quinta-feira, março 17, 2011

O funeral das testemunhas de Jeová

Um dia destes participei numa cerimónia fúnebre realizada pelas (auto) intituladas “Testemunhas de Jeová”. Era a primeira vez. A capela no cemitério estava a abarrotar. Ambiente abafado, com muito calor. O oficiante que dirigiu a palestra nunca mais se calava. Percorreu dezenas de versículos do Génesis ao Apocalipse, passando pelos profetas maiores e menores, numa lenta, desgastante e enfadonha maratona de exaltação dos pontos-chave da sua religião.

Enfatizou as Escrituras traduzidas directamente dos originais (a tradução da Torre de Vigia, claro); falou da génese pecadora das células; falou de Adão e de João na ilha de Patmos; das almas dos que morrem serem iguais à dos animais (neste momento, algumas pessoas começaram a sair); mencionou a importância do baptismo deles; realçou o número limitado dos privilegiados que vão reinar na terra; destacou a importância de se fazer proselitismo; voltou a falar dos animais (mais pessoas saíram); da grandeza peculiar dos que batem às portas para incomodar pessoas e como isso contribui para a sua salvação. O homem falou, falou, falou. Terminou e já não fui ao cemitério, onde presumivelmente continuaria a segunda parte da sua ostensiva, cansativa e despropositada exposição. O discurso religioso apartado da Pessoa do Espírito Santo é sempre uma coisa enfadonha e as religiões são sempre chatas.

Pensei nos protestantes. Como às vezes também somos assim. Chatos, enfadonhos, cansativos. Jesus era diferente. Não deixava ninguém indiferente. Infelizmente o herético e inoportuno reinado das testemunhas da Sentinela já nos bate à porta há muitos anos. Tentam meter o pé grande (e chato) nas nossas casas e vida. Não abram. A verdade e a vida não estão em nenhuma religião, só se encontra mesmo na Pessoa de Jesus. A esse, corram solícitos a abrir a porta. A porta do coração e da vida.

6 comentários:

Rubinho Osório disse...

"O discurso religioso apartado do Espírito Santo..."
Pergunto: existe algum que não seja?
O discurso de Jesus era claramente não religioso e até anti-religioso!

Jorge Oliveira disse...

"Discurso religioso", no sentido de tratar das coisas espirituais e não propriamente da religião como dogma.

A palavra "religião", como deves saber, vem do latim "religio", que significa "prestar culto a uma divindade", “ligar novamente", ou simplesmente "religar". Nesse sentido Jesus não só teve um discurso religioso, mas Ele próprio fez a Religião. Ele é a nossa verdadeira ligação com O Pai.

O Espírito Santo habita nos filhos de Deus e embora reconheça que a nossa carne é um casulo muito fraco, penso que é possível ter a vida e o discurso alinhados com O Espírito Santo.

José Carlos disse...

E, se calhar, ainda não foste a um funeral dirigido por um "servo" da denominada "Congregação Cristã em Portugal". Sim é também enfadonho e apenas religioso.
Não há pachorra...

"Cristo veio para nos libertar do pecado e da religião"

Jorge Oliveira disse...

Não, ainda não fui à um funeral da C.C., mas já fui a alguns católicos e, embora alguns sejam do tipo "vamos-lá-despachar-isto-depressa", a grande maioria são igualmente uma grande seca.

Paulo Costa disse...

É possível que o carácter enfadonho e estéril dos discursos religiosos que são proferidos em funerais, tenha sido uma das razões que levou Jesus a afirmar: «Deixa que os mortos enterrem os seus mortos, e tu vai e anuncia o Reino de Deus. (Lucas 9,60).

Jorge Oliveira disse...

Olá Paulo,
Embora eu não acredite que devemos orar ou pregar para os mortos, parece-me bem honrar e respeitar os corpos dos defuntos e aproveitar a ocasião para consolar e anunciar Jesus para os vivos.

Se há coisa que distingue os funerais evangélicos é, não só a lembrança da pessoa morta e do que ela significou, mas também a oportunidade para anunciar precisamente o reino de Deus (a salvação que há na morte e ressurreição de Jesus).

As palavras de Jesus que referes inserem-se num contexto de discipulado; quando se tenta arranjar essas e outras desculpas para não seguir o Senhor Jesus (Lucas 9:59-61).

Um abraço.