domingo, novembro 27, 2022

Sem igreja não há crescimento espiritual

"Não há maneira de cresceres espiritualmente se não estiveres profundamente envolvido numa comunidade de outros crentes." 

Timothy Keller

quarta-feira, novembro 23, 2022

A cabeça de João Baptista ainda fala

Jesus enviou os doze Apóstolos na missão de espalharem a mensagem de arrependimento a todos e assim o nome de Jesus tornou-se ainda mais conhecido na Galileia. A fama de Jesus chegou aos ouvidos de Herodes Antipas, o Tetrarca da Galileia e da Pereia. Ele ficou com medo porque pensava que Jesus poderia ser João Baptista que tinha ressuscitado. Antipas tinha mandado assassinar João Baptista e Marcos agora relembra-nos os tristes contornos dessa morte.
 
João Baptista tinha sido preso porque denunciou o adultério de Herodes Antipas quando ele se casou com Herodias, a esposa do seu meio-irmão Filipe. Um dia, Antipas resolveu dar uma grande festa no dia do seu aniversário e convidou os grandes figurões da Galileia. Nessa festa, a filha da Herodias, que Josefo informa ser Salomé, fez uma dança que agradou imenso a Herodes e aos convidados. Antipas disse a Salomé para ela pedir o que quisesse que ele lhe daria, ainda que fosse metade do “seu reino”. Ela consultou a sua mãe Herodias que lhe disse para pedir a cabeça de João Baptista. Antipas ficou perturbado com o pedido porque sabia que João era justo e falava a verdade, mas como tinha feito a promessa, mandou degolá-lo. 

Há três homens nesta história que nos dão lições preciosas.
O primeiro, é um homem culpado: Herodes Antipas. Este homem perverso, cobarde e ganancioso sabia que João estava certo, mas ele escolheu o erro. Antipas era um homem dobre. Simpatizava com João, mas mandou matá-lo. Amava mais o seu estilo de vida do que O Deus de João Baptista. Por isso vivia atormentado pela sua consciência culpada. Não conseguia dormir bem, tudo lhe metia medo, vivia sem paz. Preferia as trevas à luz. Charles Spurgeon disse que “Há pessoas que acham que a culpa por a sua casa estar suja é do sol que ilumina e revela mais a sujidade.” Andar de consciência limpa é algo profundamente libertador nesta vida. Como Paulo disse ao governador Félix: “Procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens.” (Actos 24:16).

O segundo homem é um homem sem medo: João Baptista. O próprio Herodes reconheceu que João era santo e justo. O Baptista não temeu afrontar o poder político e o ditador romano por causa da verdade. Não consta que tenha aparecido um fariseu, escriba ou sacerdote, ou um discípulo de Jesus com coragem para denunciar o pecado de Herodes Antipas. João falou e a sua cabeça ensanguentada continua a falar hoje. João dá-nos o exemplo para não temermos falar a verdade em amor, ainda que isso nos custe a vida. Lemos em Efésios para seguirmos a verdade em amor, para deixarmos a mentira e falarmos sempre a verdade (Efésios 4:18;25). 

O terceiro homem é O Homem: Jesus Cristo. O Senhor foi rejeitado em Nazaré, a sua terra natal, mas agora é popular em toda a Galileia. O nome de Jesus era notório e precisa ser ainda mais notório hoje! O Homem Jesus não só falava a verdade, Ele próprio era e é a verdade. João Baptista foi decapitado também por causa da mensagem deste Homem. No final, os discípulos de João Baptista tomaram de forma corajosa o corpo de João e sepultaram-no num sepulcro, honrando o seu mestre. Jesus amava João Baptista e não ficou indiferente à sua morte. Quando vieram contar-lhe que João tinha sido assassinado, Ele retirou-se para um lugar apartado (Mt 14:12-13). 

A morte injusta e violenta de João Baptista é uma espécie de prenúncio da morte mais cruel de todas as mortes que estava prestes a acontecer, a de Jesus Cristo na cruz. A cabeça de João continua a falar porque ele apontou para o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".  A morte de Jesus foi singular, redentora e proposital. "Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito” (1Pedro 3:18). O justo Jesus, que nunca cometeu pecado e nem na sua boca se achou engano, morreu por nós, os injustos, por uma razão magnificente: levar-nos a Deus. Basta crer.

domingo, novembro 06, 2022

Porque é que existimos?

“Deus não existe para nós; nós existimos para Deus.” 

 - Michael S. Horton

terça-feira, outubro 25, 2022

Missão a dois


Marcos conta que Jesus chamou os seus doze Apóstolos e os enviou dois a dois para pregarem o  Evangelho. Já anteriormente os tinha chamado, ensinado e agora ia enviá-los em missão. Eles aprenderam a teoria e viram a prática. A preparação teológica e prática é essencial. Muitos erros seriam evitados se os líderes e os crentes das nossas igrejas tivessem sido preparados de forma adequada. Somos chamados por Jesus, não só para a salvação, mas também para a missão de partilhar essa salvação.
 
Jesus enviou-os “de dois a dois.” Marcos é o único que refere este facto. Este curioso detalhe sublinha a importância do companheirismo na vida cristã. Este duplo testemunho iria reforçar a verdade da mensagem, porque a Lei dizia que pela boca de duas ou três testemunhas a palavra seria confirmada (Dt 17:6; 19:15). “Dois é melhor do que um, pois trabalhar unidos é melhor para ambos. Se um cair, o outro o levanta.” diz o sábio Salomão (Ec 4:9,10 - Versão Fácil de Ler). Amizade, casamento, Igreja implicam companheirismo, parceria, apoio mútuo e amparo fraternal.

“Deu-lhes poder sobre os espíritos imundos” (Mc 6:7). Esta autoridade que Jesus deu aos Apóstolos seria uma das marcas do poder de Jesus. Aquilo que Jesus tinha feito sozinho iria ser agora reproduzido e amplificado pelos Apóstolos. O Evangelho não é uma mensagem de auto-ajuda ou de convencimento humano é “a demonstração do Espírito e de poder” (1Co 2:4). É o poder de Deus para salvação de todo o que crê (Rm 1:16). 

Os Apóstolos nesta missão a dois não deveriam levar grandes adereços, roupas ou dinheiro. Iriam desprendidos de coisas materiais. O facto de levaram quase nada nesta viagem missionária é porque eles deviam depender do cuidado e da provisão de Deus. O princípio que ressalta aqui é que os obreiros, e todos os cristãos, devem viver com simplicidade, dependendo de Deus em todas as circunstâncias. 

A hospitalidade era comum no Oriente. Ter comida para oferecer aos viajantes e um espaço para descansar era habitual e uma forma de abençoar e de ser abençoado. Hoje os tempos são outros, mas a Bíblia diz que devemos continuar a praticar a hospitalidade e a não nos esquecermos dela (Rm 12:13; Hb 13:2). Se alguém não os quisesse receber e nem ouvir, os Apóstolos deveriam sacudir o pó com os pés e ir para outra localidade. Este gesto testemunhava contra eles considerando aquela terra como terra pagã. Paulo e Barnabé mais tarde fizeram isso em Antioquia da Pisídia (At 13:51) Não devemos perder muito tempo com pessoas que são hostis a Cristo e rejeitam a Sua mensagem.

E a mensagem que eles deviam pregar era a de arrependimento de pecados. Era a mesma mensagem dos profetas antigos, de João Baptista, de Jesus, dos Apóstolos e da Igreja. A mesma mensagem para todos, crentes e descrentes. Para todos. Uma das características do crente é arrepender-se quando falha. O Apóstolo Paulo disse em Atenas que “Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam.” (At 17:30).  

John Stott escreveu que a "'Missão' envolve a Igreja, o Evangelho e o mundo. No entanto, não é a Igreja declamando o Evangelho de cima dos telhados para um mundo distante, surdo e desatento; é a Igreja saindo para o mundo com o Evangelho, infiltrando-se no mundo, identificando-se com o mundo, a fim de compartilhar o Evangelho com o mundo." O mundo aqui é o lugar onde estamos a estudar, a trabalhar, são os nossos conhecidos e amigos. É com eles que precisamos ser intencionalmente missionários, falando de Cristo e do seu propósito. 

Jesus continua a lembrar a todos os cristãos que a missão é urgente: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for baptizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” - Mc 16:15,16. 

quinta-feira, outubro 20, 2022

A grande dádiva divina da vida

"Cada vez que respiramos, cada vez que o nosso coração bate, cada dia que o sol nasce, cada momento em que vemos com os olhos, ouvimos com os ouvidos, falamos com a boca ou caminhamos com as pernas é, por ora, uma dádiva gratuita e imerecida dada a pecadores que merecem só o julgamento." - John Piper.

terça-feira, outubro 11, 2022

Mais do que um carpinteiro


Depois de Jesus ter realizado aqueles dois milagres em Cafarnaum foi para Nazaré (Marcos 6:1-6). Jesus viveu nessa cidadezinha a maior parte da sua vida humana até aos trinta anos. Chegou o Sábado e Jesus, como seu costume, foi à Sinagoga. Jesus valorizava o acto de congregar. Santo hábito, este de congregar. Muitos pensam que participar das reuniões da Igreja é algo facultativo, mas adorar a Deus e ter comunhão com os nossos irmãos é o mínimo que um crente verdadeiro em Deus deve fazer. 

Na Sinagoga de Nazaré Jesus leu e ensinou as Escrituras. Pairavam no ar muitas perguntas: “Onde este homem aprendeu todas estas coisas? Que tipo de sabedoria é esta que lhe foi dada? Como é que ele faz esses milagres?” Jesus não só ensinava com autoridade, mas aquilo que fazia era consonante com o que dizia. “Não é este o carpinteiro?” Sim, Jesus tinha ajudado José na carpintaria até entrar no seu ministério público aos trinta anos. Contudo, estava ali alguém que era mais do que um carpinteiro. Estava ali O Cristo, O criador do universo, O Deus-Homem, O Messias redentor, O EU SOU.

As perguntas continuavam, “Não é este … filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs?” Ao contrário do que a Igreja Católica Apostólica Romana ensina, Maria não foi virgem eternamente. Jesus tinha pelo menos quatro irmãos e duas irmãs. A melhor e maior fonte da verdade não é a tradição religiosa, são as Escrituras Sagradas.

Lucas (Lc 4:16-21) esclarece que o texto que Jesus leu na Sinagoga foi o profeta Isaías. Estas profecias apontavam para o tempo da vinda do Messias. No final da leitura, Jesus fechou o livro e disse-lhes: “Hoje, cumpriu-se a Escritura que acabais de ouvir.” Ao dizer isto, Jesus estava a autoproclamar-se O Messias. Furiosos, os religiosos expulsaram Jesus de Nazaré. Levaram-no para um alto monte e tentaram lançar Jesus dali. Mas Ele passou triunfalmente no meio deles (Lc 4:29-30). 

É neste contexto que Jesus diz a frase, que era um ditado semita: "Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa.” Depois de 400 anos de silêncio profético, os parentes, vizinhos, amigos e conhecidos não deram honra ao Profeta dos profetas. Tantos hoje que continuam a fazer orelhas moucas aos ensinamentos de Jesus.

Por causa desta incredulidade Jesus não realizou ali muitas obras maravilhosas. Até o próprio Senhor estava perplexo com a tamanha descrença deles. Não é que Jesus tivesse perdido o poder para fazer milagres em Nazaré, mas como eles não creram no Messias, também não receberam os seus sinais. O pior de todos os pecados é a incredulidade. Ryle disse que “a incredulidade é o mais ruinoso de todos os pecados, quanto às suas consequências… porque trouxe morte à humanidade inteira.” É este pecado que cega as pessoas e as mantém no estado de condenadas (João 3.18). 

Estamos pouco habituados a honrar os nossos líderes, os nossos companheiros, a nossa família. Que Deus nos perdoe. Amemos e honremos mais os que estão perto de nós. Cultivemos mais palavras de motivação, ânimo e incentivo uns aos outros. 

Como Nazaré não demonstrou fé para crer em Jesus, O Senhor partiu com os seus discípulos para as aldeias vizinhas (v. 6). Como se costuma dizer, Jesus foi literalmente “pregar para outra freguesia!” Lembremo-nos que Jesus é muito mais do que um carpinteiro, Ele é O único Salvador. Jesus Cristo é O Senhor! Mas é preciso creres e confiares nele hoje.

segunda-feira, outubro 10, 2022

No relativismo vale tudo menos uma coisa

Os relativistas são idólatras porque defendem que tudo pode estar certo ou errado. No relativismo vale tudo, menos a possibilidade de existir um único Deus que tem razão em tudo e que é a Verdade absoluta.