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segunda-feira, janeiro 26, 2026

Rest in peace, Charlie!

O Charlie Grey morreu hoje. Quando o soltávamos no nosso pátio, dava grandes corridas e saltos. De manhã rebolava-se com alegria no banho de areia. O Charlie foi um companheiro dócil e meigo (para a maior parte dos viventes). Esta querida chinchila, fez parte da família durante quase catorze anos e ficará para sempre na nossa memória. 

Rest in peace, Charlie!

quarta-feira, junho 25, 2025

Jesus abençoa as crianças


Depois de ter ensinado acerca da importância do casamento, Jesus agora vai falar dos filhos. Na cultura grega e judaica, as crianças não tinham o devido valor que têm hoje. O texto bíblico de Marcos é curto e conciso. Com Jesus aprendemos que não é preciso fazer longos discursos para transmitir verdades muito profundas.  

Surgem quatro tipos de pessoas nesta passagem: as crianças; os que trazem crianças a Jesus; os que impedem as crianças de irem a Jesus e Aquele que abençoa as crianças. As crianças seriam pequenas, talvez alguns bebés. Os que levam crianças a Jesus são facilitadores. Os pais são os primeiros responsáveis, mas cada cristão tem a obrigação de trazer pessoas a Cristo. Foram os discípulos de Jesus que impediram as crianças de irem até Ele. É triste constatar que por vezes somos nós os obstáculos das pessoas irem a Cristo. Aquele que abençoa as crianças é Jesus. As crianças eram desprezadas e ignoradas, Cristo sempre valorizou e abençoou os esquecidos e excluídos. As crianças também.

Mateus 19:13 diz que lhe trouxeram crianças “para que lhes impusesse as mãos e orasse”. A bênção das crianças era normal no judaísmo. Pedir a bênção dos pais era um costume em Portugal. Hoje é coisa rara. A recusa dos discípulos de Jesus seria talvez por pensarem que Jesus não queria ser incomodado e que as crianças não eram dignas de estar com O Senhor. Queriam controlar a agenda do Mestre. Jesus é Senhor e tem sempre tempo para acolher e abençoar quem vem a Ele.  

Marcos relata que Jesus indignou-se com esta atitude dos discípulos. Não foi esta a única vez que Jesus se indignou. A hipocrisia, a dureza de coração, o desprezo pelos mais pequenos, as negociatas da fé, o pecado, indignam Jesus. “Deixai vir os pequeninos a mim” disse Jesus (Mc 9:14). Levar os pequeninos a Jesus é a coisa mais maravilhosa que podemos fazer. O ministério com crianças numa igreja local é importantíssimo. Que nenhum cristão cometa a loucura de afastar uma criança de Cristo e da sua salvação. Tantas vezes a nossa indiferença, mau exemplo, falta de ensino espiritual, superioridade de adulto, são barreiras que impedem as crianças de irem a Jesus.  


“Porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 9:14). Embora existam várias interpretações desta frase de Jesus, existem alguns princípios a considerar:  

1. Todas as crianças nascem em pecado e são pecadoras. Davi disse: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). 

2. Os bebés e as crianças que morrem antes da idade da consciência, são salvas por meio da graça de Deus e por causa da obra redentora de Cristo (2Sm 12:23). O sangue de Jesus cobre as suas iniquidades.

3. Depois de ter consciência do seu pecado, toda a criança precisa arrepender-se, crer em Jesus como seu Salvador e aceitar o sacrifício de Cristo para ser salva (2Tm 3:15).
 

Jesus acrescenta que para alguém entrar no reino de Deus tem de o receber como uma criança. O Reino de Deus não é conquistado, é recebido. A vida eterna é um presente divino, não um prémio de bom comportamento. Receber o Reino de Deus como criança não é ser infantil ou imaturo espiritualmente. Não é ser inocente e nem dar crédito a qualquer doutrina ou pregador. Significa depender de Cristo. É sentir-se indigno do Reino para lá entrar, porque é somente pela graça de Deus que se entra. É confiar inteiramente nas mãos do Pai e Jesus.  

A passagem termina com Jesus a tomar nos seus braços aquelas crianças, a impor-lhes as mãos e a abençoá-las. Que coisa maravilhosa! Embora não exista nenhum versículo na Bíblia que diga explicitamente que Jesus sorriu, é difícil imaginar esta cena sem Jesus estar a sorrir para aquelas crianças.

Jesus valorizou muito as crianças. Que nós também possamos orar, cuidar e abençoar as crianças. Que sejas mais um facilitador e um abençoador do um dificultador. Não atrapalhes as pessoas de se chegarem a Jesus. Falemos de Jesus e da sua salvação aos nossos filhos, netos, bisnetos. Oremos e trabalhemos pela evangelização das crianças em Portugal. Jesus continua a querer salvar e a abençoar hoje todo aquele o Pai o enviar a Ele. Todos precisam ir a Jesus e receber a Sua salvação.  

“Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” João 6:37.

sábado, junho 14, 2025

Somos todos falhos

"No caminho para o céu, nenhum de nós tem o privilégio de ficar com a pessoa dos nossos sonhos e nenhum de nós está pronto para ser a pessoa dos sonhos de alguém. Todos nós somos falhos e vivemos num mundo caído; temos, porém, um Deus fiel. E em algum ponto de cada relacionamento somos desafiados a aceitar graciosamente a outra pessoa como ela é, recebendo humildemente, ao mesmo tempo, quem nós mesmos somos." 

In: Paul Tripp e Tim Lane. Relacionamentos: Uma confusão que vale a pena. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2019.

terça-feira, junho 03, 2025

Casamento, divórcio e recasamento


Lemos no Evangelho segundo Marcos que Jesus está na Pereia, do lado leste do rio Jordão, onde João Baptista baptizava. O objectivo é ir a Jerusalém e lá ser morto. Faltam cerca de seis meses. Uma multidão continua a procurar Jesus e O Senhor faz aquilo que sempre fez no seu ministério terreno: ensinava. Ensinar sobre questões tão importantes como o casamento, divórcio e novo casamento.

Aproximaram-se de Jesus os fariseus para lhe fazerem uma pergunta: “É permitido ao homem divorciar-se da sua mulher?” (NVI). Jesus já tinha falado destes assuntos no Sermão do Monte e eles devem ter ficado muito perturbados. A pergunta deles era uma armadilha maldosa. João Baptista foi preso e morto por denunciar o pecado de adultério de Herodes Antipas. Desejavam que Jesus tivesse o mesmo fim.

Jesus responde fazendo outra pergunta: “O que Moisés disse na lei a respeito do divórcio?” Eles disseram que Moisés permitiu dar a carta de divórcio, aludindo a Deuteronómio 24:1. No tempo de Jesus existiam duas escolas judaicas que interpretavam a questão do divórcio: Hillel e Shammai. A escola de Hillel aceitava o divórcio por qualquer motivo, a de Shammai permitia o divórcio apenas por imoralidade sexual. É claro que aquela que predominava era a escola liberal de Hillel. O “vale tudo” sempre foi muito popular e atractivo para o ser humano caído.  

Jesus esclarece que Moisés permitiu o divórcio por causa da dureza do coração humano. O divórcio existia por causa da condição espiritual pecaminosa do homem. Foi para regular e controlar o divórcio, não para o promover que a Lei previa o divórcio. Em Malaquias 2:16 lemos que: “O Senhor, Deus de Israel, odeia o divórcio.” A vontade do Senhor para o casamento não é e nunca foi o divórcio. Toda a quebra de relacionamento tem origem num coração endurecido pelo pecado. Os fariseus queriam falar sobre divórcio, mas Jesus vai realçar a importância do casamento.  

O Senhor vai à origem das coisas. Foi Deus que realizou literalmente o primeiro casamento no mundo, entre Adão e Eva (Gn 1:27; 2:24). O casamento implica deixar os pais para formar uma nova unidade. Já não são dois, mas uma só carne. “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”, conclui Jesus. O casamento é mais do que um ajuntamento amoroso, emocional, físico ou sexual, é algo espiritual – “Deus ajuntou”. Nenhuma pessoa tem o direito de separar o que Deus uniu. Enquanto um dos cônjuges for vivo, o casamento é uma aliança divina permanente.  

Hoje anda muita gente a brincar “ao casa descasa” mas essa não é a vontade de Deus. Jesus foi tão peremptório nesta matéria, que os discípulos, quando chegaram a casa tornaram a interrogá-lo. Jesus clarificou: “Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera.” – Mc 10:11-12. Jesus esclarece aqui de forma inequívoca que se alguém casar novamente comete adultério.  

É verdade que em Mateus 19:9 Jesus falou de uma cláusula de excepção para o divórcio. Se um dos cônjuges for infiel sexualmente, e não existir perdão, o divórcio é permitido. Mas conforme alegou Russell Shedd “O divórcio jamais contou com a aprovação divina, a não ser como o menor entre dois males”. Também nessa passagem, Jesus reforça a impossibilidade do recasamento porque quem casa com o divorciado comete adultério (Mt 19:9b). Paulo escreveu “aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.” (1Co 7:10-11).  


4 princípios relativos ao casamento   

1º. Deus planeou o casamento entre um homem e uma mulher, para juntos glorificarem ao Senhor Deus e encherem a terra com a Sua glória. 1Co 10:31 – “Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” John Stott escreceu que “O significado mais elevado e o propósito mais sublime do casamento é o de manifestar a relação pactual entre Cristo e sua igreja.”  

2º. Um cristão deve namorar e casar com outra pessoa cristã e dentro da vontade do Senhor. “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” 2Co 6:14-15. Um casamento com alguém que não ama e segue o Senhor pode transformar-se numa tragédia. Os viúvos estão livres para casar, mas “contanto que seja no Senhor” (1Co 7:39). O casamento deve ser segundo a vontade de Deus.

3º. O casamento é uma ligação maravilhosa mas também pode-se tornar o pior dos relacionamentos. Sozinho ninguém consegue manter o seu casamento. Precisa de Deus. É Ele que faz com que o casamento resista e permaneça. Casamento implica amor, perdão, diálogo, respeito mútuo, perder a razão muitas vezes. “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor … Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.” (Ef 5:22;25).

4º. O casamento é um compromisso espiritual, moral e civil entre marido e mulher até à morte de um dos cônjuges. É uma ligação tão forte que só a morte a pode desintegrar. “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.” – 1Co 7:39.  


É importante também referir que o adultério, o divórcio e os pecados sexuais separam as pessoas de Deus, mas não são pecados imperdoáveis. Jesus morreu por esses pecados. Em Deus há perdão e restauração. Cada caso é um caso e compete às lideranças das igrejas decidir a integração, lembrando sempre que cada um dará contas a Deus dos seus pecados.   

Paulo reconhece que a igreja era composta por pessoas com passados complicados, incluindo imoralidade sexual e adultério. Mas foram lavadas, santificadas e justificadas em Cristo. Isso mostra que a igreja é um lugar de restauração - 1Co 6:9-11. A graça restauradora de Deus é maior do que o maior pecador e os piores pecados - Rm 5:15,20; Sl 103:10-12.  

Que Deus ajude os casados a valorizarem o seu casamento. A orarem todos os dias um com o outro e um pelo outro. Que Deus guarde e abençoe os casamentos e as famílias.

quarta-feira, março 05, 2025

Fé em Jesus que tudo pode


Depois de Jesus ter mostrado a sua glória no monte voltou ao encontro dos outros nove discípulos que tinham ficado no vale. O contraste entre estes dois momentos é chocante. Passamos da gloriosa transfiguração de Jesus no monte, para a terrível possessão demoníaca no vale. Da voz doce do Pai que nos manda ouvir Jesus, para a voz muda de um menino amordaçado pelo diabo. Da paz para a confusão. Da luz para as trevas. 

Sim, os momentos celestiais com Deus “no monte” são maravilhosos, mas a vida do cristão é também a vida com Deus “no vale”. Somos chamados a estar no meio de gente oprimida, irritada, confusa e desalentada. O crente não é para ficar enclausurado na tenda do monte, é para caminhar com fé no tumulto do vale. Esta história não é só sobre a cura espiritual, é principalmente sobre a urgência de colocarmos a fé no poderoso Jesus.

A multidão agitada rodeava os discípulos. Os escribas discutiam com eles. No meio daquele alvoroço, Jesus é interrompido pelo pai de um menino que estava possesso por um demónio. O pai ajoelha-se diante de Jesus. Descreve o sofrimento do seu filho e lamenta que os discípulos de Jesus não tenham conseguido expulsar o demónio.

"Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei ainda?" Lamentou Jesus. Tantos milagres e maravilhas que O Senhor já tinha feito e ainda tanta incredulidade latente, da parte da multidão e dos discípulos. Até quando? A incredulidade indigna Deus. O povo de Israel não entrou na terra prometida por causa da sua incredulidade (Hb 3:19). Aquilo que leva as pessoas ao inferno é continuarem no estado de descrença. “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6).

"Trazei-mo!" disse Jesus. Levar pessoas a Jesus continua a ser a grande missão de cada cristão. Jesus transforma vidas! Possamos ser pais que levam os filhos a Jesus. Quando o jovem se aproximou de Jesus, o espírito agitou-o com violência. Os demónios conhecem Jesus e estremecem diante dele. Jesus perguntou ao pai há quanto isto lhe sucedia. Ele respondeu que desde a infância do menino. O objectivo do diabo é destruir a vida das crianças, dos jovens, das famílias.

Aquele pai rogou a Jesus que se Ele pudesse fazer alguma coisa que fizesse algo. Jesus respondeu: “Se tu podes crer! Porque tudo é possível ao que crê!” Em outras palavras, Jesus estava a dizer que a questão não era se Jesus podia, mas se o pai acreditava no Jesus que tudo pode. A dúvida, a incerteza e a falta de poder nunca estão do lado de Deus, estão sempre do nosso lado! Jesus é o Deus encarnado e Ele pode tudo! “Para Deus todas as coisas são possíveis” (Mc 10:27). 

Com lágrimas nos olhos, o pai exclamou: “Eu creio, Senhor! Ajuda-me na minha incredulidade.” Aquele pai tinha a consciência sincera da sua pequena e vacilante fé. Jesus não repreendeu esta afirmação. Conhecer-se incapaz diante do autor da fé é o grande milagre da fé. Jesus então repreendeu o espírito e disse: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai dele e não entres mais nele.” O demónio reagiu mas logo saiu. O menino ficou como morto. Estava em paz. Só Jesus dá paz. Jesus soergueu-o. Tantas pessoas que não nos levantam, Jesus dá-nos a mão.

Já em casa, os discípulos perguntaram a Jesus porque é que não puderam expulsar aquele demónio. Jesus disse que aquela casta, aquele tipo de demónios, somente sai com pessoas que vivem na intimidade e na dependência de Deus. Valorizamos muito as actividades e eventos mas Jesus aqui realçou a necessidade de orar e jejuar. Dependemos de Deus em todos momentos. Mateus amplia a resposta de Jesus e esclarece que o problema dos discípulos foi a falta de fé (Mt 17:19-21). 


Quatro aplicações finais

1. Vivemos num mundo espiritual. Satanás e os demónios continuam a tentar destruir as pessoas. O diabo usa tudo o que pode para destruir vidas. Provoca doenças, males, vícios, pecados. O maior alvo do diabo é impedir que a pessoa creia em Jesus como seu Salvador e Senhor. 

2. Deus detesta a incredulidade. Aquilo que impediu os discípulos de curarem aquele rapaz foi a sua falta de fé em Deus. A incredulidade não é só a falta de fé para acreditar que Deus existe, é a desconfiança que quem Deus é e daquilo que Ele pode fazer. 

3. Sem oração não há poder espiritual. Não conseguimos viver a vida espiritual na nossa força. Sem oração tudo vai fracassar. Tudo se torna possível para aquele que crê e confia em Jesus que tem todo o poder.

4. Precisamos ir a Jesus e confiar nele. Jesus é o único Salvador. Deposita a tua fé em Jesus, porque Ele é quem que te pode salvar e libertar. “A fé vem pelo ouvir, e ouvir a palavra de Deus.” (Rm 10:17). Crê na poderosa Palavra de Deus. Crê em Jesus. Ele pode tudo.

quarta-feira, outubro 16, 2024

O que dizem as pessoas que eu sou?

Perguntou Jesus aos seus discípulos: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (Mateus 16:15).

As pessoas à nossa volta têm alguma ideia daquilo que somos. As que estão muito próximas conhecem-nos melhor. Ouvir essas pessoas é útil para o nosso crescimento. Aquilo que os outros dizem que somos pode não corresponder à verdade, mas também pode ser. A perspectiva verdadeira e completa de quem somos só mesmo Deus a conhece. O ponto aqui não é ignorar aquilo que os outros dizem de nós, está em não sobrevalorizar as opiniões dos homens e ouvir mais o que Deus diz que somos. Sem a revelação do Pai e da Sua Palavra nunca saberemos o que somos e aquilo que podemos ser. 

Mais importante ainda é crer quem Jesus é. Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo. O único Salvador e Senhor das nossas vidas. Quanto mais O conhecermos, mais saberemos quem somos.

quinta-feira, julho 25, 2024

Migalhas do céu

Evangelho de Marcos narra que Jesus saiu de Israel e vai para a Fenícia. Tiro e Sidom eram cidades localizadas junto ao Mar Mediterrâneo e aquela região pertencia à Síria. Provavelmente Jesus foi ao estrangeiro para descansar. Estava cansado das multidões e dos constantes ataques dos religiosos judeus. Se o servo de Deus não descansar depressa irá sucumbir.

Entretanto, já na Fenícia, uma mulher perseguia Jesus aos gritos, rogando-lhe que curasse a sua filha endemoninhada. Incomodados com a gritaria, os discípulos de Jesus pediam-lhe que a mandasse embora. Porém, ela não desistia. Entrou na casa onde Jesus estava e lançou-se aos seus pés. Esta mulher sendo siro-fenícia de nascimento e com a cultura, a religião e a língua grega, estava ali a adorar O Senhor. 

Perante a insistência daquela mãe, Jesus responde algo estranho, que até parece insultuoso: “Deixa primeiro saciar os filhos, porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.”  Os cães eram pouco considerados neste tempo. Os judeus consideram-nos animais imundos. Chamar alguém de cão era um grande insulto. É óbvio que a resposta de Jesus é figurada. O Senhor não está a tratar aquela mulher como uma cadela. O Senhor está a dizer-lhe que as Boas Novas do Evangelho eram em primeiro lugar para as “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24). 

A mulher não ficou ofendida com as palavras de Jesus. Em vez de se calar ou ir embora, esta mãe respondeu de uma forma arrojada: “Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.” Que diferença de atitude desta mulher comparada com os fariseus. Ela não atacou e nem defendeu os seus próprios direitos e razões. Reconheceu quem ela era e quem Jesus era. Esta mulher já tinha reconhecido que Jesus era “Senhor, Filho de Davi.” Esta declaração revelava que ela acreditava que Ele era O Messias, o Salvador prometido. 

Perante a resposta humilde e ousada daquela mulher, Jesus replicou: “Por essa palavra, vai; o demónio já saiu de tua filha.” A mulher dispôs-se a comer as migalhas que caem da mesa porque “migalhas também são pão”. Migalhas do Filho que são o nosso alimento. Migalhas poderosas que caem do céu e saciam a nossa alma. Mas os milagres do céu são para quem está disposto a se humilhar no chão perante O Senhor que tudo pode.

R. C. Sproul realçou que “o verdadeiro crente saboreia cada migalha que vem da mão de Deus. A boa notícia é que, no derramamento da misericórdia e da graça que nos vem das mãos de Deus, embora devêssemos estar satisfeitos com migalhas, Ele não se satisfaz em dar-nos migalhas. Ele prepara uma mesa diante de nós.” 

A filha daquela mulher siro-fenícia ficou curada. Quando a mãe chegou a sua casa, a sua filha estava tranquilamente deitada na cama, totalmente liberta dos demónios. Os demónios não resistem ao poder de Jesus, mesmo à distância. Basta uma palavra de Jesus e tudo muda. Quem tem Jesus na sua vida não teme os poderes das trevas. 


Algumas conclusões e aplicações

1. Esta mulher é um incentivo à intercessão. Nunca desistas de orar e clamar pelos teus filhos e pela tua família. Ora pelo grande milagre da salvação. Oremos pelos milagres do Senhor. Que os demónios que atormentam tantas vidas hoje, sejam expulsos pelo poder de Jesus Cristo. 

2. Esta mulher adorou Cristo aos seus pés. Jesus elogiou a fé persistente daquela mulher. Precisamos orar e adorar O Senhor todos os dias. Esta mulher lutadora e persistente, ensina-nos a acreditar e a confiar de forma perseverante no poderoso Salvador Jesus.

3. Jesus honrou aquela mulher gentia. Deus quer salvar todo o tipo de pessoas. Num tempo em que estão a chegar a Portugal tantos imigrantes, Jesus ensina-nos a receber e a acolher a todos. A igreja é inclusiva porque Deus ama todos os povos e etnias.

4. Por último, alimentemos a nossa alma, com as migalhas que caem do céu, através da Palavra do Senhor, a Bíblia. Que ninguém se julgue completamente saciado por já saber algumas coisas das Escrituras Sagradas. Que tenhamos a fome espiritual do profeta Jeremias:

“Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome me chamo, ó SENHOR, Deus dos Exércitos.”
- Jr 15:16.

 

segunda-feira, maio 15, 2023

Mãe

“A mulher mais incrível em toda a Bíblia não foi uma guerreira ou profetisa famosa. Foi uma jovem mãe, aparentemente comum, vivendo um chamado único. Não liderou um exército, não arrebatou multidões com discursos, não se envolveu em dramas políticos. Ela foi mãe.” - C. S. Lewis.

quarta-feira, março 10, 2021

A adoração verdadeira transcende locais

Jesus quebrou vários preconceitos quando conversou com a mulher samaritana. Quebrou o preconceito racial porque os judeus não falavam com os samaritanos. O preconceito social e cultural porque os homens não costumavam conversar com as mulheres em público. O preconceito religioso porque Jesus confrontou alguém que vivia uma realidade espiritual inconsistente.

O homem Jesus pediu à mulher água para beber. O Messias ofereceu-lhe água viva porque a sequiosa era ela. Mas a mulher só pensava no plano natural e nas supostas impossibilidades de Jesus: “Não tens como tirar… O poço é fundo… Onde tens a água viva? És tu maior que Jacó?” Quando as pessoas ficam atadas às dificuldades e impossibilidades, não vislumbram os milagres de Deus.

Para despertar a consciência amortecida desta mulher, Jesus diz-lhe: “Vai, chama o teu marido e vem cá.” Ela já tinha tido cinco maridos e o que tinha agora não era seu marido. Esta mulher tinha uma grande incoerência entre a sua espiritualidade e o logro que vivia, nomeadamente nas suas múltiplas escolhas conjugais. A espiritualidade começa em casa. Uma fé cristã que não tem evidências práticas na convivência familiar é falsa.

Atrapalhada, a mulher começa a falar da “sua religião” e das diferenças religiosas que existiam entre judeus e samaritanos. Jesus então dá-lhe uma aula de teologia prática (João 4:21–24).
 
1. O Cristo tinha uma agenda, uma hora (v.21; 23). Era a hora da cruz, da redenção. O tempo da graça estava prestes a começar, em que já não precisamos de lugares sagrados para adorar a Deus.

2. Os samaritanos estavam enganados no deus que adoravam (v.22). Nem toda a gente que se diz religiosa adora O Senhor. A fé em Deus é exclusiva e excludente.

3. A salvação vem dos judeus (v.22b). Cristo era judeu. Segundo a sua natureza humana, Jesus era da descendência e linhagem do Rei David.

4. Deus é Espírito (v.24). Esta realidade imaterial, invisível e transcendente de Deus é fundamental para crermos e adorarmos o verdadeiro Deus.

5. A adoração genuína é dirigida ao Pai e feita em espírito e verdade (v.24b), ou seja, com um coração sincero e com a motivação certa. São esses adoradores que O Pai procura e deseja.

Hoje não há locais sagrados e nem coisas sagradas. A adoração verdadeira transcende locais. Os crentes são o templo do Espírito Santo (1 Co 6:19). Devemos usar o nosso espírito para adorar a Deus. O verdadeiro adorador adora a Deus em casa, no trabalho, no trânsito, em férias, na pandemia e em qualquer lugar.

Stuart McNair escreveu que “Muitos preocupam-se com o lugar do culto, outros com o processo do culto, mas o essencial é o espírito do culto.” Isto não significa que o local de culto, a forma e a liturgia de culto não tenham importância, quer dizer que agora, não estamos dependentes de lugares para adorar O Senhor.

Ainda cheia do seu conhecimento religioso e de si própria, a mulher insiste: “Eu sei que o Messias vem!" Jesus afirma: “EU O SOU!” (v. 26). Estas palavras remetem para aquele momento em que Moisés perguntou o nome de Deus e O Senhor respondeu: “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3:13). Esta revelação da divindade em Cristo vai finalmente despertá-la.

A mulher samaritana, agora renascida pela água viva de Jesus, deixa o cântaro para trás, corre para a cidade e testemunha do Cristo. Finalmente ela provou a água da vida. Agora ela tinha dentro dela uma fonte de água viva que jorrava para a vida eterna. O salvo é um missionário. Quem tem um encontro com o Salvador e crê nele é salvo e procura falar a todos da salvação transformadora de Jesus.

terça-feira, dezembro 10, 2019

Oração, pregação e compaixão



A primeira cura de Jesus registada por Marcos é o relato de cura mais curto dos Evangelhos. No seu estilo rápido e condensado, Marcos narra o milagre em 2 versículos. Contaram a Jesus que a sogra de Pedro "ardia em febre". Cristo, tomando-a gentilmente pela mão, repreendeu a febre e a mulher ficou curada. Assim mesmo. Ao contrário de muitos “milagreiros” dos nossos dias as curas de Jesus são imediatas e perfeitas.

O texto sagrado diz que a sogra levantou-se e começou a servi-los. As bênçãos e as respostas que recebemos do Senhor são para O servirmos mais. Muitos sãos estão doentes e alguns curados não servem. E quem não serve a Deus estando são, está muito doente espiritualmente.

No dia seguinte, ainda de madrugada, Jesus foi para um lugar deserto orar. A oração era uma das grandes prioridades na vida de Jesus. Na sua humanidade Jesus dependia totalmente do Pai. Entretanto, a multidão doente continuava a procurar Jesus. Quando os discípulos o encontraram, Jesus diz-lhes que agora ia pregar para as aldeias vizinhas. A pregação era o objectivo primordial do Senhor. Mais do que fazer curas e milagres, Jesus estava focado na pregação do evangelho.

Aprendemos tanto com Jesus. Ele quer entrar na nossa vida e na nossa família. Lancemos sobre Ele todas as nossas inquietações. O seu poder quer manifestar-se dentro e fora de casa. Oremos mais. Se Jesus escolheu orar, muito mais nós precisamos depender da comunhão do Pai. A oração, a pregação e a compaixão pelas pessoas eram as prioridades de Jesus. Quais são as nossas prioridades?

terça-feira, outubro 29, 2019

81 anos de boa história

A Igreja Evangélica em Alumiara, a igreja local da qual faço parte há 40 anos, celebrou no passado fim-de-semana 81 anos de existência em Canidelo, Vila Nova de Gaia.

Muita gente hoje sente-se marcada negativamente com as igrejas, as instituições religiosas e os líderes religiosos. Algumas dessas pessoas terão as suas razões, mas outras dizem mal porque talvez tenham tomado decisões erradas na sua vida. Sei que a nossa congregação tem coisas para Deus corrigir, eliminar e construir, mas amo a minha igreja. Amo as pessoas, os irmãos mais velhos e os mais novos, gosto das reuniões, dos estudos bíblicos, das orações, da forma de ser e fazer igreja.

Somos uma igreja cristã evangélica, histórica, tradicional, presente em Gaia há 81 anos. Pela graça de Deus, centenas de pessoas têm passado pela Igreja em Alumiara. Alguns irmãos já partiram para a presença gloriosa de Deus, muitos permanecem firmes no serviço do Senhor ali e outros estão congregados noutras igrejas locais. Nestes últimos anos, algumas famílias brasileiras têm nos visitado e alguns ficaram connosco. Estamos gratos a Deus por isso. Queremos ser uma família que acolhe.

Sinto-me abençoado por estar em uma igreja onde se prega o Evangelho, se ensina a sã doutrina, apoia missões e se procura glorificar a Deus. Ao Senhor Deus toda glória!


"Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, fazendo, sempre com alegria, oração por vós em todas as minhas súplicas, pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora. Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo." (Filipenses 1:3-6)

segunda-feira, setembro 09, 2019

Oliveiras in Wonder London

As férias acabaram. Parece que passou mais rápido que o normal. Londres é uma cidade multi-cultural, vibrante, a fervilhar de vida, muita cor e movimento. Tinha estado lá com a minha Raquel há 28 anos, quando casamos, e este ano, retornamos com o fruto do enlace, as nossas preciosas filhas. O sonho da Jéssica tornado realizado.

Caminhamos em 7 dias mais de 100 Km (os protestantes também rasgam pés). Andamos de metro, comboio, táxi, barco. Muitos quilómetros de metro! Visitamos museus, belos jardins verdejantes, as muitas pontes sobre o Thames, o London Eye, as lojas, pubs, as praças repletas de gente. Desfrutamos de dias e noites muito quentes - tivemos dias com mais de 30 graus. Participamos de um culto abençoado no templo histórico de Charles Spurgeon: o Metropolitan Tabernacle.

É muito bom viajar em família. O melhor foi termos feito juntos esta viagem. O pior de tudo foi viajar com a Ryanair. Cobraram taxas absurdas pelas malas, não cumpriram horários, pilotos desastrados e não respeitam as pessoas. Desaconselho a todos a Ryanair!

Ficou muito por visitar, mas muito para guardar na memória e no coração.

God bless Britain!

terça-feira, novembro 13, 2018

O cristianismo começa na família

Depois de Paulo ter feito um apelo à santidade, vai falar das importantes relações familiares e laborais. A nossa espiritualidade vê-se pela forma como falamos e tratamos os outros, principalmente os nossos familiares. Talvez um dos grandes problemas dos cristãos actuais é não viverem a sua fé nas coisas comuns do seu dia-a-dia. Dizem que religião é coisa de Domingo e Deus não entra no seu trabalho, nas suas amizades, nas sua casa. Deus quer-se fazer presente em toda a nossa vida. O cristianismo começa na família.

Para que os relacionamentos funcionem existem princípios funcionais - amor, lealdade, respeito, amizade, equidade. Cristo é O grande modelo nos relacionamentos dos cristãos. O marido cristão deve amar a mulher, assim como Cristo nos amou. A esposa cristã deve ser sujeita ao seu marido, porque Cristo obedeceu até ao fim ao Pai celestial. Os filhos devem obedecer aos seus pais, porque Cristo foi um Filho obediente até ao fim. Os pais devem educar com paciência e sensatez, porque Cristo foi manso e humilde de coração. Os empregados devem servir com afinco os seus patrões porque Cristo veio para servir. Os patrões devem agir com justiça, porque Cristo manifestou a justiça de Deus.

A família continua a ser a base da nossa sociedade. A família é mais importante que tudo. Mais importante do que o trabalho, que os amigos, que as diversões, do que as reuniões da igreja. Quando falharmos exercitemos o amor e o perdão. É tempo de orarmos mais tempo em família e pelas famílias. É tempo de viver o que já conhecemos. É tempo reconstruir lares desfeitos. A mudança começa no nosso coração e quando permitimos que Jesus seja o Senhor da nossa vida e do nosso lar.

segunda-feira, setembro 17, 2018

A bênção da rotina diária

"Tirar férias de verão para construir poços em África é, para algumas pessoas, um chamado autêntico. Mas também o é consertar a canalização da casa de um vizinho, alimentar a família e compartilhar o fardo e as alegrias de uma igreja local. Aquilo que somos chamados a fazer todos os dias, exactamente onde Deus nos colocou, é rico e compensador."

In: HORTON, Michael. Simplesmente Crente. SP: Editora Fiel, 2016, p. 29.

sábado, setembro 15, 2018

Férias é família


As férias passaram, o trabalho recomeçou. Foi tempo de descanso, tempo de família, tempo de belos mergulhos nas piscinas e nas águas quentes do Sul, tempo para colocar as leituras em dia (li oito livros), tempo para serenar a alma, tempo para desligar a Internet, tempo para estar com bons amigos e para desfrutar de algumas outras boas coisas que só são possíveis nas férias. Soube a pouco, mas sabem bem estas vírgulas. Não tenho grande admiração por pessoas que se orgulham de nunca fazer férias, que vivem só para trabalhar, que não investem tempo no descanso. Afinal de contas, o Sábado não é invenção humana, foi Deus que o criou.

A tarde deste Sábado, foi uma espécie de prolongamento das férias, com mais um tempo fantástico em família num passeio a Santo Tirso. O dia culminou com um cachorro especial, com muito queijo derretido e regado com molho de "Francesinha à la JÓ". A dieta começa na segunda-feira.

sexta-feira, agosto 31, 2018

Compartilhar o que vai no coração

Tenho andado a rever nas férias a série "O Mentalista" com a minha filha Jéssica. Já vi esta série há algum tempo mas confesso que não me recordo da maior parte dos episódios. A idade tem estas coisas. Além disso, sou do género de pessoa que comenta o enredo dos filmes e das séries enquanto assiste. E diga-se, sem querer dar uma de "Mentalista", que normalmente costumo adivinhar o desfecho. Sei que a Jéssica gosta desta série (e do pai), porque lá vai suportando os meus comentários. Aliás, a Jéssica também vai partilhando o que pensa da série. Pior do que comentar filmes e séries é não compartilhar com aqueles que amamos o que vai na nossa mente e coração.

domingo, maio 13, 2018

Não há famílias perfeitas

"Desde que nossos pais caíram no Éden toda a raça humana foi atingida pelo pecado. Assim, não viemos de uma família perfeita, não somos uma pessoa perfeita, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Toda família tem as marcas do pecado. Falhamos uns com os outros. Decepcionamos uns aos outros. Temos queixas uns dos outros. A única maneira de uma família ter saúde emocional e vigor espiritual é exercendo o perdão constantemente. Precisamos tratar uns aos outros com honra. Precisamos perdoar-nos mutuamente. Precisamos investir nos relacionamentos a fim de que a nossa família viva de forma plena e desfrute de verdadeira felicidade."

Hernandes Dias Lopes

quinta-feira, abril 26, 2018

A Jéssica faz 18 anos

A minha filha mais nova está mais velha. A Jéssica cresceu muito e faz hoje 18 anos. Sou muito grato a Deus pela vida da Jéssica e pela grande bênção que tem sido acompanhar o seu crescimento. A Jéssica é inteligente, perspicaz, humor fantástico, bonita, generosa, criativa e em muitos aspectos parecida comigo. Oro ao Senhor para que a Sua vontade continue a cumprir-se na tua vida.
Parabéns Jéssica! Amo-te muito.

terça-feira, abril 17, 2018

Esperança Renascida

A história de Rute começa com lágrimas e termina com alegria. Boaz foi procurar o familiar mais próximo de Elimeleque que, segundo a Lei, deveria dar sucessão à família do falecido. Boaz prometeu casar com Rute e cumpriu. Um bom marido é um homem de carácter, que cumpre com as palavras que promete e aquele que obedece à Palavra de Deus.

O familiar remidor primeiro interessou-se pelas terras de Elimeleque mas, quando soube que além de comprar as terras teria que cuidar de Noemi e de Rute, desistiu. Descalçou literalmente a bota e deu-a a Boaz. Mais do que um contrato legal ou arranjo circunstancial, este casamento foi providenciado por Deus. Rute buscou O Senhor e achou um marido. Devemos confiar em Deus em todos os aspectos da nossa existência.

Este casamento tinha propósitos santos e abençoadores. Agora a família de Noemi e Elimeleque tinha uma descendência. O menino chamou-se Obede, que foi pai de Jessé, que por sua vez foi o pai de David, o ancestral do Messias que haveria de vir - Jesus Cristo.

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Algumas aplicações deste santo romance:
1. A vida cristã não exclui adversidades. É a forma como lidamos com elas que faz com que vivamos bem ou mal. Noemi chegou a Belém amargurada e sem esperança, Rute não se abateu e foi à luta. A intervenção divina transformou o pranto em alegria. “O choro pode durar uma noite mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5).

2. O livro de Rute é um poema à soberania divina. Deus esteve sempre a comandar e a tecer os versos deste enlace amoroso. A fonte de todas as bênçãos é Deus, não o dinheiro, o prazer, a fama ou o trabalho. O Senhor é a nossa esperança.

3. Hernandes Dias Lopes disse que “Nenhum sucesso é final e nenhuma derrota é fatal”. A nossa história ainda não acabou. Deus continua a fazer milagres e o futuro, por vezes, traz surpresas agradáveis. É melhor começar e terminar bem do que começar bem e terminar mal. A melhor maneira de terminarmos bem é confiar em Deus todos os dias da nossa vida.

4. O objectivo grandioso do Senhor era, não só proporcionar um final feliz a um lar destroçado, mas expandir o final feliz a muitas outras famílias. David seria um dos ancestrais de Jesus Cristo, o Salvador. O Noivo Jesus já veio e amou tal forma a sua Noiva - a Igreja -, que morreu por ela e um dia vem buscá-la. Louvado seja o grande Redentor Jesus!

terça-feira, fevereiro 13, 2018

A bela mulher que aqueceu o Rei

"Sendo, pois, o rei David já velho e entrado em dias, cobriam-no de vestes, porém não aquecia. Então, disseram-lhe os seus servos: Busquem para o rei, nosso senhor, uma moça virgem, que esteja perante o rei, e tenha cuidado dele, e durma no seu seio, para que o rei, nosso senhor, aqueça." (1 Reis 1:1-2)

Estes primeiros versículos do livro de Reis são peculiares, fizeram-me sorrir. Na verdade, nunca ouvi ninguém pregar sobre eles e nunca li uma meditação sobre esta história. O Rei David, sendo velho, tinha muito frio. Resolveram cobri-lo com muitas vestes mas nem assim David aquecia. Então, os seus servos foram procurar uma moça virgem e bonita para aquecer o friorento Rei. Encontraram a bela sunamita Abisague que aceitou aquecer David. Levantam-se algumas questões: porque é que a sua esposa não o aquecia? Porque é que foi escolhida uma jovem sunamita? Não lemos se o plano resultou inteiramente, mas a Bíblia refere que o rei não teve relações sexuais com ela (v.4).

Sabe-se que este procedimento de aquecer os pés aos friorentos seria normal nos tempos antigos. Hoje o calor humano continua a ser muito importante e necessário. É verdade que a busca precipitada por aquecimento físico tem desgraçado muitas vidas, mas não há dúvida que o ser humano tem carências térmicas e afectivas. Nesta era de aquecimento global e ruído comunicacional, sofre-se de hipotermia relacional. Sofre-se de frieza física e de frieza emocional. O gelo da alma é o pior dos frios. É verdade que o calor humano pode aquecer o corpo, mas a presença do amor intenso de Deus conforta e abrasa a alma.