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terça-feira, julho 05, 2022

Contentamento

 

Paulo termina a Carta aos Filipenses com o coração a transbordar de alegria. Como é que é possível alguém estar preso injustamente e mesmo assim estar tão contente? Serão os cristãos masoquistas? Claro que não. A Carta da alegria serve para reforçar a lembrança de que Deus se faz presente no meio das nossas lutas e tribulações.

Paulo tinha aprendido a estar alegre e a contentar-se com o que tinha. Sabia ter muito e a ter pouco. A comer o suficiente e a passar fome. Contentamento com o que se tem e em satisfazer os outros. Parece que hoje ninguém se contenta com nada. Vivemos tempos abastados e poucos estão satisfeitos com o muito que têm. Claro que este contentamento não é um convite à indolência ou preguiça, mas a trabalhar mais e mais, descansando por saber que Deus está connosco. "Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele [Deus] disse: Não te deixarei, nem te desampararei.” -  Hebreus 13:5.

É um contentamento que depende do Senhor e da Sua poderosa presença: "Posso todas as coisas naquele [em Cristo] que me fortalece” Fp 4:13. Que grande poder! Mas muitos interpretam este versículo de forma errada, como se Deus nos desse uma varinha mágica para fazermos tudo o que desejamos. Outra noção errada é supor que temos que suportar todas as coisas na nossa força e poder. Nada disso. O segredo deste poderosa força está na constante dependência do poder e da presença de Jesus Cristo em nós. É na medida em que confiamos mais no poder de Deus que mais contentes e alegres ficamos. 

“Todavia… Fizeste bem em tomar parte da minha aflição” Fp 4:14. Sim, devemos confiar no Senhor e contentar-nos com o que temos, mas também é a nossa obrigação ajudar quem precisa. O cristão não fica indiferente à aflição do seu próximo. Paulo desabafa que só a Igreja em Filipos o ajudou. Infelizmente há muita insensibilidade e ingratidão de alguns crentes com relação à obra de Deus. A verdade é que Deus supre e recompensa sempre quem abençoe e contribui.


Paulo encerra a Carta da mesma maneira com que começou, com "a graça de nosso Senhor Jesus Cristo" (Fp 4:23; 1:2). Precisamos da graça de Deus em todos os momentos da nossa vida. E a graça manifesta em Jesus Cristo devia bastar-nos. Teresa de Ávila (séc. XVI) disse que  "quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta". Se na tua vida a graça de Deus te basta, Nada na tua vida te falta. Que o grande contentamento da nossa vida esteja na maravilhosa graça de Deus. Amém.

quinta-feira, junho 02, 2022

Alegra-te no Senhor!



O Apóstolo Paulo estava preso em Roma e tinha muitas saudades da igreja em Filipos. A sua grande alegria era Cristo e a Igreja. Ele refere-se à igreja com cinco termos afectuosos e amorosos: "Meus amados; queridos irmãos; Mui Saudosos; Minha alegria; Minha coroa." Este amor devia ser o sentimento normal dos que se dizem cristãos, quando falam e pensam na sua igreja. 

Contudo, o facto de Paulo amar a Igreja dos filipenses não invalidava expor alguns problemas que lá existiam. Ele já tinha denunciado os judaizantes e os maus obreiros, agora vai exortar duas irmãs: Evódia e Síntique, que andavam desavindas. Que “sintam o mesmo no Senhor”, ou seja, que pensem da mesma forma nas coisas importantes. Paulo apela a que os líderes também as ajudassem nesse entendimento. Somos chamados à unidade efectiva com os nossos irmãos.

Neste capítulo 4, Paulo renova a enfase temática da carta: “Regozijai-vos, sempre, no Senhor!” Esta alegria é mais do que um sentimentalismo superficial, ela brota do relacionamento íntimo com Cristo. A importância de nos regozijarmos no Senhor é tanta que o Apóstolo repete a ideia: "Outra vez digo: regozijai-vos!” Francisco de Sales (1567-1622) afirmou que “Um cristão triste é um triste cristão”.

E nessa alegria permanente, "a vossa equidade seja notória” (Fp 4:5). Equidade aqui significa moderação, amabilidade, bondade, tolerância. Vivemos tempos de grande agressividade reactiva, violência e revolta. A equidade está fora de moda. Por vezes falta-nos o equilíbrio sábio na forma como falamos e agimos. Que Deus nos ajude a sermos mais amáveis. Uma das fortes razões que nos deve motivar a sermos mais afáveis é porque a vinda do Senhor está perto. Não precisamos desesperar, Jesus vai voltar.

Além disso, "Não estejais inquietos por coisa alguma”. A ansiedade não é uma coisa nova. Esta carta foi escrita há cerca de 2000 anos e Paulo já fala desta problemática. Ansiedade na raiz da palavra original grega significa "estar dividido". A pessoa ansiosa tem a sua mente dividida com muitos pensamentos. Temos sempre dificuldade em ficar alegres quando nos focamos nos problemas e nos obstáculos. Se a ansiedade não for devidamente tratada, pode degenerar em doença grave.

Mas como a ansiedade é sobretudo um problema espiritual, a Bíblia dá-nos o remédio: a oração e a gratidão. Muitas vezes andamos inquietos porque não oramos. Queremos confiar mais nos nossos métodos e planos do que em Deus e na sua vontade. A consequência de orarmos e vivermos gratos a Deus é experimentar a verdadeira paz. Uma paz incomparável, sobrenatural que vem do alto. A paz que transcende os nossos sentimentos, circunstâncias e até a lógica humana.

Paulo remata esta primeira parte dizendo-nos que devemos cuidar bem dos nossos pensamentos (Fp 4:8). A nossa mente deve estar focada em Deus e naquilo que Ele deseja e O glorifica. Pensar naquilo que é verdadeiro, bom e correcto. Pensar nas coisas que são puras e agradáveis. Com a ajuda do Senhor, devemos domar e ordenar os nossos pensamentos senão transformam-se num cavalo selvagem que só faz disparates. Um provérbio chinês, citado por Lutero, assevera que “Não podemos evitar que as aves sobrevoem as nossas cabeças, mas podemos evitar que elas façam ninho nos nossos cabelos.” 

Existem muitos ladrões da alegria: as doenças, a solidão, as inimizades, o pecado, o diabo, mas por vezes somos nós próprios os grandes culpados, porque não fazemos o que temos que fazer. Que O Senhor nos ajude a levar as nossas petições a Ele e a sermos mais gratos! Pensemos em quem Deus é e nas grandes coisas que Ele tem feito! A alegria do Senhor e no Senhor é a nossa força.

ALEGRA-TE NO SENHOR!

quarta-feira, maio 25, 2022

Prossigo, esqueço e avanço

O Apóstolo Paulo confessa aos Filipenses que ansiava chegar à ressurreição dos mortos. O poder da ressurreição é para vivermos no presente, a ressurreição dos mortos é futura, que acontecerá quando Jesus voltar. É por isso que Paulo diz em Fp 3:12 que ainda não alcançou essa ressurreição. Somente nesse dia estará completa a nossa perfeição, incorrupção e imortalidade.

Paulo tinha a noção clara da sua imperfeição, mas não se contentava com ela, tencionava prosseguir para o alvo. O prémio por ter chegado ao fim da vida com a vocação cumprida. Era isso que Paulo agora perseguia, não os cristãos, mas o poder aperfeiçoador e santificador que há em Cristo.

Paulo tinha feito muitos erros no seu passado, mas isso não o impedia de prosseguir. Tenho visto alguns crentes que desistem muito facilmente. Desistem de orar, ler a Bíblia, desistem da sua Igreja local, desistem da família, dos amigos. Paulo não ficou preso ao passado, ele avançava para as coisas que estavam diante dele. Alguns não conseguem esquecer as mágoas, não perdoam, não querem abandonar as razões, preferem lamber as suas feridas e lamentar eternamente os erros e culpas. Somos exortados a avançar sem olhar para trás, como a mulher de Ló que ficou petrificada numa estátua de sal quando olhou para onde não devia olhar.

A perfeição que Paulo fala no v.15 é a maturidade espiritual que deriva da comunhão com Deus e do reconhecimento sincero da nossa imperfeição e fraqueza. Os perfeitos no cristianismo são aqueles que sabem que ainda são imperfeitos. Existe um bom teste para sabermos se somos maduros: se admitimos a nossa imperfeição, os nossos erros, enganos e pecados. Neste sentido, Paulo era perfeito porque sabia-se imperfeito (v.12). Os líderes, os que pregam, aqueles que ensinam devem ser exemplo de fé, perdão, humildade e prosseguimento.

Nos v.18 e 19 Paulo vai voltar aos que não eram bom exemplo. Os falsos mestres e os libertinos, que pensavam que a graça de Deus é barata e que lá por já ser cristão se pode pecar livremente. A libertinagem moral, ética e comportamental dos nossos dias é assustadora. Estas pessoas são “inimigos da cruz de Cristo” (v.18). Paulo chorava pelo mau exemplo destes. O deus destas pessoas era o ventre, o umbigo. Viviam para si com altivez e para os seus prazeres. Não nos enganemos, o destino dos heréticos, dos libertinos e dos egoístas é a perdição.

O verdadeiro cristão, por outro lado, sabe que é um cidadão do céu (v.20). Estamos de passagem aqui. A nossa origem e o nosso destino é o céu. Fomos escolhidos na eternidade passada para habitarmos com Deus por toda a eternidade futura. Aguardamos ansiosamente a segunda vinda de Jesus que vai transformar o nosso corpo mortal num corpo glorioso.


Precisamos entender que a salvação que Deus nos dá está ligada à santificação, mas a perfeição total não se consegue nesta vida, é um processo contínuo e crescente. “Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo.” (Fp 1:6).
 
Andemos atentos aos falsos obreiros. Nem todo o que se diz cristão o é. Aquilo que testemunha mais alto da fé são as atitudes de perdão, amor e compaixão que praticamos. Rejeitemos tudo o que a Escritura Sagrada rejeita e creiamos em tudo o que ela ensina e ordena.

Não andemos distraídos com as muitas coisas desta vida. Prossigamos empenhados para o alvo. Não para ganhar a salvação, mas vivendo como salvos. Devemos ter mais foco no alvo que é Jesus Cristo. Corramos de forma que alcancemos a meta, o prémio, a coroa, o galardão (1Co 9:24).

Prossigamos e avancemos com Jesus. Para Ele!

quarta-feira, abril 20, 2022

Conhecer ainda mais a Cristo

 

O terceiro capítulo da Carta aos Filipenses (Fp 3:1-11) começa com a grande temática da Carta: “Que vos regozijeis no Senhor!” A prisão de Roma não conseguiu prender a alegria de Paulo no Senhor. O segredo da vida cristã abundante é encontrar em todas as circunstâncias a alegria e a esperança "NO SENHOR". Pela fé.

Esta carta serviu também para alertar os crentes filipenses dos falsos mestres que se estavam a introduzir na igreja. Os judaizantes eram judeus que aceitaram o Evangelho, mas pensavam que o cristianismo devia ser mesclado com o judaísmo. Misturar a fé em Jesus com outras coisas dá sempre errado. A fé em Jesus é singular no sentido e na forma.

Para mostrar que Paulo percebia bem a religiosidade judaica, vai fazer uma breve autobiografia. Ele tinha sido circuncidado ao oitavo dia (a marca de um verdadeiro judeu). Pertencia à tribo real de Benjamim. Foi educado na língua, escrita e cultura hebraica. Pertencia à seita mais rigorosa dos judeus: os fariseus. Com zelo farisaico perseguiu a Igreja de Jesus e até consentiu na morte de alguns cristãos. Praticava de forma rigorosa todas as minúcias da Lei e excedia o legalismo de todos esses mestres. Mas apesar de todos estes distintos predicados judaicos, no dia em que Cristo o encontrou na Estrada para Damasco, tudo isto se transformou em esterco e lixo. O que outrora era ganho, agora era perda. 

O novo Paulo tinha um objectivo de vida: conhecer ainda mais a Cristo. Este conhecimento era mais do que um saber mental ou intelectual. É uma experiência transformadora que se inicia no momento da conversão e que continua até morrermos. E nesse conhecimento progressivo de Cristo, Paulo tinha uma ambição ousada: desejava experimentar o poder vitorioso da ressurreição de Cristo no seu próprio corpo. O poder da ressurreição é para o presente e a ressurreição dos mortos é para o futuro. É o poder da ressurreição de Cristo que nos dá vitória contra o pecado, livra da culpa, nos dá coragem e paciência nas tribulações e dificuldades. 

Alguns cristãos de hoje pensam que a doutrina, a teologia e o estudo bíblico não são coisas importantes, mas são a base da vitória cristã. A doutrina é importantíssima mas deve ser complementada com o exemplo de Paulo: conhecer ainda mais a Cristo e depender mais do poder vitorioso da Sua ressurreição. Martyn Lloyd-Jones dizia "Eu passo a metade do meu tempo a dizer aos cristãos para estudar a doutrina e a outra metade a dizer-lhes que a doutrina não é suficiente." O conhecimento de Cristo implica tempo e é inerentemente prático. 

Conhecemos mais de Cristo quando temos relacionamento com Ele pelas Escrituras, pela oração e pela comunhão na igreja local. Conhecemos mais a Cristo quando morremos para nós próprios e permitimos que o poder da ressurreição de Cristo se manifeste em nós. Conhecer ainda mais a Cristo deve ser o desígnio de vida de todo o cristão.

terça-feira, março 22, 2022

Facilitador ou Complicador?


As grandes temáticas do capítulo 2 de Filipenses são a humildade e a obediência de Cristo. Jesus é, e sempre será, o nosso maior exemplo, mas na segunda parte deste capítulo, o Apóstolo Paulo vai adicionar o exemplo de dois homens, Timóteo e Epafrodito.

Paulo encontrava-se preso em Roma e manifesta o seu desejo em enviar o seu companheiro Timóteo à Igreja em Filipos. A ideia era levar notícias do ministério e também apoiar a Igreja dos filipenses. O próprio Paulo confessa que desejava também visitar a Igreja em Filipos, se assim Deus o permitisse.

Timóteo tinha aprendido a caminhar pela fé com a sua avó Loide e a mãe Eunice. Era um jovem tímido e doente, mas amava a obra de Deus e os filipenses. O amor ao Senhor e aos irmãos devia ser a maior motivação do nosso envolvimento na igreja. Quem ama a sua igreja local não deixa participar, de orar e de se envolver. Faltando-nos o amor, falta-nos tudo.

Timóteo tinha ajudado Paulo a estabelecer a igreja em Filipos. Ao contrário de muitos, era um obreiro que não buscava os seus interesses, mas os de Jesus Cristo (Fp 2:21). O egoísmo corrói e estraga a obra de Deus. Um egoísta acha que tem sempre razão, tem dificuldade em ouvir, não reconhece erros e age como se não precisasse de outros. Mas Paulo tinha ensinado bem Timóteo, dando o bom exemplo como um pai a um filho.

Contudo, antes de Timóteo partir, Paulo ia enviar Epafrodito primeiro. Este irmão tinha trazido uma oferta da Igreja em Filipos para o Apóstolo. Epafrodito era para Paulo um irmão, um cooperador, um missionário. É tocante perceber a união e a cooperação que existia entre eles. Epafrodito tinha ficado bastante doente, quase às portas da morte e Paulo, preocupado com ele e com os irmãos filipenses, resolveu enviar de imediato este seu companheiro que entretanto foi curado pelo Senhor. 

Paulo era um homem prático e facilitador. Ele preferiu enviar Epafrodito, que estava com muitas saudades de casa, do que gozar da sua companhia. O prisioneiro de Jesus Cristo era um homem sensível às necessidades dos outros. Estou convencido que muitos dos problemas terminariam se existisse um pouco mais de empatia e bom senso. A igreja, o ministério, a família, o emprego seriam mais simples se existissem mais facilitadores do que complicadores.

Ser facilitador não significa fechar os olhos aos erros ou a desvios doutrinários (cf. Fp 3). O facilitador é um ajudador, um auxiliador, é ser-se flexível naquilo que se pode e deve ser. A vida das pessoas já é difícil e complicada de mais. Os cristãos devem ser facilitadores e abençoadores, apontando sempre para Cristo. Robert McCheyne, pastor da Igreja da Escócia, afirmou o seguinte: "O crente é aquele cuja vida leva outros a crerem com mais facilidade"

Um facilitador é aquele que já entregou a sua vida a Cristo e é guiado por Ele. É aquele que está pronto a ajudar quem precisa.  Leva outros a seguirem e a confiarem em Jesus. Que Deus nos ajude a ser pessoas que facilitam a vida a todos, em vez de a complicarmos. 

"Enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé." - Gl 6:10 [NVI].

 

quarta-feira, dezembro 22, 2021

O Senhor Jesus fez-se homem-servo

O Senhor Jesus fez-se homem-servo. Por ser um servo obediente, foi até à cruz e tornou-se o nosso Senhor e salvador. Quem hoje invocar o nome do Senhor Jesus e crer que Ele é o único salvador será salvo. Tudo isto para a glória de Deus Pai.

terça-feira, novembro 23, 2021

Viver ou morrer?


Quando o Apóstolo Paulo escreveu aos Filipenses estava preso injustamente em Roma. Ao contrário do que seria normal, não há nele nenhuma tristeza ou revolta. Ele acreditava que estas coisas estavam a contribuir para um maior avanço e progresso do evangelho de Jesus Cristo. Este testemunho de Paulo estava a contagiar e a abençoar de forma poderosa todos à sua volta. 

“Quando a pessoa confia inteiramente no soberano Deus omnipotente, nada de terrível pode sobrevir, os eventos e as circunstâncias são controladas por Ele”, escreveu Russell Shedd. Que nós possamos ter também esta atitude paulina, de testemunhar sempre da salvação de Cristo, independentemente dos obstáculos que nos surjam.  

Paulo sabia que muitos estavam a anunciar a Cristo por amor, mas outros estavam a fazê-lo de forma egoísta, por rivalidade e inveja. Infelizmente ainda hoje, há líderes e igrejas que parece que estão em competição com outros obreiros e igrejas. Não cooperam e são indiferentes à obra de Deus das outras congregações. Paulo alegrava-se mesmo assim por Cristo estar a ser anunciado. Obviamente que não está ali a defender que a forma como anunciamos o Evangelho não é importante. Nesta e nas outras epístolas, o Apóstolo exorta para que Cristo seja anunciado com motivações certas, santas e que em tudo Deus seja glorificado.

O ponto central deste primeiro capítulo é a declaração existencialista de Paulo: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é ganho!” (Fp 1:21). A única vida que vale a pena viver é em Cristo. Contudo, Paulo tinha um dilema: por um lado desejava partir (morrer) e estar com Cristo; por outro lado, queria viver aqui, pois considerava necessário ficar mais algum tempo a servir O Senhor e a Igreja. A morte não assusta o verdadeiro crente, Paulo tinha a certeza que ir ter com Cristo é “muito melhor”.

Estás preparado para morrer? O profeta Amós faz um aviso solene ao povo de Israel que se faz pertinente para todos os viventes: “Prepara-te para te encontrares com o teu Deus”. Quando o rei Ezequias recebeu a notícia da parte de Deus que ia morrer, o profeta Isaías avisou-o: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás.” (Is 38:1). A tua vida está em ordem? Estás reconciliado com Deus, contigo mesmo e com as outras pessoas? Receber Jesus e estar no centro da vontade de Deus é imperioso para viver e morrer bem. 

Partimos para a eternidade como estamos. O Apóstolo Paulo estava preparado para partir porque para ele Jesus Cristo era a única razão da sua existência e a morte representa ganho! Começamos a viver quando Cristo, pela Sua graça e poder, começa a viver em nós.

segunda-feira, outubro 18, 2021

Gratidão na Prisão

Preguei de forma expositiva na nossa igreja na maravilhosa carta de Paulo aos Filipenses, em 2011 e 2012. Agora, passados dez anos, é tempo de retornarmos à prisão de Roma e ouvirmos aquilo que O Espírito Santo nos quer relembrar através desta epístola.

Filipos era uma cidade bastante importante da Macedónia. Esta igreja começou com uma visão que Deus deu a Paulo e com a pregação do Evangelho junto a um rio. Uma mulher chamada Lídia recebeu Jesus, depois toda a sua família e mais tarde outra família (Actos 16:9-40). Esta carta terá sido escrita (ou ditada) por volta do ano 60 DC, enquanto Paulo estava preso em Roma. 

É uma carta com um cunho muito pessoal de Paulo. Escrita com o coração, para manifestar o amor, saudade e gratidão de Paulo à Igreja em Filipos. Os filipenses davam bom testemunho de fé e amor e tinham enviado um donativo por intermédio de Epafrodito a Paulo. A gratidão e a cooperação prática na obra de Deus são primordiais nos nossos dias. Precisamos dar-nos ao Senhor e cooperar mais uns com os outros. Cultivemos o hábito de agradecer, de incentivar, de abençoar. Tudo começa em casa e na nossa igreja local.

É uma carta cristológica, onde sobressai de forma resplandecente Cristo e a Sua obra redentora. É também uma epístola correctiva. Paulo exorta-nos à perseverança, ao amor fraternal, à humildade, realçando sempre Cristo, como o nosso grande exemplo. Há advertências contra os maus obreiros, contra as heresias e um apelo vigoroso a duas irmãs que estavam de costas voltadas, para darem as mãos e trabalharem juntas no Senhor.

O versículo seis do primeiro capítulo dá-nos consolo e segurança: "Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo." A nossa salvação é assegurada e mantida por Deus. Somos eleitos, salvos e estamos seguros por causa do amor e da misericórdia de Deus e da Sua poderosa obra.

Mas, sem dúvida, a grande ênfase temática desta epístola é a alegria do Senhor! Esta é considerada a carta da alegria. Mesmo estando preso injustamente e perante a morte iminente (Fp 1:21-23), o Apóstolo estimula os filipenses, e nós também, a desfrutarmos da alegria do Senhor. Paulo, o prisioneiro grato, incita-nos com um sorriso nos lábios: "Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos!" (Fp 4:4).

Diante das tristezas, agruras, prisões e dificuldades desta vida, ouçamos O Espírito Santo a repetir hoje: Alegrai-vos sempre no Senhor!

quarta-feira, agosto 19, 2020

Entregar as inquietações ao Senhor



"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças."
Filipenses 4:6.
 
A inquietação não é uma coisa nova. A carta de Paulo aos Filipenses foi escrita há cerca de 2000 anos e já havia gente inquieta e ansiosa. "Ansiedade" na raiz da palavra original grega significa "estar dividido". A pessoa ansiosa tem a sua mente dividida com muitos pensamentos. É uma guerra entre pensamentos bons e maus, onde parece que ganham os maus. Se a ansiedade não for tratada degenera em doença. Adoece-se na mente, no corpo, na alma e no espírito.

O versículo não só nos diz para não andarmos inquietos, mas dá-nos o remédio: Oração e gratidão. O melhor antídoto contra a inquietação, a tristeza, a perturbação e o desencorajamento é entregarmos os nossos encargos a Deus. Só O Senhor pode e sabe cuidar deles.

Devemos também refrear os nossos pensamentos (Fp 4:8). Disciplinar a nossa mente para se focar em Deus, na Sua Palavra e naquilo que Ele deseja e O glorifica. Pensar naquilo que é verdadeiro, bom e correcto. Pensar mais nas boas qualidades dos que nos rodeiam em vez de matutar nos seus defeitos. Nas tantas coisas boas que Deus já fez, continua a fazer e ainda fará.

Em tempos e circunstâncias difíceis é possível desfrutar da paz e da alegria do Senhor, quando as entregamos ao Senhor e confiamos no Seu cuidado. "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus." (Fp 4:7).

quarta-feira, julho 19, 2017

Sobre a ansiedade

"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com acção de graças." (Filipenses 4:6)

A ansiedade não é uma coisa nova. Esta carta foi escrita há cerca de 2000 anos e Paulo já fala deste problema. "Inquieto", ou "ansioso", no original grego significa literalmente "estar dividido". A pessoa ansiosa está com a sua mente dividida com muitos pensamentos, está sempre a ruminar as mesmas inquietações e preocupações. A ansiedade é um problema mental e espiritual. Se não for devidamente tratada, a ansiedade pode degenerar em doença.

A melhor coisa que o cristão pode fazer para resolver a ansiedade é entregá-la a Deus, pela oração. Transferir para Deus as suas preocupações, dúvidas, medos e todas as coisas que o preocupam e que não consegue controlar. Confiar que Deus é capaz de lidar connosco, com as pessoas que nos afligem e com os nossos problemas. Orar, suplicar e agradecer a Deus por todas as circunstâncias. A promessa divina é que a paz de Deus sempre guardará a mente, o coração e as emoções daquele que ora e vive na dependência do seu Senhor (Fl 4:7).

terça-feira, maio 17, 2016

Regozijar, orar e pensar bem

No Domingo de Pentecostes preguei sobre algumas das evidências do fruto do Espírito Santo escondidas em Filipenses 4. O regozijo que permanece, a sábia moderação e a paz que transcende a lógica humana. Regozijo, moderação e paz derivam e estão fundamentadas no nosso relacionamento vital com Deus. Temos amor, alegria e paz quando voltamos os nossos pensamentos e orações para Deus. A oração e a gratidão não são uma fuga aos problemas, são o remédio divino. Pensar bem, ou seja, colocar os pensamentos em Deus e nas coisas boas da vida, faz-nos bem à vida. Os piores ladrões da alegria e da paz somos nós. Não esperemos resultados bons na vida quando enchemos a nossa mente de coisas más e vãs. Por outro lado, o profeta Isaías esclarece que Deus sempre conservará em paz aquele que tem a mente firme no Senhor, porque a sua confiança está em Deus. (Isaías 26:3). Assim seja.

domingo, outubro 20, 2013

O mistério do Deus servo

"Jesus era ao mesmo tempo Deus e servo. Ele reuniu todos os elementos da proclamação de Deus, e a maneira pela qual o fez foi como servo, 'por nós e para nossa salvação'. Esse é um tremendo mistério que desafia a compreensão, mas o mistério não impede que dele participemos."

In: Eugene Peterson. O caminho de Jesus e os atalhos da Igreja. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2009, p. 206.

quarta-feira, maio 23, 2012

"Outra vez digo: regozijai-vos!"

Encerrei este domingo a pregação expositiva da Epístola de Paulo aos Filipenses. O versículo quatro, do capitulo quatro, sublinha o ponto central da carta: "regozijai-vos no Senhor", e como somos muito propensos a esquecer os conselhos da Palavra de Deus, o apóstolo reforça "outra vez digo: regozijai-vos." Esta alegria firme e crescente é muito mais do que um sentimento humano, motivado por circunstâncias favoráveis, é alicerçado e focado "no Senhor".

Paulo termina a carta, dando alguns conselhos práticos para gozarmos desta alegria: a oração, a gratidão, os pensamentos focados em Deus e no seu carácter, o contentamento material, uma generosidade atenta, que acode às necessidades dos outros, e acima de tudo, a confiança no Deus que supre sempre as nossas necessidades, sejam espirituais, emocionais ou materiais.

Não é difícil concluir porque é que tantas pessoas, algumas delas crentes, não desfrutam e nem espelham esta alegria: raramente oram, são ingratos e mal agradecidos, só pensam em coisas más e pecaminosas, nunca estão satisfeitos com nada, são invejosos e egoístas. Não conseguem regozijar-se porque não se contentam com O Senhor. Por isso é que vivem tristes e infelizes. Mas esta carta começa e termina com a graça e a paz de Deus. A provisão graciosa de Deus para todos nós é a sua paz e alegria. E a alegria do Senhor é a nossa força. "Outra vez digo: regozijai-vos!"

segunda-feira, abril 16, 2012

Chamados a ser além

Há uma febre por relevância em alguns círculos da igreja protestante. Que os crentes precisam ser relevantes, influenciadores, importantes aqui neste mundo, dizem eles. Que as boas igrejas são as que são relevantes, conhecidas, que têm reconhecimento e notoriedade aqui. Esta voracidade por relevância cansa. G. K. Chesterton, na sua colectânea de "Tremendas Trivialidades" (editada em Portugal pela Alétheia), constata acertadamente que "estamos no mundo errado", e continua dizendo que "O falso optimismo, a alegria moderna, cansam-nos porque nos dizem que pertencemos a este mundo. A verdadeira felicidade é que não pertencemos. Vimos de outro lugar. Perdemos o nosso caminho." A verdade, é que não somos daqui e nem somos chamados a ser daqui. Estamos perdidos na terra e precisamos ser encontrados pelo céu. A vocação da Igreja é celestial. O Apóstolo Paulo recorda-nos que a nossa verdadeira pátria não é aqui. Uma estrela é boa, não porque é muito vista na terra, mas porque permanece no lugar para o qual foi criada. No céu. O nosso chamado aqui é encontrar o Caminho para chegar além.

domingo, abril 15, 2012

Cristãos mornos

Comentando o terceiro capítulo da Epístola aos Filipenses, Russel Shedd sintetiza algumas razões porque existem tantos cristãos estagnados e arrefecidos na fé:

"Ao invés de corredores na corrida da salvação, os cristãos mornos não passam de espectadores. Não descartam todos os bens alcançados por esforço próprio. Sentem-se bem na 'perfeição' atingida. Não almejam o conhecimento de Cristo, seu supremo valor, nem se sentem impulsionados a 'perseguir' o alvo da santidade, pela comunhão dos sofrimentos de Cristo. Não contemplam a vida como uma corrida com um prémio no fim. Pelo contrário, a única luta que travam é para melhorar esta vida, buscando mais conforto, prazer e reconhecimento dos homens (conferir João 12:42,43)."

In:
Russell Shedd. Epístolas da prisão - Filipenses. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 178 (adaptado).

segunda-feira, março 05, 2012

Deus é quem opera a nossa santificação

No seguimento do hino cristológico, os crentes da Igreja em Filipos são agora desafiados a desenvolver a sua salvação, com temor e tremor. É de obediência e santificação que se está a falar ali. O apóstolo Paulo, parece que se engana na sua primeira sentença, e explicando melhor, alerta-os para o facto de que é o próprio Deus que realiza neles, tanto o querer como o efectuar dessa santificação. É neste estranho paradoxo de nos esforçarmos para ser santos, sabendo e confiando que é só Deus que pode realizar isso, que a sua boa vontade é formada em nós. O princípio, o meio e fim da nossa salvação e santificação são de Deus. A cooperação é a nossa responsabilidade. A glória pertence-lhe.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Ode ao Servo-redentor

Por falar em arte, preguei no passado domingo acerca do belo Hino Cristológico, retratado na carta aos Filipenses, que, segundo alguns estudiosos, os primeiros cristãos costumavam cantar em uníssono. Com o tempo, não só se perdeu a melodia e o compasso do sagrado poema, como escasseia cada vez mais no cristianismo do nosso tempo a evidência da humildade e do amor que emanam do Servo-redentor.

domingo, novembro 27, 2011

O amor cresce à medida que é testado

"O amor não pode ser medido de maneira matemática concreta. Por ser dinâmico e relacional, o amor cresce à medida que é testado. Os pais que mais amam seus filhos são aqueles que mais sofreram por causa dos filhos"

In: Russell Shedd. Epístolas da prisão - Filipenses. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 97.

domingo, novembro 20, 2011

Tudo contribuirá para o bem

"Quando uma pessoa tem confiança total no Deus omnipotente, nada de mau pode sobrevir, porque os eventos e as circunstâncias são controladas por ele."

In: Russell Shedd. Epístolas da prisão - Filipenses. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 115.

quinta-feira, novembro 10, 2011

O serviço a Deus é feito com pessoas imperfeitas

Que ninguém tenha a veleidade de pensar que só vai trabalhar na Igreja local com as melhores e as mais perfeitas pessoas do mundo. No serviço a Deus vão ocorrer sempre muitos erros e falhas, tanto da parte dos líderes, como dos que não são líderes. Foi assim no passado, é no presente e será até à vinda do Senhor. Compete a cada Pastor, líder ou responsável trabalhar e cooperar com as pessoas e os recursos que Deus lhe tem dado, sendo gratos a Deus pelas vidas que já estão envolvidas, e orar e incentivar outras pessoas para se envolverem mais com O Senhor e a sua obra. Que Deus nos ajude a trabalhar com gratidão pelos que estão, mantendo a porta aberta para os que Ele sabe que ainda virão.

"Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, fazendo, sempre com alegria, oração por vós em todas as minhas súplicas, pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora. Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo."

(Filipenses 1:3-5)