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domingo, março 03, 2024

A fé viva manifesta-se com obras

"Se a fé que professamos for uma fé nua, sem nenhuma evidência de obras, essa não é a fé salvadora. Trata-se, conforme disse Tiago, de uma fé 'morta', e não de uma fé viva. Uma fé viva mostra a sua vida pela obediência. Essas obras de obediência em nada cooperam com a justificação; porém, se não houver obras, a sua ausência é prova positiva de que não houve justificação."

In: R. C. SPROUL. Estamos juntos? São Paulo: Vida Nova, 2023, p. 74

quinta-feira, junho 22, 2023

Três argumentos divinos


"Quem vos enfeitiçou?"
- Pergunta Paulo aos Gálatas no capítulo 3 da sua carta. Os falsos mestres estavam a ludibriar tanto os gálatas que pareciam feiticeiros. Antes da chegada dos judaizantes os gálatas estavam firmes na mensagem da justificação pela fé que Paulo lhes anunciou, agora estavam a dar ouvidos a enganadores. É muito importante estarmos firmes nas verdades centrais do Evangelho. Nos nossos dias, não faltam heresias para confundir os que estão inseguros na fé.

Paulo vai apresentar três argumentos divinos a favor da justificação pela fé, apelando ao que eles já tinham experimentado com o Deus triúno:

     Jesus Cristo crucificado (v.1; 13).
    2º A dádiva do Espírito Santo (v.2, 3)
     As maravilhas que o Pai faz (v.5)

O 1º argumento é que eles percebam que quem morreu na cruz para os salvar não foi Moisés, mas Jesus! Trocar Cristo por Moisés é uma insensatez, uma verdadeira loucura! Se a Lei mosaica pudesse salvar alguém porque é que Cristo precisou morreu na cruz? Esta questão continua a ser muito relevante nos nossos dias. Afinal quem é que nos pode salvar? A Lei? A religião? As boas obras? A Igreja? O dinheiro? A fama? Tanto a nossa salvação como o nosso crescimento espiritual dependem unicamente do Cristo crucificado. Precisamos de crer e receber o Cristo crucificado. Tim Keller disse que: "Um cristão não é alguém que sabe sobre Jesus, mas alguém que O viu na cruz".

Paulo avança para o 2º argumento e faz mais uma pergunta: “Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3:2). A verdade é que os gálatas receberam a Pessoa do Espírito Santo, não por praticarem a Lei mosaica, mas pela pregação da fé em Cristo. No tempo da Lei o Espírito Santo não habitava de forma permanente nos crentes. A partir do Dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio para selar e morar nos cristãos de forma permanente e eterna. Quem diz que os cristãos recebem o Espírito numa experiência posterior à conversão está enganado. Efésios 1:12-14 diz claramente que somos selados pelo Espírito Santo no momento em que ouvimos e cremos no evangelho.

A vida cristã começa e continua com o Espírito Santo. É Ele que nos dá consciência dos pecados, leva-nos ao arrependimento, concede-nos fé para crermos no Redentor Jesus. Mas a grande falta de compreensão espiritual dos gálatas (e nossa também), é que a vida cristã só é possível na dependência do Espírito. Alguns cristãos pensam que podem ser caminhar sozinhos ou agradar a Deus través dos seus esforços. Em vez de depender de Deus e ter comunhão com Ele, agarram-se a práticas ritualistas e legalistas. Isto produz cristãos cansados, frustrados e sem fruto espiritual. É nesta Carta que lemos: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gl 5:25).

No v.5 temos a última pergunta que é o terceiro argumento divino a favor da Justificação pela fé: “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” “Aquele” refere-se a Deus Pai, que concedeu o Espírito aos gálatas e a nós também quando recebemos Jesus. Em João 14:16 Jesus diz que rogaria ao Pai, e o Pai nos daria outro Consolador, O Espírito Santo, que ficaria connosco para sempre. Mas não só isso, este versículo também diz que o Pai operava maravilhas nos gálatas e isso não era pelo poder da Lei mosaica, mas na sequência da pregação da fé, pela pregação do evangelho. A vida cristã é uma constante demostração do poder de Deus em nós. No milagre da vida, no milagre do novo nascimento, nas respostas às orações, nas curas, no cuidado sobrenatural do Senhor.

Hoje continuam a existir muitos legalismos e heresias que querem ofuscar a verdade do Evangelho. O legalista ainda não vislumbrou a liberdade que há no Evangelho da graça de Deus. "O único modo de exercermos um ministério que de facto experimenta a transformação na vida das pessoas é pregar o Evangelho para desconstruir tanto o legalismo quanto o relativismo." Tim Keller.

A vida cristã começa e vive-se na dependência do Espírito Santo. “Se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.” – Gl 5:18. Não há mérito humano na nossa salvação. É por isso que a glória pertence a Deus! Isto não significa ficarmos parados à espera que Deus faça tudo por nós, mas que devemos cooperar com Deus para Ele nos orientar o que devemos fazer.

Acreditamos e temos visto que Deus continua a fazer milagres e maravilhas. Deus é Senhor! O maior dos milagres é alguém arrepender-se dos seus pecados e crer em Jesus Cristo.  Augustus Nicodemus escreveu que devemos perseverar “na mensagem da fé que ouvimos no início – a da graça de Deus imerecida, em razão da qual temos experimentado e visto verdadeiros milagres de Deus.”

Olhemos "para Jesus, o autor e consumador da nossa fé. Ele, que pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, assentou-se à direita do trono de Deus.” – Hb 12:2. Andemos, não nos desejos e nas loucuras da carne, mas na dependência do Espírito Santo, deixando-nos guiar e conduzir por Ele. Sabendo que o Pai continua a testificar do seu poder pela pregação da Palavra, com sinais, milagres e maravilhas. Amém!


domingo, janeiro 10, 2021

Tempo de recomeçar a reedificar

Se Génesis é o livro dos começos, podemos dizer que Esdras é um livro de recomeços. É um livro de esperança. Depois de tanta opressão, tristeza e devastação era o tempo para recomeçar. Este livro narra o regresso dos israelitas do cativeiro de cerca de setenta anos na Babilónia para a sua terra, para a reconstrução do templo. 

Lemos em Esdras 1:1  que "O SENHOR despertou o espírito de Ciro", o rei pagão da Pérsia, para ajudar a reedificar o templo em Jerusalém. Podemos pensar que Deus só actua nos crentes, mas Deus também usa os ímpios para o cumprimento dos seus propósitos. Pv 21:1 diz que “O coração do rei está na mão do Senhor.” Em 1879 foi encontrado um rolo, apelidado de Cilindro de Ciro, onde se lê a ordem de Ciro para que os deportados voltassem às suas terras com os seus artefactos religiosos. Ciro não fez isto por bondade, mas de forma interesseira para agradar aos deuses e na expectativa que eles lhe prolongassem a sua vida. 

Na verdade, Ciro estava, mesmo não tendo consciência, a cumprir as profecias e a ser um agente da perfeita e soberana vontade de Deus. Estava dar cumprimentos às antigas profecias. A Palavra de Deus não falha. É o próprio Deus que vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr 1:12). A primeira grande lição deste capítulo é que Deus sempre cumpre a sua Palavra e as suas promessas

Zorobabel liderou esta primeira leva rumo a Jerusalém mas todo o povo esteve envolvido e contribuiu. Infelizmente muitos não entendem a bênção que é contribuir para a obra de Deus. Não só indo, mas orando, apoiando e ofertando. Ajudar na reconstrução é o nosso privilégio, como filhos de Deus. É verdade que não podemos (nem devemos) estar em todas as missões do Reino (Esdras veio mais tarde!), mas a segunda lição é que todos precisamos estar envolvidos na edificação.

Os líderes deram o exemplo prático. Se os pastores, os diáconos, os cooperadores não têm interesse em participar na reconstrução, como podemos esperar que outros o façam? Se não formos obedientes ao despertamento do Senhor para a reedificação da Sua obra, outros irão fazê-lo, mas essa desobediência vai causar frustração, tristeza e falta de paz. Envolvimento prático. A terceira lição desta passagem é que não chegam palavras na obra de Deus, a reconstrução implica exemplo e um contributo efectivo.

O rei Ciro mandou devolver todos os utensílios sagrados que Nabucodonosor tinha pilhado em Jerusalém (Ed 1:7-11). Pela providência divina tinham sido preservados. Que bênção! Confiemos que O Senhor provedor cuida de todos os detalhes da nossa vida e da Sua Igreja. Porém, só existe uma maneira certa de fazer a obra de Deus, é fazê-la à maneira de Deus, confiando que Ele tem a primeira e a última palavra. A quarta lição é que a obra de Deus começa com Deus, é realizada em cooperação com Deus e deve ser feita para a glória de Deus.


Os computadores por vezes encravam. A vida também. Só que na vida não há um botão de reiniciar automático como nos computadores, mas quando esperamos e confiamos em Deus, Ele desperta-nos para novos começos. Com Cristo é sempre possível recomeçar, porque “Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2Co 5:17). 

É mais fácil derribar, destruir, criticar do que reconstruir e solidificar. A vontade de Deus é que edifiquemos. Sigamos o exemplo de Zorobabel, Esdras e sobretudo de Jesus Cristo para trabalharmos enquanto é dia, pois a noite vem quando ninguém pode trabalhar (João 9:4). Este continua a ser o tempo de crer em Deus e recomeçar a reedificar.

quinta-feira, maio 03, 2018

Servir, lutar e triunfar

Está-se no ministério cristão, não só quando se é obreiro a tempo inteiro, mas quando se é servo de Deus o tempo todo. O mais difícil do ministério não ir para lá, é manter-se servo. Quem ama a Deus serve e quem serve ama. Servir é amar e lutar. Russel Sheed escreveu que o "Triunfo não é ausência de batalhas. Muitas vezes os soldados voltavam da batalha sem braço, pernas ou com os seus olhos furados. Mas voltavam em triunfo. As marcas do ministério ficarão nos seus corpos, no coração e na alma. No grande dia do Senhor, o grande general passará em revista as tropas, estaremos lá. Feridos, marcados, mancos, sangrando, mas finalmente estaremos lá." Não lutamos sozinhos e o triunfo está-nos garantido em Cristo. "Graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o cheiro do seu conhecimento" (2 Coríntios 2:14).

quinta-feira, dezembro 18, 2014

O segredo está na massa

Um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia descobriu o segredo para a longevidade dos monumentos romanos. Afinal de contas o segredo está "na massa". Melhor, na argamassa. No ligante dessa argamassa está um mineral chamado "stratlingite", que se deu pela reacção entre o calcário e a matéria vulcânica. Os cristais de stratlingite são semelhantes às microfibras usadas no cimento actual, mas ainda com maior resistência e durabilidade.

Nas relações humanas a coisa é idêntica. A durabilidade das relações e das próprias pessoas depende do ligante usado. O amor, o perdão, a solidariedade, o sorriso estão certamente no topo da lista dos melhores ligantes humanos. Fortalecem as relações e fazem-nas perdurar no tempo.

Notícia lida aqui e aqui.