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terça-feira, setembro 24, 2019

Tudo é política, tudo é religião

Tenho evitado falar da actualidade política. Não é a minha causa, mas se pensarmos bem, tudo é política e tudo é religião. A sociedade mais ateia é política e a sociedade mais anárquica é religiosa. Por mais que se queira separar as águas, as ideias, as crenças e as descrenças estão sempre presentes, dentro e fora das águas.

Um estudo divulgado hoje no Parlamento Europeu diz que a insatisfação com a política é a principal razão apontada para a taxa de abstenção recorde de 68,6% verificada em Portugal nas eleições europeias deste ano. Há um desencantamento geral em relação à maior parte dos políticos. O debate político e ideológico tem sido fraco. Todos querem conquistar o "centrão", mas a virtude já não mora no meio há muito.

Falta coragem para lutar pelas boas ideias e pelas boas causas. Tratar as pessoas como indivíduos e não como meros contribuintes. Falta valorizar o trabalho e aumentar os míseros salários de quem trabalha. Falta apoiar mais as famílias, os filhos, os velhos, os doentes. Que cada um vote em quem acha que mais contribuirá para o bem de todos. A minha causa continua a ser Jesus Cristo. Mais do que política e religião, Cristo é a resposta para este mundo perdido. Só Ele pode dar vida e esperança real.

quarta-feira, maio 15, 2019

O jejum de bife e vinho não salva ninguém


"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie"
(Efésios 2:8,9).

Um destes dias, apareceu-me um adventista do sétimo dia a justificar a sua fé com a sua "santa" dieta vegetariana, com o seu jejum de bebidas alcoólicas, com o cumprimento da lei sabática e outras questões acessórias. De Jesus pouco ou nada falou. Fazer depender a nossa salvação de um suculento bife ou de um copo de vinho é ultrajante para a fé cristã e para o bife e vinho, se forem bons.

Somos salvos somente pela graça de Deus, por meio da fé na obra de Cristo na cruz. Juntar obras humanas à nossa salvação é insultar a Obra divina. Se a salvação estivesse condicionada ao nosso bom comportamento reprovávamos todos no teste divino. A salvação eterna não depende das roupas, comidas, bebidas, sacrifícios, nem de bondade ou obras meritórias que façamos. A salvação é só pela graça divina. Graça de nos amar ao ponto de nos alcançar. A glória pertence a Deus e à Sua Obra. O jejum de bife e vinho nunca salvou ninguém.

segunda-feira, maio 13, 2019

Cristãos sem Cristo?

Por incrível e paradoxal que pareça, há crentes que se dizem cristãos, mas pouco sabem de Cristo. Sei que há muitos pregadores em certas igrejas evangélicas que afagam mais o peito humano do que exaltam o peito perfurado de Jesus. Infelizmente, nestes dias, muitos católicos rasgam os seus pés e joelhos em Fátima por não compreenderem que Jesus já rasgou tudo o que havia para rasgar.

No estudo bíblico da nossa igreja estamos a estudar este mês a Pessoa de Jesus. Poderá ser uma "temática" pouco interessante e nada relevante para muitos, mas para quem sabe quem é a origem, alvo e sustento da fé cristã, é tudo. Temos a convicção que quando falamos de Jesus ficamos sempre muito aquém do seu verdadeiro Ser, mas isso não deve inibir-nos de meditar mais na singularidade da Pessoa de Jesus e na Sua obra perfeita realizada na cruz.

Quanto mais Cristocêntricos formos, mais longe estamos do engano. Quanto mais a Igreja pregar, ensinar e estudar a Pessoa de Cristo mais conhece e espalha a verdade. Jesus Cristo é o fundamento da nossa fé e esperança. Somos salvos, não pelos nossos sacrifícios e obras humanas, mas exclusivamente pela fé em Cristo.


"Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada." (Gálatas 2:16).

quinta-feira, abril 18, 2019

A sentença do Rei Jesus

"E, por cima da sua cabeça, puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS." (Mateus 27:37)

A inscrição que estava colocada na cruz de Jesus, sobre a sua própria cabeça, justificava a sua sentença. Quando Pilatos perguntou a Jesus se de facto Ele era o Rei de judeus, Jesus anuiu e disse-lhe: "tu o dizes", ou seja, "tens razão, EU SOU O REI!"

Era Jesus, porque este nome significa que Ele salvaria o seu povo dos seus pecados (Mt 1:21). Era Rei dos judeus, porque antes de vir a este mundo, já era Rei dos reis, Rei de Israel e Senhor de todas as nações. Jesus encarnou para estabelecer o seu reino no coração dos judeus, mas eles rejeitaram-no (Jo 1:11). Os judeus não aceitaram o Rei Jesus e por isso crucificaram-no.

O título na cruz era a verdade. Jesus é O Rei. O Cristo tomou a sua cruz e morreu sozinho porque não havia mais ninguém que nos podia resgatar. Morreu, não como mártir, mas como Rei vitorioso que sempre foi. Morreu e venceu triunfalmente a morte. Jesus quer reinar hoje na nossa vida. O Rei Jesus está vivo e um dia vai retornar.

sexta-feira, março 08, 2019

As obras eternas pertencem a Deus

Quando julgo que realizo muito por mim, o que faço é nada. Quando creio que Deus é e faz tudo em mim, coisas eternas acontecem.

segunda-feira, março 04, 2019

Sonhos e revelações

O poderoso rei Nabucodonosor, o tal que tinha invadido Jerusalém e que liderava um grande império, ficou muito perturbado por causa de um sonho. Os homens poderosos deste mundo têm limitações e perturbações, a começar nos seus sonhos. O rei chamou os magos, astrólogos e sábios do seu reino e pediu-lhes o impossível: que contassem o que ele tinha sonhado e que lhe explicassem o significado. Qualquer pessoa pode inventar uma interpretação de um sonho, mas saber aquilo que outra pessoa sonha é muito mais difícil. Como eles nada conseguiram, Nabucodonosor mandou matar todos os magos e sábios da Babilónia.

Perante a sentença de morte que pesava sobre a sua cabeça, Daniel e os seus amigos oraram ao Deus dos céus, pedindo-lhe misericórdia. Na sua compaixão, O Senhor revelou o sonho e a interpretação a Daniel. Nabucodonosor tinha sonhado com uma grande estátua feita de diferentes materiais: ouro, prata, cobre, ferro e barro. Uma pedra foi "cortada sem mão humana” (v.34) e lançada aos pés da estátua, acabando por destruir completamente a estátua. Cada material da estátua representava um reino e a pedra que crescia e enchia a terra representa Cristo e o seu reino (At 4.10-12; 1Pe 2.4; 6-8). O reino de Cristo terá a sua expressão máxima no Milénio e jamais será destruído (v.44; Ap 11:15).


Algumas das conclusões que retirei desta passagem:
1) Precisamos da misericórdia do Senhor para lidar com as dificuldades que se nos deparam todos os dias. Devemos interceder juntamente com os nossos irmãos em oração e intercessão.

2) Deus tem algo a dizer aos poderosos deste mundo, mesmo os injustos e maus. Deus é O Senhor dos senhores e O Rei dos reis.

3) A pessoa que teme a Deus não teme más notícias. Firma-se no Evangelho e fala a verdade com amor e coragem.

4) O reino de Cristo é maior do que os maiores impérios. Todos os poderosos e os seus reinos passarão, menos o reino do Filho. O Seu governo permanece para sempre.


Muitas pessoas hoje andam atrás de sonhos, visões e revelações mas a Bíblia é a revelação final e definitiva de Deus. É verdade que O Senhor pode falar através de sonhos mas eles NUNCA contradizem a Bíblia. Em vez de andarmos atrás de sonhos e revelações, leiamos e pratiquemos a Palavra de Deus. Jesus Cristo é a única salvação de Deus para o Homem.

“Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho.” (Hb 1.1).

quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Nada pode calar o Evangelho

"Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido." (Actos 4:20)

Logo no início da Igreja, as autoridades ordenaram aos Apóstolos que não falassem mais no nome de Jesus (Actos 4:18). Mas os discípulos não podiam parar de falar do que tinham visto e ouvido. Eles viram Jesus a ser morto e depois viram-no ressuscitado. O Espírito Santo tinha enchido os seus corações e agora os discípulos de Jesus tinham que anunciar a verdade. Foram açoitados e ameaçaram-nos muito, mas, graças a Deus que o Evangelho foi proclamado e chegou até nós.

Hoje muitos continuam a querer calar o Evangelho. Agora, como outrora, quanto mais tentam calar as boas novas, mais elas se ouvem. A força do Evangelho é maior do que todos os poderes deste mundo. O Evangelho de Jesus Cristo continua a salvar, a libertar e a transformar vidas. Nada, nem ninguém o poderá calar. O Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Será pregado e precisa ser escutado.

"E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus" Actos 4:35).

sábado, fevereiro 23, 2019

Ser relacional

O ser humano é relacional. Ninguém nasce sozinho e ninguém vive de forma saudável sozinho. Uma das razões do sucesso das redes sociais é porque elas preenchem a sede relacional e dão a ilusão de comunhão e proximidade. Também é verdade que muitos dos nossos problemas derivam dos relacionamentos. Muitas vezes as pessoas que nos são mais próximas, são as que mais nos magoam, consomem e entristecem. O facto de alguém nos ter ferido um dia não significa que todas as pessoas nos irão magoar. Temos que admitir que sem pessoas somos pequenas ilhas tristes no meio do oceano da existência.

Uma das grandes ilusões dos jovens (e de muitos adultos) é pensarem que não precisam de mais ninguém. Mas ninguém se basta a si próprio. Precisamos de gente. Pessoas que nos dizem a verdade em amor e nos ajudam a crescer. Amigos verdadeiros que nos puxam para o melhor da vida. Aquilo que mantém os relacionamentos saudáveis, seja na amizade, no casamento ou em qualquer outro relacionamento é o respeito, a lealdade, o amor e o perdão.

Deus deseja relacionar-se com o ser humano e por isso enviou Jesus Cristo. A comunhão com Deus começa no momento em que admitimos que sem Jesus Cristo não podemos ter relacionamento com Deus. "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor" (1Co 1:9). Quem tem verdadeira comunhão com Jesus deseja e tem verdadeira comunhão uns com os outros (1Jo 1:6-7).

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

Fé incontaminada na graça de Deus

A primeira coisa que fizeram aos jovens judeus prisioneiros na Babilónia foi mudar-lhes o nome (Daniel 1). A mudança dos nomes era uma forma de arrancar destes jovens a identidade, as raízes e tudo aquilo que os ligava a Deus e à nação de Israel. João Calvino diz "que os seus nomes foram mudados - para que o rei pudesse apagar dos seus corações e mente a memória da sua própria nação, forçando-os a rejeitarem as suas origens." Eles traziam gravado no nome a influência de Jeová e cunharam-nos com nomes dos deuses Babilónicos. Se há coisa que o mundo caído procura fazer aos cristãos é roubar-lhes a identidade de filhos de Deus e impor-lhes o pensamento da época.

Daniel decidiu no seu coração não se contaminar com as comidas do rei (1:8). Os judeus não estavam proibidos de comer carne e de beber vinho, mas aquela comida babilónica tinha sido oferecida aos ídolos. O problema não estava na comida em si, porque “Todas as coisas são puras para os puros” (Tito 1:15), mas naquilo que representavam aqueles manjares babilónicos. Não há consenso entre os ídolos e Deus. Quando andamos saciados com a comida celestial não queremos comer as iguarias do inferno.

“Deu Deus a Daniel graça e misericórdia" (v.9). Daniel podia morrer por rejeitar a comida do rei, mas a sua esperança estava na graça e misericórdia do Rei dos reis. Precisamos tanto da graça e da misericórdia de Deus! A graça divina não é um prémio por bom comportamento, mas a Bíblia ensina-nos que quanto mais obedecemos a Deus, mais Ele acrescenta a Sua graça e bênção à nossa vida! Foi assim com Noé, Abraão, Jacó, José, David, Raabe, com Daniel e com muitos outros.

Daniel e os seus amigos viveram num ambiente hostil e mau, mas mesmo ali, não se contaminaram espiritualmente e não permitiram que coisas de fora mudassem a fé que estava nos seus corações. Daniel não se queixou, não ficou revoltado e nem ficou agarrado às injustiças da Babilónia, Daniel permaneceu firmado na graça de Deus e foi um exemplo de fé para todos. Ainda hoje se fala da fé incontaminada de Daniel.

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Orações umbilicais

"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas das palavras do meu bramido e não me auxilias? Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego." (Salmo 22:1,2).

O Salmo 22 é grito de revolta de David contra Deus. Aparentemente Deus está indiferente às orações de David. Expressar o desalento a Deus por Ele não responder às orações é algo humano. Mas uma coisa é ficar impaciente com o silêncio divino, outra coisa, bem diferente, é pensar que a oração serve para satisfazer os nossos desejos egoístas. Há pessoas que têm raiva de Deus porque Ele não lhes faz as vontades. É terrivelmente infantil pensar que O Senhor tem a obrigação de nos dar tudo o que lhe pedimos. Na realidade, quem ora assim não está a orar ao Deus Altíssimo, mas ao seu próprio umbigo. A oração umbilical é sinal de uma fé imatura e imberbe. Se há coisa que os umbigos são bons é fazer a pessoa olhar para baixo e para si própria.

Mas este Salmo também é profético e messiânico. Cristo é verdadeiramente O Homem que foi desamparado por Deus na cruz, por causa do nosso pecado. Na sua oração, antes de ir à cruz, Jesus revelou a verdadeira essência da oração: "e, pondo-se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua." (Lc 22:41,42). Orar é conhecer e fazer a vontade de Deus. Orar é aceitar os silêncios e as respostas divinas. Orar é estar disposto a morrer por Deus e para o nosso umbigo.

segunda-feira, setembro 17, 2018

A bênção da rotina diária

"Tirar férias de verão para construir poços em África é, para algumas pessoas, um chamado autêntico. Mas também o é consertar a canalização da casa de um vizinho, alimentar a família e compartilhar o fardo e as alegrias de uma igreja local. Aquilo que somos chamados a fazer todos os dias, exactamente onde Deus nos colocou, é rico e compensador."

In: HORTON, Michael. Simplesmente Crente. SP: Editora Fiel, 2016, p. 29.

sábado, agosto 25, 2018

Dos modismos nas igrejas

Um dos traços comuns a todas os modismos que estão sempre a aparecer (e a desaparecer) nas igrejas é a sede de inovação. É preciso inovar, ser relevante, ser diferente. Não há quem deseje ser comum. Não tenho nada contra as boas inovações em matéria de forma, mas tenho para mim, que é no corriqueiro que está a virtude. Ser perseverante no bem que sempre foi bom, é capaz de ser a melhor das estratégias para a Igreja. Quando somos fiéis à velha rotina da oração, da proclamação da Palavra de Deus, do bem-fazer, do viver de forma simples e justa. Quando somos persistentes no ordinário é muito provável que Deus faça o extraordinário. É melhor perseverar no comum do que ter a mania de querer ser diferente para a seguir desistir do básico. Ser discípulo de Cristo dentro e fora da igreja local é capaz de ser a mais desafiante das rotinas.

quinta-feira, julho 05, 2018

Amar é olhar na mesma direcção

Quando se ama tudo fica mais fácil. Um coração cheio de ódio dificulta a vida, separa, ergue barreiras, quebra pontes. Quando não se ama não se tem interesse em ouvir ou resolver as conflitualidades inerentes a todo o relacionamento humano. Quem ama perdoa. Quem ama gosta de estar junto da pessoa amada. O amor não foge e nem se esconde. O amor genuíno é para caminhar assumidamente abraçado. Quem ama respeita as diferenças, porque amar não é ser igual, mas é olhar na mesma direcção. Quem ama caminha junto. O amor é um milagre que une corações.

terça-feira, março 27, 2018

Semana alegre



Existem tantas coisas a tentar distrair-nos do que é prioritário, do essencial, da cruz. A Páscoa é (ou pelo menos devia ser) a coisa mais central na vida dos cristãos. Rememorar e celebrar o momento mais importante da história deve ter a primazia na nossa história. Cristo morreu e ressuscitou! Estas portentosas verdades são mais importantes e alegres do que qualquer moralidade, boa intenção, notícia política, social ou cultural. A boa nova continua a ser o Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Não façamos das controvérsias a história da nossa vida.

Kevin DeYoung escreveu hoje que, "Como cristãos, esta é a nossa Semana Santa, e esta é a nossa Semana Alegre. Alegria no sofrimento. Vitória na derrota. Das trevas para a luz. Não devemos afastar-nos de cantar, compartilhar e saborear todo o conselho de Deus e, especialmente, o evangelho que nos foi entregue como sendo de primeira importância (1Co 15:3). É, afinal, o poder de Deus para a salvação de todos que crêem (Rm 1:16)."

A morte e ressurreição de Cristo é o facto mais relevante e transformador, que pode mudar a tua história. Nesta Páscoa e sempre. Preguemos as boas e alegres novas: Cristo morreu, ressurgiu, está vivo e vai voltar!

sábado, março 17, 2018

Rasteiras e trambolhões

Um destes dias escorrei num degrau molhado e quase ia caindo. Daquela vez não caí, mas ao longo da vida já tenho tido os meus tombos. Uma das ocupações preferidas do diabo é passar-nos rasteiras. Talvez uma das razões porque Deus permite que o diabo nos passe rasteiras é para recordar-nos que somos pó. Deus usa o ser mais arrogante do universo para nos ensinar lições de humildade. O cristão não gosta obviamente de joelhos esfolados, mas quem ama e confia no Senhor sabe que todas as rasteiras, ao contrário do que o diabo pensa, contribuem para o bem do cristão. O pior dos trambolhões pode ser a maior das bênçãos. Joelho esfolado, coração quebrantado.

terça-feira, março 06, 2018

Aquilo que vai mudar o mundo

Dietrich Bonhoeffer diz que é um erro presumir que há soluções cristãs para todos os problemas humanos [Ética, Assírio & Alvim, p.310]. É interessante notar que Jesus enquanto aqui andou, não se ocupou em solucionar os problemas sociais, políticos e económicos. A sua proposta era fundamentalmente redentora. A sua solução era celestial, não terrena. Jesus veio por causa da Justiça divina, não para resolver as injustiças humanas.

Isto não quer dizer que a Cristo e a igreja não tenham respostas para este mundo. Significa que a solução dos cristãos para a este mundo aponta para os passos redentores do Cristo. A nossa proposta não é mudar o mundo do ponto de vista humano, mas fazer o apelo ao arrependimento e à conversão interior. Mudança de coração que gera mudança de vida. A primeira e grande tarefa da igreja é anunciar a salvação do redentor. A Igreja é convocada a ser testemunha da liberdade que brota do sepulcro vazio, não das liberdades que brotam do pensamento humano.

Se o testemunho da salvação por Cristo não unir as igrejas cristãs, particularmente as evangélicas, é porque elas estão longe da solução preconizada por Jesus. Se o evangelismo não nos une, é porque não somos cristãos. Aquilo que vence e muda o mundo é a fé no Cristo redentor. "Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" (1 João 5:5).

terça-feira, fevereiro 20, 2018

Agenda soberana de Deus


O cristão que caminha dentro da vontade de Deus sabe que as aparentes casualidades, os desacertos, os encontros e desencontros são, na verdade, pontos importantes da agenda divina. Se os discernirmos e aceitarmos como parte da história celestial, seremos mais gratos e felizes aqui na terra. Deus é soberano em toda a existência humana. As palavras do professor, teólogo e escritor Abraham Kuyper, que também foi Primeiro-Ministro da Holanda, continuam certas: "Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios da nossa existência humana sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não proclame: 'É meu!'"

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Ainda há esperança!

Esperança que se resume apenas a esta vida é curta. Para que nos servem cem anos de esperança? Há um anseio interior por mais. Uma esperança que transcenda a existência terrena, porque no fundo sabemos que não somos só terra. Queremos o espaço, porque a terra é pouca para nós. Desejamos o céu. Este é o grito pungente da alma. Procuramos o Deus da esperança e encontramos a esperança quando Deus nos encontra. Temos esperança porque sabemos que o melhor está por vir e no porvir. Há esperança no presente e no futuro quando temos fé no Senhor da esperança. "Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR." (Jeremias 17:7)

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Amor Redentor

Comecei ontem a pregar sobre o livro bíblico Rute. Mais do que a história de 3 mulheres viúvas, Rute é a história do amor redentor de Deus. É um chamado divino à amizade sadia, ao cuidado familiar, a confiarmos mais na provisão de Deus, a vivermos o amor verdadeiro. Muitas problemáticas são abordadas ali, algumas bem actuais: a crise na vida familiar, as consequências terríveis da doenças e da morte, a questão da imigração, a problemática da solidão e da viuvez, a miséria da pobreza e a amargura contra Deus, talvez o pior de todos os males.

Por causa da falta de pão na "Casa do Pão" (Belém), Elimeleque, Noemi com os seus dois filhos emigraram para as terras de Moabe. É bom lutar pela sobrevivência, mas é melhor confiar em Deus na crise. Warren Wiersbe disse que “Quando os problemas surgem na nossa vida, podemos fazer uma de três coisas: suportá-los, fugir deles ou usá-los em nosso favor.” Hoje foge-se muito facilmente de tudo. Foge-se do casamento, das amizades, foge-se das responsabilidades de marido, de pai, de mãe, de crente. Foge-se da igreja local. Foge-se de Deus e da Sua vontade.

Foram dez anos trágicos em Moabe. Adoeceu e morreu ali o marido de Noemi e os seus dois filhos. Esta família queria pão e encontrou doença, morte, separação, tristeza e amargura. A imigração pode trazer mais dor que consolo, mais perda que ganho, mais morte que vida. Entretanto, ouvindo a viúva Noemi que já havia pão em Belém, resolveu retornar. Graças a Deus porque nem todos fugiram de Belém no tempo de fome. Persistir é melhor que fugir.

Noemi disse às suas noras viúvas para partirem para os seus pais. Orfa voltou para os seus pais e para os seus deuses, mas Rute estava determinada a ficar coma sua sogra e ir para Israel. A amizade de Rute com Noemi não era interesseira, era o tipo de amor que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera”. O amor genuíno é mais que uma paixão, é um compromisso prático que está disposto a novos desafios. Rute não apenas amou a sua sogra, converteu-se ao Deus dela e fez do povo da sogra o seu povo. A determinada Rute foi bisavó do Rei David e faz parte da genealogia do próprio Messias Jesus Cristo. Deus estava semeando a Sua família, porque a família é o grande plano soberano de Deus.

O nome Rute significa amizade. A amizade de estar ao lado de quem precisa. Belém significa também o lugar da provisão divina. Belém simboliza a oportunidade de Deus para um novo começo. Em Deus há esperança, para a viúva nova e para a velha. O mesmo Deus provedor, cheio de Amor Redentor continua a dar esperança e vida a todos que o buscam. O exemplo de abnegação, cuidado e amor que ressalta da atitude de Rute deve ser a nossa vida. O maior amor é o amor redentor.

quarta-feira, janeiro 17, 2018

O orgulho engana e mata

"A soberba do teu coração te enganou" (Obadias 1:3).

Aprende-se muito com as histórias do Antigo Testamento. A história do povo de Israel tem muito para ensinar à Igreja. Isto não significa que tudo o que está escrito no Antigo Testamento tem que ter uma aplicabilidade directa para os cristãos hoje, são os princípios espirituais que se mantêm actuais e pertinentes para os nossos dias. Obadias é o livro mais pequeno do Antigo Testamento. Em poucos versículos é descrita a conflitualidade que persistia nos descendentes dos dois filhos de Isaque: Jacó e Esaú. As constantes querelas e inimizades entre irmãos são terríveis. Tantas zangas, divisões e guerras têm acontecido por causa do ódio entre irmãos.

Embora os edomitas fossem descendentes de Esaú, sempre se opuseram a Deus e ao povo de Israel. À data desta profecia (provavelmente por volta do ano 587 A.C.), a sua capital estava localizada em Petra, na actual Jordânia. Era uma cidade bem guardada, edificada em altos rochedos e de difícil acesso. Como estava na confluência de importantes rotas comerciais, os edomitas enriqueceram, fortaleceram-se e fecharam-se sobre si próprios. Por ser um povo forte, próspero, que se julgava invencível, cresceu no coração dos edomitas uma profunda soberba e arrogância. Além disso, Obadias expõe a violência e o desprezo que os edomitas tiveram com os seus irmãos da tribo de Judá, quando eles precisaram de ajuda (v. 10-14). Voltar as costas aos nossos irmãos quando eles estão a passar dificuldades e quando pedem a nossa ajuda é a mais abominável das soberbas.

Um dos propósitos desta profecia é mostrar que Deus castiga aqueles que desprezam e afligem o seu povo. Quem maltrata os filhos de Deus está a meter-se com o próprio Deus. A profecia do Servo do Senhor acerca do juízo divino contra os edomitas cumpriu-se na sua totalidade. Os edomitas foram conquistados e expulsos das altas montanhas e totalmente exterminados cerca de quatrocentos anos mais tarde, na época dos macabeus. Aquilo que Deus determina cumpre-se sempre. Assim como Deus destruiu este povo arrogante, o Senhor irá punir todas as pessoas orgulhosas e maldosas. A indiferença e a soberba que se entranhe no coração de um indivíduo, não só o engana, mas arruína toda a sua vida. A amargura crava raízes no coração e contamina todo o ser.

Mas também há esperança nas palavras de Obadias. Ao contrário dos edomitas, Deus não abandona o seu povo – seria feita justiça a Judá. Deus nunca desampara o seu povo. Lembremo-nos que o Dia do Senhor está perto (v. 15). Jesus vai voltar e julgar as pessoas orgulhosas e as nações que desprezam o povo de Deus. Rejeitemos toda a auto-suficiência e soberba que se queiram alojar no nosso coração. Ajudemos os nossos irmãos, especialmente quando estiverem em apuros. É melhor confiar e depender de Deus do que do nosso coração. O reino não é nosso, “o reino será do Senhor" (Ob 1:21 e Ap 11:15). O livro menor do Antigo Testamento tem coisas maiores para a nossa vida.

Jorge Oliveira
(Crónica publicada na edição nº 168 - Janeiro-Março 2017, na Revista Refrigério)