O estimado amigo
Rui Miguel Duarte, levantou algumas questões relacionadas com o meu post
"5 clichés de alguns evangélicos", nomeadamente no que se refere ao ponto 5 -
“Deus acredita em nós!”. Em jeito de resposta, vou aqui dar alguns esclarecimentos do que eu penso.
Começo por dizer que não percebi muito bem onde é que a frase “Deus acredita em nós!”, aprova ou nega o Calvinismo, ou que apoia ou retira a responsabilidade humana. É um chavão que já ouvi e li várias vezes no meio evangélico e que descreve implicitamente o deus (e o tipo de fé) que as pessoas acreditam quando a proferem.
É um deus que não sabe todas as coisas, que não conhece plenamente o futuro e que está dependente das suas criaturas para realizar todos os seus intentos e acções. Retrata também um deus que parece estar "em suspenso", numa espécie de
limbo divino, à espera das escolhas e das decisões que os homens vão tomar. Conhecendo eu muito pouco acerca de Deus, constato facilmente que o Deus que a Bíblia revela não tem nada a ver com essa pálida imagem desse pequeno deus.
Não querendo entrar aqui numa acesa discussão teológica e sem querer dar a palavra final no assunto, cito apenas 5 passagens bíblicas que reforçam o total conhecimento de Deus, o seu poder absoluto, e a sua acção soberana, independente do Homem, para a realização dos seus intentos finais:
"Mas o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz." (Salmos 115:3)
“Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó SENHOR, tudo conheces.” (Salmos 139:4)
"Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade." (Isaías 46:9-10)
"Antes que eu te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta." (Jeremias 1:5)
"Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade." (Efésios 1:11)
Por causa destes e de outros textos bíblicos, acredito que a vontade soberana (secreta) de Deus sempre se cumprirá, independentemente do Homem querer ou não querer. É Deus que é totalmente livre, não o homem. Se a vontade final de Deus dependesse do homem, o Deus decisor seria o Homem e não O Senhor.
Acredito que Deus preserva, ordena e governa tudo o que Ele criou para a sua própria glória. Deus continua a controlar e a sustentar TODAS AS COISAS pela palavra do seu poder (Hebreus 1:3).
Gostava de referir também que creio que a soberania absoluta de Deus é perfeitamente compatível com a importância e a responsabilidade humana. Deus conhece antecipadamente todas as resoluções humanas, Deus é
"perfeito em conhecimento" (Jó 37:16), mas o Homem é responsável pelas suas escolhas e decisões, que estão num certo sentido tolhidas pelo pecado, pela velha natureza e pelo diabo. O único Homem que tem realmente crédito diante de Deus é o seu Filho Unigénito: Jesus Cristo. Esse mesmo Jesus que não confiava nos homens
"porque a todos conhecia" (João 2:24)
Sei que desacreditar a afirmação
“Deus acredita em nós!” pode chocar os crescentes sectores humanistas da igreja evangélica, que colocam o Homem como o centro e fim de todas as coisas, e Deus como um servo do Homem. Mas, é a minha convicção que não é Deus que precisa acreditar no homem, antes, é o homem que precisa desesperadamente de crer e confiar em Deus.
Um abraço, amigo Rui.