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quarta-feira, julho 31, 2019

Passado Presente

O pobre do Presente vivia com as angústias do Passado, temendo todos os dias pela incerteza do Futuro. Enquanto isso, o Futuro ria-se do Presente porque, para ele, o infeliz do Presente era Passado.

sexta-feira, março 17, 2017

Saudades do futuro

Era um sujeito tão nostálgico, mas tão nostálgico, que até sofria com saudades das coisas futuras que já tinham acontecido na sua mente.

sexta-feira, setembro 30, 2016

Pessoa estranhíssima

Era uma pessoa tão estranha, tão estranha, que até a própria estranheza costumava estranhar tão extraordinário estranhamento.

quarta-feira, maio 18, 2016

Ana, a escritora

Ana queria ser escritora. Gostava de ler, escrever, rasurar e reescrever. Ana gostava das palavras e as palavras engraçavam com ela. Quase todas. Ana não queria ser conhecida, não queria dar entrevistas, nem dar autógrafos, nem ter sucesso literário, Ana só queria ser escutada. Tinha a certeza que se escrevesse, os olhos bons de alguém, um dia iriam ouvi-la. Nem todos querem ser escritores, mas todos trazemos Ana tatuada no nosso peito.

quarta-feira, março 02, 2016

Marta cansada

Marta corria de um lado para o outro. Corria atrás do vento e do sol, e o vento sugava-lhe o fôlego e o sol ressecava-lhe a alma. Quanto mais corria mais se atrasava e ralava com quem não corria. Teria corrido mais longe, se Marta tivesse aprendido a respirar sentada.

quarta-feira, maio 13, 2015

Ninguém cala as consoantes mudas

Achavam as consoantes mudas feias. Queriam calá-las à força. Não seria um desacordo estúpido que o iria conseguir. Mesmo mudas, continuariam bem vivas e a falarem correctamente. Independentemente do seu aspecto.

quinta-feira, outubro 23, 2014

O papel e o Criador

No reino dos doutores quem tinha mais papel era rei. Manuel entendia que o seu principal papel era curvar-se diante do criador das árvores.

quinta-feira, outubro 16, 2014

O prazer de gostar de tudo e de nada

O Hedonismo andava sempre de braço dado com o Relativismo moral. Um dia descasaram-se e continuaram infelizes à procura da felicidade.

quarta-feira, julho 16, 2014

O sorriso do novo dia

O ardor quente e suado da tarde de verão tinha-se ido deitar há muito. Ciciava agora uma fresca brisa nocturna. Um cão ladrava ferozmente. Os dedos tamborilavam no teclado numa cadência sincopada. Exaurido pelas palavras, tentava resistir com elas. Há palavras que cansam mais que o pior dos trabalhos. Rememorando tudo, inspirou profundamente a aragem fresca. Continuar a labutar. Nas pequenas colunas do computador reboava, tal qual sussurro profético: "When the Lord gets ready, you've got to move!" E depois fez-se silêncio. O cão tinha-se calado. Estava a chegar o Novo dia. Trazia o sorriso.

terça-feira, abril 30, 2013

O homem que entulhava grãos de areia

Acumulava grãos de areia nos seus sapatos. Queixava-se que tinha dores nos pés e que não conseguia caminhar muito bem. Manquejava e ficava para trás na corrida. Continuava a entulhar pequenas pedrinhas nos sapatos.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

O casamento do Individualismo com o Relativismo

Foi quando o Individualismo se casou com o Relativismo que as entranhas de ambos explodiram. O mundo ficou insuportável com o cheiro relativo aos podres umbigos, espalhados por toda a parte. O problema é que ninguém queria admitir com certeza a sua proveniência.

terça-feira, agosto 07, 2012

Sobretudo no calor

Cheio de calor, procurava uma sombra mas envergava um sobretudo.

sexta-feira, julho 20, 2012

Comentadores há muitos

Orgulhava-se de não ser filiado em nenhum partido político, até costumava dizer que era apolítico. Ganhava a vida como comentador. Criticava todos os políticos e a política em geral. Era um comentador político.

sexta-feira, junho 15, 2012

O surfista que tinha medo das ondas grandes

Era um surfista que não gostava nem das ondas pequenas, nem das grandes. As pequenas não permitiam a prática do seu desporto preferido, das grandes ele tinha medo. Por conseguinte, ficava na areia a olhar para o mar, dias a fio, à espera da onda ideal, com a prancha na mão. Esperou horas, dias, meses. Acabou por morrer na praia. A prancha, essa foi levada pelo mar para uma terra distante. Certo dia, um rapaz pobre que sonhava com surf e ondas grandes, mas não tinha prancha, encontrou-a. Feliz, passava os seus dias na água. Divertia-se com as ondas grandes, as médias e as pequenas.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

O romance do infeliz

Ele podia ter sido feliz com quem tinha, mas desgraçadamente procurou a felicidade onde não havia. Morreu sozinho e infeliz.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

O cheiro da mandioca

Um estrondo no vidro da montra do café. Era uma pomba. Uns clientes pasmam de boca aberta, outros riem. "No outro dia, entrou mesmo aqui dentro!" esclarece o dono galhofeiro. "Ou está muito desorientada, ou gosta muito de si...", gracejo com ele. "Não, a pomba vem é ao cheiro da mandioca!" Era impossível não perceber o cheiro da "mandioca".

quarta-feira, setembro 21, 2011

Buracos na Madeira

Era uma Madeira com tantos buracos que começou a afundar. O guloso do bicho também morreu afogado.

quarta-feira, agosto 10, 2011

Belo dia de praia

"Deve estar um belo dia de praia!", pensava de si para si o gordo suado no seu escritório.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Conto do descartamento

Ele sabia que estava naqueles dias em que tudo o que escrevia seria para descartar. Foi ver a caixa de correio.

quinta-feira, junho 02, 2011

"Locus comunis"

Era um lugar-comum, mas mesmo tão comum, que ninguém se dava ao trabalho de arar as suas terras.