
Hoje, quando Gilberto Madail apresentou o novo seleccionador nacional Carlos Queiroz, afirmou que era
“o regresso do filho pródigo”. Esta referência ao filho que se portou mal mas resolve regressar para casa do pai fez-me pensar em algumas verdades que decorrem da
história bíblica, que embora não tenham grande ligação a Queiroz, têm com certeza à vida:
1 - Esta passagem revela-nos que há situações em que não podemos impedir que as pessoas que amamos escolham errar – o filho saiu da casa do Pai e partiu para o caminho da perda e da dissolução. O pai, continuou a amá-lo e ficou à espera. Provavelmente orando e chorando.
2 – Quando o filho perdeu tudo, pensou na casa do Pai – As nossas más escolhas traduzem-se em sofrimento e angústia. Na estrada da auto-suficiência precisamos comer algumas bolotas para valorizar o que verdadeiramente importa. O mal que nos acontece, a maior parte das vezes, é o dedo amoroso de Deus a apontar o caminho para casa.
3 – O amor, a família e a comunhão amorosa na Casa do Pai, são infinitamente superiores e melhores que os mais ricos tesouros e prazeres carnais. Todas as coisas são efémeras e um dia passarão, menos a Palavra e o amor de Deus.
4 – O pai quando viu o filho correu e lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o. Estranhamente, não julgou nem puniu o filho arrependido. As pessoas, as pessoas «de per se», são sempre mais importantes que a nossas melhores razões e argutos argumentos. O pai pagou a ingratidão com amor e perdão. Custa-nos entender e viver isto.
Esta passagem ensina-nos que nem sempre se colhe precisamente o que se merece. É a revelação da indecifrável, mas maravilhosa graça de Deus. É a lei do amor a superar a lei da causa e efeito.
5 – Nem todos os filhos que coabitam na casa do Pai, estão cheios do seu amor – veja-se a atitude legalista, invejosa e vingativa do outro filho mais velho. Há justiça no amor do Pai? Sim há, a justiça da graça amorosa de Deus, que dá tudo a quem não merece nada.
Numa ou noutra circunstância todos temos sido filhos rebeldes. Eu já me senti algumas vezes como o filho pródigo. Outras, como o filho mais velho. Mas somos convocados a estar na Casa do Pai, que não é forçosamente um templo religioso, mas é o lugar da comunhão amorosa com Ele e com os outros. A seguirmos o seu amor magnânimo e não vingativo. Não é o caminho mais fácil, mas é o que vale a pena viver, porque o amor do Pai é melhor que tudo o resto.