarias do inferno.

“Deu Deus a Daniel graça e misericórdia" (v.9). Daniel podia morrer por rejeitar a comida do rei, mas a sua esperança estava na graça e misericórdia do Rei dos reis. Precisamos tanto da graça e da misericórdia de Deus! A graça divina não é um prémio por bom comportamento, mas a Bíblia ensina-nos que quanto mais obedecemos a Deus, mais Ele acrescenta a Sua graça e bênção à nossa vida! Foi assim com Noé, Abraão, Jacó, José, David, Raabe, com Daniel e com muitos outros.

Daniel e os seus amigos viveram num ambiente hostil e mau, mas mesmo ali, não se contaminaram espiritualmente e não permitiram que coisas de fora mudassem a fé que estava nos seus corações. Daniel não se queixou, não ficou revoltado e nem ficou agarrado às injustiças da Babilónia, Daniel permaneceu firmado na graça de Deus e foi um exemplo de fé para todos. Ainda hoje se fala da fé incontaminada de Daniel.

quinta-feira, janeiro 10, 2019

Influenciadores em Terra Estranha

Nos últimos 7 anos preguei de forma expositiva na minha congregação 7 livros da Bíblia. Este ano começamos com o profeta Daniel. O livro de Daniel é deveras extraordinário. É ao mesmo tempo histórico e profético, simples e misterioso, doutrinário e escatológico.

A temática central pode ser resumida numa sentença: “O Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens” (4:17; 2:21; 4:25,32; 5:21). Temos dificuldade em reconhecer que Deus é Deus na nossa história, mas Deus continua a ser O Senhor soberano. Como nos dias de Daniel, Deus tem o domínio total sobre tudo e todos, em toda a terra.

Daniel começa com o relato do cativeiro babilónico, que aconteceu por causa da divisão, desobediência e idolatria israelita. Se nós nos desviarmos do Senhor e da Sua vontade, Ele também vai tratar connosco e sofreremos igualmente muitas tristezas e dissabores.

O rei Nabucodonosor ordenou que fossem arrancados de Jerusalém os mais notáveis, inteligentes e bonitos jovens de linhagem real para o centro religioso da Babilónia. O objectivo era formatá-los à cultura e mentalidade dos caldeus e do império, para depois usá-los. A estratégia de satanás é desviar-nos das coisas de Deus, enchendo a nossa mente e coração com o pensamento dominante deste mundo.

Em vez de serem influenciados pela Babilónia, Daniel e os seus amigos conseguiram, com a ajuda de Deus, influenciá-la. Em vez de nos queixarmos das pessoas e das circunstâncias más que nos rodeiam, façamos também a diferença positiva onde estamos.


“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
- Rm 12:2.

terça-feira, novembro 27, 2018

Oração e acção

Terminei este Domingo a série de 8 mensagens em Colossenses que apelidei de “Tudo foi criado por Jesus e para Jesus” (Cl 1:16). Paulo fecha esta Carta ligando a oração à acção cristã.

As nossas orações devem ser perseverantes, vigilantes, gratas e recíprocas. Respirar enquanto se ora e orar enquanto se respira. A oração dirigida a Deus fomenta a gratidão e um coração grato ora com prazer. Oramos pelos outros e contamos que outros orem por nós.

Portar-se com sabedoria é aproveitar as oportunidades e definir prioridades. Saber viver bem é gerir bem a agenda e as palavras. Mais do que ganhar uma discussão ou provar que temos razão, falemos com temperança, que é sempre o melhor tempero das palavras.


No final desta preciosa carta, Paulo lista 10 pessoas que foram seus cooperadores. A obra de Deus faz-se com pessoas e Paulo sabia trabalhar em equipa. Destaca Tíquico, o servo fiel do Senhor, Onésimo o escravo que fugiu para ficar livre e, por causa da causa de Cristo, foi preso com Paulo, Aristarco e muitos outros. Realça Epafras, Marcos, Ninfa e Lucas, o médico amado, que permaneceu fielmente ao lado de Paulo até ao fim (2Tm 4:11). Ainda há tempo para encorajar Arquipo, o líder cansado, que está prestes a desanimar mas que deve cumprir o seu ministério.

A carta termina como começou: com a graça de Deus. A vida espiritual começa com a graça de Deus e vive-se na graça. Que a mensagem da graça divina continue a ecoar bem alto neste desgraçado mundo.

sábado, novembro 17, 2018

Os amigos melhoram-nos a vida

Os bons amigos contribuem para melhorar e facilitar a vida uns aos outros. Um amigo fiel procura ultrapassar conflitos e não guarda rancores. Amigos bons dizem-nos a verdade, não sobrevalorizam os nossos defeitos, protegem-nos as costas e são rápidos a perdoar. Sabem que precisam exercitar de forma prática o amor, a lealdade, o respeito e o perdão.

terça-feira, novembro 13, 2018

O cristianismo começa na família

Depois de Paulo ter feito um apelo à santidade, vai falar das importantes relações familiares e laborais. A nossa espiritualidade vê-se pela forma como falamos e tratamos os outros, principalmente os nossos familiares. Talvez um dos grandes problemas dos cristãos actuais é não viverem a sua fé nas coisas comuns do seu dia-a-dia. Dizem que religião é coisa de Domingo e Deus não entra no seu trabalho, nas suas amizades, nas sua casa. Deus quer-se fazer presente em toda a nossa vida. O cristianismo começa na família.

Para que os relacionamentos funcionem existem princípios funcionais - amor, lealdade, respeito, amizade, equidade. Cristo é O grande modelo nos relacionamentos dos cristãos. O marido cristão deve amar a mulher, assim como Cristo nos amou. A esposa cristã deve ser sujeita ao seu marido, porque Cristo obedeceu até ao fim ao Pai celestial. Os filhos devem obedecer aos seus pais, porque Cristo foi um Filho obediente até ao fim. Os pais devem educar com paciência e sensatez, porque Cristo foi manso e humilde de coração. Os empregados devem servir com afinco os seus patrões porque Cristo veio para servir. Os patrões devem agir com justiça, porque Cristo manifestou a justiça de Deus.

A família continua a ser a base da nossa sociedade. A família é mais importante que tudo. Mais importante do que o trabalho, que os amigos, que as diversões, do que as reuniões da igreja. Quando falharmos exercitemos o amor e o perdão. É tempo de orarmos mais tempo em família e pelas famílias. É tempo de viver o que já conhecemos. É tempo reconstruir lares desfeitos. A mudança começa no nosso coração e quando permitimos que Jesus seja o Senhor da nossa vida e do nosso lar.

quinta-feira, outubro 25, 2018

80 anos a Alumiar



A congregação cristã evangélica da qual tenho a honra de fazer parte, a Igreja Evangélica em Alumiara, está a comemorar 80 anos de existência em Canidelo, Vila Nova de Gaia. Somos um punhado de cristãos que se reúne há 80 anos, com a missão principal de glorificar e adorar a Deus, e proclamar a salvação que há no Senhor Jesus Cristo. Neste fim-de-semana, continuaremos a anunciar com alegria a graça de Deus e a dizer a quem nos quiser ouvir, que vale a pena desfrutar da comunhão com Jesus Cristo, todos os dias da nossa vida. Todos são bem-vindos.

"Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor." (1 Coríntios 1:9).

sábado, outubro 13, 2018

Nem para desatar as sandálias servimos

Este mês, temos estudado na nossa igreja às sextas-feiras a vida de João Baptista. Depois de 400 anos de silêncio profético, Deus faz um milagre na vida de um casal idoso e dá-lhes um filho: João - "O Senhor é gracioso". Zacarias, o pai de João, soube esperar o tempo do Senhor, perseverando em oração. Devemos confiar mais nas poderosas possibilidades de Deus do que nas nossas muitas impossibilidades. João iria abrir a porta ao Messias Jesus.

A mensagem de João, à semelhança dos profetas do Antigo Testamento era uma chamada ao arrependimento. O arrependimento também foi a mensagem de Jesus e da Igreja (Mt 3:2; 4:17; At 2:38, 3:19). O arrependimento é a nossa vida. Arrependimento não só de palavras, mas o que gera frutos (Lc 3:8). Mesmo em tempos de deserto, preguemos a Palavra do arrependimento. Primeiro para nós, depois para os outros.

Quando Jesus veio ter com João para ser baptizado, João nega-se. Ele considerava-se indigno, até para desatar as correias das sandálias do Messias. É fundamental perceber quem somos e quem Jesus é. Num tempo em que muitos se dizem cristãos e são tão cheios de si, de orgulho e de conhecimento, João ensina-nos a sermos mais humildes. Aquele que se julga muito capaz, nem para desatar as sandálias do Mestre serve. Que Cristo cresça mais em mim e que eu diminua (João 3:30).

sexta-feira, setembro 21, 2018

O grande sobretudo do amor

O grande pregador Spurgeon disse que o capítulo 3 de Colossenses começa no céu e acaba na cozinha. Começa com a ordem para pensarmos nas coisas de cima e termina com algumas exortações para pormos em ordem as coisas de baixo. O cristianismo não é só doutrina cristã (muito necessária, nestes dias), é prático e mexe com a nossa vida diária.

Como é que se explica a aparente contradição do v.3, que diz que já estamos mortos, com o v.5 que nos manda morrer? A verdade é que na visão perfeita e eterna de Deus (Ele está acima do tempo), os crentes já morreram na cruz com Cristo e estão sentados nos lugares celestiais (Efésios 2:6); mas no plano humano (na nossa existência temporal aqui), ainda lutamos com as coisas da velha natureza. "Mortificar" significa aceitar que estamos mortos e viver na perspectiva e visão divina. É morrer para o pecado e viver pela nova natureza do Jesus ressurrecto.

O pecado irrita Deus (v.5,6). Que ninguém pense que ficará impune ao juízo divino se viver no pecado. Como cristãos, somos chamados a despir a roupa velha e a vestimo-nos da roupa nova. A velha roupagem é transitória, a nova é poderosa e não ganha mofo. Paulo conclui que os cristãos, sobretudo, acima de tudo, devem vestir-se com amor (v.14). A veste última e superior do amor de Cristo, que é a força capaz de nos unir e manter unidos.

Devemos despir da nossa vida os farrapos do pecado e vestir as novas vestes do carácter de Cristo. O amor prático, que é mais que palavras e que se manifesta em atitudes de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, perdão e compaixão. Se estivermos bem vestidos, vamos amar as pessoas à nossa volta e elas irão, muito provavelmente, render-se ao perfeito amor do Senhor. O grande sobretudo do amor pode cobrir uma multidão de pecados (1 Pedro 4:8).

segunda-feira, agosto 06, 2018

Cala-te, aquieta-te e crê!



Fiz ontem uma pausa na série de pregações de Colossenses e, também para arrefecer as temperaturas, preguei sobre o temporal de Marcos 4.


Era tarde. Quase noite. Depois de um dia extenuante, Jesus entrou num barco com os seus discípulos e disse para passarem para a outra margem. Adormeceu na popa. De repente, levantou-se um grande temporal no Mar da Galileia (v.37). Quando menos esperamos, grandes ventanias se levantam na nossa vida. Os que navegam com Cristo devem estar preparados para enfrentar dificuldades. Lá por sermos discípulos de Cristo, não significa que não passamos por tempestades. O Evangelho que promete um mar de rosas e facilidades é falso.

Apavorados com o vento e com as ondas altas a inundarem o barco, temendo pela sua vida, acordaram Jesus. Muito chateados, perguntam ao Senhor: “Mestre, não te importas que morramos?" (v.38). Deus nunca está desatento às nossas provações. A pior coisa que podemos fazer perante os problemas é culparmos Deus e reclamarmos com Ele.

Ainda ensonado, Jesus levantou-se e ordenou ao vento: “Cala-te, aquieta-te! E o vento se aquietou e houve grande bonança” (v.39). O mais inusitado desta história, não é O Criador falar às coisas criadas e elas obedecerem, o bizarro aqui, é a falta de fé que os discípulos ainda demonstraram. “Porque sois tímidos? Ainda não tendes fé?” (v.40), perguntou-lhe Jesus. Tantas vezes eles já tinham visto a manifestação do poder de Deus em Jesus e não tinham fé para crer e sossegar nele. Não será esta também a nossa triste história?

Não havia nada a temer. Não tinha Jesus dito para passarem para a outra margem? Se Ele o tinha dito, estava feito. A Palavra do criador faz acontecer. Outra coisa, Jesus estava ali com eles! Os santos do passado costumavam dizer que “com Jesus no barco, tudo vai bem”. Se Jesus dormia em paz é porque tudo estava controlado. Quando passarmos por temporais, lembremo-nos que Jesus está connosco e que continua a cuidar de nós. Deus nunca se esquece dos seus filhos. Mais importante que aquietar o vento e o mar, é aquietarmos o nosso coração - “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre as nações; serei exaltado sobre a terra” (Sl 46:10). Jesus é Senhor. Cala-te, aquieta-te!


Imagem da Pintura: Cristo na tempestade no Mar da Galileia, por: Ludolf Bakhuizen, 1695.

sábado, julho 21, 2018

Manipulação, verdade e liberdade

Na véspera da pregação de Colossenses 3, ainda vou a tempo de sumarizar alguns pensamentos de Colossenses 2.

Se há uma coisa comum a todas as seitas e heresias é a manipulação. Onde há manipulação espiritual, emocional, ou outra qualquer, há engano. Em Jesus Cristo há verdade e liberdade. Não a liberdade para se fazer tudo, mas a liberdade de poder não se fazer tudo. Já o legalista, baseia a sua espiritualidade naquilo que faz ou não faz, come ou não come, bebe ou não bebe. A espiritualidade baseada naquilo que se faz ou não se faz é vã, porque não se fundamenta em Cristo. Devemos não só receber Jesus Cristo, mas caminhar sempre com Ele (Cl 2:6). A melhor maneira de resistirmos ao mau ensino é vivermos no bom ensino da Palavra de Deus.

terça-feira, junho 19, 2018

Felizes os mortos que morrem no Senhor

"E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam."
(Apocalipse 14:13)

No sábado passado partiu para a presença gloriosa de Deus o homem que O Senhor usou para me falar do grande amor de Deus. O Pastor Álvaro Ribeiro foi um grande evangelista, um pastor fervoroso, um marido amoroso, um pai e um avô exemplar, um homem de oração, um bom amigo. Nos últimos anos da sua vida foi acometido de uma doença grave, mas esse "espinho na carne" nunca o impediu de continuar a pregar, evangelizar, assistir aos cultos e a amar as pessoas. Morreu a servir. Morreu de pé. Morreu feliz, porque felizes são aqueles que morrem no Senhor.

Dou muitas graças a Deus por ter conhecido o Pastor Álvaro e a sua querida família. Se o Álvaro não me tivesse incentivado a receber Jesus e a Sua salvação, talvez eu ainda estaria perdido hoje. Provavelmente não teria tido a bênção que tive, de pregar no seu funeral da mesma graça divina que ele me partilhou há 39 anos. A Deus toda a glória para sempre.

quarta-feira, maio 09, 2018

Fé, amor e esperança

Este Domingo iniciei uma série de mensagens em Colossenses. A alegria do Apóstolo Paulo era ouvir que os crentes em Colossos tinham fé, amor e esperança. Alguns não estavam a compreender bem a relação entre a completa humanidade de Jesus e a Sua plena divindade. Então, Paulo escreve esta Epístola para lhes dizer que Jesus é o Deus-Homem perfeito. Em Colossenses, o mistério Cristo é desvelado. Tudo foi criado por Ele e para Ele.

Paulo orava para que os colossenses fossem cheios de inteligência espiritual e fizessem a vontade de Deus (1:9). Precisamos tanto de inteligência e sabedoria espiritual. Precisamos tanto de Cristo. Sem oração não há progresso espiritual e não há frutos espirituais. Torna-se vital, portanto, não só orar em casa, mas também como igreja (Cl 4:2-3).

O evangelho é para ser conhecido, vivido e espalhado. Como cristãos somos chamados a não só ter o conhecimento das coisas de Deus mas a colocá-las em prática. Conhecer e praticar. O desafio colossal, mas real, é andarmos na fé, praticarmos o amor e agarrarmo-nos à esperança celestial. Com Cristo é possível.

domingo, maio 06, 2018

Trio vital do cristão

"Estas são as características da vida cristã, que somos exortados a viver: buscar a Deus pela fé, esperar por Cristo com esperança e encorajar uns aos outros em amor. Trata-se do conhecido trio que une a fé, a esperança e o amor."

John Stott

domingo, abril 29, 2018

Pregar a Palavra de Deus

"A melhor maneira de purificar a igreja é pregando sistematicamente a Palavra de Deus. Pois ninguém resistirá ouvir por vários dias a genuína Palavra de Deus e não ter uma reacção. Duas coisas vão acontecer: ou os pecadores saem da igreja ou se convertem."

Martyn Lloyd-Jones

terça-feira, abril 17, 2018

Esperança Renascida

A história de Rute começa com lágrimas e termina com alegria. Boaz foi procurar o familiar mais próximo de Elimeleque que, segundo a Lei, deveria dar sucessão à família do falecido. Boaz prometeu casar com Rute e cumpriu. Um bom marido é um homem de carácter, que cumpre com as palavras que promete e aquele que obedece à Palavra de Deus.

O familiar remidor primeiro interessou-se pelas terras de Elimeleque mas, quando soube que além de comprar as terras teria que cuidar de Noemi e de Rute, desistiu. Descalçou literalmente a bota e deu-a a Boaz. Mais do que um contrato legal ou arranjo circunstancial, este casamento foi providenciado por Deus. Rute buscou O Senhor e achou um marido. Devemos confiar em Deus em todos os aspectos da nossa existência.

Este casamento tinha propósitos santos e abençoadores. Agora a família de Noemi e Elimeleque tinha uma descendência. O menino chamou-se Obede, que foi pai de Jessé, que por sua vez foi o pai de David, o ancestral do Messias que haveria de vir - Jesus Cristo.

---

Algumas aplicações deste santo romance:
1. A vida cristã não exclui adversidades. É a forma como lidamos com elas que faz com que vivamos bem ou mal. Noemi chegou a Belém amargurada e sem esperança, Rute não se abateu e foi à luta. A intervenção divina transformou o pranto em alegria. “O choro pode durar uma noite mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5).

2. O livro de Rute é um poema à soberania divina. Deus esteve sempre a comandar e a tecer os versos deste enlace amoroso. A fonte de todas as bênçãos é Deus, não o dinheiro, o prazer, a fama ou o trabalho. O Senhor é a nossa esperança.

3. Hernandes Dias Lopes disse que “Nenhum sucesso é final e nenhuma derrota é fatal”. A nossa história ainda não acabou. Deus continua a fazer milagres e o futuro, por vezes, traz surpresas agradáveis. É melhor começar e terminar bem do que começar bem e terminar mal. A melhor maneira de terminarmos bem é confiar em Deus todos os dias da nossa vida.

4. O objectivo grandioso do Senhor era, não só proporcionar um final feliz a um lar destroçado, mas expandir o final feliz a muitas outras famílias. David seria um dos ancestrais de Jesus Cristo, o Salvador. O Noivo Jesus já veio e amou tal forma a sua Noiva - a Igreja -, que morreu por ela e um dia vem buscá-la. Louvado seja o grande Redentor Jesus!

terça-feira, março 20, 2018

Aos pés do Noivo

O sermão deste Domingo foi no terceiro capítulo de Rute. É uma estranha história de amor. Noemi mandou a sua nora viúva lavar-se, perfumar-se, vestir-se bem e ir aquecer os pés do seu noivo: Boaz. Rute obedeceu. Estava bela por dentro e por fora. Ouviu e seguiu o conselho da sua sogra e foi ao encontro de Boaz. A voz de Deus faz-se ouvir muitas vezes nos conselhos das pessoas mais velhas e experientes.

Mais do que desejar um marido, Rute queria um lar. O casamento é importante, mas lembremo-nos que a felicidade não está no casamento. A felicidade está em Deus e na comunhão com Ele. Rute já se tinha abrigado debaixo das asas de Javé (2:12) e agora ia abrigar-se debaixo das asas de Boaz (3:9). A metáfora ilustra bem como deve ser o nosso relacionamento com Cristo: entrega, submissão, amor e comunhão.

É verdade que Boaz apanhou um grande susto quando sentiu Rute enrolada aos seus pés, mas como era um cavalheiro, respeitou-a. Mesmo estando bem comido e bebido, Boaz não foi grosseiro, nem agressivo e nem se aproveitou fisicamente de Rute. Como bom cavalheiro que era, prometeu casar com ela e ainda lhe encheu generosamente a capa com quilos de cereais. Quem ama dá e dá-se.

Assim como o noivo Boaz amou e resgatou Rute, Cristo ama e resgata a sua noiva, a igreja. Casar dentro da vontade do Senhor é uma grande bênção, mas casar com Cristo é o grande descanso para a alma. Aprendamos com Rute (e com Maria) e descansemos aos pés do Noivo Jesus. É o melhor lugar.

segunda-feira, março 12, 2018

Lealdade ao nome de Cristo

"Examinemos as nossas motivações. Tenhamos cuidado, ao pregar e baptizar, de não estimular as pessoas a serem mais leais a nós do que ao Senhor. Isto era o que havia horrorizado Paulo. Substituir o nome de Cristo pelo nosso próprio nome é contradizer o evangelho."

John Stott