O Vítor Mota lançou a questão, "E se houvesse um partido evangélico"? Será que deverá existir em Portugal um partido estritamente evangélico? Possivelmente não haverão respostas simples a estas questões. Se é certo que não me repugna a ideia de um "partido evangélico", também confesso que tenho muitas dúvidas quanto à sua existência e eficácia. Aliás, já existem alguns partidos apelidados de "cristãos". Partidos que têm na base ideológica e programática a defesa da democracia baseada nos ensinamentos e princípios cristãos. Infelizmente, muitos deles, negam com a sua linha de acção os valores emblemáticos do cristianismo.
A avaliar pela experiência no Brasil (e noutros países), os partidos evangélicos revelaram-se um grande engano. Equívocos, corrupções e escândalos, vendidos a troco de um "voto santo", espalhando um terrível rasto de mau testemunho cristão.
A história também revela que a cristianização do estado e do mundo pela via política deu sempre maus resultados. Isto não quer dizer que não existam ou tenham existido excelentes políticos cristãos, que intervieram e contribuíram de uma forma altamente benéfica para a sociedade.
Os evangélicos (e não só) sempre tiveram esta obstinação associativa correlegionária (inventam-se organizações para tudo e para todos), para governar o mundo, pensando que ele se transforma pela força do poder e da influência, política ou religiosa. Ora é precisamente aqui que reside o grande equívoco. Para sermos “sal e luz” não precisamos criar mais um “saleiro santo” de poder. Uma teocracia imposta, é uma medonha contradição que só conduz a fanatismos extremados. Além disso não existem políticas santas (e muito menos guerras) que irão mudar para melhor este mundo perdido. Só mesmo Deus é capaz disso.
Uma outra questão se levanta, porque é que só pode haver um partido a monopolizar ou representar a fé cristã? Outros são livres de os criar, dir-me-ão. Mas às tantas, teríamos tantos partidos (pequenos e divididos) como a miríade de denominações que já existem, e que são vergonha suficiente para o Corpo de Cristo.
Na minha opinião, é preferível que cada cristão assuma abertamente o seu posicionamento político e que cumpra o seu dever de boa cidadania. Será que todos os cristãos costumam votar? Quantos cristãos assumem os partidos e os programas que votaram? Ou é indiferente o voto dos cristãos?
Escrevi anteriormente que “compete a cada evangélico informar-se dos programas de cada partido e rejeitar os partidos que defendem valores contrários ao Evangelho e escolher o que mais se aproxima do seu ideário cristão. Considero incorrecto usar o púlpito para fazer campanha política, mas creio que a nível pessoal cada cristão é livre para defender e apontar o partido político que julga ser mais consentâneo com as suas convicções.”
Devemos participar na vida pública e política como bons cidadãos, respeitando quem não quer nada com o Evangelho e aceitar a independência e laicidade do Estado. Compete-nos orar, obedecer e abençoar as autoridades instituídas. Isto não quer dizer que não possamos (à semelhança de tantos bons profetas do Velho e Novo Testamento), denunciar as injustiças e os erros políticos que desvirtuam os princípios e os valores cristãos.
Por outro lado o envolvimento na política nunca deverá ter o fim de "cristianizar" o mundo ou para fazer prosélitos para a sua igreja ou denominação, antes, vivendo e defendendo a mundividência cristã, contribuiremos certamente para a paz, justiça e progresso das nações.
Acima de tudo, lembrar que a nossa grande mensagem é o Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo e que o nosso reino não é deste mundo (João 18:36; 15:19; 17:14-16). O chamado elevado dos verdadeiros cristãos não é formar partidos, antes ser a Igreja “santa e irrepreensível” que glorifica Deus, dentro e fora dos templos. Deus é O único Rei que governa bem.









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