A propósito destas duas cenas que partilhei há dias, o meu amigo Brissos Lino, fez uma interessante reflexão e agradeço a sabonetada, mas há que ter mais prudência na leitura metafórica e tropológica das minhas novelas familiares (um vício de pastor, certamente, eheh). Como o amigo bem sabe, os maiores opositores de Jesus eram os Fariseus e estes andavam sempre a lavar as mãos, os copos, os jarros, os vasos de metal, e as camas (!); contudo, e mesmo com essas lavagens industriais, continuavam cheios de imundície e sujidade, porque o problema deles era cardiovascular: o coração. O que eles precisavam era de uma limpeza interior.
Hoje, os sabonetes actuais continuam a não conseguir lavar bem (têm demasiados químicos artificiais e provocam-me alergias). Se pensarmos bem, a Água Viva continua a lavar muito melhor que os melhores sabonetes líquidos (cá está mais uma boa analogia).
Além disso, não perfilho a questionável teologia de que a presença de Deus se ganha com muito esforço, trabalho e lavagens pessoais. A presença de Deus, mais do que um prémio pelo bom comportamento cristão é claramente um mistério imerecido da graça divina (Deus manifestou a sua presença na sarça a Moisés, um foragido e homicida; que fez ele para a merecer?). Mais do que trabalho e empenho pessoal, a presença de Deus revela-se na pessoa que confessa os seus pecados e se arrepende perante essa sempre-presente-Presença (Actos 3:19). Não se ganha, aceita-se. Constata-se. E isto não é um convite à indolência, mas um apelo ao descanso da obra completa de Cristo.
Não me leve a mal, mas na véspera do dia Mundial da Criança apetece-me cantar: "O sabão lava o rostinho, lava o meu pezinho, lava a minha mão, mas Jesus para me deixar limpinho quer lavar o meu coração."
Por mim, bem preciso.
(Desculpe lá Brissos, mas a culpa é sempre da Eva! E da serpente...Eheh)



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