segunda-feira, outubro 31, 2016

Castelo forte é O nosso Deus!


31 de Outubro de 1517-2016 (499 anos de Reforma Protestante).

sexta-feira, outubro 28, 2016

Falta de tempo

Dizemos:
Falta-me sempre tempo.
Tempo para estudar
Tempo para trabalhar
Tempo para ouvir
Tempo para parar
Tempo para pensar
Tempo para respirar
Falta-nos tempo para arranjar tempo

Mas o tempo tem sempre tempo
A falta, nunca é do tempo.
Ainda não está escuro
Acertemo-nos
Enquanto há tempo.

Jorge Oliveira

quinta-feira, outubro 27, 2016

Desejar ou esperar?



Eugene Peterson defende que é necessário fazer a distinção entre esperar e desejar. São diferentes. O desejo brota do nosso ego, a esperança nasce da fé. Os nossos desejos ardem por aquilo que pensamos ser bom e correcto - e nós não somos um padrão confiável de bondade e assertividade. Os nossos desejos são narcisistas e gulosos. Fazem-nos desesperar. Por outro lado, quando confiamos que Deus cuida bem dos nossos desejos e ambições, descansamos. Esperar em Deus é muito melhor que o melhor dos nossos desejos. Viver na espera divina é saber que aquilo que Deus faz transcende os nossos pobres bons desejos.

"Espera no SENHOR, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no SENHOR" - Salmo 27:14.

domingo, outubro 23, 2016

A igreja é a arena principal

"A igreja é a arena principal em que aprendemos que a glória não consiste no que fazemos para Deus, mas no que Deus faz por nós."

In: Eugene Peterson. A linguagem de Deus. Editora Mundo Cristão, 2011, p. 247.

sexta-feira, outubro 21, 2016

A morte da Morte

A morte não é um tema popular. Preferimos não pensar muito nisso. Aquilo que talvez mais choca a nossa alienada cultura imediatista é a morte. A morte perturba. Ela infunde terror e semeia o desespero da ausência para quem fica. Independentemente das crenças e práticas, por mais previsível que seja, a morte sempre alvoroça o mundo dos vivos. Ainda que se procure fazer tudo para a esquecer, retardar e ocultar, um dia a morte bate-nos à porta.

Aspirações e sonhos são interrompidos a crianças e jovens. Casais são separados. Ricos e pobres, cientistas brilhantes e artistas talentosos, sábios e ignorantes, fortes e fracos, todos sem excepção, são ceifados pela tenebrosa gadanha mortal. A morte escancara a nossa finitude e ri-se dos tolos distraídos. Perante a inevitabilidade da morte alguns tentam apressá-la. Uns suicidam-se, outros fenecem lentamente. Todos partem.
Mas a morte, talvez sem nunca o saber e imaginar - porque se há coisa que a morte não consegue fazer é sonhar -, também pode fazer sobressair a vida. Nos contornos sombrios do vale da Morte é possível vislumbrar os dedos luminosos da Vida. O fim pode ser o princípio.

A Bíblia ensina que a morte humana é o resultado do pecado humano: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12). Morremos porque somos pecadores. Deus tinha avisado Adão e Eva que a desobediência seria fatal (Génesis 2:17; 3:3). A morte espalhou-se no universo. Neste cenário mortal, Deus vai intervir e resolver o castigo da morte, com a morte. Num acto de graça e bondade, Deus envia o seu Filho Jesus para morrer sacrificialmente pelo pecado da humanidade. “Onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 5:21).

No seu livro Milagres, C. S. Lewis contrasta dois aspectos da morte: "Por um lado, a Morte é o triunfo de Satanás, a punição pela Queda e o último inimigo. Cristo derramou lágrimas no túmulo de Lázaro e suou sangue no Getsémani. A Vida das vidas que estava nEle não odiou menos do que nós este castigo cruel – odiou-o ainda mais. Por outro lado, só aquele que perde a própria vida a salvará. Somos baptizados na morte de Cristo, e ela é o remédio para a Queda. Na verdade, a morte é o que alguns indivíduos hoje chamam de ‘ambivalente’. Ela é a grande arma de Satanás e também a grande arma de Deus. É sagrada e profana. A nossa suprema desgraça e a nossa única esperança, aquilo que Cristo veio conquistar e o meio pelo qual Ele efectuou a conquista." Na agenda de Deus, a morte é o último inimigo do homem a ser completamente erradicado, mas a morte também é o remédio divino.

Antes de morrer, José Saramago deu uma entrevista ao Courier Internacional, aquando do lançamento do seu livro As intermitências da morte, onde afirmou que “O problema da Igreja é que precisa da morte para viver. Sem morte não poderia haver Igreja porque não haveria ressurreição. As religiões cristãs alimentam-se da morte.” Saramago aqui não se enganou muito. Na realidade, os verdadeiros cristãos sabem que a morte e a ressurreição de Cristo são os pilares da sua fé e vida. Jesus morreu e ressuscitou para nos salvar e para nos libertar do medo da morte (Hebreus 2:14-15). Em vez de tentarmos agarrar o breve vapor desta vida e vivendo aterrorizados com a morte, apeguemo-nos ao valor eterno da morte de Cristo.

Henri Nouwen conta que viu num cemitério da Irlanda do Norte um epitáfio numa cruz de madeira com a frase: "Onde a morte é declarada, a esperança encontra as suas raízes." Sim, há Vida para além da vida. A morte treme e sucumbe perante a cruz ensanguentada. A morte sabe que também morreu ali. A única esperança na vida é a paz e a vitória que brotam do túmulo vazio do Cristo. Deus matou a morte. A morte já não nos mete medo. Está morta.

Jorge Oliveira
(Crónica publicada na edição nº 163 - Outubro-Dezembro 2016, na Revista Refrigério)

quarta-feira, outubro 19, 2016

Acordar para a Vida

O Homem ridículo que teve um sonho, magnífico conto de Fiódor Dostoiévski, descobriu que o conhecimento acerca da vida não está acima da própria vida. Desprezar a vida dos outros, procedendo com indiferença e maldade, é conhecer pouco da vida. O pior dos vivos é aquele que pensa saber tudo acerca da vida, estando morto. O sábio Salomão relembra-nos que "os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma" (Eclesiastes 9:5). Se a maior loucura da vida é não a viver, a dádiva maior da Vida é encontrar-se com ela. A melhor maneira de começar a viver é acordar do sono mortal da ingratidão. Quando acordou do seu terrível sonho, o Homem ridículo estava grato pelo dom da Vida. Começou a amar. A viver.

segunda-feira, outubro 17, 2016

Partilhar o perdão de Cristo

A chamada "Grande Comissão” dada por Jesus à igreja, que alguém já apelidou de a “Grande Omissão”, aparece em todos os quatro Evangelhos (Mt 28:18-20; Mc 16:16; Lc 24:45-49 e Jo 20:19-23). A do Evangelho de João distingue-se das outras três pelas expressões vivas e poderosas que Cristo proferiu.

Depois da morte de Jesus, os apóstolos fecharam-se numa sala com medo dos judeus. Sentiam-se tristes, confusos e desamparados com a recente morte do Mestre. De repente, O próprio Jesus Cristo, ressurrecto, surge-lhes no meio. "Paz seja convosco!" diz Jesus por duas vezes (v.19 e v.21). Este "Shalom", a paz daquele que venceu a morte e o pecado infunde serenidade e propósito. É uma paz prometida (Jo 14:27; 16:33) e uma paz que nos chama e convoca, paz que transcende circunstâncias e lógicas humanas (Cl 3:15; Fp 4:7). O medo, a dúvida, a incredulidade, paralisam a igreja, a paz de Cristo faz-nos avançar.

Jesus dá-lhes o desafio missionário - “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (v. 21). A missão de Jesus é encarnacional, e como diz John Stott, esta é “a maior identificação transcultural na história da humanidade”. Aquele que foi enviado pelo Pai a salvar este mundo, ordena-nos que levemos a sua mensagem salvífica a todas as pessoas. É um comissionamento urgente e para todos os crentes. Temos a missão de não só experimentar a paz de Jesus, mas espalhá-la.

Os discípulos são convocados a sairiam para pregar o Evangelho, não por conta própria, mas com a autoridade e o poder do Espírito Santo. As missões sem o poder de Deus são infrutíferas, por isso Jesus dá-lhes um "sopro de Vida" (v.22). Uma espécie de "aperitivo" do grande banquete que viria mais tarde no Dia de Pentecostes. Uma pequena "brisa" do grande Vento.

Jesus não só lhes deu o poder da mensagem, mas também o conteúdo da mensagem da pregação: "o perdão de pecados" (v.23). Não se trata de outorgar a absolvição de pecados - exclusiva de Deus -, mas, de sermos as testemunhas do perdão que brota na cruz de Cristo. Somos exortados a partilhar o evangelho da salvação, no poder do Espírito Santo, sem medos nem vergonhas, a todos os que nos rodeiam. Quem crer neste perdão será salvo, mas quem não crer permanece condenado. "Ide!"

domingo, outubro 16, 2016

A Vida é mais importante que a unidade

"O poder espiritual não é algo que pertence ao mundo da matemática, e, portanto, se unirmos todas as denominações e juntarmos todos os poderes que cada uma tem, nem isso criaria vida espiritual. O enterro de muitos corpos no mesmo cemitério não leva à ressurreição. A vida é mais importante que a unidade." - Martyn Lloyd-Jones.

In: MURRAY, Iain. A vida de Martyn Lloyd-Jones. São Paulo: PES, 2014, p. 276.

quinta-feira, outubro 13, 2016

Prémio das letras

"Está fora de moda falar na eternidade, mas tanto Alexievich como Dylan serão imortais. Escrever é escrever. Um mau poeta será sempre pior do que um bom jornalista. Dylan é inegavelmente um grande escritor. A Academia sueca está a usar o Prémio Nobel para restaurar a literatura. Tomara que regresse à literatura oral. As histórias que não são escritas também podem ser grandes e imortais." Diz e, muito bem, o Miguel Esteves Cardoso hoje no Público.

Bob Dylan é o vencedor do Prémio Nobel da Literatura 2016 e eu rejubilo. O resto é letra. E cantigas. E muita inveja.

terça-feira, outubro 11, 2016

A história dos dois filhos perdidos

Um Pai tinha 2 filhos. O mais novo pediu a herança ao pai e ele reparte-a em vida. O filho mais novo sai de casa para uma “terra longínqua” e lá gasta tudo. Terra longínqua, que Agostinho diz representar a loucura do esquecimento de Deus. Acontece uma grande fome e, para se alimentar, o jovem apascenta porcos e come bolotas. Desesperado, “cai em si” e volta para casa do pai, disposto até a ser um escravo. O pai corre ao encontro do filho quando ainda ele vem longe, cobre-o de beijos, perdoa-o e faz-lhe um alegre banquete. Entrementes, o irmão mais velho chega do campo e sabendo que o seu irmão tinha voltado, fica profundamente indignado e não quer entrar em casa.

“A Parábola do Filho Pródigo” é porventura a mais conhecida das parábolas da Bíblia. O grande escritor Charles Dickens disse que esta história é “a melhor de todas as pequenas narrativas jamais escritas.” Contada juntamente com outras duas ricas ilustrações sobre perdidos e achados, todo o capítulo quinze de Lucas é uma só unidade. Sem interrupções, Jesus vinca a mesma verdade central nas três histórias: A tristeza pela perda de algo precioso e a alegria do reencontro.

Para mim, o personagem principal da terceira história não é nenhum dos filhos mas o próprio pai, ele sim é pródigo em graça e amor. Nos poucos versículos da passagem bíblica, a palavra “pai” aparece 12 vezes. Esta é a história de Deus Pai a buscar e salvar, por intermédio de Jesus Cristo, aquele que se havia perdido (Lucas 19:10).

Tanto o filho mais novo com a sua rebeldia auto-suficiente, como o mais velho cheio de justiça própria, estavam perdidos. A diferença é que o filho mais novo arrependeu-se e foi perdoado, o mais velho, que sempre esteve em casa do pai mas não tinha verdadeira comunhão com ele, não reza a história. O ingrato filho mais velho representa os soberbos e arrogantes fariseus e escribas que confiavam nos seus feitos religiosos, mas censuravam Jesus por Ele receber e comer com pecadores (v.2). Nós também imaginamos muitas vezes que o amor de Deus é alcançado por mérito humano ou por bom comportamento, mas não, é consequência da graça divina.

A narrativa termina com a sentença do Pai: “Era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado” (v.32). Existem tantas razões para aqueles que foram encontrados se alegrarem e serem gratos a Deus. Porquê tanta queixa e crítica? Devíamos agradecer o muito que Deus nos tem dado. A vida, os pais, filhos, irmãos, amigos, bens, igreja, tantas, tantas dádivas divinas.

Jesus continua a chamar ao arrependimento, não os que se consideram justos e rectos, mas os que andam perdidos. Ele continua a receber pecadores e a ainda quer comer com eles. Como Jesus repete nesta maravilhosa parábola: “há alegria no céu por um pecador que se arrepende” (v.7 e v.10). HOJE também!

segunda-feira, outubro 10, 2016

Fora de Cristo não há felicidade

"Busquem a felicidade em Cristo e só nEle. Cuidem-se para não se apegarem ao pó. Esta terra não é o vosso destino."

John Wesley

segunda-feira, outubro 03, 2016

A pregação de Martyn Lloyd-Jones

Um dos oito livros que li nestas férias foi a extraordinária biografia de Martyn Lloyd-Jones, escrita por Iain Murray (PES - Publicações Evangélicas Seleccionadas). É uma compilação com quinhentas páginas, de dois enormes volumes biográficos publicados anteriormente pelo mesmo autor. Receio que Martyn Lloyd-Jones ainda seja muito desconhecido dos crentes evangélicos portugueses.

Oriundo da tradição Metodista Calvinista do País de Gales ("Igreja Presbiteriana de Gales"), Lloyd-Jones foi um poderoso tição nas mãos de Deus que incendiou a Inglaterra e o mundo. "O Doutor", como era conhecido, insurgiu-se contra o liberalismo, o emocionalismo, o activismo evangélico, o tradicionalismo e tantos outros "ismos" que enfraqueciam a igreja inglesa no século XX. O ministério de Martyn Lloyd-Jones caracterizou-se pela pregação expositiva da Palavra de Deus. Mais do que pregar sobre temáticas usando a Bíblia, ele acreditava na importância fundamental de pregar a própria Bíblia para a salvação e transformação de vidas e para a edificação da Igreja de Cristo.

Neste início do século XXI, em que os crentes evangélicos andam tão entretidos com superficialidades, actividades e modismos, precisamos voltar à velha e boa pregação expositiva da Palavra de Deus. "O dever da pregação não é entreter as pessoas mas conduzi-las à salvação, ensiná-las a encontrar-se com Deus", ensinava "o Doutor".
Do muito que se poderia dizer deste livro, sobressai o exemplo de fé, perseverança, humildade e confiança na soberania divina na vida de Martyn Lloyd-Jones. Percebe-se e nota-se Jesus Cristo nas suas palavras e ensino. Incentivo a sua (re)leitura a todos os líderes e crentes interessados na propagação do reino de Deus e na glória do Altíssimo.

domingo, outubro 02, 2016

Doutrina e Vida

"Eu passo a metade do meu tempo a dizer aos cristãos para estudar a doutrina e a outra metade a dizer-lhes que a doutrina não é suficiente."

Martyn Lloyd-Jones