domingo, setembro 25, 2011

Os limites do secular e do sagrado

"Um dos maus hábitos que adquirimos logo cedo na vida é separar as coisas e as pessoas em seculares e sagradas. Imaginamos que o secular é tudo aquilo de que mais ou menos conseguimos dar conta: nosso trabalho, nosso tempo, nosso dinheiro, nossas opiniões, nosso divertimento, nosso governo, nossa casa e terreno, nossas relações sociais. O sagrado é aquilo de que Deus se encarrega: a adoração e a Bíblia, céu e inferno, igreja e orações. Então maquinamos uma maneira de separar um lugar sagrado para Deus, intencionados que estamos, segundo o que afirmarmos, a honrar a Deus, mas com o real objectivo de mantê-lo em seu lugar, para que nos permita a liberdade de termos a palavra final em tudo o mais que ocorra fora dos limites daquele espaço.

Para os profetas, isso simplesmente não existe. Sustentam que tudo, absolutamente tudo, se dá em solo sagrado. Deus tem algo a dizer sobre cada aspecto da nossa vida, como sentimos e agimos na chamada privacidade do nosso coração e da nossa casa, como obtemos dinheiro e como o gastamos, as tendências políticas que abraçamos, as guerras que travamos, as calamidades que suportamos, as pessoas que magoamos e as pessoas que ajudamos. Nada fica oculto ao olhar perscrutador de Deus; nada está isento do controlo de Deus; nada escapa aos propósitos de Deus. O solo é santo; as pessoas são santas; as palavras são santas: santo, santo, santo."


In: Eugene Peterson. O Caminho de Jesus e os atalhos da Igreja. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2009, p. 143.

1 comentário:

Rubinho Osório disse...

Esse é um dos - muitos - problemas das igrejas hoje. Elas permitem - quando não incentivam - a dicotomia dessas duas categorias que não existem: o sagrado e o profano.